Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês! Espero que estejam gostando e não deixem de comentar... Quero muito saber a opinião de todos!

Melanie

Primeiro minha visão ficou embaçada, depois tudo escureceu e eu perdi o equilíbrio caindo no chão.

Tentei me levantar mesmo desorientada, mas meus pés se enroscaram em alguma coisa me forçando a ficar onde estava.

Assim que meus sentidos começaram a voltar senti como se minha mente estivesse me pregando peças e fazendo com que eu delira-se acordada.

Eu não estava mais na ponte ao lado de Judi. Bem diferente disso estava no meio de algum tipo de floresta escura.

Levantei-me lentamente com a mão apoiada em uma árvore enquanto vasculhava a floresta a procura de algo conhecido, algo que fizesse sentindo, mas não havia nada. Nem ao menos uma bendita borboleta azul brilhante.

Onde eu estava e como havia vindo parar aqui?

Encostei as costas na árvore que estava me servindo de apoio e fechei os olhos numa tentativa de acordar desse sonho. Afinal só podia ser isso não é? Um sonhos. Ou melhor um pesadelo!

Senti meu coração acelerar quando notei que tanto aquela árvore atrás de mim quanto o vento refrescante no meu rosto eram reais. Abrindo os olhos constatei o que mais temia.

Isso não era apenas um sonho.

Tomada por um sopro de coragem decidi descobrir onde estava.

Precisava tomar o controle da situação ou acabaria pirando.

Infelizmente a luz da lua que descia pela copa das arvores não era o suficiente para que eu andasse sem tropeços.

Caminhando pela floresta eu simplesmente não conseguia compreender como tudo isso havia acontecido. Em um instante eu estava junto com Judi na ponte e no outro estava aqui... Sozinha no meio dessa floresta.

De repente, como se as coisas não pudessem ficar piores o som de algo estalando as folhas secas a minha esquerda fez meu corpo todo se arrepiar e o pânico se infiltrar em nas veias.

Isso só podia ser brincadeira.

Temendo pelo que pudesse estar escondido entre as sombras fiz uma prece silenciosa para que Deus me protegesse do que quer que estivesse a espreita.

Vasculhando com o olhar a mata na direção de onde vinham os passos pude ver um vulto. Sem conseguir respirar direito juntei o restante da coragem que ainda sentia e comecei a correr pela floresta tentando me afastar o máximo que pudesse do que quer que estivesse lá me observando.

Vendo que eu havia corrido a criatura uivou das sombras e veio atrás de mim.

Infelizmente minha corrida não durou muito tempo, pouca mais a frente enrosquei o pé direito em alguma raiz e caí no chão.

A queda fez com que eu soltasse de forma dolorosa todo o ar que havia preso em meus pulmões. Olhando para trás, sob a luz da lua vi um lobo cinzento deixar a escuridão e me encarar com uma evidente sede de sangue no olhar. Engoli a seco e senti meus olhos marejarem no instante em que o lobo começou a se aproximar de mim.

Então era desse jeito que eu morreria? Eu simplesmente não conseguia compreender como era possível tudo isso estar acontecendo.

Sentindo a sensação fria da morte se aproximar coloquei a mão esquerda no peito e pedi para que Deus me salvasse de toda essa situação.

Então como se ouvisse o meu apelo uma daquelas borboletas azuis brilhantes apareceu entre o lobo e eu fazendo-o recuar e rosnar colocando os dentes de fora.

Aflita, olhei a mata ao meu redor a procura de um caminho de fuga quando avistei outra borboleta voando. Sentindo com todas as fibras do meu corpo que aquilo era um sinal me levantei e comecei a correr o mais rápido que minhas pernas permitiam em sua direção.

Depois de alguns segundos ou minutos correndo pela floresta. Não sei ao certo a vi atravessar um portão de ferro negro e rezei para que ele estivesse aberto.

Chegando cada vez mais perto do portão voltei a ouvir o som das patas do lobo atrás de mim, engoli a seco.

Eu precisava ser mais rápida que ele. Precisava passar por aquele portão... Se não esse seria o meu fim.

Assim que alcancei o portão, colocando as minhas mãos nele o empurrei com toda a força que tinha fazendo-o abrir. Ao passar por ele me virei e o empurrei de volta, mas ele parecia enterrado.

