Seguindo em Frente
31 Profecia "Certa" - (Parte 2)
Notas iniciais
— Não dizia nada? — Kingsley murmurou pela milésima vez emburrando, juntando os pergaminhos usados na reunião enquanto os outros saiam.
— Parece que não ajudamos em nada — Rony falou, acompanhando os amigos pelo corredor.
— Na verdade, ajudamos mais do que ele pensa — Harry apontou para a sala, onde o ministro estava. — Se estivermos certos, os sacrifícios são as próximas coisas que elas vão fazer. O porque ainda não sabemos, mas temos que descobrir quando, não é Hermione? Hermione?
Os dois pararam, estranhando o silêncio da castanha que não havia falado nada. A auror continuou andando, até parar e se virar.
— O quê? Por que pararam de andar?
Como sempre, ela estava com um livro aberto bem na frente de seu nariz.
— Não é hora para ler, Hermione.
— Você não entende — abanou a mão para o amigo, apontando para a capa dura. — Esse livro é simplesmente maravilhoso.
— Faz parte da investigação?
— Não — rebateu ela, voltando a andar e ler.
Harry e Rony reviraram os olhos, correndo para impedir que ela batesse contra uma pilha enorme de jornais que flutuavam pelo saguão. Almoçariam juntos no Beco Diagonal, num pequeno restaurante. Pegaram uma mesa do lado de fora, perto da janela espelhada coberta de poeira e que impedia de ficar olhando a cozinha — serviço de Rony que não parava de mexer a perna impaciente e dizendo o tempo todo a fome monstruosa que sentia.
Distraída cutucando um pedaço da página da capa que estava solta, Hermione não notou que estava puxando algo.
Ao redor da mata, extensa e quase impossível de se penetrar sem ferramentas que tirassem a folhagem grossa, as pessoas a mando do rei estreitavam os olhos a busca de qualquer sinal. Os homem reclamavam, a todo momento, que suas mulheres estavam desesperadas pelos filhos desaparecidos e que não aceitavam aquele pouco exército para acompanhá-los.
O dia estava acabando e no céu o laranja se misturava com o azul. A lua não era branca.
— O quê? — resmungou, jogando as páginas do livro para o lado e examinando a capa, a parte interna de cima dela, onde a cola saía
— Danificando um livro, Granger?
— Sorte não ser sua cara — respondeu a Harry, notando ele fazer uma careta.
O papel amarelado revelava a ponta de outra coisa. Parando um segundo para passar a mão, quase imperceptível, um relevo existia ali. Franziu ainda mais as sobrancelhas. Assim que terminou de cortar delicadamente para baixo, uma folha de papel subiu, assustando os três. Hesitante, ela o pegou, colocando no centro da mesa e começando a abri-lo. Uma, duas, três dobras.
— Um mapa — sussurrou. Os contornos era confusos, linhas trêmulas que se seguiam para o final do papel rápido demais. Algumas árvores apareciam e sumiam, junto com alguma coisa cinza e branca em pontos próximos.
Hermione alisou a folha, estranhando as coisas nada haver que surgiam e sumiam na mesma velocidade que eram vistas.
As mesmas perguntas estavam estampadas nos semblantes de Rony e Harry.
— Vamos levar isso para o ministério.
***
O mapa ficara no Departamento de Artefatos.
As seis, depois de encerrar seu expediente, Hermione aceitou sair com Gina e algumas outras mulheres colegas de departamento. Resultado: acabou extrapolando da hora e das bebidas, atendendo uma ligação da mãe — que gerou estranhamento pelas garotas não entenderem como ela falava com uma pessoa pelo aparelho — e rir feito boba para as perguntas de Mônica. Não havia tomado mais que três canecas de cerveja amanteigada e um whisky de fogo para está com a voz tão arrastada. Diferente do que achava sua mãe caiu na gargalhada e a mandou para casa no mesmo momento.
Estava bebendo mais que o normal e era daquele jeito que Mônica reagia? A raiva a fez virar de uma vez outro copo de whisky, derramando o término com Peter para as mulheres que mal conhecia e escutando os xingamento e apoio moral por parte delas. Na névoa que era sua visão, viu Gina sorri abertamente e pedir uma última rodada de bebidas — voltando a discutirem com as vozes altas, uma tentando ser ouvida mais que a outra.
Achou mais sensato sair do mundo bruxo a pé e pegar um táxi para casa.
Foi uma tarefa difícil pegar o elevador e acertar o número do andar, mas quando subiu, focou um senhor baixo e gordo de frente a sua porta, tentando colocar algo pelo trinco. Seu treinamento não capturou nada suspeito então passou a mão no rosto e arrumou o cabelo.
