Segredos de Família
10 As teias do destino.
Lívia ficou em pânico, ela viu Branca com o revólver em sua frente e sabia do que aquela mulher era capaz.
— por que é que você foi falar com a Catarina, sua velha maldita? — Branca nunca alterava o tom de voz, ela sempre tinha um tom frio e assustador.
— aquela pobre garota precisava saber a verdade e eu e você precisamos pagar! — Lívia rossiu, ela tinha muita dor na coluna devido ao tombo.
— ainda bem que você sabe que é tão culpada quando eu nisso tudo, pois todo o dinheiro que te dei, lhe foi bem útil não é mesmo? — os olhos de Branca mostravam o ódio que ela estava sentindo.
— e de que adiantou? Eu estou morrendo Branca, eu estou pagando pelo que fiz do pior modo possível e você também vai pagar! — Lívia sabia que morreria, não adiantava tentar fugir pois estava debilitada demais e não conseguiria correr.
— como eu disse, sua velha desgraçada, eu vou ser rápida – Branca olhou nos fixamente nos olhos de Lívia serrando os olhos – quando chegar no inferno, não esquece de dizer pro Diabo que fui eu quem te mandou pra lá.
Lívia fechou os olhos e suspirou, então ouviu o barulho do disparo. Ela sentiu uma dor imensa e seu corpo sendo jogado para trás. Quando caiu no chão, já estava sem vida.
Branca guardou o revólver na bolsa, e começou a revirar a sala, jogou algumas fotos no chão, abriu as gavetas da casa e pegou a bolsa de Lívia e saiu. Aquele era um bairro humilde e discreto que não tinha monitoramento por câmeras e por ser horário comercial, haviam poucas pessoas na rua, pois não havia comércio ali. Ela saiu e deixou a porta aberta, latrocínio era o disfarce perfeito.
Ela entrou no carro e pegou o celular, discou o número e levou o aparelho até a orelha.
— ainda está com a pasta dos documentos? – deu uma pausa enquanto ouvia a resposta e tornou a falar – ótimo, traga pra mim que eu vou queimar. Quero ver Catarina conseguir provar alguma coisa desse circo ridículo sendo que a velha está morta e os documentos estão comigo – então ela desligou o celular, ligou o carro e partiu.
***
— amor, mas que demora é essa? — Regina estava impaciente ao telefone – esse garoto parece que escolhe os aviões que vão atrasar.
— calma querida – disse Rafael – logo estaremos em casa, vou desligar que já estou vendo ele na passarela de desembarque, beijos te amo – disse Rafael e desligou o telefone, porém Rafael estava mentindo. Ele desligou o telefone e colocou-o sobre a mesa que havia ao lado da cama do motel em que estava.
Rafael havia dito a mulher que estava indo ao aeroporto buscar Pedro, seu afilhado com que mantinha uma relação ótima. Os pais de Pedro, amigos de infância de Rafael haviam morrido em um acidente de carro anos atrás então Pedro, que já era maior de idade foi morar com Rafael e Regina a convite deles, que gostavam muito dele. Os dois tinha uma relação muito próxima e Pedro estudava fora do país e vinha visitá-los poucas vezes por ano e nesses poucos dias, Rafael quase não aparecia em casa. Ele e Pedro saíam para se divertirem juntos e Regina morria de ciúmes, pois ela tinha certeza que Rafael tinha uma amante e usava o garoto como álibi.
Ela já estava com essa desconfiança a tempo e começou a pagar para a secretária de Rafael para que ela tentasse descobrir algo, porém Rafael fazia tudo com muito cuidado e certa vez, em um jantar na casa de Carlos, ela havia discutido com Branca, que havia chamado ela de “galhuda”, mandando ela abrir os olhos pois quando ela descobrisse, ela levaria um choque e isso reforçou muito sua desconfiança.
Naquela tarde, ela ficou aguardando a ligação de um policial seu amigo. Esse policial havia pedido uma quantia em dinheiro para ajudá-la a descobrir onde eram dados esses “pulos”. Ela ficou com o telefone em mãos, esperando a ligação dele, mas ela tinha medo de quando aquela ligação chegasse, pois ela amava demais seu marido, e achava extremamente errado ele usar um garoto tão bom como Pedro como álibi. Então, o telefone tocou, ela ficou assustada e olhou para o identificador de chamadas e viu que era o policial seu amigo.
— alô – disse ela, com uma voz fraca.
— Regina, eu descobri o que você queria. Tem certeza que você quer saber? — disse o policial.