Não se movia.

Olhando além do portão senti meu sangue gelar nas veias. O lobo cinzento de antes estava mais perto do que eu havia imaginado e corria mais rápido também.

Enchendo os pulmões juntei a força que tinha e até a que não tinha e me joguei de costas contra o portão fazendo com que ele fechasse num estrondo seco e metálico segundos antes do lobo se chocar contra ele.

Sentindo a adrenalina crescente nas veias dei alguns passos para trás e sem forças acabei desabando.

Minhas costas doiam devido a pancada, meu coração batia completamente descompassado e a sensação de medo e pânico ainda me dominavam. Fechei os olhos marejados e deixei que as lágrimas rolassem.

Um turbilhão de pensamentos fazia com que eu me sentisse cada vez mais vulnerável.

Eu quase havia morrido e não fazia a mínima ideia de onde estava ou pior de como havia vindo parar aqui.

Depois de alguns minutos de puro descontrole voltei a mim e analisei a situação novamente.

Eu estava perdida e não fazia a menor ideia de como voltar para casa. Pior ainda havia passado pelo portão sem ter a mínima ideia de onde ele daria.

Parte de mim rogava para que aquela borboleta tivesse me guiado para um lugar seguro.

Dando uma olhada ao meu redor notei que estava em uma espécie de jardim. Havia vários tipos de plantas e flores, mesmo que cobertas pelo tempo e a vegetação o lugar ainda parecia incrível.

Reunindo coragem me levantei do chão e comecei a andar com um pouco de dificuldade é claro. Minhas costas ainda doiam por causa da pancada de antes.

A luz prateada da lua fazia eu me se sentir estranha. Como se estivesse em algum tipo de d'javu.

Caminhando pelo jardim passei por diversos corredores silvestres cheio de plantas e flores. Mesmo tomado pelo tempo esse lugar parecia me encantar.

Enquanto admirava a beleza das flores em meu caminho avistei uma roseira. As rosas brancas pareciam até prateadas por causa da luz da lua.

Completamente encantada aproximei-me delas e as toquei. Elas pareciam veludo e tinham o cheiro da terra pouco antes de receber chuva.

Então olhando além da roseira foi que eu o vi.

O lobo negro parecia ter o dobro, para não dizer o triplo do tamanho do lobo que havia me perseguido na floresta e olhava a lua como se estivesse hipnotizado por ela.

Tão hipnotizado a ponto de não me ver.

Controlando a respiração para que ele não percebesse a minha presença dei alguns passos para trás e em silêncio comecei a andar pelos corredores silvestres afim de me afastar o máximo possível dele.

Virando por um desses corredores vi um castelo, que assim como o jardim parecia esquecido no tempo.

A vegetação subia por suas paredes dando há ele uma imagem triste e assustadora.

Frustrada deixei um suspiro escapar.

Com certeza esse lugar havia sido abandonado a muito tempo.

Eu já havia perdido as esperanças de encontrar alguém nesse lugar abandonado quando eu vi uma luz vinda de uma das janelas do andar de cima.

Havia alguém aqui? Eu não estava mais sozinha!

Senti meu coração acelerar com o pensamento.

Tomada pela esperança de encontrar alguém procurei pela porta mais próxima e a empurrei. Assim que ela abriu me senti perplexa e assustada.

Diferente do lado de fora o lugar estava limpo e organizado. Não havia poeira sobre as mobílias ou no chão e a cortina pouco mais a frente não cheirava a mofo ou qualquer coisa do tipo.

Empurrando a cortina um pouco mais para o lado liguei a lanterna do celular e entrei no que parecia ser uma sala de música, chegando ao piano num dos cantos da sala me senti estranha.

Por mais que eu pensasse nada disso fazia sentido na minha cabeça. Nem esse lugar e nem aquele lobo lá fora.
Eu simplesmente não conseguia acreditar que ele não havia me visto e vindo atrás como o outro na floresta. Não que isso tivesse sido ruim, mas foi estranho.

Abrindo a porta que ligava a sala de música com o resto do castelo voltei a caminhar. Assim que cheguei ao pé de uma enorme escadaria de pedra polida deixei um arquejo de espanto escapar.

Mesmo com apenas a iluminação do celular esse lugar era incrível. Como os castelos dos contos de fadas.

