Segredos Ilícitos

16 Capítulo 16 — Intensidade


Tracy estava concentrada em alguns papéis quando abri a porta. Seu quarto era bem iluminado e havia uma escrivaninha próxima à sua cama, onde ela deveria passar boa parte do tempo lendo, como fazia naquela tarde. Havíamos combinado que eu poderia passar em seu quarto quando tivesse acabado de falar com a rainha sobre as questões do casamento e acreditei ter chegado cedo demais, pois havia um amontoado de folhas em cima de sua mesa e um olhar sério na princesa que me deixou sem jeito.

Pensei em deixá-la terminar seus afazeres para que pudéssemos dar seguimento ao que iríamos conversar ali.

— Onde vai? — ela perguntou quando dei meia volta para sair. Seus olhos se cravaram em mim no mesmo instante e me detive na porta.

— Sair e voltar depois. Você parece ocupada.

— Pode entrar, vou terminar logo.

Ela voltou seus olhos para o amontoado de papéis, parecendo ainda mais concentrada do que anteriormente. Fiz uma análise rápida por seu quarto em busca de algo que pudesse fazer durante sua ocupação, porém o ambiente de Tracy era ligeiramente vazio. Além da cama e da escrivaninha, havia apenas uma pequena estante em um canto, ao lado de seu guarda-roupas e os livros pareciam que não eram tocados há um bom tempo.

Voltei a observar e percebi que ela franzia as sobrancelhas em alguns momentos de sua leitura, pegava um papel na mesa e alternava os olhos pelo que já segurava e pelo que encontrara no meio da pilha.

— O que está fazendo? — questionei-a, caminhando pelo quarto cuidadosamente para não incomodá-la tanto.

— Tivemos alguns problemas pelas redondezas e acabou abarrotando Derek e meu pai de deveres. Derek estava perdido em algumas questões, então me dispus a ajudar. — Ela ergueu as folhas para me mostrar o resultado de toda a história e rapidamente voltou ao que fazia. Fiz um som nasal, alegando minha compreensão, ainda analisando o que eu faria ali por enquanto.

— Parece muito sério — comentei ao perceber que uma tensão cresceu aos olhos de Tracy durante seu trabalho. — Talvez eu devesse...

— Esperar aqui? Acho uma ótima ideia — interrompeu-me ela. — Precisamos resolver algo, certo?

Pensei por um instante sobre sua frase, recordando-me que ela queria ter uma conversa séria sobre nossa situação, e por isso me pediu que fosse encontrá-la assim que estivesse livre. Como o dia não fora tão agitado, logo estava pronta para ter essa conversa e, por mais nervosa que estivesse, corri até o quarto de Tracy. Assenti para seu questionamento ao entender que ela queria acabar com aquilo de uma vez por todas, e me dispus a esperar enquanto ela mantinha seu foco na enorme quantidade de folhas em sua mesa.

Ousei me aproximar das prateleiras de livros para poder ver se havia algo que me distraísse durante a espera. Passei os dedos pelas lombadas das obras, lendo cada título com a atenção ociosa, pois meus olhos reinavam em se prender na escrivaninha diversas vezes. Tracy era uma distração para eles, enquanto lia seus documentos importantes com os óculos na ponta de seu nariz, eu só conseguia pensar no quanto aquilo a deixava bonita e em quando seria tocada por ela novamente. Isso me fazia corar ao mesmo tempo que rir comigo mesma.

Acredito que o som desses risos chamaram a atenção dela, pois seus olhos me observaram por cima dos óculos, fazendo-me apertar os lábios e puxar um dos livros da estante para cobrir o rosto.

— Algum problema? — perguntou a princesa, com seriedade na voz.

Pigarreei para esconder a vontade de rir novamente e neguei, ainda cobrindo parte do rosto. Caminhei pelo quarto com o livro nas mãos e me sentei na beira da cama, percebendo que ela havia acompanhado cada um dos meus movimentos. Quando a olhei diretamente, Tracy baixou o olhar de volta aos papéis de maneira séria e, por Deus, sedutora.

