Segredos da Sarah
1 Jóinha, pessoal!
Nunca fui dessa galera que bloga, mas acho que o destino tem uns planos malucos para mim e preciso compartilhar isso – é muita coisa para ficar só na minha cabeça. Tudo começou nesse domingo doido! Achei que ia ser só mais um passeio de bicicleta normal no parque, mas eu só consegui pensar “Sarah, esse dia vai mudar sua vida!”
Estava passando com minha amiga Patty pela passarela na entrada do parque quando escutei uns latidos desesperados, bem baixinhos e agudos. A Patty nem reparou, mas eu parei e fui dar uma olhada atrás dos arbustos... nhooooooon, três cãezinhos abandonados.
Eu fiquei mó preocupada porque tava com cara que podia chover mais tarde, aí a gente foi ver se achava a mãe deles lá perto. Um dos varredores do parque falou que uma cadela tinha sido atropelada de manhã. A Patty ficou branca quando ouviu isso (e, na real, eu também estava passada), mas a gente sabia que precisava fazer algo. Então eu preguei o celular e procurei o veterinário aberto mais próximo.
Eu coloquei os filhotes na cesta da bike e pedalei até lá (sem a Patty, que tinha hora pra voltar pra casa).
Quando cheguei no veterinário, me falaram pra esperar sentada. Meu, os cachorrinhos não ficavam quietos – cabiam os três no meu braço, mas eu tava surtando com eles latindo sem parar. Me disseram que o veterinário tava ocupado em uma cirurgia, mas que era pra eu ficar no consultório que o assistente dele ia me atender. A salinha era pequena, eu tinha acabado de colocar os filhotes na mesa quando ele apareceu – um rapaz muito alto (devia ter 1,90m), forte e esbelto, de pele morena. Thomas, o assistente do veterinário, ele se apresentou. Ele chegou sorrindo, mas bem profissional. Ele não parecia ser muito mais velho que eu, mas parecia ser um cara bem maduro.
Ele começou a examinar os filhotes e eu perguntei se ele não era muito novo pra ser veterinário. Ele falou que ajuda o pai, o dono da clínica, enquanto ainda está na faculdade. Ele olhou os três cachorros com cuidado, mas algo na voz dele fez com que eu me sentisse segura. Mesmo assim, fiquei meio grilada quando ele não parou de passar a lanterna nos olhos de um dos cachorros bem mais tempo que os outros. O Thomas me explicou que aquela cadelinha era cega e ia precisar de cuidado especial. Além disso, os filhotes estavam malnutridos e ainda precisavam ser amamentados por mais uma semana a cada 4 horas.
E a desgraça só complicou... ele me perguntou se eu ia ficar com os filhotes. Nossa, só de pensar na reação da minha mãe eu já tava pirando – ela ia me enforcar se chegasse em casa com aquelas... três coisinhas adoráveis... meu, o que fazer?
O Thomas sugeriu levar eles pra um abrigo de animais lá perto – até se ofereceu pra me levar pra lá de carro... claro que eu aceitei, né?
Quando ele tirou o jaleco vi que ele tava vestido todo arrumado, com um colete superelegante e uma camisa que deixava claro como ele tinha ombros largos e braços grossos. Ele até me ajudou a guardar a bicicleta na clínica.
Eu mal acreditei quando chegamos lá: o abrigo era uma casinha pequena caindo aos pedaços, com janelas quebradas e pintura toda zoada. A coisa não tava melhor dentro.
As jaulas todas caindo aos pedaços e paredes cheias de marcas de goteiras.
O funcionário que atendeu a gente admitiu que a situação tava feia e eles precisavam de mais funcionários e doações pra cuidar do lugar. Eu comecei a preencher a papelada quando o Thomas explicou sobre a cadela cega e o rapaz lá disse que eles não teriam como dar atenção especial para ela. Ele me olhou com aquela cara séria dele e eu saquei na hora o que ele tava pensando. Então eu respirei fundo e disse que ia ficar com ela.
Na boa, eu não ia deixar aquela coisa fofa sofrer lá naquelas condições. Eu peguei ela no colo e olhei ela bem nos olhos... e foi naquele momento que caiu a ficha – eu tinha que fazer algo pra ajudar esse abrigo! Agora eu só precisava descobrir... bom... COMO ajudar.
O Thomas me deu carona pra casa e até me ofereceu um pouco da fórmula pra começar a amamentar aquela criaturinha, mas eu sabia que o mais difícil vinha agora: explicar pros meus pais. Quando eu cheguei no apartamento minha mãe imediatamente viu a cadelinha na cesta da bicicleta e abriu a boca. Antes dela dizer algo eu decidi tomar a iniciativa...
“Mãe, não é você que tá sempre me falando pra ser mais responsável?”
Ela levantou o dedo, fechou e reabriu a boca, mas sabia que era uma briga que não valia a pena comprar. Isso, e meu pai e meu irmão se apaixonaram pela coisinha mais rápido que eu. Pelo visto ajuda não ia faltar pra cuidar dela. Agora só faltava dar um nome...
A gente conseguiu chegar em três opções de nome. E a decisão final foi...
Ártemis! Ela merece o nome da deusa grega dos animais.
Não é por nada não, mas tô achando que isso foi o destino. Quero só ver no que vai dar isso tudo.
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