Notas iniciais
Este capítulo tem mais sobre o passado da Natasha e mais Stasha também. Boa leitura!

Acordo aquecida nos braços musculosos de Steve. Ele ainda está dormindo, e Marina não está presente. Onde será que ela está? Me desvencilho de seus braços e vou até o banheiro. Quando volto, ele já está de pé, tomando água de uma garrafinha.

– Dormiu bem? — ele me pergunta.

Eu assinto.

– Onde está Marina?

– Ela foi pegar comida... Há umas cinco horas.

Eu arregalo os olhos.

– Precisamos procurá-la. AGORA!

– Ela é sua amiga mesmo? — Steve indaga enquanto procuramos Marina pelos corredores. Lá fora ainda está um caos, as crianças estão todas juntas no porão, e a polícia investiga o local.

– Hum... Mais ou menos.

Ele não parece feliz com minha resposta.

– Precisamos sair daqui. Será que Sam está bem? — Steve parece preocupado.

Antes que eu possa tentar acalmá-lo, Marina aparece do outro lado do corredor, segurando um pacote de salgados e duas latas de Coca.

– Por que demorou tanto? — pergunto.

– Você já está melhor, pelo visto. Eu encontrei o amigo de vocês, ele estava ferido e eu o levei a um hospital.

– Sam? Ele está bem?! — Steve parece desesperado. — É culpa minha, eu devia ter ido...

– Ele está bem. Só precisa de um descanso. Amanhã vocês podem buscá-lo.

– Não. Temos que ir agora. — eu digo. Mas ao ver a expressão de medo e culpa nos olhos de Steve, eu mudo de ideia. — Na verdade, um dia não nos fará grande diferença.

...

Depois de comer e tomar banho, sento-me em uma cadeira de frente para Steve e pergunto se ele está bem.

– Estou preocupado. Eu devia ter ido atrás do Bucky, e não deixar Sam fazer isso, se qualquer coisa acontecer com ele...

– Não vai acontecer. Marina disse que ele ficaria bem. Aliás, cadê ela?

– Ela teve que ir até o porão, ordens da escola. Ninguém sabe que estamos aqui.

– Então é melhor ficarmos quietos.

Nenhum dos dois fala mais nada, e eu sinto um estranho nervosismo crescendo dentro de mim. Quando ele fala, não é nada que eu queira ouvir:

– Vou entender se você não quiser falar, mas... Por que matou aquela garota?

Eu engulo em seco. Não vou chorar outra vez. Não vou. Não vou. Mas isso fica cada vez mais difícil quando me lembro de tudo. Ele percebe meu desconforto e segura minhas mãos. Uma onda de choque sobe por meus braços.

– Esqueça isso. Eu não sei muito sobre você, só queria... Queria saber mais, desculpe.

– Não, tudo bem. — de repente, eu sinto que devo contar a ele sobre meu passado. Sinto que posso confiar nele, pelo menos para contar como fui parar nas mãos do governo, ou como eu já vivi em uma casa com uma família normal. — Talvez eu possa te contar algumas coisas sobre meu passado. Apenas algumas coisas. — ainda não quero que ele saiba dos meus atos terríveis.

– Eu adoraria.

– Bem... Eu tinha seis anos quando meus pais morreram. Morávamos em uma casinha perto de um riacho, eu gostava de lá. Acredite se quiser, eu tinha amigos, e até uma paixão por um garoto da escola. — ele sorri. — Era uma tarde de inverno, e eu estava brincando com ele, o garoto que gostava, não me lembro de seu nome. Estávamos fazendo uma guerra de neve com outras crianças do bairro, quando eles chegaram. Estavam em carros enormes, e todos que os viam corriam. As crianças foram levadas por seus pais, e eu nem tive tempo de me despedir. Não entendia o que estava acontecendo, e fui para casa. Minha mãe me deu o bebê no colo, minha irmã mais nova, Kiara, e ela disse: " Fique lá embaixo até isso tudo acabar. Cuide da sua irmã. E, Natasha? Eu te amo muito." — eu já estava chorando. Doía tanto lembrar daquelas coisas... — Ela nunca tinha me dito isso. Nunca. Eu estava com medo, mas obedeci. Não me despedi do meu pai. Ficamos lá embaixo por uns três dias, e quando eu saí, havia sangue por toda casa, mas não havia ninguém. — já é difícil formar palavras entre as lágrimas e os soluços. Steve me abraça e afaga meus cabelos, e sei que ele também está chorando. — Eu peguei todo dinheiro que tinha, e alguns alimentos e água, e viajei de trêm com minha irmã para longe daquela vila.

