Segredos sobre Segredos: A Descoberta
3 UM Desconhecido: Parte II
Notas iniciais
Logo de manhã, onde o sol raiva, onde os animais acordavam e os passarinhos cantavam em cima da árvore, um canto sereno, parecia até que eles eram meus despertadores, faziam isso como todas as manhãs, me espreguiço e me cubro novamente, olho para o despertador e vejo que são 6h30m e então despertador toca, mas o ignoro e volto a dormi, mas infelizmente o meu despertador humano, era impossível ignorar.
— Maggie, acorde! Ande logo, se arrume! Antes que você chegue atrasada e tenha que entrar na segunda aula. – disse ela, fazendo café e preparando panquecas
— Já estou acordada, pare de gritar! Estou indo me arrumar.
— Ande logo! Sabe bem que não gosto que chegue atrasada nas aulas.
Lavei o rosto e escovei os dentes, coloquei o uniforme e corri para a cozinha, estava tudo muito calmo, ouvia o barulho dos ovos sendo fritos, da água a borbulhar para o café e lá estava ela de costas a beira do fogão colocando creme em cima das panquecas, eu adorava pregar sustos nela e não poderia perder uma oportunidade dessas, então cheguei quieta, na ponta dos pés para que o saltinho da sapatilha não fizesse barulho sobre o porcelanato, me sentei naqueles banquinhos altos de madeira (idênticos aos de bares) e com os braços em cima do balcão, uma das mãos em baixo do queixo, nem o barulho da minha respiração era capaz de ouvir, quando ela virou para me chamar novamente, levou um susto e gritou bem alto, quase deixou as panquecas caírem, não contive e caí em gargalhadas. No decorrer do café, fiquei pensando se eu tinha tido realmente um sonho ou se aquilo tinha realmente acontecido.
— Mãe?
— Oi querida!
— Esteve alguém aqui em casa ontem a noite, enquanto a tempestade se aproximava?
— Não meu bem, ninguém apareceu aqui em casa ontem.
— Você tem certeza mãe? Eu ouvi baterem na porta e bom... você sabe como sou curiosa e então fiquei na escada tentando ver quem era.
— Não filha, não tinha ninguém, porque também não havia tempestade alguma, estava uma noite tão linda, Maggie. Cheia de estrelas, me fez lembrar quando ficávamos no jardim observando as estrelas
— Mãe havia uma tempestade sim, eu sei que tinha alguém, ele ainda me fitou com um olhar!
— Não filha, você só pode estar sonhando. Você está usando algum tipo de alucinógeno?
— Mãe! – a fitei com um olhar de indignação – um sonho muito real então...
Terminei meu café da manhã e subi para escovar meus dentes novamente e desci as escadas correndo, tinha uma mania desde pequena de pular os dois últimos degraus
— Você ainda vai cair, Maggie – disse ela, ainda sentada no balcão da cozinha, como sempre fazia. Dei um beijo nela e me despedi peguei minha mochila e caiu um papel dobrado, peguei do chão e saí correndo para o ponto porque realmente eu estava atrasada
— Meu Deus! São7h20m e eu vou perder o ônibus da escola!!!!! – como de costume.
Correndo feito uma pessoa que corre de dois leões atrás de comida, encontro meu vizinho Daddie
—Hey Daddie, como vai?
— Parece que está com pressa, não é mesmo?
— Bom, quero deixar um legado na escola, talvez seja de ‘’NÃO SE ATRASAR PARA PEGAR O ÔNIBUS’’ – acenei me despedindo e voltei a correr.
Consegui chegar a tempo pra pegar o ônibus, ele já estava quase partindo para infernocity, sorte minha foi que outra garota também estava atrasada, lá conseguiu fazer com que o ônibus parasse, isso me deu alguns minutinhos de vantagem e com isso conseguimos tempo suficiente para chegar,
— Bom dia senhor Arnold.
— Bom dia Maggie, atrasada de novo né, menina.
— Vá se sentar, tem um lugar ali no fundo.
Numa tentativa falha de se isolar do mundo plugando os fones de ouvido no celular e escutando uma das minhas músicas favoritas Closer by The Chainsmokers ft Halsey como podia uma música ser tão boa?! Lembrei do papel que caiu da mochila,pensei que fosse algum daqueles folhetos ou algo semelhante, mas ao ler, notei que não teria nada a ver com o que pensava, pois estava escrito:“Tome cuidado, você corre perigo, há pessoas querendo o seu mal, ontem foi só um aviso”. – respirei bem fundo – sabia que era muito real para ser um sonho, mas quem era ele? O que ele queria? E por que eu estou correndo perigo? Não dei muita importância, poderia ser algum trote ou uma brincadeira de mau gosto.
Chegando na escola, fui ao encontro dos meus amigos que me esperavam na escadaria central, era uma escada tão linda que eu tinha duvidas se foi feita pelos seres humanos mesmo, um mármore preto, era a coisa mais linda que eu já vira um dia, sou apaixonada por essa escada, pela história que ela tem, ela sempre esteve ali, no mesmo lugar de sempre., meus pais se conheceram por ela, na verdade minha mãe caiu em cima dele e desde então, eles começaram a se encontrar naquela escada depois das aulas. De longe eu vi Matth, Veronica, Emma, Zac e Marcus meus melhores amigos, nos conhecemos desde o pré-zinho e nunca nos separamos, sou grata por isso! Amizade para mim, significava muito. O sinal toca e vamos para a sala, a primeira aula era de biologia, eu gostava muito de biologia, eu sempre tive facilidade com essa matéria, era incrível como uma célula pode fazer uma diferença inexplicável no corpo humano, tínhamos mais duas aulas antes do intervalo, uma de matemática e outra de português. Definitivamente, a matéria de português era a minha favorita, minha professora Sophia dava uma aula tão gostosa, não parecia nada com uma aula apenas de leitura e de como fazer uma redação, ela nos preparava para o futuro, entendi a todos de uma maneira diferente e sempre foi muito objetiva com tudo que ensinava e isso fazia dela uma pessoa incrível. As horas se passaram e a aula de matemática parecia não ter fim e eu estava igual à Britney Spears em Baby One More Time e graças a Deus, o sinal tocou e como dizia quando era pequena, o ultimo salva todos!
