Segredos do Passado 2: O Mundo das Personificações
5 Emergência
Notas iniciais
Seguindo seus dias treinando com Kohaku, Hisoka entendia cada vez mais sobre o verdadeiro sentido de se ter um shiki. O dragão o testava várias vezes e em diferentes formas, sempre com o objetivo de focar suas energias e ensinar-lhe a usar suas habilidades. Tsuzuki assistia de longe o crescimento do parceiro, ajudando em algumas partes do treino e mantendo sua atenção em possíveis perigos.
Kohaku havia enviado Hisoka para testa-lo contra um dos filhos mais perigosos de Takao: seu primeiro dragão parasita a nascer! Uma criatura tão antiga quanto ela, mais feroz que a maioria e mais cruel igualmente. Alguém que poderia muito bem dar problemas depois de perder para Hisoka da forma como foi.
Não houveram maiores distúrbios na semana de treinamento que se seguiu, porém, naquela tarde, o palácio central recebeu as visitas de Kotaro e Kojiro. Os corvos estavam com pressa e deveriam encontrar Tsuzuki e Hisoka o mais rápido possível.
— Kojiro-san e Kotaro-san! – Hisoka os avistou de longe, vindo com Kohaku e Tsuzuki.
— Vocês precisam voltar agora para Enma-cho! – Kojiro começou a mensagem.
— É uma urgência! A Miko-sama nos pediu para leva-los de volta imediatamente! – Kotaro o completou.
— Algo muito sério deve ter acontecido! – Tsuzuki sabia que ali haviam problemas – Hisoka, vamos!
— Eu sinto muito ter de interromper nosso treinamento desta forma, Kohaku. – ele se desculpava com o shiki rapidamente.
— Não se preocupe. Continue com o treinamento de concentração e canalização de energia enquanto estiver no seu plano. – Kohaku dava rápidas instruções a ele – Se tiver maiores dúvidas, pode perguntar ao seu parceiro. Ele definitivamente deve saber como ajudar. – claro que estava certo, afinal Tsuzuki passou por 12 treinamentos diferentes.
— Sim, obrigado. – Hisoka já se despediu e foi ao encontro de Tsuzuki.
O caminho pelo véu novamente se abria e os shinigamis desapareciam da visão das personificações. Saindo na Área de Rituais, Tatsumi estava lá para recebe-los e guia-los para uma reunião urgente. Mesmo tendo ido para sala comum de reuniões, tinham Wakaba, Teruzuma, Konoe, Gushoushin e Watari no aguardo de suas chegadas.
— O que está acontecendo? – Hisoka nunca viu o clima da sala de reuniões tão tenso.
— É isso que temos que descobrir! – Watari se levantava e ia ao monitor de apresentações – Primeiramente o básico. – apertando um botão, surgia uma lista interminável de almas na tela – Estas almas são de pessoas constatadas mortas, mas que não deram entrada na Enma-chou ou estão no radar. Já tem algumas semanas que este fenômeno vem se repetindo simultaneamente com o mal pressentimento da Wakaba-san. – ele direcionou a palavra a ela.
— É uma sensação de algo ruim e sério vindo. Algo que vai precisar de todos para ser resolvido e terá graves consequências. – preocupando os presentes, Wakaba terminou se sentando novamente e tendo Teruzuma para tentar acalma-la o melhor possível.
— Com uma situação tão séria, por que não fomos chamados de volta antes? – para Tsuzuki, aquilo precisava de uma resposta.
— Não tínhamos informações maiores sobre o caso e estávamos tentando juntar o máximo de detalhes sobre o ponto em comum entre estas almas. Isso levou muito tempo e poucas informações certas estão à disposição. – Tatsumi ajeitava seus óculos, passando para outra fase da apresentação – Estes hospitais, clínicas e laboratórios pertencem a um grupo familiar de empresas, que tem um excelente controle de informações e foram por eles que as pessoas que morreram passaram. Estas é nossa única e certeira pista. A família que gerencia essa rede chama-se Michinaga. – Tatsumi teve que parar.
— Michinaga!? – Hisoka levantou-se da cadeira, gritando o nome que o colega dissera – As 5 Famílias estão envolvidas no caso!? – ele estava tendo dificuldade em se organizar, deixando todos em dúvida.
— Cinco Famílias? – Konoe repetia a referência sem entender.
— Hisoka, calma! – Tsuzuki o abraçou – Respire e concentre-se, você não pode perder o controle agora. – o parceiro mais jovem o abraçava apertado de volta.
