Notas iniciais
Talvez pelo nome do capítulo vocês já se lembrem quem é a garota do capítulo anterior. Uma pessoa só acertou, e meus parabéns a ela kkk! Enfim, este capítulo não teve muitos momentos Stasha, foi mais sobre a Natasha e a tal garota mesmo, e prometo recompensá-los depois. Tentei focalizar num ponto mais emocional da Nat, para vocês verem que não é só o Capitão que ela pode amar e tudo mais, e espero que gostem.

— É uma missão sua Natasha, não fomos convidados. — Tony diz.

— Então me empreste um carro.

— O quê?! Nunca.

— Ah, qual é, estou falando sério.

— Droga. Estão na garagem. Escolha um. Não, espere. Não escolha. Fique com o amarelo. Não. O preto. Não...

Nem espero ele terminar a decisão, desço para a garagem e pego o primeiro carro que encontro. O endereço não fica muito longe, e me pergunto como foi que ela veio parar em Nova York.

Eu nunca me senti desse jeito. Estou com medo, medo de ela não me reconhecer, medo de ela não querer falar comigo, ou ter raiva de mim. A casa é bem grande, no estilo típico americano. Na garagem há uma caminhonete, e no jardim de entrada há um velotrol e uma casa de bonecas.

Ela tem a vida que sempre quis, ou pelo menos eu achava que queria, porque quando nos separamos, era a vida que eu queria. Mas essa vida me parece muito distante agora. Não quero contar a ela que o marido é um terrorista. Se houvesse uma outra maneira, eu com certeza faria.

Não estou vestindo meu uniforme, porque seria estranho para ela. Pareço uma adulta normal, com jeans e camiseta. Toco o interfone, e logo ouço passos dentro da casa, e latidos insistentes. Até um cachorro ela tem. Fico cada vez pior por arruinar tudo isso.

Quando ela abre a porta, é como se meu coração parasse. Se não fosse minha irmã, eu jamais a reconheceria. Ela era um bebê quando nos separamos, e agora parece muito mais mais velha que eu. Mas ela não me reconhece.

— Posso ajudar?

— Hum... Eu sou agente do FBI, posso entrar? — eu mostro um distintivo falso, com o nome de Lilian.

— Algo errado?

— Bem, na verdade eu gostaria de conversar a sós com você.

As crianças olham para mim de maneira amedontrada. O menino não tem mais que onze anos, com bochechas enormes e adoráveis. A garota parece ter uns dezesseis, e puxa o irmão pelo braço até as escadas. Kiara, minha irmã, senta-se no sofá e me oferece o mesmo, mas eu fico de pé.

— Isso vai ser meio difícil.

— O que quer dizer? Alan está bem? — Alan Dorigan é o marido.

— Na verdade, senhora Dorigan, é exatamente sobre ele que precisamos conversar. Ele tem agido de maneira estranha ultimamente?

— Não sei o que quer dizer, senhora. Eu quero um advogado.

— Por favor, não complique as coisas. Já é bem difícil pra mim.

— Pra você?! Estamos falando do meu marido!

— Eu sei... Mas... — ah, seria tão mais fácil se ela se lembrasse. Será que ela sentiu minha falta como eu senti a dela? — Mas eu... Eu sou... — existe algum eufemismo para " eu sou sua irmã"? Ela iria ter perguntas demais. Como você ainda parece tão jovem? Por onde andou? Entre outras em que as respostas seriam impossíveis. Mas mentir seria ainda pior. — Sou a Natasha. Natasha Romanoff.

Ela franze o cenho, depois me fita de alto a baixo, balançando a cabeça, incrédula.

— Não pode ser... Eu...

— Sou eu, Kiara. Mas não temos tempo para isso agora. Você está correndo perigo.

— Ai meu Deus, do que está falando?! Como você pode vir até minha casa depois de 50 anos?! E ainda me dizendo que estou correndo perigo? Está acusando meu marido de alguma coisa?!

— Na verdade estou. Seu marido é um terrorista.

