Notas iniciais
Mais um! Desculpem-me, esse é pequeno:D

O rosto sereno de Rony desacordado em um sono bem profundo deixava Hermione estranhamente calma e feliz... era errado deixá-lo dormindo após terem se beijado? Em seu apartamento? Em seu sofá? Após terem se beijado?

As perguntas se iam quando ele soltava um suspiro em meio o ressonado baixo e convidativo para a morena. Aquela situação toda — os beijos roubados e correspondidos, os sequestros e a falta de fatos, seu namoro que não era bem um namoro com Peter, as conversas entre os intervalos de trabalho com Gina, a raiva que sentia da maldita bruxa presa em uma sela no ministério -, só serviram para que ela lutasse por um bom tempo achar alguma resolução. Seu raciocínio aquela hora da noite não estavam lá melhor coisa.

Algum estralo qualquer a acordou do seu cochilo e se endireitou na poltrona onde estava, rodando sua cabeça e escutando seu pescoço reclamar. Com a visão turva, viu que Rony permanecia do mesmo jeito que ficara: deitado, ocupando todo o seu pequeno sofá e com um braço estendido para fora — onde estava tocando a bochecha de Hermione horas antes enquanto ela o tentava acalmar seus nervos.

Lembrou que falara sem parar, emendando um assunto qualquer a outro, tagarelando sobre assuntos idiotas e ficou surpresa quando notou sua boca falando de tudo que fizera no meio tempo em que se distanciaram. Ele tinha um pequeno sorriso no canto da boca.

Afastou a vontade de tocá-los de novo. Ele tinha esquecido da ilusão de mais cedo e isso era bom.

Soltou um suspiro, levantou e caminhou devagar até a cozinha ligando a luz, clareando o local escuro. O zumbido da cidade lá fora estava quieta e olhando as horas no relógio no balcão, viu que não poderia acordar o ruivo para mandá-lo para casa. Pensando melhor, que mal tinha? Haviam passado meses em uma barraca rodando por toda Londres, os dois e Harry, e nada acontecera. Nada de nada, reforçou em sua mente. Precisava de um banho urgente.

Com os cabelos molhados e vestindo um pijama largo, ela levou uma manta para Rony, cobrindo ele ternamente. Já de pé e a caminho do quarto, ela parou hesitante e retornou a se abaixar, beijando a bochecha macia dele e sussurrando um boa noite.

Acomodou-se entre os lençóis da cama e puxou o livro que vinha ignorando, recordando que prometera a Agnes de lê-lo e dizer o que achou. O livro se resumia a três contos, cada um dividido em três capítulos informando o título em cima.

O primeiro contava a vida e morte da bruxa inglesa Kafea, moradora de um antigo reino chamado Orídia, atual Bath de acordo a pequena e quase vista nota de rodapé, relacionada a bruxaria após curar as dores do corpo de um homem na aldeia de onde vivia em uma estranha banheira de água quente existente perto de sua casa. As folhas eram passadas avidamente por Hermione, curiosa para saber o final. Infelizmente Kafea fora morta enforcada.

A casa podia-se ser vista de longe, não se precisava caminhar milhas e milhas para encontrá-las em seu esconderijo — assim como as bruxas da época costumavam fazer para proteger-se dos curiosos, as vezes caçadores de recompensas sedentos pelas míseras moedas que o rei os dava para matar a ameça que rondava seu reino tão bem construído. Saber que havia um mal ali só atiçava mais que qualquer pessoa passasse a jugar o próximo de qualquer atividade suspeita, matando sem pensar duas vezes, alegando sinais corporais de magia negra.

O casebre era precário sob o pequeno relevo de terra e mato, muito torto e aparentemente muito pequeno e estreito. Não poderia uma pessoa viver ali sem ao menos sair para cortar lenha, aparar o mato que sempre estava baixo, ou limpar o telhado aquela hora da manhã coberto por folhas secas. Ninguém era visto, nenhum som era ouvido, mas todas as noites a fumaça cinza saía da chaminé, iluminando as brechas das duas janelas e porta única.