Mordi o lábio inferior, deixando minha mente imaginar a cena da biblioteca com profundidade. Em alguns momentos ela trazia o olhar para mim e eu me recordava de voltar a ler o livro que eu nem sabia do que se tratava. Na verdade, não passei os olhos por uma palavra sequer até que ela pigarreou e apoiou os cotovelos na mesa com os olhos estreitos.

— Ti… Está de ponta cabeça — falou por fim, me fazendo olhar para as páginas abertas em minha frente e ver as palavras ao contrário.

Afundei o livro no rosto rindo da situação completamente constrangida.

— Ti — chamou-me novamente. Abaixei levemente o objeto deixando apenas meus olhos à mostra para encontrar os dela, tão sérios quanto antes. — Venha cá.

— Me desculpa. Eu não quero atrapalhar. — Pensei que levaria uma bronca, então tratei de iniciar aquelas desculpas. — Posso realmente voltar depois.

— Venha cá — ela repetiu, estreitando ainda mais os olhos.

Me levantei da cama para ir em sua direção lentamente, de maneira nervosa. Seu rosto se tornava ainda mais sério a cada centímetro mais próximo e isso fazia meu coração disparar freneticamente.

— Atrapalhei você… — disse, quando já estava bem perto, e ela assentiu. — Sinto muito — sussurrei e ela negou, como se rejeitasse minhas desculpas. — Está com raiva de mim?

— Não — ela falou finalmente. — Só estou tentando me controlar para não atacar você com aquela porta aberta.

Senti o calor percorrer meu rosto como se estivesse em contato com o sol em dias extremamente quentes. Meus olhos foram em direção à porta, que eu havia deixado escancarada e, quando voltaram para a princesa de Savian, pude entender que o tempo todo ela não me encarava com seriedade, e sim com desejo, porém se mantinha dura para conter aquilo dentro de si.

— Você quer que eu feche? — questionei, com a voz trêmula.

— Por favor.

Eu sentia cada pedaço do meu corpo se arrepiar com o que poderia acontecer com aquela porta fechada, minutos antes eu parecia apenas uma garota sonhadora, mas naquele instante a situação havia ganhado uma intensidade gigantesca. Minhas pernas formigaram e precisei de uns instantes até conseguir movê-las em direção à porta para então fechá-las.

Durante meu trajeto até a porta pude ouvir o movimento de Tracy, e imaginei que ela estivesse organizando as coisas em sua mesa para continuar uma outra hora, porém ao ouvir o som da tranca pude também sentir a respiração em meu pescoço e todo meu ar se perder ali mesmo. Ela pousou sua mão por cima da minha, ainda segurando a maçaneta e segurou firme meu ombro com a mão livre.

— Finalmente — ela sussurrou ao pé de meu ouvido.

Sua voz suave me fez fechar os olhos para sentir o calor de seus lábios em contato com a pele do meu pescoço. Ela retirou minha mão da maçaneta e girou meu corpo, atacando meus lábios como parecia querer desde o momento que me viu. Segurei seu rosto para aprofundar nosso contato e a senti me abraçar forte contra seu corpo, apertando meu corpo contra o objeto de madeira.

— Se você pudesse imaginar quantas vezes eu quis fazer isso — ela sussurrou. Seus lábios desceram por meu pescoço deixando rastros de beijos e mordidas pelo caminho até meu busto.

— Parece um de meus sonhos — revelei, e seus olhos vieram de encontro aos meus.

— Um de seus sonhos? — Mordi o lábio, vendo seu olhar demonstrar entusiasmo ao descobrir aquilo, e ela deu um sorriso tímido. — Sonhou comigo?

Assenti, ainda que sentisse minhas bochechas corarem, entregando aquele segredo à ela. O sorriso de Tracy se intensificou. Ela segurou minha mão para me puxar até sua cama onde sentamos ali de frente uma para outra. Suas duas mãos seguraram meus ombros enquanto seu olhar se tornava ainda mais contente.

— Eu preciso dos mínimos detalhes.

