Segredos de Sangue
18 A Reunião
Notas iniciais

Waiyip — Província Chinesa de Lanshiang
"No que diabos você estava pensando pra fazer essa manobra suicida?" Dizia Piers correndo, nervosamente, atrás de seu capitão.
"Esses são meus homens! Ou seguem meus passos, ou encontrarei quem o faça!" Mas seu capitão agia tão prepotente, apenas movido por um único sentimento — O Ódio!
"Você sabe o que tá dizendo?" O jovem soldado estava perplexo, já não conseguindo mais reconhecer o seu próprio capitão como um líder sensato.
"Em formação soldado!" Chris diz entredentes dando-lhe as costas a fim de seguir, cegamente, a sua busca implacável.
Minutos depois de derrotarem Iluzija (outra arma Bio-Orgânica criada pela Neo-Umbrella), Chris e Piers Nivans ao lado de Trent e mais um soldado, perseguem Ada (Mei) dentro de um prédio. Nesse ponto da trama, os dois parceiros já não estavam mais conseguindo se entender. Redfield está determinado a fazer até o impossível para acabar com a tal espiã e, não quer ninguém no meio do seu caminho para atrapalhar os seus planos. Mas, a sua impulsividade pouco a pouco, o fez perder a sua equipe. A cada armadilha, ou arma biológica que era colocada em seu caminho, mais e mais soldados eram perdidos e sua ira só aumentava. E cada vez mais, a gêmea Má se divertia vendo o capitão da BSAA falhar.
"Procurando por mim, rapazes?!" Ela estava sentada na janela de um apartamento abandonado, esperando-os.
"Não faça isso!" Ela por sua vez, ignora a súplica de Chris e, assim, infecta Marco (outro soldado do Alfa Team) com o C-vírus usando sua pistola de agulhas.
"Bem-vindos à China!" Ela ironiza e se prepara para fugir, ao mesmo tempo que Trent chega impedindo o capitão de atirar nela...
Mas, os planos de Mei também não eram tão perfeitos, porque seu pai estava a espreita o tempo todo, tentando achar uma brecha para fazê-la parar. Seus pequenos olhos castanhos se cruzam, rapidamente, com os verdes do seu pai, antes dela fugir imediatamente pulando da janela.
"Meiiii!" Grita Trent correndo na direção da janela e vendo a mulher se perder na escuridão, se esquecendo da presença furiosa do capitão da BSAA.
"Droga!" Grita Chris enraivecido. "O que você fez? Você..." Chris parou de forma ríspida na frente de Trent se sentindo confuso com a atitude do velho. "Você deixou ela fugir?" Ele continuou dizendo grosseiramente.
"É tarde demais!" Piers grita tenso já com a sua arma em punho, chamando a atenção deles para Marco, que infelizmente começa a sofrer mutação...
Eles não tem muita saída, senão enfrentar mais uma arma biológica deixada para trás por Ada (Mei). Mais uma arma que antes fora um homem, que antes fora o seu soldado leal, mas agora estava morto. Morto pelo seu próprio capitão.
Uma Hora Depois...
Assim que Ada fugiu, Daryl recebeu uma mensagem do seu chefe que não parecia nada feliz com o rumo das coisas. Os dois se envolveram numa discussão acalorada, porque Trent descobrir que sua outra filha também fugiu e que, provavelmente, estava indo confrontar a sua irmã. Ele desejava adiar esse confronto entre elas. Não dava mais para agir como o diplomata inglês que ajudava a BSAA, ou o chefe da Shadows. Agora ele precisava ser um pai tentando, desesperadamente, proteger as suas filhas.
"Derek já está na China?"
"Sim."
"Isso pode ser mais um problema." Era por isso, acima de tudo, que o diplomata britânico tinha que chegar até a sua filha Elise Mei e fazê-la parar, antes que fosse tarde demais. Antes que Derek a achasse.
