Seguindo meu instinto - Perina
7 A lagoa que me lembra seus OLHOS
Notas iniciais
No HOTEL
As buscas tinham sido duras, conseguiram vasculhar boa parte das ilhas. A esperança deles era muito forte. Nada nem ninguém tirariam a fé de encontrar seus filhos. Sabiam que eles estariam em algum lugar juntos. Agora só restavam poucas ilhas para vasculhar.
–Só faltam quatro ilhas. Com certeza eles estão em alguma delas. Disse Duca tentando consola lós.
Todos estavam reunidos no saguão, sentados no sofá. Marcelo estava abraçado com Delma que chorava. Tomtom estava quieta o que não acontece com muita frequência, essa garota sempre tem o que falar e uma ideia pra que as coisas se possa se resolver, mas não agora nada a dizer e nenhuma ideia, simplesmente sente a falta de seu irmão mais velho. Aquele que sempre a fazia companhia depois de um ataque de asma, o que cantava para ela dormir em um dia de chuva, o seu melhor amigo. João estava com seu jogo tentando se concentrar, não sabia o que dizer para ajuda-los ou consola lós. Ele avia chorado escondido noite passada o seu primo e também seu melhor amigo estava desaparecido e ele não sabia o que fazer, o sentimento era o mesmo de quando seu pai se foi, quando ele descobriu o “traste” que ele é. Era assim que ele descrevia o seu pai, um “traste” por trair sua mãe e o abandona-lo, pó eu sou seu filho. E também quando sua mãe escolheu deixar tudo em São Paulo inclusive ele. Ainda tinha uma certa magoa pela que ela fez apesar dele ter escolhido ficar, mas aqui ló, aquele sentimento de fé e incerteza o incomodava, queria acreditar que eles estariam bem e juntos, mas a mesma medida de certeza era a mesma medida de incerteza. Gael subiu para seu quarto precisava ouvir uma voz familiar para tranquiliza-lo. Ela sabia o que dizer e isso o deixava mais esperançosos.
–Como eu precisava te ouvir.
–Meu amor. Tudo vai correr bem. Ela esta bem Ela é tão forte e determinada, como você. Disse a voz feminina do outro lado da linha.
–Dandara é nisso que eu tenho me apegado, mas ela não é tão forte como pensamos é só uma casca. Quando ela esta assustada ela não sabe o que fazer. Eu a ensinei ser uma lutadora e não a se defender de seus medos, sempre era eu quem as defendia e as protegia. Agora ela esta sei lá onde.
–Mas ela não esta com um garoto?
–É o que todos esperamos. A família dele esta tão preocupados quanto eu.
–Meu amor, só falta poucas ilhas não é? Então vocês vão encontra los. Só não desista. Não agora.
–Obrigado. Você sempre me acalma. Queria que estivesse aqui.
–Eu também, mas estou arrumando tudo para a minha irmã e família.
Gael não percebeu qual grande coincidência.
–Eu sei.
–Trás ela pra casa, tá?
–Vou leva-la. Beijos. Saudades.
–Saudades.
A ligação terminou Gael se se encostou à cabeceira de sua cama, com os pensamentos em Karina. “Onde esta a minha filhinha meu Deus? Cuida dela pra mim, por favor.” Foi a oração que fez. Seu cansaço já estava sucumbindo suas forças e adormeceu. Bianco o encontrou hora depois o cobriu com carinho e deu um beijo em sua testa de boa noite. Duca preparou sua cama no chão. Todos concordaram que Bianca não precisaria dormir sozinha então passou a dormir no quarto com seu pai e Duca.
–Boa noite, Bi. Nós vamos encontra-la.
–Obrigada! Boa noite, Duca.
Bianca deitou em sua cama ficou olhando para o teto por longos minutos.
–Duca você esta acordado?
–Estou.
– Du será que ela vai gostar do meu presente?
–Não é muita a cara dela, mas nessa circunstancia acho que ela vai gostar sim.
–Espero que sim. Boa noite.
–Boa noite.