— Mas... Eles são... – entre tremedeiras, ele tentava juntar as palavras.
— Eu sei. Lembro do que você me contou daquela vez. – ele o apertava mais no abraço – Vai ser difícil, eu sei. Mas você consegue. Não pense nisso como algo do trabalho, mas sim como uma forma de ajudar as almas que precisam. – ele direcionava o rosto do mais jovem para si – Vai ficar tudo bem. Eu estarei com você. – ele terminou sorrindo, conseguindo que o parceiro parasse de tremer finalmente.
— Tudo bem. – ele tentava ficar de pé e conseguiu, com a ajuda de Tsuzuki.
— Sente-se aqui. – ao lado do monitor, Tsuzuki colocou uma cadeira e sentou o mais jovem, apoiando uma de suas mãos em seus ombros.
Ninguém havia entendido o que aconteceu, mas pelo desespero que aqueles cinco minutos trouxeram, não podia ser coisa boa que estava por vir.
— As Cinco Famílias são um grupo antigo e prestigiado de famílias humanas que possuem muito poder e influência no mundo inteiro e se equilibram entre si dividindo funções. – suspirando, Hisoka começou a explicar – As famílias do grupo são: Kurosaki, Fujiwara, Shishiou, Toyotome e Michinaga. – ele terminou, com o choque dos presentes.
— Kurosaki!? – Konoe não acreditava – A sua família!? – ele definitivamente deveria pensar em uma forma de tirar o rapaz do caso, conhecendo por cima a gravidade do relacionamento entre eles.
— Sim. – controlar seu nervosismo não estava sendo fácil, mas a presença de Tsuzuki e o contato com seus poderes ajudava muito – A família Kurosaki fornece guardas e proteção para as outras; a Fujiwara cuida de fornecer e manipular informações; a Shishiou cuida de assuntos ‘sobrenaturais’ como exorcismos, lida com casos estranhos extraordinários, rituais diversos e tem uma ramificação chamada Taishyoku; a Toyotome cuida de negócios, tesouraria e fluxo financeiro para as outras; e a Michinaga incluí médicos e profissionais de saúde com excelentes capacidades e uma ampla rede de auxílio. – ele terminou novamente.
— Médicos de uma família antiga? – para Tatsumi a referência era perigosamente familiar e Hisoka entendeu de onde.
— Não há nenhuma ligação com a família do Muraki, Tatsumi-san.
— Que alivio. – quase que o shinigami enlouquece com a possível conexão apresentada.
— Eu ouvi falar de uma família que realiza os mais incríveis rituais em templos e tem grandes conexões, enquanto eu estava viva. Minha família os respeitava muito e mantinha maiores informações em segredo. – Wakaba entrava na conversa.
— É bem possível que tenha ouvido falar da Shishiou então. – Hisoka continuou suas explicações – Os líderes da família Kurosaki são Silva e Kikyo – ele puxava um registro de governo com as fotos dos dois – e os treinadores da família, de tiro, luta e espada respectivamente, incluem: Nicholas, Kokonoe e Kenshin. – ele mostrava mais fotos de pessoas ao lado dos líderes – Eles não tem herdeiros mais. Eu morri aos 16 anos e a única pessoa que resta é minha comprometida, Shishiou Shirona. – Tsuzuki se surpreendeu com aquele detalhe – A minha família não gostava das minhas habilidades, portando ela deveria assumir quando chegasse o momento de haver uma transição de comandos. – ele amenizou ao máximo o problema que teve por ser empata, embora a maioria soubesse a verdade – E cada alto escalão das famílias conta com um guarda especialmente destacado da Kurosaki.
— Você tinha uma comprometida? – Tsuzuki definitivamente estava surpreso por aquilo.
— Tinha. Casamentos entre herdeiros das famílias é algo bem comum. – ele rapidamente desviou do assunto, puxando novos registros – Estes são os líderes da Fujiwara: Heike e Sakurako; e esta é a herdeira deles, Sakura. – ele já ia puxar novos registros do computador, ao completar – Eles possuem uma ampla rede de informantes muito bem qualificados e cujos nomes não são revelados facilmente, sendo assim eu não sei quem são.
— Não tem problema. Já estamos com muito mais conhecimento do que em semanas de investigação. – Watari tentou ser delicado com o que dizia, por mais que não houvesse qualquer meio disso naquela situação.