— Oh, senhorita Granger! — saudou o velho porteiro.
— Boa noite. Tentando arrombar meu apartamento?
O homem corou sob as bochechas gordas, na mesma velocidade que arregalava os olhos.
— É brincadeira! — riu ela, tossindo um pouco para espantar a euforia da bebida.
— Outros moradores escutaram algumas pancadas vindo daqui e como você não estava, ia abri para ver se algo tinha acontecido.
Pancadas?
Hermione desviou o olhar do porteiro e examinou o corredor, a direita e esquerda, escutando apenas o vento forte do aquecedor.
Inúmeras possibilidades passaram por sua cabeça e nenhuma desculpa surgiu para que entrasse sem que o homem visse nada comprometedor.
Virou para ele com seu melhor sorriso.
— Deve ter sido o gato da vizinha. Ele tem mania de entrar aqui e brincar com a mobília.
— Então tem alguma janela aberta? — ele ciciou espantado. — Agora mesmo que vou entrar com a senhorita!
Hermione grunhiu e por um segundo pediu que ele não fosse tão bondoso.
Destrancou a porta com a chave que já estava no trinco e girou a maçaneta, empurrando devagar até que a luz do corredor fizesse um retângulo luminoso no chão, revelando os cacos de vidro espalhados. Quando acendeu as luzes da sala, viu o ambiente todo revirado: seu sofá estava emborcado para trás de onde ficava, encostado no balcão da cozinha. Seu estofado cobria o chão, assim com os restos dos dois abajures. A antiga mesinha de madeira que ficava no centro estava em fragalhos, as farpas mal vistas. Os eletrodomésticos tinham sido explodidos na cozinha e furos grande cobriam as portas dos armários, os sacos de mantimentos deixavam sair tudo e os molhos sujavam o piso.
Nem queria ver o seu quarto.
A queimação em seus olhos só foi sentida quando as primeiras lágrimas caíram. Subitamente lembrando que tinha outra pessoa com ela, olhou para o o lado, vendo a perplexidade do porteiro parado a porta. Quando tirou sua varinha do cós da calça, ele arregalou mais ainda os olhos.
— Estupore — murmurou e se adiantou para trazê-lo para dentro. Ele era muito pesado e o colocou de um modo que não se ferisse.
Enxugou as lágrimas e mandou uma mensagem a Harry, pedindo ajuda. Foi só o tempo de tentar revirar seu sofá que um estralo escutou.
— Mas o quê... — o moreno parou pelo choramingo da morena. Pisara nos cacos de algo e passando os olhos pelo local, detectou rapidamente a situação.
Hermione não soube como, mas depois que teve coragem de abrir os olhos e se afastar de quem quer que a mantinha dentro de uma abraço quente, surpreendeu-se ao ver seu aparatamento lotado de aurores fazendo a análise de tudo. Passavam as varinhas murmurando feitiços desconhecido por ela e anotando em pranchetas; misturando porções em uma bandeja sua e jogando na maçaneta da porta, da geladeira, da cafeteira.
Olhou para cima, captando o rosto de Rony que a segurava pelos ombros enquanto falava com um colega.
Voltou a escutar quando viu Harry caminhar em sua direção.
— Tentei não trazer tanta gente, mas foi impossível com a bagunça aqui — mas ele parecia não falar diretamente com ela. — A janela do quarto estava aberta, mas eu duvido que que alguém tenha entrado por ela...
— Quem foi? — Hermione elevou sua voz, escutando ela sair embargada. Harry e Rony a olharam.
— Ainda não sabemos — respondeu o ruivo.
Os dois tiveram que se afastar da morena para falarem com um auror que vestia uma jaqueta longa negra — falavam muito baixo para serem escutados. Viu uma mulher do ministério levitar o corpo do porteiro e levá-lo para fora, talvez para o seu posto e com a memória anulada. Os murmúrios, passos, feitiços, os estralos, começaram a zumbir em sua cabeça e a embrulhar seu estômago e foi por reflexo que alcançou o que parecia ser a única coisa inteira na sala: um vaso jogado perto da TV. Agarrou a borda com força e colocou para fora seu almoço e os copos de bebida de mais cedo, tudo se misturando em um gosto horrível em sua boca.
Sentiu alguém puxar seus cabelos e circular sua cintura, dando apoio a sua fraqueza assim que acabou.
— Ela não pode ficar, Harry! Não vê como ela está com tudo isso? — ralhou Rony, sua voz bem perto da morena. A perícia continuava e seu show de vômito pareceu não afetar os outros.