A noite foi tranquila, a esperança os trouxe paz. Todos em suas respectivas camas adormecendo tranquilos. Assim como o jovem casal que dormia abraçados encima de algumas folhas de palmeiras, a noite estava fria por conta da brisa do mar, mas seus corpos os aqueciam. A noite tinha muitas estrelas que fazia companhia para uma grande lua cheia, eles eram sim cumplices de uma paixão avassaladora. Uma paixão que até eles desconheciam. Pedro segurava Karina tão firme, parecia que ela fugiria entre seus dedos como água, Karina usando seu peito como travesseiro, os sonhos para ambos era agradável. O sol brilhou para todos. O dia era quente e agradável, para aqueles que dormiam no hotel o dia raiou mais cedo, Gael e Marcelo já estava na marina, teria que ser hoje. Os barcos saíram paras ultimas ilhas, era aquelas as que estavam quilômetros dali.
Na ILHA
Pedro acordou se deparando com uma cena, que dizia que á ele que nunca mais esqueceria. Uma jovem que parecia indefesa dormia em seus braços, sua respiração era leve e tranquila. Pedro não conseguia parar de olha lá. Ela era linda. Tudo nela era perfeita, seus cabelos, suas orelhas, aqueles lábios semiabertos, suas mãos, seu nariz. Tudo nela, até o seu cheiro era único. Pedro estava encantado apenas sorria, com aquela visão, seu sorriso aumentou quando aqueles lindos olhos azuis o olhou confuso.
–Você é tão linda! Não consigo parar de olhar pra você.
–Bom dia!! Karina sorrio sengraça.
–Bom dia!! Pedro não conseguia solta la, sabia que no momento que fizesse isso tudo seria perdido. Karina deitou sua cabeça sobre seus braços ainda sobre seu peito para olha lo. Ela também não queria sair dali era tão confortável, sei cheiro era agradável, apesar de só tomarem banho na lagoa, era ali ela se sentia protegida, entre os seus braços.
–Eu quero te beijar. Mas não se assuste. É um beijo de bom dia.
Karina sorriu de ladinho consentido. Pedro a trouxe mas para cima eu deu lhe um beijo singelo, calmo como a brisa e tranquilo como o momento que estava. Karina cedeu ao beijo facilmente, era o que ela queria também ser beijada depois de sonhar com o musico a noite toda. O desejo se exalava pelos seus poros. Quando ficaram sem ar separarão Karina o olhou profundamente tentava ler seus pensamentos ou um tiquinho do que seus sorriso bobo dizia. Eles só transmitiam alegria e satisfação.
–Seus olhos. Queria poder olha lós todos os dias. Era a única coisa que ele soube dizer. –Você esta me enlouquecendo, nem sei descrever o que estou sentido, só posso te dizer que eu nunca me senti assim. É louco.
Karina sorriu, suas respostas foram respondidas.
–Estou com fome. Karina disse quebrando o clima e se levantado. Pedro sorriu.
–Eita mulher, vou ver algo pra você comer. Eles riram. Pedro se levantou e saiu atrás de algumas frutas. Beijou o topo da sua cabeça e sentou se junto a ela quando voltou com algumas bananas.
–Nunca mais vou comer banana na vida, quando voltarmos pra casa.
–Eu também não. Mas o que temos agora é só banana gata, então pensa que é um pãozinho quentinho com queijo e café. Por que é o que eu estou imaginando que seja.
–Você sempre tem resposta pra tudo é?
–Com você? É difícil. Por que as vezes fico sem palavra.
–Será que vamos sair daqui logo? Estou com saudades de casa.
–Eu também. Espero que seja logo. Só consigo pensar no sofrimento dos meus pais e da Tomtom. Até o João deve estar se descabelando por mim.
–Você é bem engraçadinho. Mas eu também, o papai deve estar pirando.
O dia estava quente, Karina foi até a lagoa, Pedro estava por perto sentado em uma pedra a observando em silencio. Queriam distrair suas mentes do beijo da noite passada.
–O esquentadinha posso te fazer companhia?
–hahah.. Não. E também já estou saindo.
Karina saiu apenas de biquíni fazendo Pedro ficar de boca aberta.
–Para de babar e fecha a boca. Karina estava envergonhada, mas não se deixou abalar.