— Não. Não precisa — disse, ainda mais envergonhada ao me lembrar de cada sonho bobo de garota apaixonada que tive naqueles dias de estadia no palácio, e isso me fez tentar sair dali, porém ainda segurava firme meus ombros. — Tracy…

— Um deles pelo menos — pediu ela, com o olhar meigo. — Conte só um deles.

— São sonhos bobos, sobre você no lugar do príncipe em diversos momentos — contei de uma maneira mais descontraída e ela sorriu.

— Você é tão doce que até seus sonhos são lindos. — Tracy voltou a beijar meu pescoço com todo carinho que poderia me proporcionar. — Os meus são bem diferentes.

— Já sonhou comigo? — Por mais que tentasse falar normalmente, minha voz saía de maneira ofegante sempre que ela explorava aquela região e isso parecia atiçar algo em Tracy, pois ela passava a mordiscar e deslizar seus lábios desde o lóbulo de minha orelha até meu busto. Ela assentiu para minha pergunta, ainda com sua boca em contato com meu corpo. — Preciso dos mínimos detalhes.

Tracy parou suas carícias para me olhar com seus olhos cheios de desejo, e eu conseguia senti-los sempre invadindo todo meu interior. Ela mordeu o lábio inferior, então percorreu o caminho de meu com um olhar completamente diferente do que eu estava acostumada e, quando finalmente retornou para meus olhos, negou.

— Acho melhor preservar sua inocência por um tempo — tornou ela a sussurrar trazendo sua boca para me beijar. — Aos poucos eu vou realizando cada um deles.

— Esses sonhos… — iniciei, ainda que ela tentasse me impedir de continuar falando durante os beijos. — Estão relacionados com aqueles métodos de prazer que você mencionou?

Mais uma vez ela assentiu. Seu corpo se inclinou para frente, fazendo-me deitar entre as cobertas. Tracy me tinha totalmente sob seu controle, e as carícias intensas que ela passou a me proporcionar arrancavam gemidos de meus lábios. Seus dedos apertavam cada parte de mim como se desenhassem a região que passavam e seu rosto se afundava nas partes expostas de meu corpo para que ela sentisse o cheiro de meu perfume e deixasse seus beijos arrepiantes naquele local.

— Quando vai me explicar sobre esses métodos? — sussurrei, quase perdendo a razão com seu toque.

— Já estou fazendo isso, Ti. — Ela continuou me proporcionando arrepios. — Só não vou explicar tudo de uma vez.

Ela deu outro sorriso largo, me parecendo um meio de me deixar ainda mais curiosa.

— E sobre o que você queria falar? — perguntei, fazendo-a me olhar com as sobrancelhas franzidas. — Disse para me encontrar com você aqui, pois tínhamos que discutir sobre nós...

Tracy abriu ainda mais seu sorriso, e meu rosto se iluminou ao entender que não seria um assunto sério. Havia sido só um meio de Tracy me levar até seus braços. Meus olhos se arregalaram quando finalmente compreendi, e ela voltou a me beijar o pescoço.

~x~

Nos dias que se seguiram, Tracy e Derek estavam bem ocupados. Afinal, os arruaceiros haviam atacado outras duas cidades próximas dali, e ambos estavam se preocupando com a aproximação dessas pessoas. Por mais que Tracy não quisesse me dizer com todas as palavras o que aquilo poderia ser, eu percebi que era algo muito mais sério do que alguns jovens fazendo baderna.

No entanto, a rainha resolveu me encher de afazeres para que eu não visse esse lado tenso da situação, e por isso acreditei que era realmente algo sério. Ainda que Selyne se limitasse a dizer, ou até saber o que estava acontecendo, era fato que ela se sentia incomodada. Principalmente por sua filha nunca querer participar de nossas conversas, e sim estar andando com Derek o tempo todo tentando resolver assuntos que, para a rainha, não eram do interesse de Tracy.

Três dias após meu suposto primeiro encontro com a princesa, ela acabou aparecendo no café da tarde. Eu estava atrasada naquele dia, — tantos momentos para ela surgir e o dia escolhido fora logo o que eu dormi demais — quando cheguei no jardim e vi Tracy de cara fechada, braços cruzados e o humor pronto para acertar a cara de alguém, meu sorriso não conseguiu ficar escondido por muito tempo.

