Seguindo em Frente
17 Meio Namoro
Notas iniciais
O chão rangia quando os passos pesados e contínuos do ruivo furioso andava de um lado para o outro. Rony estava na Toca e, a mesa, ocupado saboreando uma recém feita sopa, Harry o escutava resmungar enquanto comia, suspirando com a reação dele.
— ... e ainda tive que aguentar aquele Peter — Rony gesticulava com a mão. — Quem ele pensa que é? Ele nem conhece a Hermione como eu conheço!
Harry parou a colher a caminho da boca e fitou o ruivo, com as sobrancelhas arqueadas. O amigo não fazia ideia do que acontecia e estava cego pelo ciúmes. Era incrível o quanto ele ficava fora de si quando se tratava de Hermione.
— E você, Harry? — Rony se virou para o moreno com o rosto vermelho. — Não vai dizer nada? Deveria dizer que está do meu lado!
O moreno permaneceu em silêncio e terminou sua sopa, afastando a cadeira e levando o prato até a pia. A meia hora escutava Rony gritar o que tinha ocorrido no Ministério e, intimamente, sabia que Hermione tinha uma razão. Para não acabar gritando com ele também, reuniu todas as suas forças e se concentrou na meditação que a amiga o ensinara.
— Harry!!
— O que você quer que eu diga! — explodiu Harry, virando-se bruscamente para Rony. — Que você tem razão? Que o que fez foi apenas "defender o que era seu"?
— É! — o ruivo concordou.
Harry bufou.
— Pois saiba que estou do lado da Hermione — fez uma pausa. — Não foi certo o que fez. Duelar motivado a raiva? Você deveria saber que isso não leva a nada, apenas a sua própria destruição e olha no que deu: acabaram machucando a Mione e graças a Merlim que não foi tão sério!
— Está fugindo do assunto! — gritou o ruivo. — Hermione também não tinha nada que ficar de sorrisos para o Jones!
— E o que você tem haver com isso!? — Harry ficou de frente a ele, sem se importar com a gritaria. Rony era tão insuportável! — Se ela quer ele, beleza! Saia fora, sua hora acabou e você sabe disso!
— Ei, não fique irritado comigo! Até parece que foi eu que assim que fui embora, corri para achar outra pessoa!
— E parece mesmo! — rebateu de volta o moreno. Os dois sabiam a quem se referiam. — Acha que eu não sabia o que Hermione sentia e ainda sente por você? Acha mesmo que ela ficaria sofrendo, na esperança de você voltar?
O que Hermione ainda sente? Rony ficou quieto e como ele não voltou a falar e a raiva que começava a vir, Harry continuou:
— Hermione não iria ficar mesmo. Você não estava aqui quando eu a via chorando pelos cantos e fingia está bem quando todos perguntavam. Ou o tempo em que ela levou para superar a sua ausência... assim como da última vez.
Dizendo isso, Harry não esperou resposta e deixou o amigo. Subiu para o andar de cima e ignorou o barulho de algo se chocando contra a parede.
***
Estava estranhamente nervosa e não gostava desse sentimento. Era apenas um jantar entre amigos e não conseguia parar de andar. Foi outra vez na cozinha e apenas ficou olhando a comida que preparara quando seu coração falhou uma batida ao escutar a campainha tocar.
Passou os dedos pela toalha da mesa, muito bem organizada, e deu uma checada nos cabelos olhando-se no pequeno espelho ao lado da porta. Respirou fundo, sem saber o que esperar sobre aquela noite e, soltando o ar, abriu a porta.
— Oi, Peter — ele sorria e sem esperar, o homem a beijou na bochecha. — Pode entrar.
— Boa noite — ele desejou. — Você está linda.
Hermione corou. Estava com um vestido rosa pálido e não gostava mesmo daquela cor: o comprara porque Gina a tinha influenciado. Mas, mesmo assim, sorriu e gesticulou para ele.
— E você não está nada mal também — Peter riu e lhe estendeu a garrafa de vinho que tinha nas mãos.
— Obrigada.
