Segredos Ilícitos

6 Capítulo 6 — Sensações


Eu esperava que Tracy desistisse de me seguir. Pensei que quanto mais rápido eu andasse, mais rápido ela entenderia que aquela não era a hora certa para uma conversa. No entanto a princesa era uma pessoa insistente e, mesmo que eu já estivesse correndo, ela fazia o mesmo. Em um momento, Tracy me alcançou e tocou meu ombro para que eu parasse em meio ao corredor do castelo. Em um local que eu não conhecia. O desespero de fugir da princesa fora tão grande que me levou a direções desconhecidas daquele lugar.

Sentir o seu toque em meu ombro me fez recordar de seus dedos em meu rosto. Da maciez de sua mão deslizando por toda minha face até meus lábios, e me levou às sensações de seu beijo. Outra vez, me martirizei por pensar com tanto ardor na irmã de meu noivo. As lágrimas escapavam de meus olhos por conta da confusão em minha cabeça e por me culpar pelo que estava acontecendo dentro de mim.

Eu havia acabado de rejeitar o futuro rei de Savian, tinha repelido seu contato por ele não ter se igualado ao de uma mulher, ao de sua irmã. Não era certo o que acontecia comigo, nem justo. Tracy tinha seu suposto amor por Myrella, ela parecia tensa demais por ver a mulher que gostava sendo tratada de qualquer forma pelo marido, e isso queria dizer que eu não havia significado muito. De alguma forma, pensar aquilo me incomodou e outra vez me martirizei por não ter a mesma reação ou sensação por quem deveria. Também não estava sendo justa com Derek.

O olhar que Tracy direcionava a mim era comum. Ela não parecia desconfortável como pensei que ficaria depois de minha experiência. Na verdade, era como se não tivesse ocorrido. Então acabei acreditando que ela já deveria ter mostrado a outras mulheres como era o beijo de uma. Por isso estava agindo tão natural comigo. Para ela era igual seu olhar, comum.

— Ti. O que aconteceu? — ela perguntou. Sua voz era doce, como se tentasse me passar calma. Mas eu apenas me desesperava ainda mais com aquela situação. Tentei manter as lágrimas presas, mas já era inevitável não chorar. Meu corpo não reagia a nada que meu cérebro ordenasse. — Calma. Sente-se aqui.

Ela me levou até um banco encostado em um canto da janela do extenso corredor, e por mais que eu não quisesse ficar com ela não conseguia correr dali. Deixei-a me guiar até o local, tentando controlar todos os pensamentos aflitos de minha mente.

— Precisa de água? — tornou ela a perguntar. Desta vez seu olhar era de preocupação e carinho, mas eu queria ver algo semelhante a noite anterior. Um brilho ou um carinho diferente. Não tinha ideia do porque querer aquilo, porém era meu interior que implorava.

— Não… — Minha voz não saiu mais alta que um sussurro. Estava embargada pelo desespero de tudo ao meu redor e deveria ser evidente, pois as lágrimas ainda rolavam. — Está tudo bem.

— Desculpa, mas é difícil acreditar em você vendo seu estado. — Tracy puxou o tecido que enfeitava seu pescoço, passou-o ligeiramente por minhas bochechas e novamente senti o toque cálido da mulher em minha face. Tudo o que ela fazia me levava de volta ao nosso beijo, aquilo estava tirando toda minha lucidez. — Seria mais fácil se parasse de chorar.

Sua voz saiu descontraída, ela realmente estava fingindo que não havia ocorrido nada entre nós. O que me deixa ainda pior. Além de não conseguir gostar do futuro rei, eu tinha alucinações com um beijo e a pessoa que me dera fingia não ser nada demais. Todas as sensações eram terríveis naquele momento.

— Tianne, você ficou assim por causa do que me disse ontem sobre seus sentimentos em relação ao meu irmão? — Eu olhei em sua direção com certa confusão. Pensei um pouco em suas palavras e me recordei de horas antes do beijo, quando lhe disse que tinha medo de não me apaixonar por Derek no futuro.

