Segredos de Da Vinci
1 O Contrato
Notas iniciais
Aos leitores, espero que gostem. Garanto que será uma obra cheia de mistérios, mitos e verdades sobre Leonardo Da Vinci, e vamos especular muito sobre o sorriso mais comentado e misterioso do mundo: o de Monalisa.
Vamos ao que interessa?
Repubblica Fiorentina, 1503
Um silêncio mortal pairava dentro do meu ateliê naquela tarde escura da movimentada República de Florença. Estava praticando ócio criativo enquanto pensava em qual área atuar, afinal, um homem multi facetas como eu pode se dar ao luxo de escolher. Nada neste mundo vil pode me perturbar. Eu trabalho com criações, obras arquitetônicas com o estudo da ciência, da anatomia, da música, e da arte. Eu quero melhorar a qualidade de vida das pessoas ao meu redor — mesmo ainda não tendo todos os recursos.
Francesco del Giocondo, um nobre comerciante de seda, havia marcado um encontro comigo hoje, para encomendar uma pintura à óleo que, segundo ele, seria um retrato de sua esposa Lisa Gherardini. Esse quadro pode me render honrarias e muito dinheiro, mas uma outra coisa me perturbava.
- Eu não aceito que você faça uma pintura para a posteridade de uma outra mulher. — disse, Mon Salai.
- Meu amor, eu posso dar um jeito nisso. Posso lhe homenagear subliminarmente nesta obra. Ela é uma mulher linda como você. Eu sempre dou um jeito. — falei, e abracei Mon Salai.
- Não, Leonardo. Você tem medo de ser descoberto. Você sabe que seremos mortos se descobrirem nosso relacionamento. — colocou as mãos no rosto, a voz embargada segurando o choro e o medo.
- Eu te amo, mas eu preciso que você entenda. É melhor mantermos um relacionamento duradouro às escondidas, de que morrer e não vivê-lo. — Abracei meu amor, tentando lhe reconfortar.
Meu amor abaixou a cabeça em sinal de rendição e se retirou do cômodo me deixando sozinho perdido em meus pensamentos. Mesmo eu sendo quem sou, não posso ter tudo o que quero.
Francesco e Lisa chegaram ao meu ateliê ainda naquela tarde — percebi na moça recatada alguns dos traços de Salai, o rosto e o nariz mais cheios, longos cabelos negros, um olhar instigante e um sorriso restrito e mesmo um tanto conservador e muito misterioso.
- Leonardo, quero um retrato de minha linda esposa. Lhe pagarei a quantia que quiser. — Francesco disse. — Em quanto tempo você acha que ficaria pronta?
- Francesco, devido ao grande número de detalhes que gostaria de emplacar no retrato de sua esposa, lhe peço três anos para a conclusão da obra. — disse, pensando que aquele seria uma obra repleta de significados como todas minhas outras obras.
Uma das obras mais cheias de significados ocultos que fiz foi A Última Ceia, que vendi para a igreja Santa Maria Delle Grazie, em Milão. Ao lado da figura desprezível de Jesus, pintei sua amante Maria Madalena como se fosse Pedro, a "pedra" em que o profetinha disse que edificaria sua igreja.
Eu não sou religioso, mas sei fingir bem, afinal se minhas convicções religiosas, ou a falta delas vier à tona eu posso ser morto por heresia. Por isso faço parte do Priorado de Sião, que protege o sangue imundo do chamado "Filho de Deus. Maria Madalena, para nós, é o Santo Graal, a prostituta responsável por levar o sangue real de Cristo adiante. Todos acham que representei isso no cálice sobre a mesa, mas não.
Por mais que a Santa Sé, negue relacionamentos deste homem, ele deixou descendentes antes de morrer — e magicamente ressuscitar dos mortos. Eu, eu sou o homem que nunca deve morrer. Eu não filósofo mensagens boas, eu crio coisas que transformarão a raça humana.
- Leonardo, três anos é muito tempo. Não posso aceitar que demore tudo isso de tempo para que fique pronta a obra. — disse Francesco, decepcionado.
- Peço que aceite minhas condições e não lhe cobrarei nada pela obra. Farei em presente para o homem humilde, que ajuda aos pobres e que faz grandes doações à igreja, que você é Francesco. Minha condição para retratar sua esposa é essa. Aceite ou pagará a outro artista inferior para criá-lo. — dei um ultimato.
Francesco olhou maravilhado para a esposa, que lhe retribuiu um sorriso tímido.
- Tudo bem, Leonardo. Aceito seu prazo de três anos. Quando você pretende começar? — ele perguntou. Afinal, é impossível negar um pedido de um homem como eu.
- Em alguns dias, meu assistente pessoal, Gian, entrará em contato com você. — retruquei.
Neste momento, Gian entrou na sala e parou ao meu lado nitidamente encantado com a beleza sutil de Lisa. Me olhou e sorriu discreto imaginando quais seriam meus planos para o quadro. O casal agradeceu e disseram que iriam se retirar. Nos despedimos e voltamos para o ateliê em silêncio.
- Então eu seria assim se fosse mulher? — O garoto riu baixo, com a cabeça encostada em meu ombro, sorrindo.
- Você seria uma mulher linda, sinceramente. Ela lembra muito você. — falei, sorrindo em resposta.
- Então, se eu fosse uma mulher... você casaria comigo? — perguntou, Mon Salai. O meu diabinho.
- Sem dúvidas. — respondi, ele abriu um enorme sorriso.
Então eu o beijei, fazendo planos para eternizar em arte o rosto do meu grande amor.
Notas finais
Deixem nos comentários ou digam no facebook o que acharam deste início. Espero vocês nos próximos capítulos, lembrando que será uma short-fic.
Beijos.
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