Segredos Revelados
28 O aviso
Notas iniciais
Todos estavam sentados na sala da casa de Ichigo. Depois de sua chegada, o substituto de shinigami havia quebrado varias coisas e quase batido em todo mundo, até que conseguiu se acalmar um pouco, mas mesmo assim ainda não havia contado a ninguém sobre o que aconteceu.
Rukia: Ichigo...
Ichigo: Eu irei contar, fique tranquila. Urahara-san, peço que me desculpe pelo comportamento.
Urahara: Não tem problema Kurosaki-san, eu já mandei a conta do conserto da loja pro seu pai.
Renji: Agora nos conte o que aconteceu.
Ichigo: Bem, eu não consegui falar com a Orihime, apenas com Kuno.
Rukia: Esse já é um bom passo, não é?
Ichigo: Não exatamente. A Kuno veio com uma historia maluca de que nós tentamos atacar a Orihime no dia que o Aizen a levou.
Ishida: Como assim?
Urahara: Parece obvio que o Aizen usou sua zanpakutou para alterar a memória das duas.
Ichigo: Isso mesmo.
Rukia: Então porque você não disse a Kuno?
Ichigo: Eu disse, mas de acordo com a maluca convencida seria impossível de algum poder externo atingi-la dentro das presilhas.
Urahara: Na teoria ela está correta, mas nós ainda não sabemos o quanto Aizen evoluiu seu poder.
Ichigo: E o que acontece agora Urahara-san?
Urahara: Bem, quem sabe podemos tentar de novo daqui a algum tempo. Talvez Kuno ouça a voz da razão.
Ichigo: Eu queria acreditar nisso, mas é bem complicado. Aquela garota é cabeça dura quando se trata da proteção da Orihime, duvido que vá confiar em alguém.
Rukia: E quanto a outras opções? Nós não podemos ficar apenas sentados esperando a situação piorar!
Urahara: Mas ainda não conseguimos um jeito de abrir as Gargantas novamente. Falar com a Inoue-san seria uma boa aposta para descobrir.
Rukia: Eu sei que sim, mas não pode ser a única. E se ela não souber? Renji, a Soul Society entrou em contato?
Renji: O Comandante quer que todos nós vamos para lá, é mais adequado com a situação atual. Quando chegarmos toda a situação será explicada.
Ichigo: Quando partimos?
Renji: Amanhã bem cedo.
Ichigo: Eu tenho que avisar as minhas irmãs e meu pai, mas está tudo bem. Essa é a única coisa a se fazer agora.
Urahara: Bem, se tudo já está decidido, nós já vamos indo.
Ichigo: Rukia, eu vou dar uma saída certo?
Rukia: Aonde vai?
Ichigo: Só... Dar uma volta.
Os pés de Ichigo lentamente fizeram seu caminho pelas ruas da cidade de Karakura. Esses eram os piores dias de sua vida. Claro que Aizen já havia levado Orihime uma vez, e agora ela podia se defender, mas pelo menos na primeira vez Ichigo pôde ir logo para Hueco Mundo e lutar, isso era melhor do que ficar com as mãos atadas enquanto o amor de sua vida estava preso. E como a garota devia estar sofrendo agora, graças à ilusão que a fazia pensar que seus amigos haviam traído ela. Porque justo alguém tão boa como Orihime tinha que sofrer tanto? Aquele poder que todos diziam ser quase divino era na realidade uma maldição. Uma maldição disfarçada com força, mas ainda uma desgraça, que tinha trazido dor e sofrimento.
Quando voltou a si, Ichigo estava na frente da porta do apartamento de Orihime. Ele tinha inconscientemente ido até lá? O lugar estava destrancado, então ele resolveu entrar. A presença da garota era tão forte ali, naquelas coisas que refletiam sua doce personalidade... Almofadas bordadas e coloridas... Cozinha extremamente arrumada, mas cheia de comidas misturadas ou estranhas, tanto na geladeira quanto nos armários. Prateleiras cheias de bichos de pelúcia... Ichigo se ergueu para pegar um deles, e para sua surpresa atrás se encontrava um caderno de capa preta.
Dentro dele encontravam-se as mais dolorosas e horríveis poesias que o ruivo já havia lido, palavras torturadas e engajadas em belas rimas numa letra tremida. Desde quando Orihime escrevia aquele tipo de coisa? Pela poeira e paginas amareladas do caderno, dava para presumir que por muito tempo. O rapaz começou a engolir seco quando viu que a maioria das poesias falava de um ‘‘amor que nunca seria correspondido’’. Isso era mesmo verdade? Ele que sempre se preocupou em salvar a garota era o que mais a machucava? É verdade que sempre tinha escondido seus sentimentos por Orihime por ter vergonha de falar, ou medo que ela não sentisse o mesmo e isso estragasse a amizade. Mas pensar que suas bobagens tinham feito ela sofrer... Era simplesmente insuportável.
Ichigo: Eu sou um inútil hipócrita... Matar o Aizen para a Orihime poder ser feliz? Para protegê-la? Eu já falhei nessa missão há muito tempo atrás. É mais do que obvio que foi minha culpa a Orihime ser possuída pela Itami. Foram minhas atitudes que fizeram a angustia ir consumindo lentamente a garota que eu amo. Agora a única coisa que eu posso fazer é esperar que ela me perdoe.
Com esses pensamentos tristes Ichigo acabou apagando de sono, ali mesmo no chão gelado do apartamento há algum tempo vazio. O rapaz estava completamente sozinho, acompanhado apenas de sua culpa.
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