"Bem, deixa que do Simmons eu cuido." Disse Daryl do outro lado da linha trocando um olhar rápido com o seu novo prisioneiro. "Agora eu tenho um novo parceiro de guerra. Acho que ele tem tanta vontade de acabar com o Simmons, tanto quanto nós dois."
"Ah, o agente americano?! Bem, só posso lhe desejar boa sorte!" Ele disse curioso para conhecer o homem que quase fez a sua filha desistir de tudo só para viver uma vida normal. Felizmente, ou infelizmente, Ada desistiu de fugir com o agente americano e decidiu ficar. E pensar na situação dela o faz lembrar de si mesmo.
A vida parecia muito injusta para eles, especialmente, para Ela...
***/ /***
Depois do que ocorreu com Daryl quase os traindo, Leon não sabia até que ponto podia confiar no outro homem. Mas, que escolha ele tinha? E querendo, ou não... Daryl parecia ser o único capaz de lhe dar as respostas que tanto procurava.
"Então, a tal Mei é a irmã má da Ada?" Leon perguntava enquanto ambos caminhavam cautelosamente pelos becos escuros e silenciosos da cidade. Aliás, naquela área tudo parecia silencioso até demais.
"Irmã má?!" Daryl não pode deixar de rir do apelido enquanto caminhava mais a frente. "Sim, elas são irmãs e... são gêmeas." Para Leon isso explicava muita coisa. "Mas, Mei nem sempre foi assim. Foi o Simmons e a sua Organização que destruíram a vida de ambas as irmãs." Isso fez Kennedy travar a mandíbula de raiva enquanto continuava a ouvir o espião. "Sabe, antes de Ada se tornar espiã, ela vivia no interior da China, com a sua família. A vida era simples e feliz, mas um dia outro Simmons entrou no caminho dela e a separou da irmã, arrancou-a da família e destruiu toda a infância dela. Aos nove anos ela foi levada para se tornar uma espiã."
"Nove anos?!" Leon parou sentindo com um gosto amargo na boca.
"É. Ela não tinha muita escolha: ou morria de fome, ou sobrevivia para se transformar numa máquina de matar. A história é longa, cheia de muitas coisas terríveis."
Logo, Leon também descobriu que a espiã que quase o matou na Eslava Oriental, era Mei. Só que lá, ela não se lembrava de nada sobre seu próprio passado. Derek a fez de cobaia a transformando em uma nova Ada Wong que ele pudesse manipular. Só que agora mesmo se lembrando sobre o seu passado, ainda assim, ela decidiu continuar usando a identidade da espiã chinesa só para se vingar.
"Ela tá incriminando a irmã, assim como Derek te incriminou em Tall Oaks." Por algum motivo, Daryl tomou a decisão de fazer algumas revelações que poderiam ser bem esclarecedoras.
"Que Droga! Mas, entre elas é uma vingança pessoal, não é." E a percepção disso era tão horrível. Agora ele entendia toda a aflição, a solidão e até o olhar sombrio e machucado de Ada.
"Mas, o fato é que elas não se veem há muito tempo. Você pode imaginar como será quando Mei e Li se reencontrarem?"
"Li?" Por um momento, Leon se deixou sorrir ao descobrir sobre o nome verdadeiro da dama de vermelho. "Parece muito simples para alguém como ela. Mas, eu gostei." Ele falou, distraidamente.
"Se ela souber que eu te contei um dos seus maiores segredos, ela vai me matar!" Eles riram.
"Eu ainda acho que quando elas estiverem fase a fase, o sangue pode falar mais alto." Leon tentou ser esperançoso.
"Depois de tantos anos separadas, será que elas ainda podem se reconhecer como irmãs?" O diálogo logo foi interrompido, quando ouviram algumas movimentações por uma das ruas.
