Segredos em Um Jardim Élfico
30 Biblioteca (+18)
A tarde declinava sobre Lindon e as lanternas começavam a ser acesas uma a uma, como estrelas domesticadas. O casamento ainda ecoava em cada canto do reino — não apenas como celebração, mas como assunto. E assunto, na Corte, significava olhares, sussurros… e exigências.
Zara aprendera isso rapidamente.
Naquela tarde, fora convocada para “ajustes protocolares” referentes à próxima comemoração élfica — a Festa das Luzes de Outono, antiga como as marés. O Conselho insistia em detalhes minuciosos: posição das bandeiras, ordem das saudações, quais casas deveriam se aproximar primeiro da nova rainha.
Nova rainha.
Alguns diziam o título com honra. Outros, com cálculo.
Quando finalmente se viu sozinha por alguns minutos no salão lateral, Zara apoiou as mãos sobre a mesa de carvalho e respirou fundo. O dia fora longo. Houvera questionamentos velados sobre tradições, pequenas correções desnecessárias, e uma insistência quase cômica sobre o “tom adequado” de sua presença pública.
Ela ergueu o queixo.
Se queriam postura élfica, teriam postura élfica.
Mas ainda assim… era exaustivo.
— Estão tentando decidir se as lanternas devem brilhar mais douradas ou mais prateadas? — veio uma voz atrás dela, leve, quase divertida.
Zara não precisou se virar.
— Não ouse rir, meu amor — respondeu, embora um canto de sorriso ameaçasse surgir. — Aparentemente a tonalidade da luz pode influenciar o equilíbrio diplomático entre duas casas que disputam precedência há quatro séculos.
— Fascinante. — Gil-galad aproximou-se, cruzando os braços. — Talvez devêssemos convocar uma assembleia apenas para as lanternas.
Ela sorriu largo e finalmente se virou para ele, os olhos ainda carregados do cansaço do dia.
— Ria o quanto quiser. Passei a tarde sendo instruída sobre como inclinar a cabeça no ângulo “apropriado” ao receber cumprimentos.
Ele arqueou uma sobrancelha com teatral gravidade.
— E qual é o ângulo ideal?
Zara aproximou-se um passo, baixando levemente o rosto com exagero elegante.
— Nem muito humana. Nem muito confiante. Apenas… aceitável.
Ela revirou os olhos e suspirou exasperada.
Por um segundo, ele a observou em silêncio. Depois, sua expressão suavizou.
— Estão pressionando você.
Não era pergunta.
Ela o encarou, sustentando o olhar dele. Não queria parecer frágil. Não ali.
— Estou aprendendo — disse apenas.
Gil-galad inclinou a cabeça de lado, estudando-a como quem avalia um campo de batalha invisível.
— Muito bem — declarou subitamente. — Já cumpriu obrigações suficientes por hoje.
Ela não entendeu muito bem a frase dele e então Zara levou os dedos à testa, pressionando-a com leve impaciência. A lembrança veio como um sussurro antigo.
— Ainda preciso revisar a ordem das delegações e…
Ele se aproximou, segurando a mão dela.
Simples assim.
Sem anunciar. Sem pedir licença.
— Não — disse, com uma serenidade que não admitia réplica. — Sua presença é necessária em outro lugar. Assunto de extrema relevância para o Alto-Rei.
Zara estreitou os olhos, desconfiada.
— Gil-galad, o que você…
Mas ele já a conduzia pelo corredor lateral, desviando de dois conselheiros que surgiram ao longe. Com precisão quase estratégica, puxou-a por uma passagem menos usada, onde tapeçarias antigas abafavam o som dos passos.
— Está me sequestrando? — murmurou ela.
— Prefiro “resgate estratégico”.
— Do quê?
Ele inclinou-se ligeiramente, a voz mais baixa.
— Do Conselho. E do mundo.
Ela riu, finalmente — um riso genuíno, que dissolveu o peso do dia.
Minutos depois, atravessavam as portas altas da biblioteca real.
