Notas iniciais
Não é vulgarizado porém tem um momento hot então aviso logo! Se desejar pular, tudo bem.

O amanhecer em Lindon foi silencioso — como se até o vento soubesse que algo sagrado estava prestes a acontecer.

Nada de trombetas.

Nada de multidões.

A cerimônia seria como Zara desejara: simples, privativa, verdadeira.

O local escolhido era um jardim antigo, onde a água corria lenta entre pedras claras e árvores que pareciam lembrar canções mais velhas que o mundo. A luz filtrava-se suave, dourada, não ofuscante — como se o próprio sol tivesse aprendido a ser gentil naquele dia.


Quando ela surge, o tempo parece hesitar.

O vestido — inspirado naquilo que ela pediu às artesãs — cai com naturalidade, sem excessos. O tecido claro desliza pelo corpo como névoa firme, forte e delicada ao mesmo tempo. A renda no busto não é ostentação: é memória. A capa leve, quase translúcida, desce pelos ombros como se fosse parte dela — lembrando não uma rainha intocável, mas uma mulher que caminhou entre guerra, dor e escolha.

Nada de coroas pesadas.

Nada de joias gritantes.

Apenas pequenos adornos prateados entre as tranças — símbolos de batalhas vencidas, não apagadas, mas agora em paz.

Zara não caminha como quem se entrega.

Ela caminha como quem decide.


Quando ele a vê, não há rei.

Há apenas Ereinion.

O coração que enfrentou eras, sombras e exércitos… falha um compasso. Não por fraqueza — mas por reconhecimento.

Ali está a mulher que o desafiou.

Que o feriu.

Que o fez crescer.

Que o obrigou a escolher entre tradição e verdade.

E ele escolheu.


Não houve discursos longos.

Apenas palavras ditas com voz firme e olhos expostos junto a promessas profundas e eternas.

Quando as mãos se tocam, não é fogo descontrolado — é brasa constante. Daquelas que não consomem, mas aquecem por toda uma vida.

O beijo não é urgente. É profundo. Seguro.

Como se dissesse ao mundo inteiro:

“Nós sobrevivemos.”


Os poucos presentes — Elrond entre eles — sentem.

Não precisam entender.

Aquele não é um casamento político.

É um reencontro de almas.

E quando Zara finalmente cruza o jardim ao lado de Gil-galad, o que nasce ali não é apenas uma Rainha de Lindon.

É algo mais raro: Uma mulher que não foi moldada pela coroa — mas que a moldará.


Zara havia organizado uma pequena celebração pós-cerimônia, onde recebeu mensagens, votos e presentes. Mas, ao mesmo tempo em que mantinha sorrisos no rosto, estava nervosa pelo que viria.

A noite caiu sobre Lindon como um véu de prata. Nem o vento ousava tocar as janelas com força, como se todo o reino soubesse que algo sagrado se cumpriria ali.

Quando entraram de mãos dadas, ela se sentia ainda mais tensa. Gil-galad percebeu a mudança em sua postura e tentou lhe dar algum conforto, segurando sua mão com um pouco mais de firmeza, sem perder a delicadeza.

A luz da lua atravessava as cortinas e tocava os contornos do quarto. Nada excessivo. Nada vulgar. Apenas espaço — e expectativa.

A cama estava recém-organizada com lençóis de linho branco, e havia no ar um perfume suave. Zara sorriu levemente, agora ainda mais agitada por dentro, pois parecia que todos os cenários que imaginara para aquele momento haviam se esvaído de sua mente. Por um instante, talvez tivesse até esquecido como se devia andar.

Ela sentiu o peso daquele instante. Não era apenas a noite de núpcias. Era a travessia de um limiar.

Aproximou-se.

— Na primeira vez que estive neste quarto, senti algo que me queimava por dentro. Era amor… mas parecia grande demais para existir em silêncio. Minha alma já o chamava, mesmo quando meu orgulho tentou resistir.

Ele escutava como se cada palavra fosse uma promessa antiga sendo relembrada.

— O que houver esta noite — continuou ela, a voz mais firme — não é impulso. É escolha. Eu o escolheria em qualquer era ainda que o sol esquecesse de iluminar o céu e a lua se ocultasse nas sombras.

O passo que ele deu não foi de domínio — foi rendição.

O beijo veio profundo, inevitável, como se fosse continuação de algo interrompido por anos. Não havia pressa. Havia fome contida.

As mãos dele deslizaram pela curva de sua cintura com reverência, mas também com posse silenciosa. Ele a conhecia. Sabia onde ela estremecia antes mesmo que o corpo dela reagisse.

Quando seus lábios encontraram o pescoço dela, Zara arfou. Não por surpresa — mas porque o desejo que guardara por tanto tempo finalmente tinha permissão para existir.