Na rua seguinte, havia uma praça e uma equipe da BSAA sendo atacada por um grupo de homens mutantes, conhecidos como J'avos. Os dois agentes tentaram ajudar como podiam até que conseguiram se livrar daquelas criaturas rebeldes. Com os soldados restante, eles ficaram sabendo do acampamento que havia sido atacado por uma BOW enviada pela Neo-Umbrella.
No meio do pequeno grupo de sobreviventes, Leon logo ficou cara a cara com Barry Burton. O homem estava um pouco cansado e com alguns ferimentos que não pareciam muito graves.
"Você tem que encontrá-los. Aquele monstro que está atrás deles é extremamente incansável. Você tem que ajudar Sherry!" Os dois homens sobreviventes do incidente de Raccoon City conversaram, brevemente, antes de Leon partir com mais um objetivo em mente... — Encontrar Sherry Birkin.
***/ /***
O caminho é tortuoso cheio de novos obstáculos, enquanto eles tentam escapar daquele monstro. E é exatamente durante a fuga que seus caminhos acabam coincidindo com os de Daryl e Leon.
"Mas, o que é isso?!"
"Ele é tipo uma ex-namorada que não larga do seu pé?" Jake disse irônico enquanto eles abriam fogo contra o Ustanak.
Agora eles estavam sendo caçados por aquela criatura, extremamente, forte e inteligente, programada para perseguir e capturar Jake Muller, custe o que custar.
"Droga! Isso só tá nos atrasando mais!" Daryl resmungava com raiva por ter que desviar do seu objetivo anterior, enquanto enfrentava a coisa enorme que ele nem conseguia descrever.
"Para de reclamar e continua atirando!" Leon grita depois de sentir suas costas se chocarem contra a parede de concreto, ao se livrar de um dos golpes de Ustanak.
A nova dupla improvável acaba salvando a vida dos dois jovens e a perseguição de Ustanak termina com um poste elétrico tombado sobre ele...
"Quem é você?" Inquiriu Jake ao confrontar Leon após a batalha.
"Ele é Leon Scott Kennedy, agente secreto dos Estados Unidos." Dizia Sherry já sentindo uma hostilidade recíproca crescer entre Jake e Leon. "E ele pode ser um grande aliado pra nos ajudar." Por um instante, a jovem e o agente da DSO pararam se olhando, como se não se visse há muito tempo. "E esse é Jake Muller. Ele é..." Nesse instante, o filho de Wesker a interrompe.
"Ei Supergirl, nós não combinamos que não iríamos confiar em ninguém, até chegarmos ao tal amigo de Barry, lembra?!" O jovem ruivo tentou argumentar ainda muito desconfiado.
"Olha, ele é o Leon que me salvou em Raccoon City. Eu te contei essa história. E é uma das poucas pessoas que eu confio nessa vida." Ela dizia olhando de soslaio para Leon.
"Ah, não temos tempo pra esse bate-papo camarada." Reclamou Daryl mais uma vez com desgosto. "Mas, pra aliviar a sua desconfiança... bem, foi o Burton que nos enviou para achar vocês e escolta-los até o meu chefe. Agora podemos ir?" Daryl até havia conseguido um carro para transportá-los o mais rápido possível pela cidade.
"E quem é você?!" Jake perguntou cruzando os braços, arrogantemente, após se sentar no banco de trás do carro ao lado de Sherry.
"Ele é Daryl... o meu novo parceiro mal-humorado." Respondeu Leon que estava no banco do passageiro ao lado do espião que já começava a dirigir desenfreado.
Por enquanto, o grupo recém-formado estará seguro para continuar o seu trajeto.
"Ei, então Barry ainda está vivo?" Sherry se sentia emocionada com essa informação, afinal, Burton era mais do que o seu chefe, ele era como um pai.
"Sim, ele está bem. Ele é um sobrevivente teimoso." Leon lhe respondeu a olhando pelo retrovisor do carro.
