Segredos de Família
10 Lagrimas
Notas iniciais
— P-pai... – Bato na porta freneticamente, lançando diversos socos mergulhado em lagrimas tentando de alguma forma abri-la e tira meu pai de dentro daquele cubículo. Cascão se aproxima e tenta me ajudar a forçar a porta a se abrir... Com tudo isso acontecendo grito desesperado esperando que ele possa me ouvir. – E-eu preciso de v-você... Voltar a-aqui... Eu v-vou te levar para c-casa... Eu v-vou te levar p-para casa! – O Agente X e a Mô tentavam conter o escudo que estava já rachando... Foi em meio de gritos que então a porta daquele elevador se abriu sozinha... Mas meu pai não estava nele... nem aquela criatura... Havia apenas uma bomba em contagem regressiva em cinco segundos...
— Mônica... – O Agente X vira-se e ao ver a bomba que ele havia posto em todo o edifício exclama chamando a morena que logo compreendi o que ele pedia... Ela então se ergue e com toda a força que lhe restava, socou o chão abrindo uma enorme rachadura em nossa volta que conseguintemente gerou uma fenda em baixo de nossos pés.
— P-pa-pai! – Clamo vendo a porta se distancia das minhas mãos... Nesse momento estávamos caindo, sem rumo... Bato minhas costas no chão do andar de baixo, mas não me machuco muito... Olho ao redor e vejo que o corredor havia mais bombas, e agora só nos restávamos apenas três segundos para todo o edifício ir abaixo... A morena porem não parou e continuou socando o chão fazendo-nos cair os outros andares... Nesse momento o Agente X retira um controle de algum lugar da sua roupa e aperta um botão... No mesmo momento que as bombas começam a explodirem com a gente ainda caindo... Em um piscar de olhos uma bolha transparente feita de um material que não conheço surgi em torno de nós, e vejo com meus próprios olhos as explosões, as chamas surgindo por todos os lados e o prédio inteiro cair em nossas cabeças...
***
— Não acho isso certo querida?! Você tem certeza que essa é a solução?! Você tem que pensar no futuro del... – Acordo em uma espécie de sala de espera não muito grande, as paredes daquele local eram lisas, num tom bege... Havia um balcão aonde uma enfermeira que não consigo ver o rosto direito fala ao telefone. Me sinto cansado e quase não consigo abrir meus olhos, eles pareciam pesados e inchados, e sentia meu corpo fraco, sem ação. Percebo meus pais logo a frente conversando, no entanto eles pareciam mais novos do que eu imaginava. Minha mãe estava chorando, enquanto meu pai tentava consola-la.
— Você acha que eu quero isso?! – Ela vira para mim, com um olhar de culpar. – Olha para ele querido, ele está dias sem comer nada... Fraco... Não quer sair do quarto... Ele se senti culpado!
— Mas e se a... – Meu tentar falar algo e logo é interrompido pela minha mãe.
— Nem pense em culpar ele! – Ela exclama no meio daquela sala, e chama atenção de todos presente ali... – A culpa não é dele... E sim daqueles monstros...
— Eu te entendo meu bem, mas... – Meu pai segurar as suas mãos e ela vira o seu olhar cansado para ele... – Será que essa é a única solução?!
— E-eu... – Ela começa... – Não posso perde-lo também... – Ela olha novamente para mim, triste comigo por algo que não me lembro e volto a fechar meus olhos com essas palavras...
***
Cê?! Cê?! Acorda! – Acordo abrindo meus olhos rapidamente assustado, me encontro no colo da linda morena que olha para mim preocupada, suas mãos estavam avermelhadas e cheias de calos, mesmo assim ela vazia um cafune em meus cabelos tentando me acalmar. O Cascão estava assentado no lado dela com alguns ferimentos em suas pernas e braços. Já o Agente X encontra-se no outro lado daquela bolha escura e sem luz sentado, de todos ele era o que mais aparenta está ferido já que havia lutado com as criaturas feitas de sombra liquida.
— E-Eu estou b-bem! – Digo olhando a linda morena que sorrir para mim com a resposta... Estávamos numa bolha transparente que nos protegeu durante a queda e as explosões graças ao Agente X. Não poderíamos sair daquele espaço pequeno, já que estávamos cercados de concreto e entulho do edifício sobre nossas cabeças.
— Quando vamos sair daqui?! – Cascão pergunta olhando para o chão daquele espaço, respirando fundo. – Já fazem dez minutos que estamos aqui em baixo e nada...
— Não se preocupe... – O Agente X começa... – Meu pessoal sabe exatamente minha localização... Eles já estão escavando para nós tirar daqui...
— Como você pode ter certeza?! – A Mô Continua o pensamento do garoto... – Eles podem achar que você está morto. Pelo menos... Eu acharia isso... Para ser sincera, nem sei como posso está viva.
— Eu tenho um rastreador em meu corpo... Eles conseguem rastrear o local exato onde me encontrar em minutos... eles já estão a caminho...
