Notas iniciais
Fiz com carinho

Na manhã seguinte, me assustei ao ver que acodei mais tarde do que de costume e Black não estava mais lá. Levantei e fui ao banheiro, fiz minha higiene pessoal e fui ao closet trocar de roupa. Como não estava frio coloquei uma blusa cinza que na frente tem um coração rosa, uma calça jeans clara e um tênis cano médio preto. Desci as escadas e peguei uma maçã na cozinha, comi e sai da casa. Quando estava em frente a casa olhei em volta, eu já tinha ido a esquerda da casa onde fica o pequeno celeiro, no caminho atrás da casa fica o poço e mais adiante a casa de Daniel, mas eu nunca tinha ido a esquerda. Olhei na direção e tinha realmente um caminho por ali. Como sou curiosa, resolvi ir. Andei pelo caminho por vários metros, até que me deparei com uma linda casa antiga, quase do tamanho da minha, deveria ser a casa de um vizinho. Andei mais um pouco em direção a casa e dois cachorros pretos pequenos vieram até mim, eram da raça terrier escocês. Muito fofos, ficavam latindo e brincando, um tinha uma coleira rosa e o outro azul, ambas tinham um medalhão prata em forma de osso. Me a baixei para olhar as coleiras, a rosa tinha no medalhão o nome Angel e no azul o nome Luke

– ANGEL, LUKE — Alguém gritou, eu olhei para frente e uma senhora de mais ou menos sessenta e poucos anos estava lá — Deixem a moça poder andar

– São muito fofos — Falei e a senhora concordou

– Deixe eu adivinhar, mocinha, você é a nova moradora daquela casa? — Ela perguntou e eu concordei — Meu nome é Abigail Martins

– Sou Bethany Weber — Falei e ela estendeu a mão em cumprimento, eu apertei. Ela tinha cabelos pretos um pouco grisalhos, olhos castanhos, vestia um vestido verde escuro e sapatos de um salto pequeno da mesma cor

– Venham, vamos entrar, meus amores — Ela falou e os cachorros entraram pela porta da frente da casa — Gostaria de entrar?

– Seria um prazer — Falei e fui junto com ela até sua casa

Entramos pela porta e eu observei a sala de estar. O piso era de madeira escura, os móveis pareciam mais antigos dos que os da minha casa. A lareira estava acessa, por isso estava tão quentinho lá dentro. Os cachorros estavam deitados no tapete marron em frente a lareira. Sentei no sofá. A Sra. Martins me entregou uma xícara de chá e se sentou na poltrona

– Então, já foi a cidade? — Ela perguntou tomando um pouco do chá

– Já, sim — Falei

– Conhece a história? — Ela perguntou
– Não, qual é? — Perguntei

Ela contou a história da cidade, o interessante é que ela foi construída no início do século XIX. Apesar de agora haver poucas casas desse século

– Muito legal — Falei e ela riu

– Que bom que gostou — Falou — E já ouviu falar do lago Mary?

– Não — Falei e meu celular vibrou, peguei e era uma mensagem da minha mãe, avisando que o almoço estava quase pronto — Desculpe, tenho que ir, minha mãe está me chamando

– Não tem problema, acho que a história do lago Mary fica para outro dia — Ela falou e eu coloquei a xícara vazia em cima da mesa de centro. Ela me levou até a porta, os cachorros nos acompanharam — Pode vir me visitar quando quiser

– Com certeza virei — Eu falei e ela sorriu — Foi um prazer conhece-la

– O prazer foi meu — Ela falou — Até

– Até — Falei e sai da casa. Andei de volta pelo mesmo caminho, quando me deparei com Daniel, ele me viu e sorriu

– Oi — Ele falou

– Olá — Falei

– Foi conhecer a Sra. Martins? — Ele perguntou e eu concordei — O que achou dela?

– Simpática — Falei

– Concordo — Falou e sorriu

– Ei, por acaso você conhece a história do lago Mary? — Perguntei

– Sim, você é realmente curiosa, hein? — Ele falou e eu ri, de repente ele pegou minha mão e me levou a direita entrando na floresta — Vou te levar lá

Andamos muitos metros, quase um quilômetro, enquanto andávamos conversamos sobre assuntos aleatórios

– Conheci sua irmã — Falei

– Ela me falou — Ele disse

– Tem certeza que ela tem 8 anos? — Perguntei e ele riu

– Sim, mas as vezes dá para duvidar — Ele disse rindo e eu ri junto

– Ela já encontrou alguma babá? — Perguntei e ele suspirou

– Não, ela acha todas chatas — Ele falou

– Ela me falou que queria uma babá que fosse amiga dela — Falei e ele ficou pensativo

– Acho que é porque ela não tem amigas — Ele falou — E isso me deixa preocupado

– Por que não? — Perguntei

– Não sei — Ele falou e acariciou minha mão, só agora que fui perceber que estávamos ainda de mãos dadas — É estranho, ela nunca se abriu, mas com você sim

– Eu apenas conversei com ela — Falei

– Eu já tentei, mas ela fica mudando de assunto — Ele falou — Espera

– O que? — Perguntei

– Se conversou com ela significa que ela falou da Hannah, não é? — Ele perguntou

– Hannah? — Perguntei pensativa e me lembre que era a namorada dele — Ah, tá, sim ela falou e não foram exatamente coisas boas

– Já imaginava — Ele falou — O que ela falou?

