Fazia apenas um dia que Marcos havia chegado em Três Marias, mas já se sentia parte da história daquela cidadezinha no meio do nada. Desde que chegou , Marcus havia sido empurrado para o meio de um furacão de eventos misteriosos, de histórias de fantasmas , aparições e maldições.

Ele não sabia que ao entrar naquele onibus, com toda o resto de dinheiro que tinha, cheio de determinação de conseguir aquela matéria, estaria selando seu destino. Um caminho totalmente paralelo à sua vidinha de jornalista desempregado. A aventura que tanto ansiou toda sua vida.

Resolveu que iria até o fim, que ninguém, nem mesmo aquela assombração, o faria recuar agora que estava tão envolvido na história, totalmente empestiado pelos mistérios.

Ele seguia mari em silêncio pela rua do hospital, não tinha nada que ele pudesse dizer que fizesse alguma diferença naquele momento, escolhendo assim o silêncio. Ele não sabia para onde ela estava indo, mas estava disposto a ir com ela. O ataque contra ele e as novas descobertas sobre o caso das Siqueira o deixaram num misto de medo e curiosidade. Já não era mais pelo emprego, não era mais por ele, era por Mari, e por todos aqueles absurdos que aconteciam naquela cidade escondida no coração do Brasil.

Em um dado momento Mari parou. Ela olhava fixamente para o chão em completo silêncio Marcus a observava de trás, esperando alguma reação. Quando, após alguns minutos, Mari não havia esboçado nenhum movimento, Marcus se aproximou e notou pelo semblante de seu rosto que ela estava pálida.

Mari?

Elas...elas estão logo ali...- sussurra Mari olhando para uma livraria logo a frente, mas desviando o olhar logo em seguida.

Elas quem?

Elas!- disse Mari sem se mexer, apontando a livraria com os olhos.

Marcus olha na direção que ela indicava, e dentro da livraria, viu o semblante de uma moça ruiva, e a lembrança da linda moça na frente do casarão da avenida principal lhe veio a mente.

As Siqueira?!- pergunta Marcus sentindo um frio na barriga.

Ele deu alguns passos naquela direção, apertando os olhos para poder ver com clareza aquele rosto que viu mais cedo naquele dia, fonte de todos os mistérios que o rondava. Instintivamente queria se aproximar, a ver de perto, sentir como era seu perfume.

Foi então que se lembrou de Mari, e quando deu por si, ela estava do seu lado o encarando irritada.

O quê?- pergunta ele sem graça diante a carranca da menina.

Porque não vai la? Quem sabe você não discobre alguma coisa antes de ser morto pelo demônio! Porque é isso que ele faz com os homens que chegam perto delas! Ele os mata!

Você acha que eu devo?- responde Marcos ouvindo apenas a primeira parte da frase “porque você não vai la?”. E ele pensava. É mesmo, porque?

Depende o quanto você quer saber...- responde Mari desacreditada.

Quero muito...quero muito saber...eu vou lá..- diz ele sem olha-la, com os olhos fixos na livraria, mais precisamente, na cabeleira ruiva da mais jovem das Siqueira.

Marcus! — grita Mari irritada

Oque?

Você esta louco?

Mas foi você que deu a idéia!

Não, eu disse que se você for vai ser morto!

Ele não vai me amtar em público!

Ou! acorda! Você esqueceu o que acabou de acontecer com você?

Mari, se ela é a fonte de tudo o que esta acontecendo , eu qeuro conhecer ela!

É isso ou você esta interessado nela? Não é muito inteligente da sua parte ! Vou dizer mais uma vez, o demônio vai te matar seu idiota!

Por aqueles olhos vale a pena- pensa Marcos, mas ele não diz nada, apenas sorri para Mari e diz – vou tentar descobrir alguma coisa para nós!

Para nós?- pergunta Mari irritada , mas Marcus já estava indo em direção a livraria.