O ambiente era amplo e silencioso, iluminado apenas por candelabros dispersos. Fileiras de livros antigos subiam até o teto abobadado, e o cheiro de pergaminho e madeira polida criava uma atmosfera íntima, quase sagrada.
Zara cruzou os braços.
— Se isto for sobre mais protocolos históricos…
Gil-galad fechou as portas atrás deles com um clique suave.
— Não é.
Ele aproximou-se devagar, como se cada passo fosse deliberado. Não havia ali o rei. Não havia a postura formal, nem o peso da coroa invisível.
Havia apenas o homem.
Então como um ato simbólico daquela transição, retirou a coroa e o manto dourado os deixando sobre alguma cadeira próxima.
— Você enfrentou a Corte hoje — disse ele, a voz baixa, firme. — Sozinha.
— Não estava sozinha…
— Estava.
O olhar dele percorreu o rosto dela com atenção quase reverente.
— Eles a testam porque temem você.
— Temem?
— Sim. — Um leve sorriso surgiu. — Porque você não nasceu aqui. Não cresceu dobrando-se às regras deles. E, ainda assim, caminha por estes salões como se sempre tivesse pertencido.
Ela sentiu o calor subir-lhe pelo peito — não de constrangimento, mas de algo mais intenso.
— E você? — perguntou, desafiadora. — Também me teme?
Ele se aproximou mais um passo. Agora estavam perto o bastante para que o silêncio entre eles se tornasse elétrico.
— Temo apenas não ser digno de você.
A resposta a desarmou por um segundo.
Mas Gil-galad não lhe deu tempo para recuperar terreno. Tomou-lhe o rosto entre as mãos, com suavidade firme, e a beijou.
Não foi o beijo contido das cerimônias públicas.
Foi profundo. Vivo. Um pouco urgente.
Zara agarrou-lhe o sobretudo, puxando-o para mais perto, como se quisesse apagar qualquer distância que o dia houvesse criado. Ele a conduziu alguns passos até uma das mesas largas de leitura, interrompendo o beijo apenas para encostar a testa na dela.
— Isto — murmurou ele — é o ângulo correto.
Ela riu contra os lábios dele.
— Totalmente inadequado para a Corte.
— Excelente.
Ele a ergueu com facilidade inesperada, sentando-a sobre a mesa entre livros antigos e mapas de eras passadas. O contraste entre a solenidade do lugar e a intimidade do momento fez o coração dela acelerar.
— Se alguém entrar… — ela começou.
— Ninguém entrará — respondeu ele, seguro demais.
— E se ouvirem?
Ele inclinou-se, os lábios deslizando pelo contorno do maxilar dela até o pescoço e ela soltou um pequeno gemido e ele então complementou.
— Então aprenderão que o Alto-Rei também sabe priorizar.
Zara entrelaçou os dedos nos cabelos dele, enquanto ele seguia com beijos pelo colo dela. Então em determinado momento, ele parou empurrando o corpo dela suavemente sobre a mesa. Então, sem muita cerimônia ele puxou o vestido, quase como rasgando. Os seios ficaram expostos de forma tentadora demais para ele.
Zara mantinha os olhos fechados aproveitando os toques fortes mas incisivos do marido em seu corpo, que faziam a arquear, suspirar, morder os lábios e gemer baixinho, por medo de que alguém escutasse.
Ele então seguiu beijando e mordiscando os seios, a boca seguindo o mesmo caminho. Conhecia cada curva, cada respiração funda, cada músculo dela que relaxava sobre ele. Ainda assim, sempre que estava junto a ela novamente, sentia como se o mundo estivesse começando outra vez.
As mãos dele desceram pela cintura, apertando suavemente mas impondo aquele toque de posse que dizia muito sobre seu desejo incontrolável por ela. Os dedos desceram mais, encontrando a barra da saia do vestido, erguida sem delongas. Os dedos encontraram a intimidade de Zara, surpreendentemente úmida demais para o pouco contato físico.
Não demorou muito para ele começar a tocá-la intensamente e ela começar a derreter seus quadris sob as mãos dele. Ele a encarava apreciando aquilo como se fosse uma obra de arte.
Ali não havia julgamento.
Não havia protocolo.