— Se você diz... – Cascão dar o ombro, e volta a olhar o chão. – Só quero acabar logo com esse pesadelo e ir pra casa!
— Me desculpe garoto, mas não posso deixar que nenhum de vocês vão para casa agora! – Ele cerra os olhos se acomodando na parede circular daquela bolha... – Vocês três sabem de muita coisa, Tenho várias perguntas para fazer, e por isso não poderia deixar vocês andarem soltos por aí...
— C-como assim?! Pre-preciso achar minha m-mãe?! – Digo indignado com o que ele havia acabado de dizer. – Aquela c-criatura está atrás de t-toda a minha família, e ela é a p-provavelmente a próxima!
— Sinto muito por isso... – Ele continua... – Porem vocês sabem de mais... E não posso deixar vocês soltos... Graças a vocês três a criatura fugiu...
— F-fugiu com o meu pai... – o rebato gritando... – E se eu for c-com você, posso p-perder minha mãe...
— Não podemos ir simplesmente com você. – A morena me apoia. – E não adianta colocar a culpa em nós... estávamos ali para salvar o pai do Cê... Pois se esperássemos por você ele estaria morto.
— Eu estava tentando salvar a humanidade! – Ele se exalta conosco. – Que graças a vocês pode estar em perigo agora! Além do que, seu plano foi todo abaixo, já que seu pai foi levado e você não pôde fazer NADA!
Um silêncio reinou naquele local por alguns segundo, logo as lembranças surgiram rapidamente em minha mente, momentos felizes com a Maria, com meu pai... minha mãe, que logo foram substituída por minhas perdas recentes... Lagrimas invadem meu coração enquanto essas memorias surgem através de mim... levanto o rosto e olho para o Agente x, e com a voz trêmula digo:
— Você n-não precisa me d-dizer algo que eu já sei... Eu até agora c-consegui fazer NADA para salvar a m-minha família... Mas se eu c-continua aqui sentado, olhando p-cara sua cara, eu nunca irei fazer NADA da m-muda essa situação! Então assim que eu s-sair daqui eu vou atrás da minha mãe, e fazer a-algo além do NADA... Eu vou s-salva-la!
— Me desculpe... Eu não posso deixar! – Ele dar um ponto final e ficamos ali, esperando... não conseguia pensar em mais nada além da Maria correndo gritando o meu nome e do que o Agente X acabou de dizer “seu pai foi levado e você não pode fazer NADA!”. Fiquei ali no lado da Mônica, imaginando um jeito de fugi dos agentes da DI.NA.Mi.CA e então tentar achar a minha mãe. Cinco minutos depois, um barulho vindo de cima rompe o nosso silencio, olhamos para cima e percebo o entulho de movimentando quando uma venda de luz se alastra naquele espaço, iluminando cada canto dali, a ajuda havia chegado...
Demorou mais ou menos dois minutos para os agentes da DI.NA.MI.CA retirarem todo o entulho de nossas cabeças, eles usaram um novo tipo de tecnologia que também não conhecia, era uma espécie de relógio que fazia todos os escombros levitarem, liberando assim a passagem. Enfim estávamos livres daquele buraco. O agente X desativou a bolha e saiu com a ajuda dos seus homens ainda com dores pelo corpo, logo após retirou a Mônica, após o Cascão e por último estava eu para sair com um pouco de dores na costa. Olho para cima e vejo a Mô com a mão esticada atrás de um céu totalmente nublado oferecendo-me ajuda, seguro sua palma com força e sinto o calor de sua mão me acalmando mais, ele me puxa de uma só vez e saio dali pisando em mais escombro me equilibrando com dificuldade. Tento retirar a poeira da minha roupa inutilmente e olho para baixo daquela montanha de concreto, vejo colegas de trabalho de meu pai feridos com o resquícios da explosão, agentes machucados tossindo com cortes pelo corpo e roupas rasgadas. O Agente X se aproxima mancando ao meu lado segurando sua perna sangrando um pouco.
— Aposto que você nem imaginava que isso estava acontecendo aqui fora... – Ele se vira e começa a olhar as pobres pessoas comigo. – Antes de você chegar... Recebemos um avisos de manhã que algo estava errado dentro daquele prédio e então começamos a retirar os trabalhadores da região da área, esvaziamos todo o quarteirão, escondemos da mídia e cuidávamos dos últimos funcionários do edifício empresarial para ir para longe e protegemos todos...
— A-aonde você q-quer chegar com i-isso?! – Pergunto com medo da resposta...
