Segredos de Família
15 A Redenção de Branca
Notas iniciais
— e como vamos resolver essa situação? — perguntou Paulo.
— nós todos fomos vítimas dessa situação toda Catarina, tanto eu quanto vocês, eu fiquei todos esses anos pensando no melhor modo, não pra mim, não pra vocês, mas para a Carla, conversei com vários advogados e psiquiatras amigos meus e cheguei a conclusão que o modo que podemos sair dessa situação ferindo a Carla o mínimo possível e se entramos com pedido de guarda compartilhada.
— então você vai deixar eu conhecer minha filha? — Catarina começou a chorar de alegria.
— claro que vou, você é uma vítima nessa situação, vocês dois foram vítimas da maldade dessa tal Branca assim como eu e a Carla, e a Carla é uma menina tão maravilhosa e tão esclarecida para a idade dela que vocês vão se surpreender – Solange falava com orgulho sobre a filha.
Catarina ficou imensamente feliz, ela ia poder conhecer a filha sem empecilho algum pois Solange era uma pessoa maravilhosa que havia sido colocada em seu caminho, depois de tantas coisas ruins, havia alguma coisa boa acontecendo.
— e quando eu posso conhecer ela? — Catarina estava aflita.
— ela está na disneylândia com a minha irmã, ela volta no final do mês.
Essa notícia deixou Catariana um pouco apreensiva, ela teria que esperar mais um mês, mas para quem aguentou um vida toda, um mês passaria em um piscar de olhos.
***
Branca havia chegado o hospital onde Margot estava internada e insistiu aos prantos para a recepcionista que a deixasse subir no quarto de Margot.
— posso falar com você minha filha? — disse Branca, falando em um tom baixo e sereno que ela pouquíssimas vezes na vida havia usando antes.
— eu já disse pra não deixar você entrar aqui, mas já que está aqui fale – respondeu Margot, seca.
— eu vim em paz minha filha, aconteceu algo comigo hoje que me fez pensar na vida, na vida que venho levando a tempos – Branca ficou em silêncio por alguns instantes e começou a chorar – eu amei uma fez minha filha. Renato foi o amor da minha vida, porém o destino tirou ele de mim e eu sou uma mulher fraca, eu fui uma mulher fraca a minha vida toda.
— mãe, está tudo bem? Você está me assustando – Margot estava achando o comportamento da mãe muito estranho.
— sabe, eu sempre tive algum distúrbio, eu fui negligenciada pela minha mãe a vida toda, eu ouvi vozes a vida toda que me faziam imaginar coisas e fazer coisas, mas de uns tempos para cá eu perdi completamente a relação com a realidade, eu fiz coisas das quais eu me arrependo totalmente, mas então eu conheci o seu pai, o Renato, ele foi o amor da minha vida, ele me deu um motivo para viver, mas ele morreu cedo demais, me deixando apenas você e toda vez que eu olhava para você eu via que você era o resultado do amor mais lindo do mundo, você era o melhor de mim misturado com o melhor do Renato, mas com o tempo eu te mimei e acabei te colocando nessa situação toda.
— logo eu vou voltar a andar Branca, o médico disse que os danos na minha coluna são reversíveis e eu voltarei a andar sim, esse mal é temporário.
— que bom meu amor, essa é a melhor notícia que eu recebi em dias! — Branca havia ficado realmente feliz pela filha – eu queria te pedir uma coisa do fundo do meu coração minha filha, eu vou procurar ajuda. O que é que eu preciso fazer pra ter o seu perdão?
Margot olhou fundo nos olhos da mãe que estava sentada a seu lado.
— confesse todos os seus crimes e pague por ele e vamos começar uma vida nova.
A resposta foi direta a franca. Branca sabia que era aquilo que Margot pediria e já tinha a resposta.
— está bem. Amanhã mesmo eu vou até a polícia. A troca do filho de Catarina já prescreveu, mas eu vou pedir perdão a ela e vou confessar todo o resto.
Margot ficou feliz pela mãe, ela sentia que realmente Branca queria fazer a coisa certa e ela apoiaria a mãe, ela ia ajudar a mãe arrumar os melhores psiquiatras para que ela conseguisse se ajeitar.
— estou indo agora mesmo conversar com ela, eu vou pedir perdão para a minha filha – Branca levantou-se sorrindo e secou as lágrimas do rosto.
Era o começo da redenção de Branca.
***
— tem mais um assunto que nós precisamos discutir – disse Paulo a Catarina. Eles estavam sentados em um café que havia no centro da cidade.
— eu sei o que você vai dizer e não sei se já estamos prontos para isso, ainda é cedo demais – rebateu Catarina.
— Catarina, nós estamos esperando a mais de dez anos, eu preciso te perguntar isso – Paulo fixou o olhar nos olhos de Catarina – você sabe que ainda te amo – ele fez uma pausa, então voltou a falar – você ainda me ama?
Catarina não conseguiu responder.
— eu vou agora mesmo para casa terminar meu relacionamento com Verônica e dependendo da sua resposta nós podemos começar a correr atrás do tempo perdido agora mesmo.
— você não pode fazer isso, a Verônica é uma ótima pessoa! — Catarina realmente achava isso.
— justamente por isso eu preciso terminar com ela, ela é uma pessoa boa demais pra ficar sento usada como prêmio de consolação.
