Segredos da Sarah
3 Eu preciso contar pra galera!
É gente, passei o dia inteiro ansiosa esperando aquele sinal do fim da aula – quando tocou eu já estava de pé correndo pra fora da sala. Pulei na bike e fui voando pro abrigo.
Dessa vez tinha um outro voluntário lá, mas eu expliquei rapidinho que queria tirar umas fotos do lugar pra divulgar as dificuldades que eles estavam passando e o cara foi bem legal. Eu tirei um montão de fotos com o celular – não é a melhor câmera do mundo, mas vai servir por enquanto.
Quando eu tava terminando, todos os animais pareceram acordar ao mesmo tempo – alguém tinha chegado no abrigo pra causar essa reação. Eu reconheci ele da escola – era o Eduardo, um garoto meio antissocial que vive na biblioteca. O pessoal tira sarro dele porque ele nunca fala com ninguém, fica só lendo o intervalo todo e vive deixando um rastro de alpiste por onde passa. Ele foi direito pra uma das gaiolas no canto, brincar com uns gatinhos.
Gente, não dava pra acreditar como todos os bichos pareciam ficar felizes com a chegada dele. Era como se o lugar tivesse se iluminando de repente.
Nossa, eu nem notei que fiquei secando ele, aqueles olhos azuis calmos por baixo dos cabelos loiros lisos que pareciam tão mal cortados. Senti até um lance meio zen.
Fui chegando perto e ele nem notou.
Eu falei “Oi”, ele olhou pra mim e meio que me ignorou, só acenou e continuou brincando com os gatos. Eu comentei que vi ele na escola e tal, ele só respondeu um “Tá”. Não era fácil puxar papo com ele.
Decidi contar pra ele da Ártemis.
Eu contei pra ele o que rolou no domingo e parece que finalmente chamei a atenção dele. Ele continuou com os gatos no colo e no ombro, mas virou o rosto pra mim enquanto eu contava a história. Ele não falou nada, exceto que já conhecia quase todo mundo que trabalhava no parque e que conhecia a mãe da Ártemis antes dela ser atropelada. Eu acho que ele ia gostar de me ajudar com a Ártemis, mas talvez seja bom dar um espaço antes de convidar ele pra vir lá em casa.
É, ele realmente precisava de mais amigos humanos. Ele certamente parece uma boa pessoal, mas ele não abre muita brecha pro pessoal se aproximar.
Eu dei tchau e voltei pra casa. Vou pedir pro meu irmão me ajudar a fazer um blog com as fotos pra divulgar a causa e amanhã vou imprimir elas pra fazer cartazes de divulgação. Já tô até vendo – vai ficar massa!
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