"Um sobrevivente teimoso, assim como você." Leon sorriu em reconhecimento. "Por que você está aqui na China, Leon?" Sherry perguntava olhando distraída pela janela.
"Por que o Presidente americano Adam Benford, foi assassinado num atentado bioterrorista." Sherry estava chocada. "E eu tô atrás do verdadeiro culpado, o Assessor do Presidente Derek Simmons que também é responsável por todo esse caos, causado pelo C-Vírus." E pela janela do carro podia-se começar a vislumbrar os horrores que o bioterrorista estava deixando sobre uma parte da cidade de Lanshiang.
"Ah, meu Deus! Isso é horrível." Murmurava Sherry se sentindo mortificada com tudo
"Parece que a lista de gente louca e assassina nesse mundo, é enorme." Murmurou Jake lembrando-se da espiã chinesa e de Carla Radames.
"Bom, mas eu acredito que o seu sangue ainda possa curar todo esse caos." Sherry falava apertando gentilmente a mão dele.
Com a cura, talvez, ainda haverá esperança no final...
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"Aqui é QG, temos a localização pra você... Ada Wong, deixou a cidade e está indo para o sul do porto."O chamado continuava se repetindo para todas as equipes da BSAA, sem que eles percebessem que alguém estava a espreitar, ouvindo tudo atentamente... "QG para todas as equipes, o Alvo Ada Wong foi localizado, indo para o sul do porto. Queremos ela viva!" E, ela estava lá sobre um dos telhados, interceptando cada chamada.
Nas sombras Ada estava seguindo cada passo da BSAA, sem que eles notassem, na tentativa de que eles mesmos a levassem diretamente até a Outra. E parece que isso deu certo.
Após ouvir sobre a localização da sua Irmãzinha, ela salta para um telhado mais alto e, de lá salta para cair num beco onde já havia uma crisálida começando a eclodir. Logo, uma nova criatura bizarra nasce pronta para começar uma perseguição alucinante atrás da espiã chinesa.
Ada usa seu lançador de gancho e salta para o alto de outro prédio na tentativa de se livrar daquela criatura e da sua infernal serra elétrica. A criatura era rápida, mas a espiã era mais, conseguindo se esquivar de vários golpes e, no fim, fazendo aquele monstro acabar se chocando contra um trem que vinha desgovernado.
A alguns poucos quilômetros dali, outra criatura igual aquela nasce e, dessa vez, quem acaba tendo que enfrentá-la é uma das equipes da BSAA que acabam encurralados entre a arma bio-orgânica e um fogo que se forma envolta deles, criando uma barreira que os impede de fugir.
Ada houve os gritos, os vários tiros e, novamente, o barulho infernal daquela serra elétrica. Ela poderia ignorá-los e ir embora, mas uma voz muito familiar a atraia. Então, por instinto, a beleza chinesa corre seguindo os vários sons daquele cenário de terror e acaba chegando até eles. Logo, reconhece que no meio do grupo está o seu pai Trent ao lado de um homem grandalhão, o capitão da BSAA, ambos atiravam contra a coisa desajeitada e lunática, envolta das labaredas do fogo que só aumentava.
Ada não demora a perceber que aquilo é uma armadilha. Então, na tentativa de ajudá-los, ela procura por uma distância segura e que lhe desse uma mira perfeita. Cuidadosamente, troca as suas flexas normais por flexas explosivas, depois recarrega sua balestra e com sua visão sobre-humana, consegue rastrear o ponto fraco do monstro. Só precisou de um único tiro certeiro para acertar o monstro que explode espalhando partes de seus restos mortais sobre o terno de Trent e das botas do outro soldado.
Tanto Trent quando o tal capitão param olhando para o alto, exatamente, na direção dela. E, enquanto o fogo envolta deles vai se esvaindo, ela vê o olhar mortal que o tal Redfield lhe dá.