Pensar naquilo, apenas aumentou o medo que existia em mim. Eu estava tão centrada no que havia sentido no quarto que me esqueci do pavor de não amar meu marido. Então o beijo de Tracy intensificou ainda mais aquela angustia. E se eu não conseguisse mais gostar de Derek e sempre o repelisse?

Passei as mãos nos cabelos, aquela nova situação em meus pensamentos me tirou ainda mais da realidade. Eu iria ser injusta com Derek pelo resto da vida e ele além de não saber, não teria culpa. Eu definitivamente era uma mulher horrível.

— Ti?

— Eu não sei… Talvez nosso beijo tenha dificultado tudo..

— Sério? — Ela pareceu não entender as palavras. Acariciou meus cabelos enquanto ainda limpava meu rosto. — Mas eu achei um beijo tão meigo! Tudo bem que estava um pouco desengonçado, mas é natural que ocorra no primeiro beijo.

— O quê? — Eu estava tão afogada em tantos ocorridos que não conseguia entender o que ela tentava dizer. Era como se não tivesse me entendido. — Achou meigo?

— Sim! Se bem sei, esse foi o primeiro beijo de Derek e ele estava tão perdido quanto você. Suponho que você também não tenha muita experiência, mas foi meigo.

— Supõe? — Tracy arqueou a sobrancelha aguardando eu me encontrar no assunto. Então, ela não se referia ao nosso beijo, e sim ao meu e de seu irmão. Eu balancei a cabeça para tentar me recompor e ter controle de mim mesma. — Você sabe bem sobre minha experiência.

— Eu?

Suspirei com uma frustração crescendo dentro de mim. Tracy não poderia estar brincando comigo daquela forma. Não poderia achar que alguém conseguiria esquecer algo tão crucial quanto um beijo! Me voltei para ela e levantei um pouco a voz.

— Eu te falei sobre isso, sobre a sensação e aquela pergunta...

— Desculpa, Ti. Mas quando me disse isso? — Seu olhar era realmente confuso. Não era possível que ela estava ignorando tudo aquilo naquela proporção.

— Depois da festa… em meu quarto…

— Espera. — Ela se arrumou no banco e passou a mão no rosto como se limpasse o suor. — Eu fui ao seu quarto depois da festa? — Assenti para sua pergunta, então finalmente entendi toda a confusão do dia. Ela não se lembrava de nada. — O que eu fui fazer lá?

— Boa pergunta. — Tentei não parecer totalmente aliviada com aquela notícia. — Então não lembra o que aconteceu?

— Bom, entendi que tivemos uma conversa íntima sobre seu primeiro beijo. — Ela coçou a cabeça, dessa vez seus olhos tentavam recordar da situação. — Porém, eu posso jurar que tinha dormido depois da festa. Não… eu me lembro daquela va...

— Você me contou ontem — a cortei antes de ouvir seu xingamento. — Na verdade, tivemos uma conversa muito peculiar.

Tracy tinha a curiosidade estampada em seu olhar, mas eu não sabia se era bom dizer tudo o que havia ocorrido naquele quarto. Na verdade se ela não se lembrava do principal, nós poderíamos deixar no passado. Se eu conseguisse.

— Bem, e você me disse sobre seu primeiro beijo. Certo? — Eu assenti e ela arqueou as sobrancelhas.

— Ah, é foi diferente do de Derek. Mas faz tempo…

Tracy estreitou os olhos, algo me disse que ela não havia acreditado naquela desculpa, porém ela teria que aceitar o que viesse de mim já que não se lembrava de nada. Decidi que tudo na noite anterior seria substituído. Eu poderia dizer que havia beijado um rapaz de meu reino e ninguém saberia. Poderia dizer que Derek fora meu primeiro beijo e ninguém sabia. Teria muitas opções para esconder a verdade e agradeci por aquilo.

— Ti... Você realmente já beijou alguém antes de Derek? Eu não consigo te ver por aí aos beijos com rapazes — ela falou de maneira brincalhona, e eu pensava em sua frase sendo feita de uma maneira onde caberia a real colocação de meu beijo. Pigarreei com aquela situação e tentei não mostrar o rubor em mim.