Os olhos de Tracy pareciam se iluminar ao me verem também e torci para que apenas eu tivesse percebido aquilo, pois Myrella também havia se juntado a nós.

— Tianne, minha querida. — A rainha se levantou para segurar seus ombros e me direcionar a um dos acentos onde Tracy estava próxima. — Que bom que chegou, podemos tomar um bom chá entre a família e os amigos.

Comemorou a rainha. Ela se sentou em seu lugar anterior e eu me coloquei entre ela e Tracy, dando o melhor sorriso que eu poderia. Tracy se inclinou ligeiramente em minha direção com essa aproximação para sussurrar:

— Oi.

— Oi — cumprimentei. Myrella rapidamente direcionou seu olhar para nós de maneira ameaçadora, mas a princesa de Savian não se importou com aquilo, parecia nem ter reparado.

— Pensei que seriam só essas três malucas falando no meu ouvido o dia todo. — Ela parecia ainda mais empolgada do que a rainha estava. Dei um sorriso discreto em sua direção e voltei os olhos para a mulher nos analisando.

— Tracy, querida — a rainha chamou a atenção da filha, que se endireitou. — Sei que adora Tianne, mas podemos conversar entre nós todas, certo?

— Algumas pessoas aqui me incomodam profundamente — a princesa disse sem olhar para quem ela se referia de fato. Porém a rainha apertou o garfo que segurou contra o pedaço do bolo de maneira ameaçadora. — Mas eu estava falando para Ti que seria interessante conhecer Grimlee qualquer dia.

— Oh! Realmente seria. — Selyne se recompôs ao entender sobre o que se tratava o assunto entre nós, e mordeu um pedaço de seu bolo. — Mas temos muito trabalho ainda por aqui com todo o evento do casamento, e Myrella está ajudando muito com seu olhar maravilhoso para as decorações.

Myrella inclinou seu corpo sobre a mesa e isso fez seus seios fartos se mostrarem para a direção que ela encarava, Tracy ergueu uma sobrancelha ao ver aquela exposição e se virou novamente para a mãe.

— Mas vocês não tem uma data ainda, certo? — Sua voz pareceu incomodada com essa parte, e pensei naquilo também depois de tanto tempo.

— Realmente. — Myrella continuou se exibindo, dessa vez passou seu indicador pelo glacê do bolo e levou a boca da forma mais sedutora que poderia. — Não falamos de datas em nenhum momento.

— Mas Derek e Tianne ainda estão se conhecendo. — Interrompeu Crystal. — Acho cedo para marcar algo. Não sabemos o que eles sentem, certo?

— Exatamente, não sabemos e não podemos empurrar um ao outro assim — vi Tracy concordando com Crystal, e achei inusitado já que, desde sua chegada, ambas pareciam não se gostar nenhum pouco.

— Ora meninas — tornou Myrella a falar. — Todos sabemos que “se conhecer” se trata apenas de uma formalidade Tendo em vista que um já pertence ao outro desde o momento que seus pais fizeram o acordo.

Tracy bateu a mão fechada em punho na mesa, assustando todas que ali estavam, e em um momento de conforto coloquei a minha sobre a dela fazendo-a olhar em meus olhos. A princesa piscou algumas vezes antes de olhar para as mulheres na mesa e se endireitar.

— Não fale assim, parece que está colocando Derek em uma jaula — ela disse, tentando fugir das indiretas, e Myrella sorriu.

— Não seja estúpida, Tracy — a rainha tomou a fala. — Seu irmão vem se preparando para isso há muito tempo, e acredito que Tianne também.

Ouvir aquilo me fez recuar a mão para grudar as palmas embaixo da mesa.

— Fui criada para me casar com o rei, então… assim será.

Tentei dar meu melhor naquela frase e, ao erguer minha cabeça, pude ver Myrella franzir a sobrancelha ainda analisando a expressão de sua ex, enquanto Crystal me encarava com fúria.

