Segredos da Casa
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Acordei na manhã seguinte e Black estava ainda ao meu lado dormindo. Fiz cafuné nele e levantei da cama, prendi meu cabelo em um coque e fui ao banheiro fazer minha higiene pessoal. Desci as escadas em direção a cozinha, peguei uma tigela e enchi com leite. Subi de volta ao meu quarto, onde Black estava se espreguiçando na minha cama. Deixei a tigela no chão, ele logo veio e tomou todo o leite. Lembrei que tinha trazido um brinquedo na mala, esse brinquedo era do gato branco da minha melhor amiga, ela tinha colocado na minha mala para me lembrar do Cookie seu gato, mas eu jamais esqueceria ele. Andei até meu closet e procurei pelo brinquedo, até que achei, era um pequeno ratinho cinza de borracha. Voltei para o quarto e fiquei brincando com Black, ele adorou o pequeno ratinho. Sai do quarto deixando ele lá. Desci as escadas até a sala de jantar e tomei meu café da manhã só com minha mãe, porque meu pai tinha ido a cidade. Eu não contei a minha mãe sobre o gato, ela não gosta de nenhum tipo de animais, sempre achou que eles apenas faziam bagunça, então era melhor guardar segredo sobre Black. Depois do café voltei ao meu quarto e troquei de roupa, uma calça jeans clara, uma blusa Rosa claro, por cima um casaco fino cinza claro e um tênis cano curto preto. Vi Black sair pela minha janela com o ratinho na boca. Ri e sai do quarto, mas antes peguei meu celular. Sai da casa e andei um pouco pelo terreno, dei a volta na casa e fui pela mesma trilha de terra, avistei de longe um figura conhecida. Daniel estava deitado na grama, estava com os olhos fechados e com os fones de ouvido. Andei até ele e me aproximei cuidadosamente, fiquei perto dele e me sentei na grama ao seu lado, apoiei meus cutuvelos nas minhas pernas e apoiei minha cabeça nas mãos. O observei por um tempo, até que ele era bem bonito
– Olá — Falei e ele abriu os olhos, sorriu e eu me perdi naqueles lindos olhos azuis
– Oi — Ele falou e fitou o céu — Está aí a quanto tempo?
– Pouco mais de dois minuto — Falei e olhei o céu, o mesmo estava cinza, não parecia que iria abrir um sol tão cedo — É sempre nublado aqui?
– Quase sempre — Ele falou e fechou os olhos — Você viu o Black? Não o vejo dês de ontem no poço
– Vi, ele dormiu na minha casa — Falei e ele me olhou curioso
– É ele realmente gostou de você — Ele falou e eu ri baixo, tirou um dos fones e me entregou. Eu peguei e coloquei, estava em música clássica
– Música clássica? — Perguntei
– Sim, por quê? Não gosta? — Ele perguntou
– Pelo contrário, eu adoro — Eu falei e ele sorriu — O que tem para fazer aqui?
– Como assim? — Ele perguntou
– Sei lá, é um lugar afastado da pequena cidade — Eu falei olhando em volta e me deparei com olhos verdes me olhando, Black estava parado a poucos metros, andou suavemente e sentou no meu colo, como Daniel estava com os olhos fechados não o viu
– Não tem muita coisa para fazer — Ele falou e abriu os olhos levando um pequeno susto ao ver Black o encarando e eu ri — Quando ele chegou aqui?
– Pouco tempo — Eu falei acariciando Black que ronronava
– Sortudo — Ele sussurrou para que eu ouvisse eu aproveitei a brincadeira e fiz cafuné na cabeça de Daniel, o mesmo riu
Meu celular vibrou, peguei e era uma mensagem da minha mãe dizendo que eu tinha esquecido de avisar que ia sair. Mandei uma mensagem dizendo que tinha esquecido e que estava perto dali.
– Minha mãe — Falei guardando o celular no bolso da calça
– Sua mãe te manda mensagens? Ela é evoluída — Ele falou e eu ri
– Por que? Sua mãe grita seu nome? — Perguntei e ele riu
– Gritava — Ele falou — Ela morreu em um acidente de carro a vários anos
– Eu... sinto muito — Falei e ele sorriu fraco
– Tudo bem — Ele falou e fechou os olhos. Recebi outra mensagem da minha mãe me pedindo para voltar
– Tenho que ir — Falei e tirei Black do meu colo, me levantei
– Tchau — Ele falou sem abrir os olhos, parecia um pouco triste, ninguém merece perder a mãe ou o pai. Dei um beijo na bochecha dele
– Tchau — Falei e andei voltando para casa
Chegando lá o carro do meu pai estava em frente. Entrei em casa e meus pais estavam conversando sentados no sofá. Me aproximei deles
– Beth, quer conhecer a cidade? — Minha mãe perguntou
– Claro — Respondi
– Então troque de roupa — Ela falou e eu observei minha roupa — Essa é muito casual
– Ok — Falei e subi as escadas para o meu quarto
Continuei com minha calça jeans, só troquei o meu casaco por um blusão branco fino. Desci as escadas e fomos para o carro do meu pai. Ficamos várias horas conhecendo a cidade. Depois voltamos para casa. Subi para o meu quarto e lembrei que até agora não tinha explorado a casa. Sai pelo corredor e andei até uma porta que ficava ao lado da do meu quarto. Era um quarto de hóspedes. A segunda e a terceira também. Em uma outra porta era um cômodo com grandes estantes de livros nas paredes, estava lotado de livros novos, mas principalmente antigos, ou seja, tenho uma biblioteca em casa, ri e sai do cômodo. No final do corredor tinha uma porta mas antes dela uma corda do teto, a puxei e desceu a escada do sótão. Subi a mesma, o sótão era enorme tinha várias caixas de papelão e algumas coisas cobertas por lençóis. Andei um pouco pelo sótão e tinha uma grande janela redonda, estava suja. Desci do sótão e fui para a última porta, que eu ainda não tinha olhado o cômodo. Tentei abrir a porta mas ela estava trancada. Desci as escadas e fui ao escritório, abri a última gaveta da mesa, onde tinha algumas chaves da casa. Procurei e não encontrei nenhuma que pudesse abrir
– MÃE — Gritei saindo do escritório
– ESTOU NA COZINHA — Ela gritou de volta e eu fui até onde ela estava — O que foi?