" Fomos parar em outra cidade da Rússia, Rostov, se não me engano. Estava tão frio, e Kiara estava com fome. Ela não parava de chorar, e eu não sabia o que fazer. Tentei fazê-la dormir na estação mesmo, quando não havia mais ninguém, e tentei dormir. Mas o frio e o medo não nos permitiram. Foi uma senhora bem jovem que nos encontrou, e nos levou para um orfanato. Naquela época, os orfanatos eram um pesadelo. Eu implorei a ela para não fazer isso, mas que outra opção ela tinha?

Fomos bem recebidas lá. Havia mais garotas como eu, solitárias e amedrontadas, e eu não me sentia mais tão ruim. Mas eu nunca deixava minha irmã, porque eu havia prometido a minha mãe, e porque ela era tudo que eu tinha. Eles nos deram roupas novas, vestidos com laços e meias que iam até os joelhos... E trançavam meus cabelos... Eu gostava de lá. Depois de uns dois meses, em um dia comum, quando eu voltava da aula correndo para vê-la, ela não estava lá. A sala estava vazia, apenas com alguns brinquedos espalhados e um espelho torto. Uma das irmãs me disse que ela estava em reunião com a irmã Lily e um casal. Eles queriam adotá-la. Ela era só um bebê, tinha menos de dois anos. É claro que seria rapidamente adotada. Eu não. Já tinha sete, seria difícil me educar, e eles já teriam perdido minhas primeiras palavras e meus primeiros passos. E eu fiquei sozinha.

Por longos meses eu chorava todas as noites até pegar no sono. E quando tudo estava passando, algo novo aconteceu. Eu era a melhor da turma, era muito inteligente, e ótima em todos os esportes. As pessoas começavam a não gostar de mim, talvez por inveja, não sei. Mas eu não ligava. Só que... Quando eles vieram, eu era a presa. Eles queriam alguém talentoso que pudesse ser "melhorado", e assim teriam uma arma secreta perfeita. E foi isso que aconteceu, só que eu nunca trabalhei para eles. Fui perseguida por anos depois disso, até eles desistirem. Mas depois de tudo eu... Nunca mais fui a garota doce e alegre que era antes."

Steve está me olhando de um jeito carinhoso, ele ainda segura minhas mãos. Quando termino, abro um sorriso pequeno para provar que não estou deprimida, o que é uma grande mentira. Ele também sorri, e ficamos assim por um tempo.

– Você era muito jovem quando tudo aconteceu, e é natural ter medo. — ele diz, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Eu me sinto nervosa, um frio na barriga que só senti poucas vezes na vida. — Você é a pessoa mais forte que já conheci. — antes de eu poder agradecer, ele acrescenta: — E bonita também.

Nossos olhares se encontram, e quando me dou por mim mesma, já estamos perigosamente próximos. E nos beijamos. Inicialmente eu estou surpresa demais, extasiada, o gosto de seus lábios é doce, e eu quero mais daquele contato. Coloco as mãos em sua nuca e o puxo para mais perto, e é quando ouço a porta se abrir atrás de nós.

– Mas que diabos está acontecendo aqui?!

Notas finais
E aí, gostaram? Finalmente um beijo de verdade!!! Comentem o que acharam :)