Nosso chá se estendeu por mais alguns instantes, e durante todo o tempo Myrella tentava provocar Tracy com seus métodos de seduzir alguém, já Crystal estava sempre tentando fazer a rainha mudar de ideia com a questão do casamento e Selyne não parecia perceber nada disso.

Fiz o possível para não encarar ou rir muito de alguns comentários de Tracy, pois não queria que Myrella descobrisse sobre nós e tivesse uma carta para nos chantagear. Por sorte, a própria resolveu parar de provocar a princesa e ir atrás de seus afazeres da tarde junto de seu marido, assim como Crystal, seguida da rainha, que me acompanhou até boa parte do caminho de volta.

— Sei que Tracy pode ser geniosa, mas parecem ter se dado muito bem — disse a rainha.

— Sim. — Dei um sorriso sutil a ela. — Ela é divertida e diferente.

— Gosto da aproximação de vocês duas, talvez até mude a mente da minha filha e a faça abrir os olhos. Temo que ela fique mal falada como a princesa de Gogh.

— Tracy tem uma amizade muito grande com a princesa de Gogh, já ouvi sobre ela uma ou duas vezes. — A rainha fez um olhar de desinteresse sobre o assunto e balançou suas mãos no ar.

— Norman não é uma boa influência. Gosto muito de Gaya, mas não soube criar a própria filha, e temo que Tracy esteja indo para o mesmo caminho. — A rainha abriu seu leque para se abanar e me deu um sorriso amigável. — Espero que minha filha não me dê o mesmo desgosto e se arrume. Então acredito que a aproximação de vocês possa ajudar.

Mordi o lábio com aquela conclusão de Selyne, e pensei brevemente em como seria para ela descobrir nossa situação. Que aquilo não era uma amizade como ela tanto prezava, e que a pessoa citada em nossa conversa não estava influenciando nessa parte.

— Ti! — A voz de Tracy chegou até nós e Selyne me fez um aceno breve com a cabeça antes de sair dali, para nos deixar a sós.

— Onde esteve? — perguntei ao recordar o que ela havia pedido para que fôssemos em frente, quando um dos guardas lhe chamou para dar uma notícia importante.

— Resolvendo uns problema. — ela iniciou e, antes que eu pudesse dizer algo a mais ela seguiu. — Você me evitou o chá inteiro.

— Pensei que estivesse se divertindo com o show de horrores.

Tornei a caminhar de maneira nervosa pelo jardim enquanto a princesa atrás de mim.

— Do que está falando? — ela perguntou ao me alcançar, e apenas revirei os olhos mantendo o ritmo dos passos. — Ti?

Bati os pés com mais força contra o gramado e acredito que isso a irritou, pois Tracy me segurou pelo braço e, em um movimento brusco, me puxou para dentro do labirinto. Quando já estava em uma distância considerável, ela me pressionou contra um dos arbustos e me olhou fixamente nos olhos.

— Que bicho te mordeu? — perguntou.

— Não me diga que você não reparou aquela coisa ridícula com aqueles… melões. — Tracy franziu as sobrancelhas completamente perdida, e eu só conseguia sentir raiva por Myrella tentar causar algo em cima de alguém que não lhe pertencia. Em um momento de entendimento, Tracy abriu um largo sorriso, deixando-me ainda mais nervosa. — Por que você está rindo?

Tentei afastá-la, mas seus lábios vieram morder o lóbulo de minha orelha para sussurrar em seguida.

— Você fica uma graça enciumada, mas não precisa ter ciúmes daquela cena ridícula. — Tracy passou a beijar meu pescoço. — Eu só conseguia pensar em como fui tola de ter olhado para alguém como ela sendo que tinha você tão perto.

Ainda que eu sentisse uma raiva enorme em meu interior e quisesse que Myrella fosse engolida por toda sua demonstração horrenda, eu não conseguia ficar com raiva de Tracy e, a cada toque dela, eu mergulhava ainda mais naquele mundo de sentimentos deliciosos.