Peter a acompanhou até a cozinha depois que o silêncio ficou constrangedor e ajudou a morena a levar a comida a mesa. Hermione cozinhara macarronada com o tempero de família que, falado em um tom bem sério e com direito a mão do peito, ela informara que não passava o segredo nem sobre ameaça.
Sentados a mesa e cada um segurando uma taça de vinho, brindaram e começaram a comer. Não falavam muito, mas o suficiente para que dessem algumas risadas e que suas vozes preenchessem o local. Depois de um tempo, a bruxa começou a reparar mais em Peter... ombros médios, o cabelo muito bem penteado e estava muito atraente com aquela blusa de mangas dobradas e calça jeans. Olhos pretos e a pele branca.
Mas, sua consciência lhe deu um tapa com o pensamento, o moreno era sério demais. Mesmos com as risadas, parecia que o som da dele saia um pouco forçada ou era daquele jeito normalmente. Hermione não conseguia dizer.
— Tudo bem — Peter a assustou. — Vamos ser diretos, aqui.
— Não entendi — respondeu ela. — A comida não está boa?
— Não tem nada haver com a comida que, aliás, está maravilhosa...
— Se está maravilhosa, então por que... — Hermione o interrompeu. Zona de perigo. Zona de perigo.
— Hermione, por favor — ele falou em tom de súplica. — Somos adultos o suficiente para saber o que aconteceu e o que você está querendo mudar.
— Não sei do que está falando — a morena se levantou e começou a recolher os pratos. — Já está tarde. Então acho melhor você ir embora.
— Não vou embora até que me conte qual era o seu real envolvimento com o Weasley.
— Real envolvimento? — repetiu Hermione com a testa franzida. — Éramos apenas amigos e só!
— Eram? — insistiu Peter. — Por que não são mais?
Ela não queria falar e sabia que o auror era a última pessoa com quem dividiria sua angústia.
— Você me disse que não queria saber — decidiu ir por outro lado.
— É, mas agora eu quero — ele deu um passo a frente e tirou os pratos da mão da amiga, segurando as delas entre as suas. — Me dê pelo menos uma esperança de conseguir lhe conquistar.
Ah, droga. Então era isso? Peter gostava dela e Hermione sentiu-se culpada, mesmo sabendo que a atração que ele tinha por ela não era sua culpa. Atração. O moreno sentia atração, apenas isso.
— Não sabe o que está dizendo — soltou suas mãos e deu alguns passos para trás. — Você não gosta de mim.
— Não tem como saber.
— Sim, eu tenho — a bruxa contradisse. — Peter, eu não quero te machucar... mas preciso ser sincera com você. Eu gosto de você...
Ele deu um passo para frente com um pequeno sorriso e ela recuou, as mãos levantadas.
— ... mas como amigo. Sua amizade é muito boa para mim e ficaria feliz se não passássemos disso.
Peter avaliou a situação por um tempo com o rosto triste e parecia está se conformando, quando ergueu os olhos para a morena com uma sobrancelha arqueada.
— Que tal um meio namoro?
— Meio namoro? — Hermione repetiu, confusa. — Como assim?
— Ora essa, um namoro de mentirinha — ele sorria maroto. — Façamos assim: você aceita namorar comigo, em troca, eu posso dá o troco para o que o Weasley me fez.
A ideia era descabida, maluca, fiúza, uma profundeza de imaturidade.
Uma risada escapou de Hermione.
— Você só pode está brincando.
— Não, só estou sendo justo — Peter disse. — Pelo jeito com que vocês dois se enfrentavam, presumo que amizade acabou de uma forma nada boa e vou esperar quando quiser dividir.
— Não é uma boa ideia.
— Não ouvi contradições que me fizessem esquecer — o rapaz caminhou até ela. — Boa noite.
A morena não recuou, mas também não expressou emoção quando sentiu os lábios molhados do moreno roçarem nos seus e, finalmente, selarem com um profundo beijo.
Para ela, o contato acabou cedo demais e quando escutou a porta se fechar, reabriu os olhos e não sabia quais os sentimentos que borbulhavam em sua barriga. Balançou a cabeça e decidindo deixar a louça para lavar na manhã seguinte, foi para o quarto, pensando em brigas, homens competitivos e estranhos bons beijos molhados.
Fale com o autor