— sim Paulo, eu nunca deixei de te amar, mesmo quando eu acreditava que você havia me traído, eu nunca deixei de pensar em você, tanto que faz dez anos que eu não me relaciono com ninguém.
Paulo deu o último gole de deu café e levantou-se, ele estava indo fazer o que era correto. Ele devia várias desculpas para Verônica, do mesmo modo que precisava deixá-la ser livre.
Os dois despediram-se e foram cada um para sua casa, quando Catarina chegou, Branca estava sentada em uma poltrona do canto da sala, tomando uísque e com um cigarro aceso.
— Catarina, por favor sente-se, eu preciso muito falar com você – Branca ainda estava usando um tom de voz baixo e controlado.
— não consigo imaginar nada que possamos ter para conversar – Catarina foi seca.
— por favor minha filha, eu nunca te pedi nada e estou te pedindo apenas alguns segundos do seu dia.
— pode ir direto ao assunto Branca? — Catarina ficou ali em pé, onde ela estava.
Branca tomou um último gole de seu copo e largou-o sobre a mesa, levantou-se e foi até Catarina e deu um abraço na filha.
— mas o que é isso, vai me dar uma facada nas costas? — disse Catarina.
— me perdoa minha filha, me perdoa! — disse Branca aos prantos – eu sei que é impossível, mas você pode tentar, você é uma pessoa magnífica, uma pessoa boa.
Branca soltou Catarina.
— isso é algum tipo de golpe? O que você quer com isso Branca?
— eu passei a vida toda achando que não havia criado nada de bom, mas eu criei você Catarina – ela colocou as mãos sobre o rosto da filha – você é a pessoa mais honesta e íntegra que conheço e você foi criada por mim, afinal de contas, alguma coisa boa eu fiz.
— você está delirando Branca, qual é o ponto de tudo isso?
— eu quero o seu perdão minha filha, eu vou amanhã até a polícia e vou confessar tudo o que fiz, sei que a troca dos bebês já prescreveu, mas eu tenho várias outras coisas pra explicar Catarina, eu vou pagar por tudo e quero o seu perdão, não quero que você volte a conviver comigo nem nada, pois depois que eu sair da cadeia, eu vou recomeçar a minha vida e se não quiser fazer parte dela, eu entendo, mas eu preciso do teu perdão. Você consegue me perdoar?
— eu te perdoo depois que você for até a polícia, só acreditarei quando você fizer – Catarina olhou nos olhos da mãe enquanto dizia.
— você ainda vai sentir orgulho da mulher que eu vou me tornar – disse Branca, secando a lágrima que escorria agora pelo seu rosto – posso te dar um abraço? Um abraço com amor que eu nunca te dei durante a vida toda minha filha?
Catarina estava chocada com tudo aquilo, mas ela sentia verdade no que Branca dizia, apesar dos pesares, sendo o monstro que era, Branca era sua mãe, então a resposta de Catarina foi abrir os braços e Branca, feliz e chorando, veio ao seu encontro.
— amanhã mesmo eu vou para a polícia, mas hoje eu vou fazer uma coisa que eu não faço a anos, eu vou dançar minha filha, eu vou sair para dançar! — Branca sorriu, pegou sua bolsa e saiu de casa, deixando Catarina ali ainda atônita com o que havia acontecido.
Alguns instantes após a saída de Branca, a campainha tocou, ela foia até a porta e notou que estava chovendo muito, e Paulo estava lá, Paulo estava encharcado e com uma mala nas mãos.
— somos livres para nos amar agora – foi o que ele disse sorrindo para Catarina.
Catarina abriu espaço para que ele entrasse, quando ele o fez ela fechou a porta e Paulo virou-se para ela, tirando o casaco molhado.
Sem dizerem nada, os dois começaram a se beijar. Era uma beijo apaixonado, um beijo que guardava um amor de mais de dez anos estava adormecido e agora poderia despertar. Os dois foram se beijando e se abraçando com um paixão ardente até o quarto de Catarina, ele a pegou no colo e a jogou na cama, ela olhou para ele sorrindo e então, ele fechou a porta do quarto.
***
Quando Branca entrou na boate, todos os jovens olhavam para ela com estranhamento, era curioso para eles alguém da idade dela estar lá, mas ela sabia dançar e queria divertir-se na última noite que ela tinha como a antiga Branca, depois daquela ela seria uma mulher nova, uma pessoa melhor, mas sem hipocrisias, ela sabia que seus crimes eram imperdoáveis, mas ela ia se esforçar o máximo para melhorar.
As luzes alternavam, vermelho, verde, amarelo e múscia era alta, ela apenas se movia ao som da música que ela nunca havia ouvido na vida, lembrando-se dos bons tempos em que ela saia para dançar com Renato, e depois com Carlos, pois houve uma época em que ela tinha carinho e respeito por Carlos, era escuro e ela não conhecia nenhum daqueles rostos, ela se movia, com as mãos para cima ela se movia ao som da música.
Uma mulher que estava do lado de Branca notou algo estranho, ela notou uma mancha vermelha em seu vestido, porém a garota não estava bebendo, ela chamou a amiga para pedir se ela havia visto alguma coisa, mas antes que a amiga pudesse responder, ela notou que Branca tentou segurar-se no braço dela para não cair.
— o que foi? — perguntou a garota.
Então Branca caiu no chão, já sem vida. Quando a garota chegou perto, ela notou que havia uma faca cravada nas costas de Branca, então a garota começou a gritar apavorada e a pista de dança virou um pandemônio.
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