— Foi um único beijo… Eu não tive tempo de negá-lo.

— Beijos roubados são os melhores. — A princesa me mostrou um brilho de luxúria em seu olhar. Em seguida caiu em uma gargalhada alta, mas eu não conseguia ver graça alguma em tudo aquilo. — Ora, vamos. Foi engraçado! Se quiser podemos conversar melhor caminhando.

— Acho melhor não. Eu fiquei de provar algumas peças para Alyssa definir meu vestido e já estou atrasada. — Dei a primeira desculpa que veio em minha mente, mesmo que tivesse dado o dia de folga a minha dama. Acreditei que o melhor a fazer naquela situação era manter uma distância segura entre Tracy e eu para não acabar dando com a língua nos dentes.

— Tudo bem, nos vemos depois.

Ela pareceu estranhar meu jeito de falar, mas não houve questionamento de sua parte, e eu pude partir antes que surgisse alguma pergunta de nossa conversa no quarto.

~x~

Por sorte, durante minha caminhada a rainha Selyne acabou me encontrando perdida nos corredores. Havia um grupo de damas ao seu redor com pequenas amostras de tecidos, algumas flores em um cesto, e um falatório enorme. Ela pareceu aliviada ao me ver, sorriu gesticulando para que eu me aproximasse e todos se calassem ao mesmo tempo.

— Ainda nervosa? — me perguntou, e eu apenas sorri de maneira desesperada. — Vamos amenizar essa aflição. Temos muita coisa para decidir!

E realmente havia muito a ser feito até o casamento. Eu tinha que aprovar cada detalhe enquanto ela dava suas sugestões sobre toda a decoração. Depois de minha conversa com Tracy, eu decidi apenas me centrar em meu real propósito naquele castelo. Eu era noiva do futuro rei e precisava parecer digna disso. Então tentei dar atenção a tudo o que me era mostrado.

As damas traziam diversas louças decoradas para que eu escolhesse, depois os tecidos, os ramos de flores vieram em seguida e nada conseguia me deixar concentrada. Cada detalhe me levava a pensar em Tracy e sua bebedeira, pensar que não era bom estar perto da princesa em certos momentos. Me perdi tanto em tantas coisas que acaba apenas sorrindo para tudo o que era dito por Selyne.

Às vezes balançava a cabeça para voltar a realidade, mas realmente estava sendo difícil esquecer aquela noite e ainda mais difícil não comparar o beijo dos irmãos. Eu iria enlouquecer com tantos ocorridos.

— Eu achei essa cor maravilhosa! — A rainha me levou de volta a mesa, onde estavam estendidas as enormes cortinas dos salões de baile. Diversas cores haviam se espalhado ao nosso redor, mas um rosa claro era a cor que ela segurava próxima ao meu rosto. — Combinado com a delicadeza da sua pele.

— Ficaria mais bonito com um tom mais escuro. Um dourado, talvez — eu disse, e a rainha me olhou completamente admirada.

— E rosas brancas! — exclamou. Sua empolgação fez todos os funcionários ao nosso redor se movimentarem pela sala. Eles procuravam os tecidos dourados e anotavam o que não tinha disponível para nós.

Durante esse trabalho árduo, vi Tracy entrar no salão. Talvez tenha tido curiosidade por conta da correria de todos os criados pelo castelo, sempre acabando no salão de baile. Vê-la invadindo o meu conforto acabou me deixando desesperada. No mesmo instante, senti vontade de fugir dali. Porém não poderia dizer à rainha o motivo de minha fuga.

— Majestade, será que podemos continuar depois? — perguntei a ela, vendo sua filha se aproximar de nós. — Não estou me sentindo muito bem.

— Claro, querida — a rainha colocou a mão em minha testa, depois segurou meus dedos. — Está suando frio.

— Ti! Algum problema? — Tracy já estava próxima o suficiente para perceber minha inquietação.

— É toda a pressão do casamento — Selyne disse de maneira natural. — Eu sei como pode ser cansativo. Vá descansar, minha querida. Continuaremos quando estiver melhor.

