Segredos de Família
4 Segunda Fase: O passado de Catarina, parte dois.
Catarina foi levada às pressas para o hospital e a enfermeira-chefe do hospital, Lívia, foi quem deu início aos trabalhos, e assim que o obstetra chegou e terminou o parto. Catarina havia começado a sentir as contrações devido a emoção forte de visto Paulo e Margot na cama, o bebê não corria nenhum perigo, porém Catarina não sabia disso, ela havia ficado muito preocupada, então o médico achou melhor dar um medicamento para que Catarina dormisse.
Branca viu que era a hora de agir, ela foi até a sala das enfermeiras e Lívia estava sozinha lá.
— você é a enfermeira chefe não é? — disse Branca.
— sim, sou eu mesma. Posso ajudar em alguma coisa?
— temos privacidade aqui? — disse Branca olhando ao redor.
— temos sim minha querida, pode falar.
— vamos direto ao assunto, sem rodeios – disse Branca, fechando a porta – minha filha não é estável mentalmente para ser mãe agora, ela não tem responsabilidade alguma, eu preciso de sua ajuda para trocar o bebê dela por alguma criança natimorta. Qual é o seu preço?
— você está louca? — Lívia disse a primeira coisa que lhe vei à cabeça, porém ela não tinha muita convicção no que estava dizendo.
— não vamos fazer disso um drama minha querida, qual é o valor?
Lívia jogou um valor altíssimo para que a troca fosse feita, e Branca aceitou.
***
— onde está o meu filho? — disse Catarina, no exato momento em que acordou.
— olá Catarina, como você está, está sentindo alguma coisa? — disse uma enfermeira que estava no quarto com ela no momento em que ela acordou.
— eu estou bem, onde está o meu bebê?
— bom Catarina – a enfermeira fez uma pausa – ele nasceu, o parto foi um pouco complicado mas foi bem, limpamos e alimentamos ele, porém algumas horas depois ele teve uma parada cardíaca, não conseguimos reanimá-lo. Sinto muito em lhe dizer isso Catarina, mas seu bebê acabou falecendo.
Catarina deu um grito e começou a chorar com as mãos no rosto. Branca entrou no quarto e abraçou a filha, fingindo consolá-la. Alguns minutos depois, Carlos entrou no quarto, ele estava atordoado.
— minha princesa, o que aconteceu?
Ainda chorando, Branca afastou-se e Carlos abraçou a filha, ela contou tudo a ele.
— eu vou matar esse desgraçado! — Carlos estava com muito ódio.
— a traição dele não é tão relevante perto do que a Margot fez comigo, minha própria irmã.
— vamos nos acalmar querida, a Margot deve ter sido seduzida por ele – interveio Branca.
— claro que você vai defender a sua preferida. Ela que é uma vagabunda que matou o meu filho, isso tudo aconteceu porque ela foi pra cama com o meu noivo!
— olha o peso de suas palavras mocinha! — foi a resposta de Branca – sua irmã é uma vítima dele, e sem contar que vocês dois não combinavam.
— dá pra calar essa sua maldita boca? — Catarina estava a ponto de partir para cima da mãe.
— pelo amor de Deus, dá pra vocês duas pararem, pelos menos aqui no hospital.
— você disse que não quero ver nem ela e nem ele aqui? — perguntou Catarina ao pai.
— sim meu amor, eu vou até a recepção agora mesmo proibir eles de entrar aqui – Carlos terminou a frase saindo do quarto.
— você acha que eu realmente acredito que eu cai nessa histórinha de compras de mãe e filha e que aquela cena foi vista por acidente? — Catarina disse olhando fundo nos olhos da mãe – por que isso? Eu quero saber o motivo.
— Catarina minha filha, eu te amo. Eu sei que nossa relação é complicada, mas do meu jeito eu te amo. Esse Paulo não combina com você, vocês não seriam felizes juntos.
— e você é quem pra decidir isso?
— eu sou sua mãe, eu te conheço!
— saia, por favor, eu preciso ficar sozinha.
Naquela mesma noite, Catarina recebeu alta. Como Branca e Carlos passaram o dia todo com Catarina no hospital, então ninguém foi até a mansão para dizer algo a Paulo, quando eles chegaram lá, Catarina foi até seu quarto para arrumar suas malas, e encontrou com Paulo lá, ele estava desnorteado.
— Catarina meu amor, o que está acontecendo? — Paulo foi em direção a Catarina, porém quando chegou perto de Catarina, ela deu-lhe uma bofetada na cara.
— o que você ainda está fazendo aqui, seu desgraçado?
— pelo amor de Deus Catarina, o que está acontecendo? Fiquei sabendo que você estava no hospital – então ao dizer essa frase, ele notou que a barriga de Catarina esta menor – o que aconteceu?
— você matou o meu filho, você e a piranha da minha irmã! Eu entrei em trabalho de parto depois que peguei vocês dois na cama e meu filho morreu no hospital!
— me pegou na cama com quem? Como assim? Nosso filho morreu? — Paulo entrou em desespero – do que você está falando?
— você é a pessoa mais cínica que eu já vi na minha vida seu desgraçado! Some da minha frente! Some da minha casa! — Catarina começou a gritar. Carlos ouviu os gritos, foi até o quarto da filha e arrancou Paulo de lá.