O tempo passou e as suspeitas só aumentavam.

Rumores de que o local funcionasse um prostíbulo — recebendo os viajantes que comumente passavam pelo reino — revoltou os aldeões. Só poderia ser assim que aquela casa permanecia em pé com algum dinheiro. Como iriam criar e educar os filhos com aquele mal exemplo nas proximidades?

Fizeram grupos, reunindo o quanto puderam para montar guarda por perto, a espreita de qualquer movimentação de fora para dentro do casebre. Os voluntários sempre voltavam calados, de olhos vidrados e dizendo em voz neutra que estava tudo bem por ali. Isso aconteceu por um período grande e eles esqueceram... por hora.

Pais desesperados amontoavam-se em frente o castelo, pedindo aos guardas para falarem com rei.

Seus filhos haviam sumido.

O livro estava deitado aberto sobre o peito de Hermione e ela dormia, sem escutar os latidos dos cachorros pelas redondezas.

***

— Bom dia — foi o que escutou logo que chegou a cozinha.

Rony estava escorado na parte do armário mais escura, onde a luz do sol fazia uma sombra por está sendo barrado por uma parte da cortina. Estava só de meias e os cabelos ruivos disparavam para todo lado enquanto ele segurava uma xícara de café na mão.

— Como fez o café? — Hermione perguntou, parando na porta. Ele a olhou por um tempo, a boca ligeiramente aberta e depois pigarreou.

— Na cafeteira — apontou para o objeto em cima do balão. A morena estreitou os olhos para ele, como se perguntasse quando ele aprendeu a usar uma coisa trouxa.

Ela acenou, pegando uma caneca e enchendo do líquido.

Caminhou para lá e para cá, cortando algumas frutas e colocando fatias de pão na torradeira. Descobriu o bolo de chocolate que sua mãe fizera para ela e teve a ajuda de Rony para colocar tudo na mesa. Ficou incomodada com ele lhe olhando todo o curto trabalho que faziam, captando os seus movimentos perto demais.

Comeram em silêncio, até o ruivo quebrá-lo.

— Obrigado — declarou.

— Pelo o quê?

— Por ontem. Por tudo — disse. — Sei que não era a sua obrigação e só fez pra me ajudar.

Hermione o olhou.

— Não fiz aquilo por obrigação e sim por quis. Vi como aquela ilusão afetou você e não seria justo te manter ali.

— É, tem razão — Rony murmurou, voltando a comer.

Mais tinha uma coisinha que ainda vibrava na cabeça da auror.

— Como foi?

— O quê?

— Na mansão dos Malfoy — ela disse. — Quando você e Harry foram presos no porão. Eu permaneci com Bellatrix depois disso e o que aconteceu ontem... — a morena balançou a cabeça. — eu não entendo o porque de você ter ficado tão mal. Tudo bem, eu sei que foi bem ruim para nós três, mas parecia que você sentia uma dor física...

— Era uma dor física, Hermione. Acha que ver você sendo machucada por aquela bruxa é fácil? — ele retrucou, afastando a cadeira para se levantar. — Você é a pessoa que mais me motivou na vida e quando é a minha vez de te ajudar, eu simplesmente não consigo me mexer!

— Mas foi você quem eu ouvi gritando meu nome! — ela sobrepôs sua voz. — Você, Rony, que me salvou depois que Bellatrix me empurrou! Eu quero saber o porque!

— Porque eu te amo — Rony sussurrou, sem olhá-la.

— Hm? — Hermione murmurou, chocada.