– Resumindo ela disse que essa garota era falsa e que só pensava em si mesma — Falei e Daniel se virou para mim surpreso — O que foi?

– Não, é que ela nunca me falou o motivo de não gostar da Hannah — Ele falou voltando a andar, quando chegamos a um lindo e pequeno lago — Chegamos

– Esse é o lago Mary? — Perguntei
– Sim — Ele falou

– É lindo — Falei admirada pelo lugar

– É sim — Ele falou — Agora, a história

– Ok — Falei e ele começou a andar na areia na beira do lago e eu andei ao lado dele

– Bem, é uma antiga história, Sra. Martins me contou — Ele falou e eu prestei atenção — O nome do lago é em homenagem a uma dama do início do século 19, chamada Mary. Ela era noiva de um homem que morava na cidade, esse lago era o ponto de encontro deles, mas ele acabou sendo contagiado pela tuberculose, como não existia cura, ele morreu, mas Mary não pode passar os últimos momentos junto a ele. Muito triste e depressiva ela se jogou no lago e morreu afogada para poder voltar ao encontro de seu noivo, os moradores da cidade deram o nome do lago de Lago Mary

– Nossa... — Falei observando o lago

– Pois é — Ele disse

Foi como se tivesse um imã em nós, aos poucos nossos rostos foram se aproximando, nossos lábios estavam a centímetros de distância. Nossos lábios se tocarão em um beijo calmo. Minha mente não pensava em mais nada a não ser aproveitar aquele beijo e tenho que admitir, ele beijava muito bem. Fomos atrapalhados pelo barulho do seu celular, nos separamos e ele pegou o celular, se distanciou um pouco para atender, eu não sabia com quem ele estava falando. Me virei para apreciar a vista do lago, que era magnífica, mesmo estando nublado, dava um aspecto lindo. Eu não sei o porquê, mas comecei a alguns anos a gostar de dias nublado e da noite, minha mãe diz que é às mudanças normais da idade. Sem perceber levei meus dedos aos lábios que ainda formigavam pelo beijo, sorri involuntariamente, mas logo lembrei, ele tem namorada e a ama, com certeza esqueceria esse beijo e acho que é o melhor a fazer, não quero estragar um namoro, não sou esse tipo de pessoa.

Pov Layla:

Fazia algum tempo que Daniel tinha saído para visitar a nossa outra vizinha a Sra. Martins, eu queria ir junto, mas para cumprimentar a Beth, mas ele disse que era melhor eu almoçar e depois ele me levaria para falar com ela. Eu estava sentada no sofá da sala, olhando TV, quando escutei um barulho na porta, a empregada Jasmine foi atender, eu fiz uma careta ao ouvir aquela voz irritante entrando na sala. Lá estava Hannah, usava um vestido preto curto e um sapato de salto da mesma cor

– Oi, Layla — Ela disse

– Oi — Me limitei a disser apenas isso e não tirei os olhos da TV

– Cadê seu irmão? Perguntou

– Saiu a algum tempo — Falei e ele pareceu irritada

– Como assim? Nós íamos ao shopping — Ela disse

– Ele foi visitar a Sra. Martins — Falei

– Ele me trocou por aquela velha? — Ela disse

– Mais respeito — Falei e ela não deu importância, afinal nem educação ela tem, imagina respeito. Ela pegou o celular e levou ao ouvido

– Esqueceu que íamos sair? — Ela perguntou e obviamente falava com o meu irmão — Como assim? Sua irmã não me disse

– Disse o que? — Perguntei

– Que vocês iam passar a tarde juntos — Ela disse e eu me lembrei, pedi ao meu irmão para passarmos a tarde juntos

– Tinha esquecido — Falei

– Tudo bem, nos falamos depois, beijos — Falou e desligou, andou até o hall de entrada e levou novamente o celular ao ouvido, parecia iniciar outra ligação, me aproximei com cautela — Oi meu lindo

– Como assim? — Murmurei para mim mesma

– Estou com saudades, por que não passamos o dia no shopping que abriu hoje? Tem uma loja com lindos vestidos que caíram bem em mim — Ela disse — Um beijo, tchau

– Ela está traindo o meu irmão — Murmurei

Notas finais
Até que enfim o beijo do Daniel e da Bethany!!!!! Beijos!!!