Não havia Conselho.
Ela era dele com tanto desejo que ele realmente se perguntava se todas as manhãs que acordava junto a ela seriam mais um sonho ou realmente os Valar haviam lhe concedido o que o seu coração mais ansiava: o amor dela.
Zara começou a apertar-se contra os dedos dele e a respiração ficar mais curta. A pele suava. As mãos apertavam com as bordas da mesa. Ele queria a levar até seu máximo. E ela não tardou a chegar ali mas antes que ela pudesse gozar, ele abriu seu sobretudo completamente, abrindo as calças e as vestes íntimas e de uma vez se enterrando dentro dela.
Zara gemeu um pouco mais alto e olhou para a porta, temendo ter sido escutada. Ele virou o rosto dela cuidadosamente para si e sussurrou:
— Cuio na ven ún, meleth nín.
(Preocupe-se apenas com nós, meu amor.)
Ele começou o vai e vem contra ela, o corpo totalmente relaxado em desejo. Ele sentia a temperatura dela contra si tão alta mas tão confortável que deseja não parar com aquilo.
Ela lhe sorria em prazer, beijavam com posse, trocavam palavras vezes em sindarin, às vezes em língua normal, vezes as palavras morriam em suas bocas, tomadas por gemidos que já não era mais escondidos.
Zara começou a arquear mais ainda, o puxando com as pernas para si e sussurrou:
— Gil…
Ele compreendeu e logo deu uma intensidade e força maior. Zara se inclinou contra ele e o puxou para beijá-lo e naquele breve contato, gemeu contra o ouvido dele, o corpo tremendo, os olhos revirando, a pele tão quente como se tivesse saído de um recém banho de sol. E ele não tardou a encontrá-la em êxtase também, se afundando contra o pescoço dela.
Por mais que o mundo pudesse ruir além daquelas paredes, ali dentro tudo ainda respirava o calor do que haviam sido um para o outro. Permanecer unidos parecia a única escolha sensata — mas a biblioteca, com seus pergaminhos antigos e testemunhas silenciosas, não era refúgio eterno. O luar já subira alto, atravessando as janelas ogivais em lâminas prateadas que denunciavam o avançar das horas.
Gil-galad foi o primeiro a recuperar o fôlego. Não por frieza — mas porque era rei, mesmo quando desejava ser apenas homem. Com mãos ainda quentes, ajudou-a a recompor-se, reajustando o vestido no corpo dela. Antes de saírem, envolveu Zara em seu manto em um gesto instintivo de proteção — ou talvez de posse silenciosa.
Percorreram as passagens reservadas, sombras entre sombras, até alcançarem o corredor dos aposentos reais.
Enquanto Zara se banhava, deixando que a água morna aliviasse as tensões do dia, Gil-galad ordenou que o jantar fosse servido na varanda do quarto. Queria ar, queria distância do Conselho, queria o mundo reduzido à medida dela.
Quando ela retornou, já envolta em tecidos leves, encontrou-o também recém-banhar, os cabelos ainda úmidos caindo sobre os ombros largos. Jantaram lado a lado, não como soberanos, mas como dois cúmplices. A noite estava serena; os jardins respiravam sob a lua, e até o vento parecia respeitar o silêncio que partilhavam.
Pouco a pouco, o peso do dia reclamou Zara. O cansaço venceu-lhe os olhos, e ela se acomodou junto a ele, a cabeça repousando contra o peito firme que era seu abrigo.
Antes de adormecer, murmurou, quase já vencida pelo sono:
— Eu o amo tanto que se… se o mundo acabasse amanhã, ainda assim teria valido a pena ter vivido… só por ter sido sua.
E complementou:
— Não importa o que venha… eu sou sua. Sempre fui.
Ele levou a mão dela à boca, beijando a pele suavemente.
— Assim como eu sempre fui e sempre serei, meu amor.
Zara logo encontrou o descanso enquanto Gil-galad apenas desejava que aquele dia pudesse ser infinitamente repetido.
Para ele, pouco importava se as lanternas poderiam brilhar douradas ou prateadas.
A maior luz era deles.
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