Segredos de Da Vinci
5 Tragédia
Notas iniciais
Estou em minha cama e Mon Salai está ao meu lado, após a noite de amor maravilhosa que tivemos. Dois anos já se passaram desde que iniciei a pintura de Monalisa, mesmo pedindo um prazo grande, eu não tenho a real intenção de entregá-la.
Há alguns meses estou planejando um plano para tirar Lisa e seu marido do meu caminho. Não sei como, mas irei conseguir. Quero eles bem longe de mim, esse símbolo da perfeição feminina deve ficar comigo até os meus últimos dias, ela contém muitos segredos.
Gian abre os olhos e me encara por alguns instantes. Imagino que ele esteja se lembrando do que fizemos na noite passada.
– Você está bem? — perguntou ele.
– Sim. — beijei de leve seus lábios.
– Ontem nossa noite foi espetacular. — ele falou. — Poderíamos fazer isso sempre!
– Que tal agora? — sorri lascivo.
– Acho que é uma ótima ideia.
Eu o abracei, sentando-me em seu colo e beijando-o voraz, explorando sua boca, e decobrindo o seu corpo com as minhas mãos. Gian era mais jovem que eu, então sua facilidade de encontrar sua ereção era muito maior. Senti seu pênis roçar em meu traseiro, enquanto ele dava gemidinhos com o toque dos meus beijos. Ele se tornara o grande amor da minha vida, tudo que eu queria era agradá-lo, cortejá-lo como um pirata ao encontrar seu tesouro.
Eu também já estava ereto, sentindo fluir de dentro de mim a maior sensação de prazer existente no ser humano. Cada calafrio, cada toque, fazia a minha pele sensível ao sentir a paixão escorrer de dentro de mim, se liberando na mais sublime expressão de amar: o sexo.
– Quero estar dentro de você hoje. — ele exclamou.
– Tudo bem. Sou seu, meu diabinho. — respondi, carinhosamente.
Eu o ajudei a me penetrar por trás, colocando tudo de si dentro de mim. Soltei um urro com a dor do meu ânus sendo trespassado por seu comprido pênis. Eu sentei, deixando-o entrar mais fundo em mim. Gian gemeu com o prazer. Passei a me movimentar para frente e para trás, já que ele não conseguiria levantar meu peso. Enrosquei meus dedos em seus pêlos púbianos e me movimentei ainda mais rápido, sentindo que me liberaria em breve. Mais alguns minutos, o suor descendo por nossas testas, e umidificando ainda mais o nosso corpo que já estava banhado no poder da sedução. Eu abaixei e o beijei na boca com mais voracidade, mordendo os seus lábios, como se estivesse descontando a dor da penetração. Minha língua explorava o céu de sua boca, suas bochechas.
Até que atingi o meu clímax. Senti o líquido seminal subir quente por meu pênis circunciso e se derramar todo no peito de Mon Salai, que alguns minutos depois se derramou dentro de mim com um último suspiro. Ele tirou delicadamente seu membro de dentro de mim, e então caio deitado ao seu lado, exausto, mas renovado, e ainda era o início da manhã.
– Estou engraçado, né? — Gian perguntou, sorrindo.
– Engraçado? — retribui a pergunta.
– É, ó todo gozado. Estou engraçado. — e caiu na gargalhada. Me juntei a ele. Eu amava aquele homem. Morreria por ele. Mataria por ele. Meu amor será expressado em um objeto que o lembrará enquanto durar. Afinal, o amor, nunca, jamais, em hipótese alguma morre.
***
Desenhei todos os traços de Lisa no quadro. Mas o rosto nitidamente é o de Gian, porém mais afeminado, sem barba, e levemente mais corado que sua pálida pele. Pensei em envernizar a pintura, mas decidi não o fazer, senão perderia a técnica que chamarei daqui em diante de sfumatto.
Estava sentado em meu ateliê praticando ócio criativo, dizem que procastinação é um dos meus fortes. Eu, normalmente, nunca consigo terminar algum trabalho ou projeto meu. Por pura preguiça mesmo. De que adianta elaborar um grande projeto arquietetônico que não terei condições de desenvolver?
O carro voador, e a sacola anti-queda são dois exemplos de sonhos na engenharia que não há o porquê de ir adiante, terminar o desenho, ou até mesmo, quem sabe tirá-las do papel. O carro voador, funcionaria com dois pedaços grandes de madeira sob o teto, que girariam em sentidos opostos em alta velocidade, que ficaria sustentando-o no ar. Já a sacola anti-queda ficaria preso aos corpos dos viajantes do carro voador, então, se acontecesse algum incidente, seria só pular e abri-lo que você ficaria suspenso no ar, porque o saco inflaria, e o ar te puxaria para cima, juntando-se com a força gravitacional, faria a descida ser mais leve. Impossível de existir, não aqui com os meus recursos.
Ouvi um barulho, acho que uma multidão gritando do lado de fora do studio. Nunca me importei com comoções populares, coisa de gente tosca, sem o que fazer. Devem estar condenando alguém à forca, ou ao espancamento. Falsos moralistas sempre acham que detém o poder de julgar os outros, sem perceberem que seus atos mais básicos são um erro terrível. Apontar o dedo é mais fácil que abaixar o nariz, e tentar ver o próprio umbigo.
Segui procastinando sobre as diversas áreas de nossa pífia existência, até que Gian adentra o ateliê correndo, com a respiração ofegante, nítidamente desesperado. Fiquei preocupado, realmente preocupado.
– O que houve? — perguntei, lhe entregando um copo de água.
Ele seguiu ofegante por um tempo. Alguma coisa muito grave havia acontecido.
– Leonardo... a casa... de Fracesco del Giocondo... está em chamas... — ele falou, tomando ar e pequenos goles da água para se acalmar. — Acho que ele está morto, carbonizado.
Dei um sorriso presunço para o meu amante. Era tudo o que eu precisava.
– Caro Gian, tragédias acontecem todos os dias.
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