— Posso te acompanhar até o quarto. — A princesa se prontificou a ajudar, mas isso era a última coisa que eu precisava naquele instante.

— Não é necessário, eu estou bem. Apenas cansada. — Antes que pudesse ser contestada, reverenciei à rainha e sair o mais rápido possível daquele local.

Entrei em meu quarto rapidamente, depois de ter corrido um longo caminho. Tranquei a porta e me apoiei ali para respirar e suspirar aliviada por estar longe da princesa de Savian.

— Tianne? — A voz de Alyssa me alarmou. Quase gritei ao vê-la sentada em uma cadeira no canto do quarto trabalhando em mais um de meus vestidos.

— Que susto… — sussurrei, assim que consegui recuperar a tensão em meu corpo.

— Susto por quê? O que aprontou?

— Não seja boba. Esperava que estivesse em seu quarto. — Ela arqueou os ombros e se virou novamente para seu trabalho. — Esse é o vestido do casamento? — perguntei ao notar que aquele era um de seus melhores vestidos, e ela assentiu. O branco era divino e os detalhes em um tom branco mais escuro deixava ele ainda mais delicado. Alyssa trabalhava na pedraria da peça e parecia que iria levar um bom tempo naquilo, pois sua mesa estava abarrotada das peças, juntamente das linhas e agulhas para costura. Seria um momento que eu não poderia atrapalhar.

Deitei-me na cama para poder descansar os pensamentos no travesseiro e deixar minha amiga com seus afazeres. Provavelmente minha mãe já lhe havia rondado com suas ameaças terríveis.

O silêncio pairou no ambiente, apenas o som da tesoura mastigando os tecidos de Alyssa era ouvido naquele momento, e depois de um dia terrível aquele era o melhor som que eu poderia ouvir. Relaxante, paciente e nada curioso; como todos estavam sendo naquele dia. Era tudo o que eu precisava.

— Ti? — Olhei relutante em direção a Alyssa. Ela mantinha sua atenção na costura para não se distrair, mas percebeu que eu estava lhe ouvindo. — Posso fazer uma pergunta? — Apenas assenti, apoiando os cotovelos na cama para poder erguer o corpo em sua direção. Alyssa parecia aflita com algo e relutou por um instante antes de falar. — Você já se apegou ao príncipe?

— Eu não sei dizer… — Voltei a posição anterior, para poder observar as paredes do quarto. — Estou tão nervosa com tudo a minha volta que não consigo saber o que sinto.

— Será que ele já está sentindo algo por você?

— Bom, ele não relutou quando nos beijamos.

Alyssa deixou o queixo cair nesse momento, e aquilo por um instante me fez esquecer tudo de errado que ocorreu antes para rir. Não pude esconder o rubor também. Mesmo que ela fosse uma amiga, eu me sentia envergonhada.

Ela se levantou rapidamente para vir em minha direção e pular na cama enquanto eu me sentava. Mesmo com a expressão de cansaço, ela tentou mostrar empolgação.

— Seu primeiro beijo! — ela exclamou e eu mordi o lábio. — Não foi seu primeiro beijo?

— Bem…

— Bem? — O olhar de Alyssa se intensificou e eu apenas dei de ombros. Não sabia se seria uma boa ideia contar tudo o que havia ocorrido a ela, mesmo que aquilo estivesse pesando em minhas costas.

No entanto, nosso assunto foi interrompido pelo bater na porta. A voz de Tracy invadiu o quarto logo em seguida enquanto meu coração disparava em meu peito.

— Tianne? — ela disse, e meus olhos quase saltaram de minha cabeça. Segurei a boca de Alyssa antes que ela respondesse e neguei, de maneira assustada.

Ela se debateu com meu gesto e eu fiz sinal para que ficasse quieta. A garota me perguntou o por quê, sem deixar que o som escapasse por entre meus dedos.

— Ti, eu sei que está aí — disse novamente a princesa, e eu neguei outra vez para minha amiga.

— O que está acontecendo? — perguntou Alyssa aos sussurros. — Porque está tremendo dessa forma?