Ele afastou-se um instante, respirando contra a pele dela.

— Eu temi esse momento — confessou ele. — Não por desejo… mas por respeito. Por medo de feri-la outra vez.

Zara apenas meneou a cabeça.

— E eu temi porque sabia que, se me permitisse, jamais voltaria a ser quem fui antes.

Abriu um pequeno sorriso, suave.

— Mas talvez… seja exatamente isso que eu queira.

Sem quebrar o contato visual, ele se abaixou e retirou delicadamente os sapatos dos pés dela. As mãos subiram pelas laterais do corpo dela e ele encontrou os fechos do vestido. Zara sentia arrepios a cada botão aberto, sentindo as forças esvaírem com a proximidade dele e o olhar profundo demais, quase como em um ritual que ela não ousaria interromper.

Quando o vestido deslizou ao chão, e isto junto a leve camisola, ela se sentiu um pouco envergonhada, baixando o olhar, mas ele não deixou espaço para que ela ficasse constrangida.

— Zara, olhe pra mim. — ela o encarou. — Nada do que acontecer aqui entre nós é motivo de vergonha. A sua beleza transcende mil manhãs de orvalhos refletidas pelo sol ou centenas de noites de lua cheia. É tão perfeita e desejável como uma estrela caída das mãos de Varda.

Ela sorriu e ele a inclinou sobre a cama, deitando-a. Ele a olhava com tanta intensidade que Zara se questionava a se realmente ele conseguiria ir além, pois muito daquele momento também significaria mudanças tão irreversíveis para ele quanto para ela.

Então ele se levantou abruptamente. Ela considerou que talvez ele estivesse se arrependendo de avançar, porém ela não conseguiu dizer nada. Ele retirou a própria coroa e a deixou sobre a mesa. O som do metal tocando a madeira ecoou como um símbolo: ali não havia soberano. Apenas Erenion.

E com uma calma quase que torturante, retirou o manto, desabotoou o sobretudo e seguiu despindo-se, até ficar com o calção íntimo.

Zara estava olhando mais por incredulidade do que por curiosidade. Talvez por considerar que se um dia se achou ‘profana’ por apenas toca-lo, não sabia o que dizer ao estar ali, ambos praticamente sem roupa alguma.

Então ele se aproximou novamente e se inclinou sobre ela, a beijando. Primeiro com certo cuidado e depois com mais desejo. As mãos, grandes e firmes não eram demais ásperas mas continham memórias das muitas lutas vivenciadas e ali seguiram um caminho novo para ambos: tocar a pele dela sem nenhum empecilho.

E ele assim o fez, sem muito modismo. Primeiro o colo, onde depositou pequenos beijos, descendo em seguida aos seios, pequenos e macios, que tomavam suas mãos como se fosse algo tão valioso que ele se sentia indigno de tocar.

Zara arqueou o peito como se aquilo já fosse demais para seu espírito porém ele continuou, agora beijando seu ventre como se tecesse a pele em carinho. Ela inclinou mais ainda o corpo. Até ele abrir suavemente suas coxas com as mãos.

Ela parou desconcertada, ponderando se pedia para que ele parasse ou se o alertava para sua castidade. Zara nunca se deixou levar pela curiosidade sobre os atos íntimos mesmo na juventude. Achava o assunto deveras estranho e apesar da paixão com Gil-galad e os pensamentos nada puros, sabia que entre pensar e fazer havia um abismo gigante.

Mas antes que ela pudesse negar, ele retornou a olhando frente a frente, o corpo quase colado ao dela. Zara inspirou novamente e mordeu o lábio inferior — Pelos Valar, como o corpo dele era divino, tão bem esculpido pelo exercício e combate…— e ele a interrompeu, caçoando:

— Se continuar mordendo os lábios assim, vou considerar que posso terminar aqui mesmo, Zara…

Ela o encarou, um pouco surpresa de ter sido pega em flagrante mas não resistiu a provocação.

— E há algo a mais além disso?

Ele riu baixo. E a olhou profundamente de novo.

— Me permite mostrar?

Ela assentiu, porém deu o alerta.

— Gil… — Ele a olhou atento — Vá com cuidado, eu nunca…

— Não se preocupe, se algo lhe incomodar, interrompo assim que pedir.

Então o corpo relaxou um pouco e ele reiniciou tudo de novo, até chegar as coxas dela. E ali, começou a beija-lá ainda que externamente, por entra as coxas, a curva entre a perna e a virilha, o baixo ventre. Zara mesclava entre aproveitar a sensação e ainda assim sentir uma certo receio.