– Sabe a última porta do corredor? — Perguntei e ela concordou — Ela está trancada, cadê a chave?
– Já procurou no escritório? — Ela perguntou
– Já procurei, nenhuma abre — Falei
– Então não sei — Ela falou e começou a mexer com uma colher de paul na panela que estava no fogão — Avise seu pai que o jantar está quase pronto
– Ok — Falei e sai da cozinha, meu pai estava na sala — Pai
– O que Beth? — Ele perguntou
– A mãe pediu para avisar que o jantar está quase pronto — Eu falei — E sabe a porta no final do corredor?
– Sei — Ele falou
– Está trancada, onde está a chave? — Eu perguntei
– Não está no escritório? — Ele perguntou e eu balançei a cabeça em sinal de não — Não sei onde pode estar a não ser lá
– Sabe o que tem dentro do cômodo? — Perguntei
– Não faço ideia — Ele falou e minha mãe nos chamou — Vamos lá
Fomos para a sala de jantar, onde a mesa já não estava tão cheia quanto ontem. Hoje estava numa quantidade certa. Após o jantar subi para o meu quarto e deitei na cama imaginando como seria minha vida aqui, estou a dois dias e está divertido, mas daqui uma semana sem nada de emocionante vou acabar intediada. Então lembrei da casa de Daniel, gostaria de saber se há alguma coisa interessante. E a porta trancada, acho que não será tão intediante assim. Troquei de roupa para um pijama rosa claro. Escovei os dentes e deitei na cama, como minha janela estava aberta Black entrou e se deitou ao meu lado na cama. O sono veio e eu durmi tranquilamente. Na manhã seguinte acordei e Black não estava mais lá. Levantei da cama e fui ao banheiro, fiz minha higiene pessoal e fui ao meu closet, troquei de roupa, uma calça jeans preta, uma blusa branca com renda atrás, um casaco preto fino e um tênis cano curto vermelho. Fiz uma maquiagem simples e desci. Como não estava com fome peguei uma maçã verde e comi assistindo a TV na sala. Sai da casa e andei pela trilha de terra na esperança de encontrar Daniel. Andei quase chegando ao poço quando olhei para trás e vi que Black me seguia
– A quanto tempo você está me seguindo? — Perguntei e voltando a andar
Me lembrei da porta trancada e que não encontrei a chave e também não explorei o porão. Pensei em dar meia volta e olhar o porão, mas já estava aqui mesmo, andaria mais um pouco. Afinal não andei além do poço, talvez mataria minha curiosidade de ver a casa de Daniel, ou talvez não. Estou ficando curiosa com aquela porta. Andei até o poço e vi Daniel encostado no mesmo, me aproximei de mansinho ficando atrás dele. Como ele estava de fone não me percebeu
– Olá — Falei e ele levou um pequeno susto e se virou para mim
– Para de aparecer do nada — Ele falou e eu ri, ele olhou para trás de mim onde Black estava — Que foi virou seu amigo?
– Sim — Falei
– Ele é meu, ok? — Ele falou e se desencostou do poço, virando — Black, vem cá
– Vem aqui — Falei abrindo meus braços de modo que ele pudesse pular e foi o que ele fez, veio aos meus braços e eu o acaricie
– Traidor — Daniel falou bravo e eu ri, andei até ele e acaricie sua cabeça
– Não fique bravinho — Falei rindo
– Mudando de assunto, já foi a cidade? — Ele falou voltando a se encostar no poço e eu me encostei também
– Já, ontem — Falei e olhei as horas no meu celular, era quase hora do almoço, eu tinha acordado tarde hoje — Vou indo
– Até — Ele falou eu larguei Black no chão e andei até em casa
Cheguei em casa e fui a sala de jantar. Almocei. Lembrei que não tinha olhado o porão ainda. Fui até o mesmo e abri a porta, desci a escada e tinha várias caixas de papelão em um canto, o outro lado era onde ficavam as máquinas de lavar e secadoras, ou seja, a lavanderia. Sai do porão que não era nem um pouco interessante, subi as escadas e fui ao sótão, onde eu mal tinha olhado quando fui na outra vez. Subi para o sótão e fiquei bastante tempo explorando. Em uma das caixas que parecia já estar na casa quando nos mudamos, encontrei um porta-jóias de madeira escura, bem detalhado, parecia um pouco antigo. Estava trancado, tinha uma fechadura e eu não encontrei a chave
– Ótimo — Ironizei — Mais outra coisa trancada e eu não tenho a chave
Passei bastante tempo e não encontrei a chave. Sai de lá e fui ao meu quarto, deixei o porta-jóias no criado mudo. Olhei pela janela e me espantei ao ver que já estava escuro. Olhei no relógio do meu celular e era hora do jantar. Desci para a sala de jantar e minha mãe estava pondo a mesa, eu a ajudei a por. Depois do jantar, troquei de roupa para um pijama, todo cinza claro. Sentei na minha cama encostada na cabeceira e peguei o porta-jóias. Queria encontrar muito a chave, já estava curiosa, tinha a porta e agora esse porta-jóias. Acabei pegando no sono com o porta-jóias no colo.
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