Paulo foi jogado na rua sem entender nada. Ele estava em completo estado de choque, entrou em um táxi e foi para um hotel.
— o que você está fazendo minha princesa? — disse Carlos, ao voltar para o quarto da filha e ver que ela estava fazendo as malas.
— não dá mais pai, você realmente não consegue ver? Branca me levar pra fazer compras justo no dia em que acontece isso?
— mas se isso for verdade, dessa vez a Branca não saíra ilesa!
Carlos saiu do quarto da filha e foi até a sala, onde estava Branca, logo após ele ter saído do quarto, Margot entrou.
— posso saber pra que tanto drama? — ela disse ao entrar.
— drama? Você matou meu filho sua cadela desgraçada! — Catarina gritou.
— você que é uma histérica. Aconteceu e foi só uma bobagem, pelo amor de Deus maninha, não leve a sério – Margot falava em um tom de deboche.
— não levar a sério que a vadia invejosa da minha irmã junto com a minha mãe destruíram a minha vida e tiraram de mim na mesma noite tudo o que de mais importante eu tinha? Você é uma desgraçada, e pra que tudo isso Margot, pra ficar com os meus restos? Se depois de tudo isso o Paulo quiser ficar com você é porque vocês se merecem! Vai lá e fica com os meus restos, porque eu estou sumindo e você e a desgraçada da Branca nunca mais vão ter notícias minhas!
— você não está aumentando um pouco a situação Cata… — antes que ela pudesse terminar a frase, Catarina deu um tapa na cara de Margot que a fez cair no chão.
— some do meu quarto, some da minha vida! — Catarina pegou Margot pelos cabelos e a jogou para fora de seu quarto.
Naquela mesma noite, Catarina saiu de casa. Ela disse apenas ao pai para onde estava indo e o fez jurar que não contaria a ninguém.
— quem sabe será melhor assim pra ela, ela precisa de uns dias para colocar a cabela no lugar – disse Branca para o marido – eu sei o que ela passou, mas isso não é motivo para ela agredir todo mundo dessa maneira, olha o que ela fez à Margot.
— você é um monstro Branca! A vida toda você tratou a Catarina como se ela fosse menos que a Margot e depois disso tudo você fica do lado dela? Bem que a Catarina me falou que você tem a ver com isso! — Carlos estava chocado com a reação da mulher petante tudo aquilo.
— realmente, quem sabe a Catarina seja menos que a Margot e o tal de Paulo não tem nada a ver com ela, eles iam acabar em um casamento arruinado de poucos anos – Branca não dava a mínima para o que Carlos estava dizendo.
— escute bem Branca, se alguma dia eu descobrir que você teve alguma coisa a ver com isso, você vai me pagar muito, mas muito caro! O amor que você sente pela Margot é o mesmo que eu sinto por Catarina. Se eu descobrir que você arruinou a vida da minha filha dessa maneira, você vai me pagar muito caro! — Carlos deu às costas a mulher.
Assim que ele saiu, Branca foi atrás de Margot. Quando ela chegou no quarto da filha, ela deu para Margot um bilhete.
— o endereço do hotel que Paulo está e o número do quarto, vá ser feliz minha filha – disse Branca sorrindo para Margot, que no mesmo momento sorriu, pegou as chaves de seu carro e saiu.
***
— quem é? — perguntou Carlos quando alguém bateu à porta.
— serviço de quarto – disse uma voz feminina.
— mas eu não pedi nada – disse ele ao abrir e deu de cara com Margot – o que você está fazendo aqui? Pensando bem, é bom que tenha vindo, eu preciso de algumas respostas — ela pegou Margot pelo braço e a arrastou para dentro do quarto.
— nossa, eu até gosto de uma coisa mais violenta, mas não assim – ela disse ao entrar.
— o que diabos foi que aconteceu na noite passada? Catarina disse que me pegou na cama com você, o que foi que aconteceu!
— eu vim aqui pro segundo round querido, ou vai dizer que você não lembra? — Margot estava sendo cínica.
— lembrar de que sua maluca? Eu me lembro que bebi o copo que você me deu, comecei a ficar zonzo e fui para a minha cama dormir – então, ao terminar a frase, ele entendeu o que aconteceu, agarrou Margot pelos braços – sua cadela miserável, você acha o que, que ia arruinar meu casamento e ia vir aqui pra eu ficar com você como se você fosse um prêmio de consolação?
— você fez loucuras comigo ontem, é impossível que você não se lembre! — disse Margot, alterando o tom de voz e agora deixando claro que estava ficando irritada.
— loucuras? Eu não tocaria em você nem que fosse a última mulher do mundo sua imunda! Eu tenho nojo de você – Carlos empurrou Margot para trás.
— imunda? Mas do que você está falando, ontem você disse que me amava e que … — ela foi interrompida por Carlos.
— saia daqui antes que eu chame a polícia, sua maldita, dessa sua boca só saem mentiras! Suma daqui!
Carlos arrastou Margot para fora do quarto e bateu a porta em sua cara.
Margot ficou ali processando a informação, pela primeira vez na vida, as coisas não tinha se saído como ela queria.
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