— O quê?! Você é uma mentirosa! Cale a boca e saia da minha casa!

— Tenho dezenas de agentes atrás do seu marido. Estou tentando escoltar você e as crianças para um lugar seguro. A casa pode estar comprometida. Não me faça ser cruel.

— Isso não está acontecendo! Não está acontecendo...

— Mamãe! O que houve? — o garotinho pergunta.

— Vocês têm que vir comigo, agora! Não estou brincando, Kiara, podemos falar disso mais tarde, mas agora, por favor, pela segurança dos seus filhos, venham comigo.

— Matt, chame sua irmã, estamos saindo.

— Onde vamos?

— Vai ser rápido, querido. — quando ele sai, ela se vira para mim novamente, com uma expressão enjoada. — Você não trabalha para o FBI, então de onde é?

— Eu sou da S.H.I.E.L.D.

— Mas é claro que é! Sabia que eu mandei um bilhão de cartas para você naquela droga de orfanato?! Depois me disseram que você tinha fugido. Procurei você por alguns anos, depois desisti. Isso foi há cinquenta anos. Você não significa mais nada pra mim.

— Se não significo nada, por que está chorando? — eu mesma tento lutar contra as lágrimas. Não podia ser verdade. Ela não podia ter se esquecido de mim. — E você achou difícil ser criada por pais ricos?! Achou difícil ir a escola? Brincar? Ter amigos? Porque eu vou te contar como foi a minha vida desde então. Eu chorei todas as noites e esperei você voltar. Quando eu estava ficando melhor, eu fui capturada pelo governo soviético e torturada. Eu nunca voltei ao orfanato, e tive que me virar sozinha. Andei por ruas desertas a noite sozinha, passei fome, frio, e todo tipo de coisa. Até um homem me adotar, mas ele não conseguiu lidar porque eu era uma criança assassina. Depois dos experimentos eu me transformei em uma pessoa que nem eu mesma reconhecia. E fui largada de novo. O único homem que eu chamei de pai depois daquilo foi assassinado na minha frente por alguém que eu considerava amigo. Depois a S.H.I.E.L.D foi designada para me matar, mas ele não o fizeram. Eu fui acolhida lá e é assim que vivo desde então. Essa foi minha vida fantástica.

Kiara não tem resposta. Ela está boquiaberta. As crianças estão paradas ao pé da escada, também me encarando.

— Temos que sair daqui imediatamente. — eu digo, me recuperando.

Nós saímos e entramos no carro. O menino, Matt, está vermelho de choro enquanto Kiara tenta consolá-lo, a garota apenas parece revoltada. Eu dirijo numa velocidade segura, como geralmente não faço. Kiara não para de fitar-me por um minuto, mas não me incomodo. Eu devia ter ficado quieta. Chegamos a casa de Tony.

— Espera um pouco... — começa Matt. — Se você vive na mansão dos Vingadores... Ai meu Deus, você é a Viúva Negra?!

— Sou. — eu sorrio. Eu era reconhecida como heroína de criança!

— Uau!! Mamãe, vamos ficar na mansão dos vingadores! O Hulk está aí?

— Receio que não.

— E o Thor?

— Hum... Também não. Mas o Homem de Ferro está.

— Eba!

...

Uma semana se passa. Alan foi finalmente capturado e preso. Kiara não falou comigo sobre isso, na verdade, sobre nada. Ela e as crianças estão arrumando as malas para se mudarem. Ela também não quis me dizer para onde. Saí em três missões na semana, e ela não me perguntou como foi nenhuma.

Ao contrário de Steve, que me acompanhou em duas, e na outra, me recebeu com grande entusiasmo. É bom passar o tempo com ele, porque quando eu falo, eu sinto que ele realmente me escuta.

— Vamos voltar para Washington amanhã. Coulson quer ajuda com a reconstrução do quartel general.

— Vou me despedir de Stark.

— E sua irmã?

— Ah, eu não tenho a menor ideia. Queria que ela fosse conosco, mas acho que não vai rolar. Ela me odeia!