Chris Redfield, um dos sobreviventes de Raccoon City e hoje o líder da BSAA. Eles nunca estivessem juntos no mesmo cenário. Nunca se conheceram pessoalmente, mas Ada já havia ouvido falar dele muitas vezes. E o capitão, ao invés de lhe agradecer por ter acabado de salvar a sua vida, ele tenta atirar nela, porém por estar sob tanta pressão, o homem erra o tiro resmungando um monte de palavrões grosseiros.
"Oh! E eu nem ganho um OBRIGADO, capitão!" Ela murmura sarcástica para si mesma, decidida a deixar Trent lidar com o capitão raivoso, antes de fazer aquilo que ela sabe fazer de melhor... fugir!
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"Merda!" Ele grita tão furioso e, na sua fúria, Chris dá um murro na parede de concreto. Ele está tão louco que o impacto já nem lhe causa mais dor.
"Chris, você precisa ficar calmo!" Trent estava tão cansado de tudo aquilo. Ainda mais porque há horas ele estava junto com a BSAA, seguindo uma pista que deveria os levar até Mei. Mei que na verdade parecia estar jogando com eles e se divertindo a cada falha deles. Mei que estava jogando principalmente com a mente de Chris, alimentando o ódio e o desejo de vingança do capitão que estava determinado a matá-la, custe o que custar.
"Depois de tudo o que ela fez?" Chris indagou indignado. "Quantos de nossos homens morreram por causa dessa vadia?"
"Já chega!" Trent tomou uma postura diferente do seu habitual, ao enfrentar o capitão da BSAA. "Ela não é uma vadia! E ela acabou de salvar a sua vida!" Não era o melhor argumento, isso só causou mais conflito entre eles.
"O quê?!" Chris estava aturdido pela própria atitude do homem mais velho. "O que tá acontecendo aqui. Você... Você está protegendo ela?!" Ele apertava os punhos de raiva, tentando se controlar.
"Chefe, você tem que se acalmar!" E ele só não atacou Trent, porque Piers se pôs entre eles.
"Você nem deveria estar aqui! Você não faz parte da equipe. E, provavelmente, você nem se importa com nenhum deles. Nenhum daqueles homens que morreram por causa dela." Chris diz amargurado, ignorando Piers e enfrentando novamente Trent.
"Eu entendo capitão, mas sua vingança pessoal não vai ajudar." Piers decidiu interferir na discussão, ganhando um olhar feroz do seu capitão. "Se não estivesse tão cego pelo seu desejo de vingança, teria evitado muitas dessas mortes." E as palavras de seu soldado reabriam mais as feridas de Chris.
"Cala a boca!" Ele tentou dar as costas àquela dura verdade, pois então ele teria que admitir os seus erros.
"Você ainda se interessa pela missão?"
"Cala a boca!" Mas a fúria era tanta dentro dele que, por um instante, ele queria ferir Piers tanto, só para não ouvir mais a voz do seu soldado ecoando na sua cabeça.
"Tenho pena de todos os homens que morreram acreditando em você." Dizia Piers tudo num fôlego só. "O que aconteceu ao lendário Chris Redfield, hein?! Ainda bem que Finn não está aqui pra ver você assim." Os dois quase se atracaram, se não fosse por Trent decidir acabar com aquela confusão toda.
"Parem vocês dois! Isso não está ajudando." O chefe da Shadows resolveu tomar as rédeas da situação. "Vocês não são inimigos. Vocês são uma equipe. E você Chris... é o líder dessa equipe. E como líder, tem que fazer a escolha certa."
"Eu vou atrás de Ada Wong." Chris retrucou, automaticamente, decidido a continuar com seu objetivo.
Nesse ponto da trama, Trent já não sabia se deveria realmente temer o reencontro entre as irmãs, ou temer toda a fúria desenfreada de Chris Redfield.