–É difícil assim esquentadinha. Karina colocou shorts e sua regata acabando com a alegria do rapaz.
–Ótimo!
–Ótimo o que?
–Tirei esse sorrisinho da sua cara.
–Esquentadinha, esquentadinha... Até de roupa eu fico babando por você. Você é muito gostosa.
–Pedro CALA BOCA ou você vai sofrer um pequeno acidente.
–Posso te falar uma coisa?
–Não é nenhuma gracinha sua?
–Não.
–Então pode. Disse sentando junto com ele de frente para a lagoa.
–Sabe, essa lagoa é tão linda.
–É linda mesmo.
–Estou me sentindo naquele filme a “lagoa azul” onde as duas crianças ficam por anos em uma ilha, se apaixonam e tem um filhinho.
–Era isso que você queria me dizer? Que você acha que nós vamos viver aqui e ter filhinhos e vivermos felizes para sempre? Disse Karina se levantando irritada.
–Não. Espera. Disse segurando a pelo braço. Não era isso.
–É o que então? Disse sentando, mas ainda irritada.
–Quero dizer que quando nós encontrarmos vou sentir falta de duas coisas. Primeira de ficar com você claro. Karina ficou corada. -Você é uma ótima companhia.
–Segunda?
–Segunda vai ser dessa lagoa. Por que ela lembram seus olhos. Azuis e profundos.
–Pedro...
Um barulho os atrapalhou era longe. Pedro e Karina se levantaram correndo.
–Vai Karina corre. Correram até a praia, Pedro correu até a caixa de primeiro socorros e encontrou o sinalizador.
–Atira esquentadinha. Atira. Pedro passou o sinalizador. Karina atirou para que o helicóptero os encontrasse, acenaram e gritaram.
–Atenção. Encontrei os dois jovens. Repito encontrei os dois jovens. Disse o piloto no radio para os barcos que estavam atrás os encontrasse. Pousou o helicóptero e esperaram até que os barcos chegaram com os pais dos jovens. Gael correu até Karina e abraçou forte, com Marcelo não foi diferente o pai correu até seu filho.
–Graças a Deus vocês estão bem. Disse Marcelo olhando seu filho.
–Filha eu fiquei tão preocupado com você. Disse Gael a abraçando mais forte.
–Vamos embora. Por favor. Disse Karina agarrada ao seu pai.
Pedro e Karina não se falaram o caminho todo de volta ao hotel, Marcelo perguntou o que ouve para naufragarem Pedro explicou o que avia acontecido naquela noite. Gael não soltou Karina por nenhum momento tinha medo que a filha sumisse de novo. Ao chegarem ao hotel Pedro correu até s braços de sua mãe e Tomtom que o recebeu em meio a lagrimas. Karina recebeu um abraço forte de Bianca, um que ela nunca tinha recebido ela chorava em seus braços. Não encontrava se palavras para dizer naquele momento apenas o choro de alegria era ouvido entre as famílias.
–Eu estou faminta. Disse Karina quebrando o silencio e fazendo todos sorrir.
–Filha vocês não tinha nada pra comer?
–Pai eu só posso te dizer que banana e coco nunca mais.
–Eu quero comer um hambúrguer, pizza, coca cola. Só Pra começar. Disse Pedro.
–Primo senti sua falta. Disse João o abraçando
–É eu sei. Deve ser o meu charme. Todos riram.
–Vamos ver se achamos algo pra vocês comerem. Disse Gael.
Todos foram até o restaurante para jantarem. Pedro sentou junto do primo e da irmã e Karina junto a Gael que não saia de perto da filha. Pedro dava almas piscadelas pra Karina que apenas dava um sorriso de lado em resposta. Não demorou para todos estarem em seus quartos, Gael queria passar a noite no quarto das meninas, mas foi expulso por Bianca.
–Antes de sair, quero que vocês façam suas malas, vamos pra casa amanhã no primeiro voo.
–Mas pai e as nossas férias? Disse Bianca chateada.
–Bianca, vamos amanhã e pronto. A Karina vai ficar nas minhas vistas até o dia que eu me recuperar desse susto.