— Ah, Nat, não pense assim. Ela gosta de você. Só está confusa, coloque-se no lugar dela.

— Você não entende... — mesmo assim, Steve me abraça, apoiando o queixo no topo da minha cabeça. Tony entra na sala na hora.

— Ai meu Deus, por favor não façam sexo no meu sofá. Custou mais que a casa de vocês.

— Argh, não íamos fazer! — eu retruco. Steve fica corado de um jeito fofo, e eu acabo rindo.

— Vocês vão realmente voltar para Washington? Porque acho isso desnecessário. Vocês estão na mansão " Vingadores".

— Temos que voltar por causa do quartel general.

— Quem sabe eu não faça uma visita a vocês. E leve o grandão. Talvez até o Shakespeare.

— Shakespeare? — Steve pergunta, confuso.

— O Thor. — eu reviro os olhos. A criatividade dos apelidos é como a de uma criança de cinco anos.

— Então, adeus.

Eu dou um rápido abraço nele, e depois em Pepper. Ela está quase chorando, e eu prometo vê-la novamente em pouco tempo. Ela diz que provavelmente estará em Washington em poucos dias. Então sobre minha irmã. Eu vasculho a casa a sua procura, mas só encontro sua filha na cozinha.

— Oi.

— Olá. — ela está mexendo no celular, apática.

— Onde está Kiara?

— Não sei. Mas ela não quer falar com você.

— Ela te falou isso?

— Falou. E também disse que eu deveria me manter afastada. Ela disse que você é perigosa.

— Eu sou mesmo. — neste momento, ela se encolhe. — Mas jamais machucaria minha única... família.

Ficamos um tempo em silêncio, até ela dizer:

— Ela está no aeroporto. Eu disse que ficaria mais alguns dias e depois iria para casa. Se você quer saber, estamos nos mudando para a Arlington.

— Obrigada.

Eu fico contente, afinal, a cidade é próximoa de Washington D.C. Mas Kiara nunca irá me procurar, e se quero falar algo com ela, o momento é este. Eu dirijo em alta velocidade até o aeroporto e a encontro fazendo check-in.

— Kiara! Por favor, espere.

— O que é?

— Olha... Eu não ligo para muitas pessoas no mundo, mas você é minha irmãzinha e... Bem, eu sofri muito depois que você partiu, e não me lembro exatamente como eu costumava ser, e nem conseguiria ser essa garota novamente. Mas eu não quero que você me odeie, porque eu nunca fiz nada que te prejudicasse, e jamais faria.

— Eu amo você, Natasha. Você me salvou, me criou por um tempinho, sozinha, e você tinha uns seis anos. É a mulher mais guerreira que eu conheço. Sinto muito por não tê-la encontrado, e sinto muito por você ter tido uma vida tão horrível. E é por isso que tenho uma proposta pra você.

Eu fico surpresa. Uma proposta? O que será?

— Meu pai tem uma empresa, e eu posso conversar com ele e com certeza ele arranjaria um emprego pra você.

— Ah... — eu não sei como responder. A resposta é definitivamente um não. Eu não gostaria de largar a S.H.I.E.L.D. — Foi mal, mas eu gosto do trabalho como espiã. Mas muito obrigada.

— Natasha... Você não pode estar falando sério.

Eu a encaro. Por que não?

— Isso é ridículo. Se você quer manter contato comigo, como pode ser uma agente secreta?

— Isso não interfere em nada!

— Claro que interfere. Olhe pra você. Sem amigos, sem namorado, apenas com seu trabalho idiota. Você não ganha tanto assim.

— Pra sua informação eu tenho sim amigos. E um quase namorado.

— Deixe eu adivinhar: ele não é seu namorado porque você arruinou tudo com sa personalidade instável?

— Quer saber, Kiara? Eu vim até aqui porque queria lhe pedir desculpas pela grosseria no outro dia. Você não conviveu comigo e não sabe nada sobre quem eu sou. Então, obrigada pela oferta, e tenha uma boa vida. Adeus.