— Bem, os líderes da Shishiou são Meiga e Mimori; seu herdeiro e irmão mais novo da Shirona é Yaze; e eles possuem uma responsável por rituais, chamada Koyomi. – ele mostrava mais fotos na tela – Quanto a Taishyoku, seus verdadeiros lutadores são apenas 7, os mais fortes escolhidos para trabalhos considerados ‘reais’. Seus nomes são: Sayaka, Kisaki, Gajou, Vatler, Jagan, Castiella e Yuuma. – as fotos continuavam a mostrar pessoas normais, contrastando com as informações que Hisoka fornecia e gerando um desagradável sentimento inquietante de perigo – É dito que apenas os altos escalões da família podem usar parceiros espirituais especiais. Eu não sei o que são, mas é bem possível que estejamos falando de personificações aqui. – Tsuzuki o interrompeu.
— Pouco provável, Hisoka. Eles não teriam como entrar no Mundo das Personificações sem causarem problemas e nenhuma aceitaria esse tipo de contrato sem pensar. – ele tinha razão – Mas eu já ouvi falar que você pode originar uma personificação própria com o ritual certo e uma elevada dose de poder. É possível que esta responsável por rituais, Koyomi, seja mais perigosa e hábil do que aparenta.
— De fato é valido ter um cuidado extra com essa família. – até Teruzuma concordava com ele.
— Continuando. – Hisoka já puxava mais registros do sistema – Estes são os líderes da Toyotome: Sanmoto e Yodo. O Herdeiro deles é Kiyotsugo, uma pessoa dotada de uma sagacidade anormal. – o comentário foi estranho para maioria – Eu já o conheci uma vez. Ele tem uma mente brilhante, uma capacidade de ajuste a qualquer situação e enganá-lo é extremamente difícil.
— Tem alguém nesse grupo de famílias que seja normal, como você? – a referência foi estranha, ainda mais vinda de Watari.
— Não exatamente. – Hisoka até riu um pouco da forma como ele perguntou – Todos possuem habilidades que devem ser compatíveis com o nível da família, em especial dentre os altos escalões. Nascer com minha descrição, na verdade é impensável. – ele fechou seus olhos, mostrando que era melhor pararem ali a conversa.
— Hisoka. – Tsuzuki reparou que não se sentiu bem com aquilo e Watari se perguntava se era realmente bom continuarem aquela conversa com ele presente.
— Eu estou bem, Tsuzuki. – ele deu um meio sorriso para o parceiro – Por fim temos a Michinaga e seus líderes são: Hatori e Kora. Eles têm dois filhos, sendo o mais velho e herdeiro, chamado de Ryuu e a mais nova, Hamaji. Mesmo havendo uma diferença de quem é o herdeiro e quem não é, seja na Michinaga ou na Shishiou, pela presença de dois filhos, nenhum deve ser subestimado! – ele terminou ali.
— Vai ser muito difícil de lidar com um grupo tão bem organizado assim. – Konoe pensava na situação, agora mais preocupante ainda, que Hisoka expôs – Precisamos de mais detalhes sobre as almas e o motivo de estarem desaparecendo, mas se chegarmos perto demais seremos notados. – claramente, já que teriam suas informações investigadas e eles contavam com humanos de poder espiritual a seus lados.
— Poderíamos nos disfarçar e tentar conseguir os detalhes por dentro. – Watari tinha uma boa ideia.
— Mas não será tão simples. – Tatsumi tinha um ponto – Para conseguirmos enganar estas pessoas, será muito mais complexo. – ele pensava com cuidado em uma saída.
— Precisamos de um jeito de chamar a atenção deles. – Teruzuma tentava ajudar com os planos, mesmo os obstáculos sendo enormes para que tivessem sucesso.
— Se fosse para entrar nas famílias, a primeira coisa a se fazer, realmente, é chamar a atenção deles. – Hisoka sabia como o esquema funcionava afinal – Apresentar uma organização pequena e útil, de pessoas habilidosas procurando um trabalho fixo com proteção, seria a melhor alternativa. Nesse caso alguém precisaria ficar no comando e intermediar a entrada do resto. – ele tinha todas as atenções da sala – Chefe, você seria a melhor pessoa para se fazer isso. Para encontrar os líderes e negociar um teste de entrada, os melhores locais de procura são festas exclusivas e privadas de alta sociedade ou pessoas importantes e influentes. Ir diretamente de encontro aos líderes em suas casas ou serviços não é sempre a melhor alternativa e, geralmente, tem sempre alguém das famílias nas festas com maior disposição para um diálogo. – ele finalizava, olhando Watari fazendo um pesquisa no computador.