Subindo os degraus parei onde a escada se dividia em duas, acima de mim estava um lindo lustre de cristais.

Decidida a encontrar a fonte daquela luz deixei meu fascino de lado e continuei a subir pela escada que estava a minha esquerda.

Assim como lá em baixo o andar de cima estava envolto em escuridão.

Havia portas e mais portas dos dois lados do corredor, móveis antigos e nas paredes quadros de paisagens magníficas.

Enquanto minha mente viajava pela decoração desse lugar vi uma luz pelas brechas de uma das portas.

Com o coração acelerado me aproximei e bati na porta, mas antes mesmo que qualquer resposta pudesse surgir eu a abri.

— Com licença, estou perdida... — comecei, mas deixei a frase morrer.

Não havia ninguém.

O quarto era lindo. Havia uma cama de dossel branca, três poltronas bege com uma mesinha de centro e uma escrivaninha com um castiçal acesso ao lado de um gato branco sobre um livro aberto.

Deixei um suspiro frustrado escapar e exausta caminhei até a cama. Sentei-me nela e avaliei minha condição.

Eu estava perdida. Não fazia ideia de como voltar para casa e para ajudar minhas costas doíam ainda mais por causa da pancada.

Desviei os olhos marejados para o gato em cima da escrivaninha e me senti uma boba. Enquanto eu me torturava com esses pensamentos o gato branco agora me encarava, seus olhos verdes pareciam me avaliar.

— Não se preocupe amiguinho. — comecei tentando acalmar mais a mim mesmo do que a pequena criatura — Eu não vou te machucar. Só estou torcendo para você ter um dono e que ele possa me ajudar. — terminei com um sorriso amarelo enquanto secava os olhos com a manga da blusa.

Com um suspiro cansado desviei o olhar para a porta e deixei minha mente vagar novamente.

Tudo o que eu queria era descobrir que isso não passava de um sonho e que a qualquer momento Judi me acordaria.

De repente o som de vozes me trouxe de volta. Eu podia não entender o que diziam, mas com certeza eram vozes.

Me levantei num pulo e ignorando a dor nas costas passei pela porta, assim que o fiz meu coração parou.

No corredor, parado bem na minha frente estava um urso pardo enorme.

Perfeito!

Primeiro havia sido o lobo no jardim e agora era um urso dentro do castelo? Esse dia não podia ficar pior.

O urso que antes caminhava parou, seus olhos me encararam e por um instante imaginei ver o deslumbre de espanto refletido neles.

Congelei no lugar sem saber o que fazer.

— Vovô acho que o senhor assustou ela... — disse uma voz infantil, segui com o olhar até a fonte da voz e vi uma pequena raposinha laranja e branca.

É... Acho que eu estava enganada e realmente podia piorar. Uma raposa falante. Sério isso?

Pensei com ironia sentindo meu coração acelerar ainda mais. Então me pegando de surpresa ou não tão de surpresa assim o urso também falou.

— Fique calma senhorita. Sei que pode parecer confuso, mas eu não vou te machucar. — disse levantando uma das patas dianteiras.

Engoli a seco e comecei a dar passos lentos para trás.

Eu precisava deixar esse lugar o mais rápido possível.

— Vovô acho que já é um pouco tarde pra dizer isso... — disse a raposinha.

Pela cara o pânico devia estar estampado na minha cara.

Desviei o olhar para ela e me senti num daqueles filmes bizarros.

Como uma raposa podia chamar um urso de avô? Melhor ainda... Como ela podia falar?!

Ignorando o fato do urso ter pelo menos três ou quatro vezes o meu tamanho me virei e comecei a correr na direção da escada de onde havia vindo.

Minhas costas ardiam ainda mais. A falta de ar devido ao esforço de correr fazia com que eu me sentisse tonta, mas o que eu podia fazer? Ficar parada na frente de um urso falante não era lá uma opção.

Assim que comecei a descer os degraus da escada congelei. No pé da escada estava o lobo negro do jardim.

Seus olhos encontraram com os meus e nesse instante enquanto eu tentava inutilmente buscar por ar nos pulmões doloridos um monte de pontinhos brilhantes começaram a dançar na minha frente me cegando e tudo escureceu.



Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.