— Para casa dos pais dela? — palpitou o mesmo auror que falava com eles.
Pensou a respeito, mas uma onda de proteção lhe cercou quando considerou os fatos: seu apartamento tinha sido invadido, sem quaisquer suspeitas trouxas e possíveis bruxas. O porteiro havia dito que os moradores tinham escutado pancadas então um ladrão qualquer não seria tão descuidado a ponto de não saber procurar coisas com valor silenciosamente. Suas coisas de valor continuavam do mesmo lugar — de acordo com uma pessoa qualquer.
— É arriscado — decretou Rony, içando Hermione para cima junto a si. — Colocaremos os pais da Hermione em perigo se ela ficar lá.
— Então tem um outro lugar em mente, já que a Granger não vai poder ocupar o lugar pela próxima semana?
Só havia um lugar onde poderia ficar segura e sem colocar ninguém em perigo — sendo estes capazes de se protegerem.
— A Toca. Eu posso? — ela puxou o braço do garoto ao seu lado e recebeu um aceno profissional. Parou de escutar quando sentiu-se ser puxada contra o peito de Rony e rodopiarem até a casa dos Weasley.
— Eles chegaram! — alguém gritou.
— Hermione! Oh, Hermione! — choramingou Molly apertando a garota em seu abraço de urso. A auror não reclamou — mesmo que suas costelas apertassem seus pulmões, era bom receber o abraço de segunda mãe. Deixou que algumas lágrimas caíssem.
— Quem poderia ter feito aquilo, Molly?
— Eu não sei, querida.
Apenas a senhora, Arthur e Rony estavam na casa. Foi para o quarto de Gina e tomou um longo banho, vestindo um pijama da ruiva e sem conseguir engolir todo o jantar, subiu sussurrando um boa noite aos que a olhavam esperando qualquer reação.
Esperava dormir a noite toda, ma imagem de seu apartamento não paravam de ir e vir de sua mente.
E se não tivesse saído com as amigas no final do trabalho? Se tivesse em casa quando tudo aconteceu?
Talvez tivesse confrontado a pessoa... ou entrado em choque. Irritada com a insônia e o cheiro familiar que o quarto a proporcionava, a morena chutou os lençóis e vestiu um robe. Acendeu fracamente a ponta da sua varinha e desceu as escadas devagar, impedindo que tropeçasse e quebrasse o pescoço.
Já tinha alguém na sala.
— Parece que não vou ser a única a não dormir essa noite.
Rony desviou sua atenção do fogo da lareira.
— Eu deveria ser o único — rebateu. — Por que não está dormindo?
— Além do óbvio?
— Especialmente ele. Seria uma razão plausível para que dormisse e só acordasse bem tarde amanhã.
— Quem me dera ter essa sorte — deu de ombros, puxando as pernas para o peito após se sentar no sofá.
Ficaram observando o fogo lamber a madeira.
— Você está bem?
Ele era primeira pessoa que perguntava.
— Não. Sim. Quer dizer, eu não sei.
— Só está um pouco confuso?
— Sim — suspirou.
— É normal senti isso. Você não presenciou literalmente um crime, mas pelo jeito que estava o seu apartamento, com certeza o Harry vai querer uma investigação mais profunda do que uma simples perícia.
— Tem alguma coisa em que eu possa ajudar?
Ele pareceu avaliar.
— Não.
— Você nunca foi bom com mentiras — murmurou Hermione, se aproximando mais dele.
— Não, estou falando sério. O melhor é que você fique aqui até que seja resolvido e sem bancar a detetive intrometida virada na heroína.
Quando as palavras fizeram efeito em sua mente, ela não reprimiu a vontade de socá-lo.
— Você continua um ogro! — disse. O segundo golpe foi impedido por ele, que segurou seu pulso com um sorriso de canto.
— E você está fria — e sentindo também as suas mãos, estendeu o edredon por cima dos ombros dela. Quando o calor cobriu seu corpo, ela percebeu que só usava um fino robe do pijama.
Murmuraram mais algumas coisas, dividindo risadas de nostalgia.
Em um momento, quando a noite já tinha avançado e as nuvens quase não deixavam as estrelas brilharem, o vento forte e frio aquietasse ao ponto de silenciar o farfalhar da grama alta, Hermione sentiu suas pálpebras pesarem de sono... ou porque estava muito confortável no peito do ruivo e com o carinho em sua nuca. Agradeceu o gesto beijando o pescoço de Rony e sorriu com a reação dele, dormindo logo em seguida.
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