Segredos de Família

3 Segunda Fase: O passado de Catarina.


Catarina estava voltando ao Brasil. Depois de ficar dois anos fazendo um trabalho de antropologia em uma comunidade africana e lá havia conhecido Paulo, o homem de seus sonhos. Em menos de um ano de relacionamento, eles haviam decidido morar juntos e Catarina estava grávida, inclusive sua gravidez era um dos motivos para que voltassem ao Brasil.

— mais uma vez eu vou pedir pra você ter calma Paulo, minha mãe é uma pessoa bem complicada — Catarina estava com medo de apresentar Paulo à Branca, pois ela e a mãe não tinha uma relação muito boa – mas meu pai…

— é uma ótima pessoa – disse Paulo sorrindo – amor, você já me disse tudo isso e eu já disse que está bem.

O avião pousou, todos já haviam decido e Catarina ainda estava sentada em sua poltrona, Paulo foi até ela.

— se acalme amor, vamos sair – ele pegou Catarina pela mão e os dois saíram.

Como era de se esperar, Carlos havia ido sozinha buscar a filha. Quando Catarina o viu, ela correu sorrindo abraçar o pai.

— minha princesa, como você está? — ele abraçou a filha e depois olhou a barriga dela – meu Deus, como está grande!

— oito meses pai, dá pra acreditar que tem uma vida dentro de mim? A, esse é o Paulo, Paulo esse é meu pai.

Os dois se cumprimentaram e foram em direção ao estacionamento. No caminho, o nome de Branca nem foi citado, os dois conversaram sobre como Catarina e Paulo se conheceram e sobre a gravidez. Quando chegaram em casa, Paulo disse aos empregados que levassem as coisas dos dois para o quarto de Catarina e então Paulo e Carlos ficaram conversando do lado de fora da casa e Catarina entrou. No momento em que ela entrou pelo hall principal, estava ali de pé em sua frente.

— quem é vivo sempre aparece – disse ela.

— olá mãe, tudo bem?

— meu Deus, você está enorme. Em nenhuma das minhas gravidezes eu fiquei imensa desse jeito – respondeu Branca – e onde está o pai?

— ali fora conversando com o papai. Olha só Branca, eu nunca te pedi nada, vou te pedir uma única coisa nessa vida, por favor não o apavore no primeiro encontro, tente não ser tão hostil.

— estou feliz Catarina, Margot também voltará para casa hoje e estou feliz. Margot está voltando de seu curso de especialização na França sobre administração de empresas sabe, ela um dia vai saber como gerir a empresa da família sabe, além de advogada, ela é administradora sabe, com formação internacional. E você Catarina, como é que andam as pesquisas no – Branca olhou nos olhos de Catarina – o que é que você faz mesmo?

Paulo entrou com Carlos, então, Catarina virou-se e foi em sua direção.

— amor, essa é minha mãe, dona Branca – disse ela estendendo o braço em direção a mãe.

— mas é claro que eu conheço dona Branca, de quem aliás meu pai é muito fã por seu trabalho voluntário e filantrópico todos esses anos – Paulo estendeu a mão para cumprimentar Branca.

— e quem é o pai desse moço tão educado? — disse Branca, retribuindo o aperto de mão.

— Afonso Dornelles.

— você é Paulo Dornelles, o filho do mundialmente conhecido e premiado oncologista? — Branca por um instante chegou a considerar que a filha havia “feito a coisa certa”.

— esse mesmo – Paulo sorriu, então ele a Branca saíram andando e conversando.

— eu posso estar enganada, mas pela primeira vez na vida, minha mãe aprovou uma escolha minha? — disse Catarina para Carlos.

Carlos riu, ele e a filha andaram em direção a sala onde Branca estava com Paulo.

Por volta de 19h, todos estavam na sala conversando, então ouviu-se um grito vindo do hall de entrada.

— a decoração toda mudou? Amei!

— o meu Deus, minha menina chegou! — Branca levantou-se rapidamente e foi em direção a porta. Margot havia chegado. Branca e ela se abraçaram.

— meu amor, porquê não me disse a hora que chegaria? Eu teria ido pegar você?

A semelhança entre Branca e Margot era assombrosa. Margot cumprimentou o pai e então virou-se para a irmã.

— meu Deus, você está imensa, parece que vai explodir a qualquer momento! — disse ela indo em direção a irmã para abraçá-la.

— obrigado Margot, sempre sutil – foi a resposta da irmã.

— e essa graça de rapaz é quem? — disse ela indo em direção a Paulo para abraçá-lo.

— esse é Paulo, meu noivo.

Margot olhou ele nos olhos de Paulo, por um instante ele ficou desconfortável.

Os dias passaram, Margot estava sentindo-se cada vez mais atraída pelo cunhado e ela não fazia questão de esconder as investidas, Catarina estava ficando cada vez mais irritada com aquela situação e deixou claro que assim que ela tivesse o bebê, eles iriam embora dali, inclusive os dois já estavam procurando casas.

— é inacreditável, o que alguém como o Paulo viu na sem sal da Catarina? Pelo amor de Deus, ele combina muito mais comigo! — dizia Margot enquanto dava goles em seu uísque.

— eu concordo plenamente minha filha, os dois não tem nada a ver um com o outro, mas não se preocupe, eu vou resolver isso meu amor – disse Branca para a filha.

Branca, como sempre estava disposta a fazer tudo o que fosse preciso para que Margot fosse feliz, e se ela achava que seria feliz ao lado de Paulo, ela iria separar Catarina de Paulo.

No dia seguinte, enquanto Carlos havia ido para o trabalho, Branca levou Catarina para comprar coisas para o bebê, insistindo que fossem apenas elas duas. Catarina achou tudo aqui muito estranho, porém achou que talvez a gravidez estivesse fazendo com que sua mãe tentasse se aproximar dela.

— finalmente sozinhos? — disse Margot ao entrar na biblioteca onde estava Paulo, ela tinha dois copos em mãos.

— a, oi Margot, não tinha visto você aí.

Ela se aproximou de Paulo e deu a ele um dos copos.

Longe dali, no shopping, Branca e Catarina haviam comprado várias coisas e estavam indo para casa, Catarina comentou que não estava se sentindo muito bem, disse que tinha dor nas costas e queria ir para casa. Quando chegaram, estava tudo quieto, Carlos não havia voltado do trabalho, então Branca disse que iria levar algumas coisas para o quarto de hospedes para que pudesse ficar guardada até o dia da mudança e Catarina foi até seu quarto a procura de Paulo e quando chegou ela viu uma cena que iria atormentá-la por muito tempo. Paulo e Margot estavam deitados seminus na cama de Catarina. Ela ficou petrificada de ódio na porta, não teve forças para proferir nenhuma palavra, ela andou para trás sem fazer barulho algum e fechou a porta do quarto. Ela desceu as escadas ao encontro de sua mãe na sala e quando chegou ao fim da escadaria, sua bolsa. Quando Branca chegou perto da filha, que estava pálida, Catarina a pegou pelo braço e pediu para que a levasse para o hospital.

Catarina ficou apavorada, o que ela não sabia é que esse era o início de um golpe que havia sido planejado por sua própria mãe.