Após duas semanas avaliando o conselho da diretora e me observando, minha tia decidiu marcar uma consulta, a qual ela achava que eu precisava.

- Sophia, amanhã às 8 horas você tem um consulta marcada – disse minha tia.

- Eu? – eu estava um pouco confusa e também com medo – Por quê?

- Não é nada, não se preocupe, só quero que você não fique traumatizada com o que te aconteceu.

- Eu não estou traumatizada, só estou... – tia Anita interferiu.

Sim, você esta traumatizada. Agora suba e durma um pouco, e fique tranqüila. — Eu subi para meu quarto e não consegui pegar no sono.

Depois do que aconteceu na sala de aula, alguns alunos tinham medo de mim, mas mesmo assim ainda consegui amigos como Alessa, Diana, Kiara, Scott e Walther, e até mesmo Rafael que sempre me levava para o colégio se tornou meu melhor amigo.

Após pensar em todas estas coisas, acabei pegando no sono.

***

Quando acordei já eram 7 horas, o que me dizia que hoje eu não iria para a escola, porém teria uma hora para me arrumar. O cheirinho de torta de maçã inundava todo o quarto, era tão bom que me fez tomar coragem de levantar tomar meu banho e descer para um saboroso café da manhã.

Cada vez que eu me aproximava da cozinha o cheiro aumentava, e despertava minha fome.

- Bom dia Sophia! – eu não fazia ideia de onde ela havia saído – como está se sentindo esta manhã?

- Bom dia! Estou bem – pelo menos era como eu me sentia no momento.

- Venha, sente-se, irei preparar seu café.

Enquanto ela arrumava tudo, pude perceber que alguns dos azulejos da cozinha tinham apenas alguns rabiscos que se ligavam um ao outro, formando uma grande pomba em uma das paredes e, uma onça na outra. Quem fez aquilo sabia o que estava fazendo.

- Aqui está – ela me entregou um pedaço da torta e um pouco de leite (eu odeia café) – espero que goste da torta.

Dei a primeira mordida ela parecia derreter em minha boca, ela tinha um recheio rosado, não era morango, era algo que eu não conhecia.

- Está delicioso – eu estava sendo sincera – o que tem no recheio?

Ela não me respondeu, fez de conta que não havia escutado, então voltei minha atenção à torta e terminei meu café.

Quando eram 07h40min nós começamos a fechar as janelas da casa para podermos sair.

- Vamos do que? – perguntei meio que já sabendo da resposta.

- Rafael irá nos levar – ela respondeu calmamente – por quê?

- Nada, só curiosidade.

Quando ele chegou, nós já havíamos terminado de fechar todas as janelas. Ele tocou a companhia, o som encheu toda a casa e minha tia foi atender como sempre.

- Olá moças, você já estão prontas? – ele estava com aquele lindo e simpático sorriso de sempre.

- Sim, estávamos esperando por você.

Fomos até o carro e me sentei no banco traseiro junto com Anita. Ninguém falou muito, fomos em um silêncio quase que cortante se não fosse pelo barulho do motor que também era mínimo e algumas perguntas como “Vocês estão bem?”, “Como vão as aulas?”, “Você está gostando da escola?”, minhas respostas eram curtas como sempre.

Chegando á clínica, minhas mãos começaram, a suar de nervosismo e medo.

- Obrigado Rafael – minha tia agradeceu

- Quando a consulta terminar é só me ligar que venho buscar vocês – será que ele não tinha mais nada para fazer não? Sempre nos levava a qualquer lugar sem protestar nem nada.

- O.K. – respondeu Anita.

Nós entramos e ficamos aguardando a médica nos chamar. Como todo hospital a clínica também era toda branca. Não se passou muito tempo e a doutora nos chamou.

- Sophia Soares? – eu me levantei – pode entrar – eu estava com muito medo.

Entramos e a doutora começou a me fazer perguntas leves “Quantos anos você tem?”, “Do que você gosta”, eu respondia de forma mais tranqüila que eu pude encontrar, quando de repente ela fez perguntas que começaram a me assustar.

- O que houve com você para ficar assim? – ela me pegou de surpresa.

- Nada – foi o que eu respondi.

- Ela perdeu os pais, á algumas semanas – disse minha tia.

- Entendo – ela parou para pensar e me lançou outra pergunta – Você quer me contar o que viu?

- Eu não vi nada.

- Tudo bem. O que você estava fazendo quando tudo aconteceu?

- Nada – eu comecei a ficar apavorada.

- Você estava dormindo? – ela começou a me pressiona.

- Não sei – eu comecei a chorar de desespero.

- Você sabe de alguma coisa, você se lembra de alguma coisa?

- Não – menti – me deixe em paz – gritei e saí correndo daquela sala.

Quando percebi já estava na rua, as cenas do acidente estavam de volta em minha mente, era tudo o que eu menos queria os gritos, o barulho do freio, vidros, tudo estava de volta. Parecia que eu ia morrer.

Notas finais
Estou entrando em semana de prova caso eu demore um pouco para continuar a postar será por esta razão, mas prometo que irei encontrar um tempinho para poder escrever mais.. espero que estejam gostando.