Segredos de Da Vinci

4 Um. Ponto. Seis. Um. Oito: O número de Deus


Notas iniciais
Oooooooi, genteeeee. Tudo bem? Desculpem a demora, mas a vida não está fácil. Estou me organizando pós-viagem, já era pra ter voltado para a faculdade, mas ainda não estou conseguindo por causa das pendências da vida. Penso em vocês todo dia. Escrever sobre Da Vinci é um pouquinho difícil. Ele é um homem muito controverso, complicado. Espero que vocês estejam gostando. Vou responder todos os comentários ainda hoje, mas já li todos e são P-E-R-F-E-I-T-O-S. Vocês são demais. Chega de falar e vamos ao capítulo. Espero que gostem!

– Abra a porta, Da Vinci, ou iremos derrubá-la. — gritaram do lado de fora do meu ateliê.

O que será que esses bárbaros católicos querem aqui. Justamente aqui e comigo?

– Não há motivo para escândalo, padre. Tenha fé. — gritei em resposta.

Caminhei lentamente até a porta, e quando abri me deparei com um grupo de cerca de 12 freiras, uns 10 padres e todos vestidos de hábito e grandes crucifixos presos ao pescoço. Clichê para esse tipo de gente que acha que um signo é capaz de proteger, salvar e mudar alguma coisa.

– Te denunciaram, Da Vinci. Você é um herege e homossexual. Você vai ser queimado na fogueira. — gritou, um dos padres.

– Fogueira, fogueira, fogueira. — fizeram coro, o restante.

– E qual é o crime? Presto tão bom serviço para vocês, que as minhas convicções religiosas ou sexualidade não deveriam ser um problema. — falei, calmo.

– Você é pagão e dissemina sua discórdia contra Cristo em todo lugar que você vai. — disse um outro padre.

– Olha, padre. Isso não me impede de fazer boas obras de arte inspiradas na cristandade e no Divino. Vocês não podem me queimar na fogueira. — disse, usando dos meus artifícios. — Eu vou provar o porquê.

***

O circo estava montado na praça principal de Florença. Meus braços estavam amarrados e eu estava sendo imobilizado por dois padres. Eu estava confiante de que nada me aconteceria, mas àquela hora, eu duvidei, porque estava se juntando uma multidão para assistir a cena.

– Leonardo Da Vinci. Este homem é um criminoso — gritou, um padre para a multidão curiosa na praça. — Ele é um herege e além disso ele se deita com outros homens. Isso é uma abominação.

As vaias vieram de todos os lados. Homens, mulheres e crianças gritando contra mim. Gritos de morra, abominação, herege, fogueira. Entrei em desespero. Pensa, Leonardo. Pensa, pensa...

– Parem! Eu posso ser diferente e não ser igual à vocês. Eu não sou homossexual, sou um homem de descobertas, eu me permito viver o que a vida me impõe e no momento eu amo um outro homem. — gritei, já me sentenciando.

As vaias aumentaram de intensidade. Eu seria morto. Não me perdoariam jamais por isso. Eu sabia! Mas o medo não me impediria de tentar.

– Porém, irmãos. Eu não sou herege. Apenas busco conhecimento para entender o que lhes levam a prender e a acusar um homem como eu. Eu tento entender como Deus criou o ser humano, como lhes deu inspiração. Somos a imagem e a semelhança dele. Será que o Deus Todo Poderoso é tão intolerante como vocês?

– Cale-se, Leonardo. — gritou um padre.

– Como posso ser herege criando tantas obras, esculturas, músicas e levando conhecimento para a Igreja e a comunidade? Pensem bem, vocês não podem me matar. Ainda tenho muito o que contribuir com esse mundo, e vocês não podem tirar isso. Ou tudo que sei morre comigo. — gritei ainda mais alto. — O mundo é feito e cheio de segredos que apenas eu compreendi.

– Você está querendo ser superior a Deus? Herege, maldito seja. — gritou outro padre.

Outra vez vieram as vaias.

– Não quero ser igual a Deus, quero apenas ser tão inteligente quanto ele. Somos todos tributos da proporção divina. Eu sei como Deus nos fez, e se me deixarem viver, eu posso provar. Querem continuar aprendendo sobre Deus? Então me deixem viver.

***

A população me livrou da morte, outra vez. Se eu morrer, não haverão mais palestras sobre Deus e a bíblia nas escolas, já que as pessoas são impedidas de ter exemplares da bíblia. Apenas o Clero têm acesso ao livro mais controverso do mundo — e eu já pude estudá-lo. Por isso sei de todas as verdades e mentiras que estão ali.

A Igreja me acusa de heresia, quando vende indulgências. Aonde já se viu vender pedaços ou até mesmo terrenos no céu? Quando na verdade, o Deus deles, Jesus ensinou que o amor, paz e a vida em retidão é que dá ao ser humano o direito a salvação. A Igreja mata todos aqueles que sabem seus segredos, humilham aqueles que podem atrapalhar os seus negócios, já que a fé tornou-se uma mercadoria que pode ser comprada com algumas poucas moedas de prata.

Eles mentem sobre o próprio Deus deles. Jesus foi casado com Maria Madalena, teve um herdeiro com ela, que transmite esse sangue real até hoje no mundo. Como acreditar em uma religião que engana, com o objetivo de atrair fiéis? Uma religião que prefere ovelhas incautas, do que fiéis pensantes não deve ter muita admiração — ou até mesmo crédito.