— Uma festa como essa? – ele puxou manchetes de jornal sobre um grande evento social e exclusivo, que estava marcado para acontecer em três dias.
— Exatamente como essa. – Hisoka analisava as manchetes – Pelo que estou vendo, é certeza que haverá ao menos um líder na festa.
— Então temos pouco tempo para nos prepararmos e conseguir um meio de entrar nesta festa. – Konoe já montava mentalmente tudo que precisariam – Existem padrões de etiqueta que precisaremos seguir, correto?
— Sim. – Hisoka o respondia – Mas nada que não possamos arrumar a tempo. O grande problema é quem conseguiria entrar aonde. – conhecendo os colegas, mesmo que pouco, tinha uma boa ideia de quem poderia entrar aonde – A Michinaga estaria aberta em receber o Watari-san com certeza; já o Tatsumi-san conseguiria se ajustar bem na Toyotome; a Wakaba-san e o Teruzuma-san seriam melhores para a Fujiwara; e, na Shishiou, ninguém além do Tsuzuki conseguiria entrar. – ele fez um rápido apanhado da divisão.
— Entendo o que quer dizer. – Konoe analisava seus direcionamentos – E quanto a Kurosaki? – julgando a gravidade da situação, precisariam de alguém lá dentro também.
— A Kurosaki lida com pessoas habilidosas nos amplos da autodefesa, uso de artilharias, domínio de kenjutsu e prática em combate. É difícil conseguir alguém que se encaixe nos padrões deles. – ele ia continuar, mas foi interrompido.
— Nem pense nisso, Hisoka. – Tsuzuki sabia exatamente onde ele ia chegar – Você é a última pessoa que deveria se aproximar deste caso, quanto mais novamente da sua família! – ele estava muito sério e Hisoka podia sentir suas aflições facilmente.
— Eu sou o único que sabe fazer essas coisas e os convenceria, Tsuzuki. – ele tocou a mão que o parceiro matinha em seu ombro, fazendo-o notar que, mesmo com muito medo e aflito, estava disposto a enfrentar aquele teste em prol de ajudarem aquelas almas e prevenirem algum possível desastre.
— Ah... – ele suspirou em resposta – Está bem. Mas tenho condições. – Hisoka riu, já esperando para ouvi-las – Você vai ser cuidadoso com o nível de interação entre vocês e estar o tempo todo conectado comigo. – a última condição o surpreendeu – Você vai precisar se acalmar e se controlar em muitos momentos, tenho certeza disso; além de haver seu treinamento para seguir.
— Treinamento? – Tatsumi não queria interromper aquele momento de carinho e companheirismo entre os dois, mas o comentário lhe chamou a atenção, já que ficaram um bom tempo no Mundo das Personificações.
— Acabamos não contando, mas eu firmei uma parceria com um shiki. – uma rápida troca de olhares e sorrisos entre os parceiros resolveu que tinham que contar a novidade a todos – Eu estava treinando com ele, quando fomos chamados de volta. Na saída, ele me passou alguns treinos para fazer neste plano.
— Parabéns, Kurosaki-kun! – Tatsumi estava muito feliz e os outros o gratificavam igualmente.
— Se seguir as condições do Tsuzuki e tomar cuidado com seu recém adquirido shiki, irei permitir que participe desta missão. – mesmo contra seu melhor julgamento, Konoe via nos olhos do rapaz e em sua interação com Tsuzuki que algo havia mudado. Algo maior que seus medos e traumas estava presente!
— Sim! – não havia hesitação ou dúvida ali.
Tendo confirmado quem iria se infiltrar em cada família, foram acelerar seus preparativos. Quais identidades usariam, seus disfarces, como lidariam com os testes de entrada que, pela descrição de Hisoka, eram compatíveis com cada família de escolha, e a forma como fluiriam as informações que conseguissem sem alerta-los.
O Conde foi acionado para ajudar, Gushoushin não poderia vir e todos os departamento a Ju-ou-cho foram colocados em alerta e espera para desenvolvimentos da situação. O mal pressentimento de Wakaba permanecia e muito ainda estava para ser revelado, dentro de todos os detalhes que faltavam.
Na noite de gala, todos estavam prontos. Apenas Tatsumi, Konoe e Hisoka fariam o primeiro movimento e, com o sucesso que deveriam conseguir na noite, os outros se apresentariam para seus trabalhos. Na ausência da lua, sob o céu escuro da noite, os shinigamis seguiam em direção ao mais importante e perigoso de seus trabalhos.
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