–Pelo que vejo, será só quando você morrer.
–Então que seja. Boa Noite! Fala pra Karina que eu amo vocês. Deu um beijo em Bianca e saiu. Karina tomava seu banho, ainda estava cheia de energia, devia ser a adrenalina correndo em seu corpo por conta desses últimos dias, ou era saber que nunca mais veria Pedro? Karina saiu do banho e foi abraçada novamente pela irmã.
–Parabéns atrasado Ka. Aqui seu presente. Espero que você goste.
–Obrigada Bi. O que é?
–Abre. Era uma caixa prata com um laço enorme. Karina sentou em sua cama desfez o laço e abriu a enorme caixa. Dentro continha um lindo vestido azul. –Combina com seus olhos. A cara de “o que? Um vestido? Serio?” se desfez, a fez lembrar de Pedro dizendo sobre seus olhos.
–Obrigada Bi!!! Eu gostei muito. Não sei onde vou usar ou quando, mas é lindo! Karina abraçou a irmã.
–Ka papai disse pra fazermos as malas por que vamos embora no primeiro voo amanhã. Acho melhor você ir até o quarto do Pedro se despedir dele.
–Amanhã eu falo com ele. Hoje ele esta com a família ou descansando. O que era verdade, Pedro estava com o seu primo fazendo também as malas iriam embora de manhã. Contou ao primo tudo que aviam passado naqueles dias, os beijos, tudo. João ouvia o primo alegre.
–Primo você esta apaixonado?
–Que apaixonado o que, só foi bom esses dias apesar de tudo.
João contou da loucura que foi procura lós.
Era de madrugada Karina acordou sobre saltada depois de um sonho. Pedro e Karina velhos perdidos ainda naquela ilha, eles tinham uma filha e estava gravida de outro, mas tudo fica escuro quando a criança come amoras amarelas e brancas. (Amoras amarelas e brancas matão) Karina gritava Pedro que não aparecia e a criança morria em seu colo. Karina acordou do sonho ruim e foi até o banheiro lavar o rosto e tomou um pouco d’água. Ocorreu que tinha que se despedir de alguma forma do “amigo”.
Era de manhã e mais uma vez Gael descia com as mala, mas dessa vez tudo era diferente pra todos e em especial para Karina. Fizeram o check-in dos quartos. Duca já avia feito o seu no dia após o sumiço de sua cunhada, o clima de romance avia acabado, deixaram para uma próxima vez, não que eles não tenha namorando um pouco na cama King size do quarto, mas não passou de uns amaço.
–Quando a família Ramos fizer o check-in, por favor, entregue isso ao filho deles. Obrigada! Disse Karina.
–Pai você não acha muita falta de consideração não nós despedirmos da família de Pedro? Falou Bianca.
–Filha eu acho, mas não vamos perder esse avião e eles devem estar dormindo esses dias foram difíceis pra todos. Amanhã eu ligo e me desculpo por isso, agora entra nesse carro.
Karina estava em silencio o caminho todo. Sera que eles entregariam pra ele, era só o que passava em sua mente.
–Todos na academia estão com saudades de você e a Dandara ligou todos os dias pra saber se aviamos te encontrado. Disse Gael a tirando de seu devaneio.
–Legal. Foi a sua única resposta. Gael apertou a sua mão. Karina olhou o gesto carinhoso e sorriu sem gralça.
Pedro levantou cedo queria saber qual era o quarto da esquentadinha, queria se despedir antes que fossem embora.
–Bom dia! O Senhor pode me informar o quarto da família Duarte, por favor.
–Só um minuto. Família Duarte. Família Duarte. Meu jovem eles fizeram um check-in a uns 40 min..
–Eles já foram?
–Sim. Avião deles deve estar saindo agora.
–A Karina foi sem se despedir de mim?
–Como se chama meu jovem?
–Pedro. Pedro Ramos.
–Ah... Então isso é pra você. Disse lhe entregando uma carta que Karina avia lhe deixado.
.....
Eu nunca, nunca, nunca por mais longe
Que possa parecer
Não, nunca
Em breve estaremos juntos
Nós iremos continuar exatamente de onde paramos
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