Me dói fazer isso, mas é a melhor opção. Eu iria desapontá-la demais, e não quero isso. Ela aquiesce e me abraça. Eu tento segurar as lágrimas, mas uma sempre escapa. O garotinho logo aparece e nos separa, ele tem um pacote de doces na mão e um sorriso nos lábios.

— Tchau, titia! — ele me abraça também. Eu sinto meu coração acelerar com o gesto. Ele me chamou de "titia"!

Quando eles embarcam, eu dou meia volta para ir embora, mas vejo Steve correndo na minha direção.

— O que está fazendo aqui?!

— Natasha! Cadê eles?!

— Embarcaram, por que? — ele finalmente fixa os olhos nos meus, e há uma preocupação eminente neles. — O que houve?!

Ele me empurra para o lado e corre para a a recepcionista. Eu o ouço sussurrar, e depois seguranças começam a correr na pista de decolagem. Eu fico totalmente perdida. Mas então acontece.

O avião que minha irmã entrou há pouco tempo explode. As pessoas gritam quando o vidro se estilhaça, e algumas se ferem. Steve me protege com o próprio corpo. Eu fecho os olhos. Não consigo e nem quero etender o que aconteceu. Mesmo quando o pânico para de se alastrar e Steve afrouxa os braços ao meu redor, eu mantenho os olhos fechados, embora minha consciência esteja ligando os pontos.

— Não... — eu murmuro, passando a mão pelo cabelo em desespero.

— Natasha... Vai ficar tudo bem. Fique calma. — eu ouço Steve. Abro os olhos e não vejo sinceridade alguma em seus olhos. Ele sabe que não vai ficar tudo bem.

— Ela está morta.

— Eu sei.

— Por que?!

— Se acalme.

— Não! Steve, eu não entendo. Por que ela teve que morrer?! Eu assisti a todas as pessoas que eu amo morrerem, uma de cada vez, e eu me afastei dela por segurança! Ela iria se mudar, nós apenas trocaríamos emails, telefonemas no máximo! Eu fiz todo o possível para mantê-la segura, e...

Eu não consigo terminar a frase. Me sinto grata a Steve por me abraçar com força, porque eu não sei se consigo me manter de pé. Eu escondo o rosto em seu peito e grito. O som é abafado, mas doloroso. Ele afaga meus cabelos e repete que tudo ficará bem, mas eu sei bem que não vai.

Eu não escuto os policiais e vou em direção aos escombros. Procuro pelo corpo de minha irmã, sabendo que talvez não o encontre por inteiro. Steve fica a uma distância de privacidade. Eu encontro seu corpo devastado. Alguns membros faltando, sangue por toda parte. Me ajoelho perto dela. Na mão que ficou, ela segura algo... Um brinquedo.

Um ursinho de pelúcia minúsculo. Eu me lembro dele. Era uma de nossas primeiras noites sozinhas, ela chorava desesperadamente e eu não tinha nada de comida. Tinha uma moedinha, e só consegui comprar aquele ursinho. Era branco como a neve que nos congelava, e peludo como o cobertor que eu desejava. Ela adorou, calou o choro na hora. E saber que ela guardou aquilo é simplesmente... Emocionante.

Eu caio no choro. Nunca pensei que fosse reencontrá-la, e ela já está morta. É trágico demais, até para mim.

— Vamos, Natasha, eles querem limpar a área. — Steve tenta me puxar.

— O garoto só tinha onze anos. Ele não merecia. E eu exijo saber o que aconteceu.

— Vamos descobrir, agora, por favor, venha comigo.

Notas finais
Mil desculpas por não ter colocado a Sharon ainda, mas agora que FINALMENTE entrei de férias vou ter um tempinho extra pra escrever. O que acharam do capítulo? Eu sei que foi meio triste ela ter morrido... Estou pensando sobre uma conversa da Natasha com o Bucky, o que vocês acham? E uma visitinha dos nossos outros vingadores?