Seguindo em Frente
15 Um Amigo?
Notas iniciais
Todo o restante da festa de aniversário de Gina, Hermione fugia da presença de Rony a todo custo. Sabia que era idiotice fugir como o diabo foge da cruz, mas sentia-se nervosa quando ele ficava por perto. E isso a irritava profundamente, principalmente porque era ele que deveria ficar longe dela, e não o contrario. Era uma mistura de raiva e timidez.
Ao cair da noite, aproveitou que Rony tinha saído para algum canto da casa e despediu-se de todos. Desaparatou em seu apartamento e desabou no sofá, sua cabeça doendo. Chutou os sapatos e deitou, fitando o teto. A verdade, ela confessou para si mesma, era que uma parte dela tinha gostado da volta do ruivo. Bem poderia parar com aquela birra que estava fazendo...
Não! Sua consciência gritou e Hermione balançou a cabeça. Mesmo que quisesse, a lembrança de Rony indo embora sem ao menos olhar para ela era doloroso e difícil de esquecer. Levantou-se e foi para o quarto. Sentia-se a ponto de explodir com o tanto que tinha comido.
Depois do banho, vestiu seu pijama e como não sentia fome, reforçou a proteção pelo apartamento com a varinha e foi para a cama. Ao afastar o edredom, seu pé acabou chutando algo debaixo da cama. Quando se agachou para ver o que era, seu coração acelerou e arfou, sentindo suas pernas fraquejarem. Pegou a velha caixa de sapatos entre as mãos e sentou na cama.
Abriu e deixou a tampa de lado. As cartas já estavam meio amareladas e com pequenos rasgos nas laterais por cauda do tempo. Uma gota caiu e molhou uma parte do pergaminho da carta que estava em mãos. A caixa estava cheia, resultado da várias cartas guardadas que recebera de Rony, mas sem coragem nenhuma de serem respondidas.
Ela abriu a primeira carta — a última que recebera.
10 de Dezembro/ 2014
Hermione,
Desisto. Não posso adivinhar no que você está pensando ou no que está sentindo.Talvez eu tenha sido mesmo um insensível quando fui embora, principalmente por não ter lhe dado um aviso prévio sobre nada. Mas sei também que você, com a sua teimosia sem fim, daria seus melhores argumentos e me imploraria para ficar. E, sinceramente, não tenho certeza se poderia negar o seu pedido. O que eu quero que entenda é que a chance da minha vida estava bem ali, batendo na porta, e acho que você diria para que eu seguisse meu coração. Pois bem, eu segui, e uma parte de mim está feliz com essa decisão, mas a outra, a aqui queria está em Londres com minha família, com Harry... com você, está morrendo aos poucos de culpa por está aqui sem receber nenhum sinal seu. Por favor, eu só quero saber se está bem e que não me odeia. Quero saber se conseguiu aquele cargo no Ministério que você tanto queria e que não parava de falar quando estávamos sozinhos.
Os meus treinamentos de auror estão cada vez mais pesados e até comprei alguns livros para ler. E não faça essa careta, eu leio quando preciso e o que me motiva é sua voz no fundo da minha mente me dizendo para ser cada vez melhor. Saiba que depois de um ano lhe escrevendo toda semana e não recebendo uma carta sequer de resposta, desisti de ficar insistindo. Acho que nem lê-las você está lendo, mas se isso estiver mesmo acontecendo, eu lamento muito. Esta é minha última carta.
Sinto sua falta,
Rony.
Hermione soluçava ao final da leitura e o choro estava forte. Também sinto sua falta, Rony.
Guardou de novo a carta e afastou a caixa, encolhendo-se na cama. Queria tanto ter respondido; mas todas as vezes que pegava na pena, suas mãos tremiam e não tinha coragem. Como a muito tempo tinha jurado não chorar mais pelo ruivo, a morena quebrou sua própria promessa e chorou até dormir.
***
Sentiu a cabeça pesar pela manhã. Suas têmporas latejavam e cambaleou até o banheiro. Seus olhos e o nariz estavam um pouco vermelhos e bufou derrotada. Arrumou-se para mais um dia de trabalho e nem se preocupou em comer alguma coisa. Assim que chegou em sua sala, Peter apareceu minutos depois com seu sorriso caloroso.
— Bom dia, Hermione — ele fechou a porta e se aproximou dela. Hermione sorriu fraco. — O que aconteceu?
Ela começou a mexer nos pergaminhos em cima de sua mesa. Peter e ela estavam mais próximos desde a noite em que se encontraram no bar, a uma semana. Gostava da companhia dele, mas gostava ainda mais de ficar sozinha as vezes, assim poderia organizar os turbilhões de pensamentos.
— Noite ruim — respondeu e deu de ombros.
— Sinto lhe informar, mas hoje tem treinamento com os novatos — Peter riu e colocou as mãos nos bolsos. Ele vestia uma calça jeans azul e camisa preta.
— Ah, não — Hermione estapeou a testa. — Tinha esquecido. Vai ser que horas?
— Depois do almoço, as duas horas.
— Melhor. — ela sentou e ficou tensa quando Peter se inclinou sobre sua mesa. Ele colocou as mãos sobre a mesma e ficou com o rosto bem perto do da morena.
— Almoça comigo hoje? — Peter tinha um sorriso de tirar o fôlego no rosto e Hermione não pode negar. Todos os dias ele perguntava.
— Claro.
Peter saiu e ela respirou fundo. Peter era um cara legal e tratava Hermione tão bem que as vezes a deixava sem jeito. Estava claro que ele estava interessado nela e a morena não sabia como se sentia em relação a isso. O melhor que podia fazer era ficar quieta e fingi-se de burra.
Quando deu a hora do almoço, Peter retornou a aparecer em sua sala e foram juntos para um pequeno restaurante ao lado do Ministério. O local era charmoso e estava cheio naquela hora. Escolheram uma mesa do lado de fora, na calçada. De frente um para o outro, começaram a conversar depois de fazerem seus pedidos.
— Você está muito calada hoje — Peter perguntou.
— Desculpe, — Hermione olhou para baixo. — estou um pouco cansada.
— Por que? — ela sabia que Peter estava apenas puxando assunto. — O que está ocupando essa cabecinha?
Hermione riu.
— Um... amigo que a muito tempo não o vejo retornou depois de três anos.
— E isso é um problema?
Quando gosto dele, sim, costuma ser um problema. Ela negou com a cabeça.
— Sim... quer dizer, não — Hermione colocou as mãos na mesa. — É um pouco confuso.
— Então me explica — Peter colocou uma mão por cima da sua e ela congelou.
— O que está acontecendo aqui? — uma voz diferente soou.
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