Até ele começar a lhe tocar. A sensação era diferente e ao mesmo tempo muito prazerosa. Ele tinha uma leveza no toque que conseguia deixar suas terminações nervosas tão sensivibilizadas que Zara sem perceber começou a gemer baixinho entre suspiros, coisa que tentou abafar com o dorso da mão e ele com a mão livre interrompeu.

— Não quero que silencie nada quando eu estiver lhe dando prazer. — e logo parou a mão que a tocava trazendo os dedos úmidos aos lábios dela, que abriu a boca sem pensar muito, sentindo seu próprio gosto, ele continuou — Isso é apenas o que eu quero de você, minha rainha.

Então, ele terminou de se despir e por certa dose de medo, Zara olhou apenas de relance, piorando a tensão sobre o próximo momento entre ambos.

Ele gentilmente afastou as pernas dela e se colocou sobre ela, sem peso, apenas posicionamento. Ela instintivamente cerrou os olhos.

— Zara, olhe para mim. Talvez… possa doer um pouco mas farei com o maior cuidado possível mas se ainda se desejar parar, me diga.

Ela somente assentiu. E ele foi empurrando-se para dentro dela. Espontaneamente, Zara soltou um grito baixoe ele parou, preocupado.

— Deseja que eu pare?

Ela apenas fez uma negativa. E respirou fundo. Quando a percebeu mais relaxada, continuou. Ainda havia uma dor ali mas Zara sentia ele preenchendo aquele espaço com tanto desejo que mesmo com o incômodo, não queria que ele parasse.

E ele não parou. Quando estavam enfim colados um ao outro, ele iniciou um vaivém contido que depois se transformou em movimentos mais rápidos. E ali já havia uma sinergia entre os corpos. As bocas também unidas se aprofundavam em beijos longos, breves, por vezes interrompidos por gemidos dele ou dela.

Como maré que sobe sem pedir licença.

Zara já havia entrelaçado as pernas ao redor dele e sentia o movimento sobre si mesma. As mãos de Gil-galad buscavam o pescoço, os seios, a cintura e apertavam suavemente, e ela sabia que ele ainda estava se controlando para não machucá-la.

Até que ela sentiu ele acelerar um pouco mais as investidas contra ela. O corpo dele estava incrivelmente quente, e ambos suados e ofegantes.

Ela sentiu o corpo dele tremer antes mesmo que ele perdesse o controle. Ele a envolveu com força, enterrando o rosto nos cabelos dela como se aquele momento fosse maior do que ele próprio.

Ele demorou alguns instantes para retornar a si e encontrou uma Zara o observando com um sorriso calmo.

— Pela maneira como me observa… temo que eu tenha sido o único a perder o fôlego. — Um meio sorriso surgiu. — Diga-me a verdade: a machuquei… ou apenas a deixei querendo mais?

Zara suspirou.

— Está tudo bem, Erenion. Apenas estou assimilando tudo. Sequer acredito que estou totalmente de volta a terra. Sinto como se ainda estivesse em um sonho… — e sorriu ainda mais.

— Se foi um sonho, que seja o início de uma eternidade desperta.

A puxou para junto de si, os dedos desenhando círculos lentos em sua pele.

— E, se por acaso a deixei desejando mais… considero isso apenas uma promessa para as próximas horas.

Zara riu.

— Então me compense porque estou muitíssimo desapontada. — O ‘muitíssimo’ saiu com uma certa dose de sarcasmo.

Ele riu e aproximou os rostos, colando a testa na dela.

— Está muito, muito?

— Sim…

Ele riu baixo, ainda com a respiração aquecida.

— Eu não. Para mim foi mais que suficiente… foi extraordinário. — Os olhos dele brilharam com algo quase juvenil. — E que os Valar me perdoem, mas eu poderia permanecer assim por horas… esquecendo guerras, conselhos e até o nascer do sol.

Aproximou-se mais dela, o sorriso carregado de intenção.

— Se eu desaparecer por alguns dias, deixe que Elrond governe Lindon. Tenho assuntos muito mais urgentes neste quarto.

Ela riu.

Ele então suavizou o olhar, tornando-se sério de um modo que só ele sabia ser.

— Eu amo você, Zara. Não como rei ama sua rainha. Não como um homem deseja uma mulher. Mas como alguém que encontrou a própria medida fora de si.

Deslizou os dedos pelos cabelos dela.

— Você é minha esposa, meu desejo… e a parte de mim que me mantém inteiro.

A voz baixou.

— Prometo que todos os meus dias — enquanto houver dias para mim — serão dedicados a fazê-la a mulher mais feliz de toda a Terra-média. Porque já não sei onde termino… e onde você começa.

E beijou-lhe as mãos como se selasse um juramento antigo.

E ali passaram o resto da noite em pequenas declarações, olhares cheios de desejo e amor até no mínimo toque.