— Não me faça repetir. Não quando você tem um namorado e está magoada demais pra me aceitar só como amigo — e cruzou o local, calçando os sapatos em velocidade. Estava para sair pela porta quando sentiu seu casaco ser puxado, batendo o corpo contra o de Hermione. Reclamou um palavrão e sua boca foi coberta pela dela, com urgência e vontade, com a garota puxando seu rosto cada vez mais. Soltou a maçaneta e apertou a cintura dela, já esquecido de tudo. Porque parecia fácil com ela junto a si?

Quando se separaram, permaneceram olhando um para o outro. Rony deu mais um beijo rápido em Hermione e saiu do apartamento disparando pelo corredor até o elevador.

As portas revelaram uma pessoa indesejada.

— O que faz aqui, Weasley? — Peter perguntou de expressão dura.

— Pergunte a Hermione — respondeu suavemente, apertando o botão para descer. Não deixaria que ele estragasse qualquer possibilidade que tinha entre ele e a morena.

Peter apertou os punhos.

***

Terminaram de relatar tudo o que eles e Ralpe descobriram e uma suposta profecia.

O escritório estava repleto de pergaminhos e uma coruja sobrevoando o local.

— Vocês tem certeza disso?

— Não exatamente — Harry disse. — Mas pelo o que a prisioneira diz, relacionado as histórias, é uma boa porcentagem para que arriscamos nisso.

Kingsley suspirou e eles viram o cansaço e o estresse do ministro, com certeza devido as várias reuniões tentando controlar o caso.

— Procurem essa profecia — e os dispensou, no exato momento que um patrono surgiu em sua frente, uma voz grossa e fria exigindo um encontro com ele.

— Eu só quero saber como vocês vão encontrar ela — Hermione, que ainda não tinha se convencido, alfinetou. — Não sabemos qual é, o número ou prateleira.

— Já pensei nesse quesito, Mione. Procuraremos um brilho azul — Rony informou. — Está tudo relacionado a essa cor. O olho, o feitiço, é o que a gente pode procurar de primeira. Se não der certo, procuramos por todo canto.

— Se for o caso, vamos demorar muito tempo.

— Então espero que não se importe de fazer hora extra — o ruivo sorriu e entraram no elevador, indo para o nível nove.

O Departamento estava silencioso e quieto. Caminharam por alguns corredores e entraram e um enorme ambiente.

Se separaram e começaram a procurar, atentos a cada luz.

Rony já estava longe dos dois amigos, sem enxergar a porta ou o ruido dos passos deles. Seu coração batia frenético em seu peito e murmurava baixinho, pedindo que existisse mesmo uma profecia e todo o trabalho deles não estivesse sendo em vão.

Uma gargalhada soou.

Uma gargalhada infantil, ele distinguiu.

Talvez estivesse lembrando das risadas da sobrinha ou de Teddy. Distanciou-se, só que escutou de novo. Retornou, mas não ouviu o som.

Já girando o corpo para ir para o outro lado, um chamado o fez estancar.

Papai!

Engoliu em seco. Olhou entre as duas grandes estantes, do topo para o chão, buscando a vozinha de novo.

O brilho azul acendia e apagava, na última prateleira da esquerda.

Papai!

Entre elas

Eles estão

Um novo poder sem dimensão

Sangue misturado

Um sacrifício

O auror largou a profecia como um choque, os olhos arregalados de pavor.

Notas finais
Kafea - Café em Basco (deem um google:D) o que bem irônico já que eu odeio café. Orídia foi uma criação minha (um surto, vocês sabem) Bath existe mesmo e como sitado acima, é uma cidade inglesa bem conhecida por suas fontes termas e acho aguá morna bem boa para aliviar as dores do corpo (as tensões, entendem? Foi isso que a Kafea fez e pensaram que foi bruxaria). Finalmente a Hermione tem uma atitude, né não? Eu já tava cansada só do coitado do Rony beijar ela, gritando que a ama. Peter tá perdendo, acho melhor ele abrir o olho. Profecia uma bosta, gente, desculpas por isso. Nox! Obs: perdão por demorar tanto:)