***

Voltei para o meu ateliê — e como disse que Deus nos fez sob sua imagem e semelhança, fui em busca do meu caderno de anotações para encontrar um estudo antigo que eu já havia feito: o Homem Vetruviano, que comprova isso.

No estudo da matemática, há uma sequência de números que nos permite entender o momento da criação. Nós chamamos isso de Proporção Divina ou número PHI. Um. Ponto. Seis. Um. Oito. Este é o número mais bonito do Universo.

A Proporção Divina é proveniente da Sequência de números Fibonacci que começam sempre com 0 e 1 e cada termo subsequente, que juntando a soma dos dois anteriores, surge o próximo. 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21...

O número PHI está envolvido na ordem de crescimento. Eu dividi o número de abelhas fêmeas pelo número de abelhas machos em uma colmeia e a razão é Um. Ponto. Seis. Um. Oito. As sementes de girassóis crescem em espirais opostas e a razão entre o diâmetro em cada rotação é Um. Ponto. Seis. Um. Oito.

PHI é o número da criação. Em tudo que há vida, há PHI. O Número de Deus.

Esses números explicam que Deus colocou uma forma perfeita em cada uma de suas criações. E no homem não foi diferente. Para criar o Homem de Vetruvio que exemplifica isso, eu roubei de um cemitério o corpo de um homem e estudei minuciosamente todas as suas proporções ósseas para ter certeza que os números perfeitos também estavam na criação da mais sublime espécie de animais do planeta: os humanos.

Marcus Vitruvius, foi um brilhante arquiteto que conheci na minha última viagem à Roma, ele colocou em seu manuscrito De Achitectura uma grande exaltação à Proporção Divina — e ninguém melhor que eu para compreendê-lo e reafirmar sua posição.

Estudando o corpo humano tive a certeza absoluta que os humanos são literalmente formados por blocos constitutivos cuja a razão proporcional é sempre perfeita, PHI!

Medindo a distância entre a cabeça e os pés e dividindo esse valor pela distância do umbigo até o chão, temos PHI. A distância entre o ombro e às pontas dos dedos, dividido pela distância do cotovelo às pontas dos dedos, outra vez PHI! Um. Ponto. Seis. Um. Oito. Da Anca da perna ao chão, dividindo pelo joelho ao chão é PHI. PHI. PHI.

Somos tributos ambulantes da Proporção Divina. Deus nos criou perfeitos e eu preciso mostrar isso ao mundo. Eu encontrei a pedra que Deus usou para construir o mundo. A mãe natureza é uma rainha ao permitir que isso aconteça sem nenhuma intervenção. A mão de Deus é evidente na natureza. Me chamam de pagão, herege... Mas eu apenas adoro a sublime riqueza que o planeta nos permite ter, que é a vida, em total harmonia.

A Proporção Divina é mágica e ao mesmo tempo libertadora. Nós homens jogamos de acordo com as regras da natureza, e a religião está tentando nos arrancar da nossa adoração natural àquilo que nos permite a vida.
Eu acredito em Deus, mas adoro a natureza.

– Leonardo, como você se livrou da morte na praça? — perguntou, Gian me abraçando. — Seu discurso foi... espetacular.

– Mon Salai... meu diabinho, eu apenas deixei claro todas as verdades sobre eles que apenas eu sei. — falei, após lhe dar um leve beijo nos lábios. — Eles não podem me eliminar.

– Eu tive medo. Pensei que morreria. — ele afirmou, limpando as lágrimas que escorreram de seus olhos.

– Eu também tive medo. Mas estou bem e agora poderemos ser felizes, Gian. — sorri. — Eles não me condenarão por homossexualidade. Nem por mais nada. A população me defendeu.

– E essa história de sermos um tributo ambulante da proporção divina que você citou — ele fez cara de espanto. — Como chegou a essa conclusão?

Expliquei para ele todas as minhas inclinações e como cheguei a conclusão sobre o Número de Deus. PHI. Um. Ponto. Seis. Um. Oito. Em como eu acreditava que Deus era perfeito. E porque eu adorava o sagrado feminino.

– Gian, a Mãe Terra, depois de Deus, é a representação divina que mais deve ser adorada. Ela é a Esposa de Deus, companheira da Criação. O que nos permite a vida. É a representação perfeita do sagrado feminino que Jesus imitou ao se casar com Maria Madalena. É o mesmo com Amon e Isís ou Zeus e Hera. — falei, encantado.

– Meu Deus... — ele ficou boquiaberto.

– E não só na Terra se encontra tal proporção. Nas galáxias, as estrelas se distribuem em torno de um astro principal numa espiral obedecendo à proporção de 1.618, a mesma dos brotos da samambaia. Muita coisa foi criada através dessa proporção. O Parthenon da Grécia, as Pirâmides do Egito... tudo, é perfeito.

– Gian, a Mona Lisa será uma representação do Número de Deus. A criarei para que tenha proporções exatas e perfeitas como a criação. A Mona Lisa não será grande e nem muito pequena. Será perfeita. Uma obra perfeita, criada dentro do número perfeito. Além de você, ela será a representação de Deus.

Notas finais
Somos um tributo ambulante das Proporções Divinas. Isso é tão legal rs. Beijooos.