— claro – ela respirou fundo – pode me contar.
— então anota o endereço do motel.
Regina pegou um papel e anotou. Depois de muito pensar e ponderar, ela achou que continuar vivendo uma mentira não a levaria a lugar nenhum. Ela precisaria saber se o marido estava a traindo. Ela foi até a garagem, pegou o carro e dirigiu até o motel, estacionou na frente da portaria e preparou-se para entrar, no momento em que ela chegou em frente ao portão, então, seu celular tocou novamente, era seu marido, usa espinha congelou.
— cadê você Regina? — disse Rafael do outro lado da linha – cheguei em casa agora e você não está?
Regina respirou aliviada e ficou feliz. O marido havia saído do motel e ido para casa no meio tempo em que ela saiu para ir pegá-lo no flagra. Ela ficou feliz pois continuaria vivendo sua mentira confortável por mais um dia.
***
— sim, está tudo aqui comigo – disse Margot, respondendo a mãe ao telefone – tá bem, vou levar, estou indo para casa.
Margot havia ouvido Catarina gritando com a mãe e ficou apavorada, porém ela achou melhor não entrar na briga, pois um pensamento lhe passou pela cabeça “será que ela tem alguma prova?” então ela foi até o quarto de Catarina, porém quando estava na porta, ela lembrou-se que Catarina havia vindo correndo de seu carro direto para o escritório da mãe, pois ela havia visto, então ela pegou a chave de Catarina, foi até seu carro e voilà, no banco do carona havia uma pasta azul com vários documentos, ela pegou eles e colocou o carro de Catarina no lugar, pegou o seu carro e saiu. Ela então chegou em um café no centro onde ela sempre ia e resolveu olhar o que eram os documentos. Ela e a mãe sempre foram amigas, porém ela estava chocada com tudo o que ouviu, ela não conseguia acreditar que a mãe havia trocado a filha de Catarina por uma criança morte no hospital. Ela sabia que a mãe e ela eram companheiras, mas aquilo tudo era demais, então diante de tudo aquilo, ela estava disposta a convencer a mãe a pedir perdão para Catarina, mas entregaria a ela os documentos, pois não queria vê-la na cadeia. Ela pegou a pasta, pagou seu café e foi até o carro.
Ela estava dirigindo aérea, nem prestava atenção no trânsito, ela estava chocada com tudo aquilo, então algo chamou sua atenção: ela ouviu a buzina de um caminhão e olhou rápido para frente, percebeu então que estava na contramão e antes que pudesse fazer algo, seu carro havia batido na frente de um caminhão. O impacto foi tão grande que a frente do carro de Margot ficou completamente destruída.
Branca estava preocupada com, pois havia falado com Margot a algum tempo, ela já devia ter chegado em casa, então a empregada da mansão foi até a sala onde Branca estava e levou até ela o telefone.
— dona Branca, desculpa incomodá-la essa hora, mas tem um policial aqui na linha pedindo para falar com a mãe da dona Margot.
Branca ficou apavorada e pegou o telefone.
— alô?
— Branca, a Margot passou esse número como contato de alguém que pode responder por ela, é você mesmo? — pediu o policial.
— sim, sou eu mesma, o que houve?
— a dona Margot sofreu um acidente de carro e está aqui no hospital central da cidade, tem como você vir até aqui?
Branca ficou petrificada de pavor. “estou indo” foi a única coisa que ela conseguiu dizer. Ela pegou sua bolsa, avisou a empregada do ocorrido e foi até o hospital el completo estado de choque, ela tinha duas coisas lhe martelando a cabeça: Margot está bem? O que houve com os documentos?
Quando Branca chegou ao hospital, ela foi até a recepção e pediu onde estava sua filha, então foi informada que ela estava na sala de cirurgia. Havia ali também um policial que disse a Branca que ela estava na contramão e foi atingida por um caminhão, que era praticamente um milagre ela estar viva, se não fosse o cinto de segurança e se o carro não tivesse air-bagela teria morrido, então o policial entregou à Branca um saco plástico preto dizendo ser os pertences que foram encontrados no carro de Margot.
Branca pegou o saco e disse que não conseguiria ficar ali parada esperando e pediu para que a recepcionista ligasse para ela quando a cirurgia terminasse, então com o saco em mãos ela foi até seu carro, entrou e sentou-se e abriu o saco e viu a pasta azul com os documentos, fechou o saco, respirou fundo, ligou o carro e saiu.
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