Era por isso que ele não queria Ada aqui na China, porque elas eram tão semelhantes. O mesmo rosto que poderia confundir qualquer um, até mesmo quem as conhecessem. Elas eram duas mulheres praticamente idênticas. Irmãs gêmeas separadas pelas circunstâncias infelizes da vida, mas ninguém mais sabia disso. Para os outros, elas eram apenas uma única pessoa — Ada Wong, a espiã fria e assassina.
É claro que havia alguns detalhes bem óbvios, que comprovariam a existência de duas pessoas diferentes, mesmo que elas compartilhassem o mesmo rosto e agora a mesma identidade. E esses detalhes se definiam desde as roupas tão diferentes que elas vestiam e, sobretudo, na cor de seus pequenos olhos. Havia sim duas versões de Ada Wong, entretanto, para alguém tão cego pelo desejo de vingança como Chris Redfield, esses detalhes tão óbvios, não irão significar nada.
Para Chris Redfield se Mei com seu vestido azul e seus pequenos olhos castanhos entrar no seu caminho... ele vai matar. Se Ada vestida de vermelho e com seus olhos carmesins chegar primeiro em seu caminho... Ele vai matar!
"QG, aqui é o líder do Alfa. Preciso da localização de Ada Wong!" Para o capitão da BSAA, parecia que seu desejo de vingança estava começando a nublar o seu próprio julgamento sobre o certo, ou errado.
"Eu vou com você. Alguém tem que vigiar você, goste ou não." E para Piers tudo o que podia fazer era continuar seguindo seu capitão teimoso, na tentativa de cumprir a promessa que fez a sua esposa Claire de proteger o seu cunhado até dele mesmo se fosse preciso.
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Então, a sua gêmea má estava correndo e saltando entre os prédios, enquanto Ada a perseguia, cautelosamente, esperando o momento certo para encurralá-la.
Quando elas eram pequenas essa brincadeira de gato e rato até era divertida, contudo, agora essa mesma brincadeira havia se tornando cansativa e irritante. Estava na hora de acabar com isso.
Ada corre mais alguns metros até ver a sua outra versão entrar dentro de um prédio com uma postura muito suspeita. Ada segue para dentro do local, dando de cara com vários tipos de caixotes grandes e alguns pequenos, todos amontoadas. O prédio parecia um depósito da Neo-Umbrella.
"Interessante. Então, é aqui que você se esconde?" Ela murmura estreitando seus olhos em curiosidade, quando é interrompida por barulhos de passos e vozes, novamente, conhecidas.
Do lado de fora estava Chris e Piers, que já haviam localizado o lugar como um ponto relacionado a Nova Corporação e onde poderia estar sendo sintetizadas o C-vírus. Os dois entram no local também com cautela, até terem um vislumbre da mulher que eles tanto desejam capturar.
Mei continua fugindo e, propositalmente, consegue atrair a atenção dos dois soldados. Enquanto isso, a verdadeira Ada Wong decide mudar a tática e usar os dutos de ventilação do prédio, a fim de tentar acessar os lugares mais rápido sem enfrentar nenhuma surpresa desagradável. E, assim, consegue encurralar a sua irmã.
"Ora, ora, se não é a minha usurpadora!" Ela proclama numa falsa tranquilidade, fazendo a sua outra versão parar no meio do caminho. "Há quanto tempo, irmã!" Aquela simples palavra (Irmã) havia abalado o coração de Mei de uma forma que ela não havia previsto.
"Eu não sou a sua irmã!" Ela respondeu tentando parecer fria, mas seu tom saiu mais amargurado. "Eu sabia que você ia aparecer. Cedo ou tarde, você tinha que aparecer." Enquanto falava Mei decidiu se manter de costas para Ada. Elas estavam sobre uma passarela de aço que ficava no quinto andar do lugar.
"É. Eu estou aqui, Trent está aqui. Daryl também." Ada sabia que só de citar o nome do ex-namorado da irmã, poderia quem sabe causar uma reação mais emocional e familiar em Mei. Mas, Mei continuou numa postura frígida ainda de costas para ela.
