Segredos Revelados
41 A garota no campo de flores
Notas iniciais
Orihime se revirava de um lado para o outro na cama, mas não conseguia dormir. Por mais que tentasse obrigar seu corpo a descansar, aquela tarefa parecia impossível. Como Kuno conseguia dormir tão tranquilamente nas vésperas de uma batalha que decidiria os rumos da historia? Bem, a única coisa que a garota ruiva conseguia fazer era observar o relógio na parede.
5 minutos se passaram... Não pense na morte, não pense em sangue.
10 minutos... E se seus amigos lhe traírem na hora?
15 minutos... E se todos acabarem mortos?
20 minutos... Do jeito que as coisas vão é melhor nem pensar em Ichigo.
Meia hora... Será que ele acreditou mesmo que tudo aquilo tinha sido um sonho? O clássico humor acido de Kuno pode ter deixado bem verídico, mas Orihime não conseguia disfarçar as coisas mostradas em seus grandes olhos acinzentados. Eles eram realmente um espelho para sua alma.
Mesmo atolada nesses pensamentos sombrios, a garota eventualmente conseguiu dormir. No seu sonho, estava num belo campo de flores, onde uma garota de cabelos loiros, compridos e cacheados e olhos verdes, com uma guirlanda de flores na cabeça cantarolava uma canção.
“As coisas vem e vão, no rio da vida,
você viu meu coração, no rio da vida,
o sangue já derramado, no rio da vida,
as tristezas esquecidas, no rio da vida...”
Era uma musica meio sombria, mas por algum motivo, talvez por seu fácil ritmo, contagiou Orihime.
Orihime: Quem é você?
Kutsu: Me chame de Kutsu. É um prazer finalmente falar com você Orihime.
Orihime: Como me conhece?
Kutsu: Não sei, só conheço.
Orihime: Ah entendo. Essas flores são muito bonitas.
Kutsu: Você acha? Eu particularmente as odeio.
Orihime: Por quê?
Kutsu: Nesse lugar, as coisas nascem por serem afetadas por um tipo de “energia”, digamos assim. Apesar dessa “energia” estar muito forte no momento, ela está sendo afetada por coisas que fazem as flores terem um reservatório de substancia perigosa, que pode ser aberto a qualquer momento.
Orihime: E o que é essa coisa?
Kutsu: Sentimentos. A energia está sendo afetada por sentimentos que dão importância as pessoas.
Orihime: Isso não é bom?
Kutsu: Orihime, as pessoas uma hora vão te abandonar, por mais que você se esforce por elas. Ter amigos, amores, isso tudo atrapalha você de evoluir para uma forma majestosa.
Orihime: Eu não entendo.
Kutsu: Eu não esperava que entendesse. Mas não se preocupe, um dia irá me dar razão. Por hora, porque não pega uma dessas flores. Para lembrar que elas são que nem seus sentimentos, só esperando uma chance para te envenenar.
A loira cortou uma flor rosa e colocou na mão da ruiva, que a segurou com firmeza.
Orihime: Bem, eu não concordo com o que você disse, mas vou aceitar seu presente.
Kutsu: Obrigada, mas agora acho melhor você ir. Não se preocupe, nos veremos muito em breve.
Orihime: Quando?
Kutsu: Quando você aceitar. Por hora, boa sorte com sua batalha, e tente se lembrar do que eu disse.
Orihime: Tudo bem, agradeço muito. Você acha que eu vou conseguir vencer?
Kutsu: Claro que sim, você é muito melhor do que qualquer pessoa. Tchauzinho.
Orihime: Tchau. Obrigada pela flor e pela conversa.
Orihime saiu andando na direção contraria, e logo que desapareceu no horizonte, uma transformação começou sem Kutsu mexer um dedo. Seus cabelos loiros se prenderam em um rabo de cavalo. Suas roupas se transformaram em um vestido dourado (N/A Igual ao que Orihime fica, que é feito de reiatsu), com grandes manchas de sangue, seus grandes olhos verdes cobertos de maquiagem negra e sua boca inocente ficou em um tom avermelhado. A coroa de flores em sua cabeça virou um conjunto de rosas brancas entrelaçadas, que derramavam incessantemente um liquido vermelho.
Kutsu: Ah Orihime, eu fico tão feliz que finalmente nos conhecemos oficialmente! Graças à inútil da Kuno estar fora das presilhas e dormindo podemos conversar! Pena que deu tanto trabalho! Mas não tem problema, parece que aos poucos você vai parar de me ver como um monstro. Assim é melhor. Afinal de contas, quando todos aqueles que se dizem seus “amigos” virarem uma poça de sangue e vísceras eu vou te convencer a destruir o espertinho que acha que me controla. Ai viveremos apenas nós, num belo estagio de gloria evoluída.
E a loira voltava a cantar docemente sua canção.
“pessoas já morreram, no rio da vida,
não podem te machucar, no rio da vida,
a tristeza não existe mais, no rio da vida...”
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Orihime acordou meio exaltada, mas viu que ainda era de madrugada. Então aquilo tinha sido apenas um sonho bom... Será? Suas mãos ainda exalavam um doce perfume de flores. “Deve ser só minha imaginação, acho melhor voltar a dormir, ainda tenho algumas horas sobrando.” a ruiva pensou, enquanto os últimos versos da canção ecoavam em sua mente, como se uma loira de olhos verdes a sibilasse ali dentro.
“E quem ainda restar fora, do rio da vida,
Eu vou estrangular agora, perto do rio da vida,
E a dor finalmente vai embora, navegando no rio da vida.”
E a canção se repetia por varias e varias vezes. Afinal, aquela era a música preferida da doce loira dona do campo de flores, ou Kutsu Itami, se preferir assim.
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