— Só não quero falar com ninguém agora. — Nós tentávamos não ser ouvidas pela pessoa do outro lado, mas Tracy continuava a bater.

— Eu vou tentar despistar ela, vá para o banheiro. — Ela revirou os olhos antes de me dar aquela solução. — Mas você vai ter que me dizer exatamente o que está acontecendo.

— Não vou não. — Eu olhei fixamente nos olhos de minha amiga para desafiá-la. — Ou você vai ter que me contar porque está tão distraída esses dias. Acha que não notei?

Alyssa arregalou o olhar para mim, depois para a porta que foi golpeada pelo punho de Tracy mais uma vez.

— Só um instante, princesa — bradou Alyssa, que se virou de volta para mim aos sussurros. — Tudo bem. Não conte.

— Então você tem mesmo um segredo. — Eu pulei de alegria por saber que não era a única a esconder algo de todos, e Alyssa apontou para o banheiro aos risos.

— Claro que não.

— Alyssa, vou entrar — Tracy falou e a porta se moveu, o que me fez disparar para o outro cômodo enquanto minha amiga segurava a maçaneta.

Não fechei a porta do banheiro para que Tracy acreditasse na desculpa de Alyssa. Eu não estaria ali no quarto e por isso me coloquei atrás da enorme madeira.

— Boa tarde, princesa.

— Você viu a Ti? — Ela falou ao notar que eu não estava naquele momento.

— Na verdade, não. Estou cuidando do vestido dela, precisava encontrá-la para a prova. — Um silêncio pairou sobre as duas por breves segundos, até que Tracy fez um som anasalado de compreensão.

— Estranho, ela disse que viria para cá. Não estava se sentindo muito bem.

— É um castelo realmente grande e Tianne gosta de passear, talvez tenha achado que seria melhor espairecer — Alyssa gaguejou no início de sua frase, mas após um pigarro conseguiu se controlar. — Casamentos podem ser assustadores.

— Podem sim. Bom… vou continuar a procurá-la. Aviso que você precisa dela aqui quando a achar.

— Para quê? — Afundei as mãos no rosto nesse instante e Alyssa se lembrou de sua mentira inicial. — Ah, claro! O vestido! Sim… estou esperando por ela.

— Você está bem, querida? — A voz da princesa pareceu desconfiada, mas sedosa ao mesmo tempo. Talvez tivesse notado o nervosismo da garota e associado a outra coisa. Eu torcia para isso.

— Ótima! Só cansada.

— Entendo.

Outra vez o silêncio invadiu o quarto. O barulho da porta sendo fechada e trancada veio em seguida e passos rápidos em direção ao banheiro também. Alyssa invadiu o ambiente para também fechar aquela porta e poder respirar.

O rosto da jovem estava tão pálido que eu poderia jurar haver um fantasma no outro cômodo. A pobre garota nem conseguia esconder o medo no olhar por ter mentido para alguém da realeza. Alyssa detestava qualquer coisa que fosse errada, mas eu precisei daquilo para manter Tracy afastada. Precisava me distanciar de verdade.

— Pode me dizer agora porque eu menti para a princesa de Savian? — Havia um grande medo percorrendo o interior de Alyssa.

— Vamos começar com o seu segredinho. — Eu a desafiei e ela fechou a boca como se me dissesse que aquilo nunca ia acontecer.

Nos encaramos por muito tempo até não conseguirmos mais segurar o riso. Alyssa tentou manter a postura para dizer:

— Bom, seja o que for que aconteceu entre vocês duas, vocês vão precisar se encarar no jantar…

Deixei o desconforto escapar por meus olhos. Pensar que viveria fugindo de Tracy daquela forma me incomodou por completo. No entanto, eu não queria causar desavenças entre ela e seu irmão. Também queria deixar o beijo e toda sensação da noite anterior escondida para sempre e decidi que nem mesmo Alyssa poderia saber. O assunto era delicado, errado e deveria ser deixado de lado.

Eu havia me tornado uma pessoa horrível por comparar os irmãos e não queria fazer novamente, precisava manter a postura, distância de Tracy e me aproximar de Derek antes do casamento. Estava encrencada.