"Eu sei. E Simmons também está aqui. Será uma reunião tão emocionante!" Mei riu ironicamente, sabendo o que estava prestes a acontecer. Até que decidiu se virar e encarar a verdadeira Ada Wong.
As duas se olharam tão intensamente, como se tivessem tentando se reconhecer. E elas poderiam ser iguais e, por um instante, não serem duas Ada Wong se confrontando. Elas poderiam apenas ser... Mei e Li.
"Definitivamente, você não é ela." Mei olhava para Ada como se ela fosse uma coisa nojenta, por causa dos olhos carmesins inumanos dela. Infelizmente, elas não poderiam ser apenas Mei e Li, não para a gêmea mais nova. "Você é uma aberração, igual aquelas criaturas lá fora." Aquele olhar cheio de escárnio era tão perturbador.
"Você também!" Ada disse lhe dando um sorriso mordaz. "Ada Wong é um produto criado pela obsessão de Simmons. Ada Wong é só uma identidade criada pela Família. Ela não é real." Ela tenta dar um passo mais perto da outra mulher, mas aquela dor terrível volta a lhe atingir com uma força que faz suas pernas quase fraquejar.
"Mas para ELES..." Enfatiza. "ADA WONG é bem real." Mei percebe o rosto da sua irmã se contorcer como se tivesse com dor. Ada sentiu seus olhos começarem a nublar um pouco, sem se dar conta que a outra mulher estava a levando direto para uma armadilha. "Para ELES, Ada Wong é a dona de todo esse caos. E para ELES, hoje... Ada Wong deve morrer!" E com estas palavras Mei dá mais um passo perto da espiã e olha bem no fundos dos olhos dela, antes de empurrá-la para fora da passarela.
Consequentemente, o corpo de Ada cai por um andar, porém ela ainda consegue usar o hookshoot que amortece a sua queda sobre o chão de metal. Ainda assim, ela ouve a cacofonia de gritos alterados e passos pesados subindo as escadas. A espiã se levanta desorientada e tenta achar uma saída. Suas costas doem, seus membros tremem, sua cabeça continua a latejar e seus sentidos parecem confusos. As vozes estão cada vez mais perto, prontas para encurralá-la.
"Ela está aqui! Vamos! Não deixe ela fugir!" E eles estão se aproximando, começam a atirar alertando-a de suas posições, com isso ela consegue um breve momento de lucidez se escondendo atrás de uma das pilastras.
Dali onde ela está se pode ver dois corredores, um deles a levaria para a escada que daria acesso ao andar de cima, onde eles poderiam encontrar, talvez, Mei. Sendo assim, Ada poderia se vingar pela traição da irmã ao subir as escadas, levando o capitão da BSAA direto para a verdadeira responsável disso tudo. Mas, a mulher de vermelho sabe que não conseguiria fazer isso, então, decide correr pelo corredor oposto sem nem saber se havia alguma outra saída.
Ela não era covarde para jogar um jogo tão baixo como a sua irmã rancorosa. Além disso, a sua versão mais maquiavélica, já deveria ter fugido a deixando para limpar a sua própria bagunça de um jeito, ou de outro. E ainda havia mais um alguém que ela não esperava estar presente ali, naquele momento tão crucial...
"Adaaaa... espera!" Ela ouviu inesperadamente a voz desesperada de Leon. Ao ouvir a voz dele, ela se sentiu, novamente, fraca e desorientada.
Em seguida, há um tiro ecoando pelo lugar. Os passos pesados param por um momento...
"Peguei ela!" Gritou um dos soldados.
Um novo cenário de grande conflito é formado: De um lado estava Chris Redfield e do outro Leon Scott Kennedy e no meio desse conflito estava Ada, totalmente, encurralá-la.
Mei havia criado a armadilha perfeita para se vingar de sua irmã.
{Continua...}
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