Um espaço grande com paredes de vidro que dava para ver o lado externo da escola, dava para ver o playground das crianças do pré-zinho e as lideres de torcida do outro lado treinando para a competição anual, que por incrível que pareça, era uma das competições mais incríveis que eu já tinha visto. Esse era o refeitório, aonde tínhamos sempre a nossa liberdade para conversar sobre qualquer coisa, não estava com muita fome, então só peguei uma maçã e um suco e me sentei junto das meninas, esperávamos pelos outros. Não estava muito afim de conversar, então do jeito que eu cheguei, permaneci calada e distraída, olhando pro nada, brincando com a maçã quando Matth me chama
— Fala se não é verdade Maggie?
— Oi, desculpa não ouvi. Falava sobre o que?
— Está tudo bem? Você está tão estranha, está acontecendo alguma coisa? – disse ele, segurando as minhas mãos.
— Não, está tudo bem. Fique em paz! Do que falavam?
— Estava dizendo sobre o dia que nós dois fomos assaltados e não tínhamos 5 reais em moedas e o ladrão quis devolver. Você se lembra, não é mesmo ?
— Como eu esqueceria essa humilhação. Mas ele foi gente boa, não fez nada conosco – disse rindo e eles continuaram a conversando. Com os olhos fixados nas crianças do playground, comecei a perceber que tinha algo atrás de uma das arvores e que estava olhando na minha direção... era uma pessoa! Mas por que se escondia? Então continuei encarando-o, era sinistro, cheguei a sentir os pelos do corpo subindo do absoluto medo que sentia naquele momento.
As aulas continuaram conforme o roteiro história, geografia como a maioria dos adolescentes da minha escola não gostavam de estudar, eu não iria ser diferente também nunca fui uma ''fã'' de ir à escola desde quando era menor, antes de começar aula de sociologia a diretora anuncia na rádio da escola que, a partir de segunda estaríamos de férias de verão, que não era necessário frequentar a escola nos dias de férias. Finalmente férias. Foi um alvoroço que só dentro da sala, uma gritaria em todo o corredor. O sinal toca, todos recolhem o material e seguem a vida padronizada de volta para a casa e num piscar de olhos, quem quer que fosse já não estava mais lá.
Fui para casa um pouco feliz, mas muito preocupada também, por que não sabia o motivo de estar correndo perigo, nunca fui capaz de bater em uma mosca, só uma vez que eu bati em uma garota por causa que ela queria brincar com as minhas bonecas junto com o menino que eu gostava. Mesmo sabendo que estava de férias, fico triste por saber que mais uma vez ficarei sem fazer nada, depois da morte do meu pai... Assim que cheguei em casa joguei minha bolsa em cima do sofá e subi para tomar um banho, sabia que minha mãe não estaria em casa, em dia de sextas-freiras sempre chegava primeiro que ela, então tirei a roupa da escola coloquei em cima do cesto,liguei o chuveiro e sentia cada gota batendo na minha pele fazendo com fosse tudo mais intenso, enquanto lavava o cabelo, comecei a pensar na minha vida desde o dia que perdi meu pai, lembro como se fosse hoje, havia inaugurado uma roda gigante dentro de um dos shoppings que íamos sempre e estava frio e tinha chovido mais cedo, eu implorava para minha mãe me levar e ela não queria, de maneira alguma que eu fosse – devia ter escutado-a – mas meu pai, para satisfazer meus gostos, resolveu me levar, pegou seu Volvo preto, o carro que ele mais gostava e fomos, era uns trinta minutos de casa e a pista estava vazia, tocava a nossa musica Don’t Stop Belivin’ by Journey e em um dos sinais vermelhos, meu pai me abraçou bem forte enquanto a musica tocava e me disse
— Nunca pare de acreditar, muitas coisas vão acontecer na sua vida, mas nunca deixe ser vencidas por elas... você é especial! – foi quando um caminhão colidiu com conosco, o carro deu três voltas no ar ate cair, eu não estava totalmente inconsciente, conseguia ouvir o barulho da sirene e um homem gritando.
— Por favor se afastem, vamos, por favor se afastem!
Meu pai estava se mexendo, mas tinha muito sangue perto de nós, quando os bombeiros conseguiram tirar nós dois do meio da ferragem, recebíamos os primeiros socorros na ambulância, meu pai ainda com uma respiração ofegante cheio de lesões e muito sangue sobre ele e eu com poucos ferimentos apenas com alguns arranhões. Eu não conseguia ver meu pai daquele estado e eu gritava para salvar meu pai, ele virou o rosto e me disse
— Vai ficar tudo bem querida, não se preocupe, vai ficar tudo bem.
— Papai! – eu dizia com soluços e um rio que corria dos meus olhos
— Eu te amo querida e sempre vou amar, lembre-se sempre disso. Iremos nos reencontrar meu amor, não se preocupe– sofreu uma parada cardíaca, tentaram reanima-lo, mas não adiantou. Caíam dos meus olhos as mais dolorosas lagrimas que se misturava com as gotas d’água que caiam do chuveiro, sentei no chão e comecei a chorar mais ainda, passaram se 9 anos e eu ainda me culpo por isso, todos os dias da minha vida se não fosse por minha culpa nada disso teria acontecido.
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