— Como disse... Antes de você chegar... – Ele dar uma pausa respirando, calculando suas palavras. – Tudo estava dando certo, iriamos explodir todo o prédio e garanti que todas as criaturas que surgiram de alguma forma e começaram a atacar as pessoas do edifício nunca fossem sair dali... Isso até você chegar... – Ele para esperando eu me pronunciar, mas fico calado, não tinha como responder aquilo... – Eu te entendo Cebola, quando era pequeno tinha grande planos para o futuro... Eu queria mudar o mundo, salvar a humanidade... Ser alguém grande, sabe?! Sempre fui ambicioso, pensava a frente das pessoas da minha época... entretanto planos falham. Tive várias derrotas na minha vida e aprendi com elas, as vezes devemos entender que perdemos. Nessa minha vida eu aprendi que uma pessoa que não é capaz de sacrificar algo... Não pode mudar nada.
— Não p-posso simplesmente s-sacrificar minha família, e a-agora P-preciso cuidar da minha m-mãe... – Digo em lagrimas... – Não posso c-cometer o mesmo erro q-que cometi com meu pai... Eu tenho q-que salva-la.
— Temos que saber a hora de parar Cebola... – Ele diz se afastando de mim... – Às vezes temos que sacrificar nosso orgulho por um bem maior, talvez até mesmo as pessoas que mais amamos... Isso doe eu sei, mas espero que um dia entenda... – Ela aponta para três agentes que estavam ajudando a Mô e o Cascão... – Não deixem eles escaparem, usem a força se for preciso, eles tem informações valiosas demais para fugirem confio em... – Ele para ouvindo uns murmúrio surgindo por uma rua...
— Estão ouvindo isso?! – O cascão se levanta olhando para o horizonte... logo após um multidão de jornalistas e cinegrafistas de diversas emissoras invadem o local, os mesmos que estavam atrás da faixas amarelas. Eles começavam a apontar suas câmeras como armas filmando tudo que podiam... as vítimas, os entulhos, os agentes...
— Quem deixou eles vir para cá?! – O Agente diz exclama com alguns agentes próximos... – Quero eles foram daqui... A mídia pode estragar tudo vocês entendem?! Tirem todos daqui! – Esse era o momento perfeito, puxo a morena e o cascão e corro para o meio dos jornalistas e câmeras para tentar despista-lo pelo meio da multidão... olho para trás e vejo que o Agente X não tenta me persegui, já que ele tem problemas maiores, mas sinto que ele não vai desistir de me capturar.
***
Viro o quarteirão e vou em direção as bicicletas que ficaram perto das faixas amarelas com a Mô e o Cascão, torcendo para que elas ainda estejam lá. Chego rápido no início da rua e vejo as faixas que separavam a rua rasgadas no chão. Me aproximo mais perto e consigo enxergar os casco de vidro no chão da câmera que a Mônica jogou a pedra. Reviro o olho rapidamente para ver se as bicicletas ainda estavam na esquina e percebo que o Aslas estavam nos esperando naquele local sentado no meio fio, seu cabelo estavam bagunçados e cheios de poeira.
— Aslas! – O Cascão grita e vamos em direção ao garoto que sorrir ao nos ver.
— Pessoal?! – Ele corre e nos oferece um abraço. – Sabia que se eu fizessem os jornalista irem para o meio do edifício vocês conseguiriam escapar!
— Foi você que fez aquilo?! – A morena dar um sorriso para o garoto.
— sim! – Ele retribui e começa a olhar em volta... – E então?! Conseguiram salvar o meu pai?!
— Aslas, s-sinto muito... – começo a falar cabisbaixo, olhando para o garoto. – As c-coisas dentro daquele p-prédio era pior do que e-esperávamos e...
— Você está dizendo que o não conseguiram salvar o meu pai?! – Lagrimas começam a correr nos olhos do garoto que tentava não acreditar que dizíamos... – Mas o prédio todo foi destruído... isso quer dizer que... Que... Ai meu Deus!
— C-calma Aslas... – Tento acalmar o garoto...
— Calma?! Você está me pedindo Calma?! Meu Pai pode estar morto, você me prometeu que traria meu pai de volta!
— O Meu pai também p-pode estar m-morto... Precisamos s-seguir em frente e...
— Mas você me prometeu... – Sinto sua voz clamando por ajuda. – Quando eu corri para realizar o seu plano você tinha me prometido que traria meu pai de volta!
— Eu não p-pude cumprir... – Digo e lagrimas também começas a escorrer pelo meu rosto... – Não posso c-cumprir promessas i-impossíveis... Eu também tinha p-prometido para mim mesmo que salvaria m-meu pai... Havia prometido que s-sempre estaria ao lado da M-maria... Mas eu não cumprir p-pois fui um i-inútil... me p-perdoe Aslas... eu não deveria t-ter dito aquilo p-para você...
— Não faça promessas que não pode cumprir cebola... – Ele cerra os punhos e vira para o outro lado se afastando de nós. – Não posso simplesmente te perdoar... Boa sorte iludindo outras pessoas...
— Cê?! – A Mô se aproxima me abraçando por trás, vendo o Aslas se afastando cada vez mais. – Vai ficar tudo bem...
— Eu não t-tenho certeza Mônica... Será que estou i-indo pelo caminho certo?! Sinto que e-estou perdido no meio das m-minhas próprias lagrimas.
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