O coração dele batia tão forte que o sentia nas têmporas. Sentiu o suor lhe escorrendo pela testa, salgada, lhe ardendo os olhos quando esse escorreu até eles. Limpou a testa com a manga da camisa, respirou fundo e seguiu.

Ouviu o sininho da loja tilintando assim que entrou, o que fez se coração acelerar ainda mais, não queria chamar atenção, ele seria uma sombra a bisbilhotar a moça. Ele passeou meio abaixado entre as prateleiras, e a viu de costas , na seção de romances estrangeiros. O gosto da moça era bem similar ao seu, logo ela pegou um livro, edgar alan poe, a escolha o que o fez sorrir.

vamos Alice! Dona Annete já esta nos esperando na igreja, acabei de receber uma mensagem – diz a empregada que acompanhava a moça onde quer que fosse. Era como as damas de companhias que existiam antigamente, só que hoje em dia, são descritas como assistentes pessoais.

E pra que uma moça de vinte e poucos anos iria precisar de uma assisntente pessoal? Bem, ela não precisava, não para causas obveas para os que não conhecessem a historia da família. Mari havia comentado que elas são mais seguranças do que assistentes, garantindo que ninguém se aproximaria da moça sem a permiçao da avó.

Marcos deu uma olhada nos carros estacionados na frente, e logo identificou o carro delas pela placa. Siq 002, dizia a placa. Nada sutil. Seu cerebro trabalhava rápido, tinha de tira-la de perto da moça por alguns instantes para que ele pudesse se aproximar.

Ahn...moça, com licença, o carro de voces é um sedan prata? Vi um guardinha rondando ele, parece que vai multa-la!

Multar? Mas eu deixei o papel no painel! Alice querida, espere um minutinho, eu já volto.

Claro Clarice...- diz a menina olhando diretamente para Marcus, esperando a moça se afastar.- o que você quer tanto falar comigo sr jornalista?- pergunta a menina assustando Marcos.

ah...como?- ele engasga, tinha sido descoberto.

Eu vi o que você fez...acontece que eu não sou tão boba quanto pensam...e aparentemente menos do que Clarice...é melhor você ir logo antes que ela descubra!

Interessante escolha de livro pra uma senhorita da sua idade- responde Marcos querendo ganhar mais tempo.

na verdade eu irei reler...o li a alguns anos em inglês.

Se gosta de allan poe ira gostar de Willian Blake...-diz Marcos pegando o livro da estante ao lado e colocando sobre o livro que estava na mão da menina.- garanto que ira gostar...até mais ver srta Siqueira.

Espero que não jornalista, pro seu próprio bem...minha avó não gosta muito de gente como você rondando nossa família...não sei o que você acha que sabe, mas te garanto..não é uma estrada segura para se seguir.

Isso é uma ameaça srta?- diz Marcos com um sorriso.

Não, claro que não, diferente da minha avó , eu não tenho nada contra jornalista ou qualquer outra pessoa do mundo...mas as coisas não são assim tão simples.- diz a menina dando o livro que marcos lhe indicara para o balconista, que olhava a tudo apreensivo.- até mais ver jornalista.

Marcos...me chamo Marcos.

é...eu sei...- diz a moça jogando uma nota de cinquenta no balcão, sem esperar o troco, se encaminhou até a porta impedindo de sua assisntete voltar para brigar com Marcos.

Ei moço...se eu fosse você , não chegaria tao perto daquela dali...

oque? ah...certo, obrigada pela dica.- diz ele de mal grado saindo da livraria.

O carro da moça já se afastava quando ele atravessou a rua e encontrou com Mari, que estava sentada num banco encolhida numa tentativa patética de se esconder das vistas da moça.

falou com ela? -pergunta Mari

Mais ou menos...

e o que ela disse?

Pra ficar longe dela...

uh...onde foi que eu já ouvi isso antes? Ah é. Eu te disse isso! Ela é mais responsavel que você!

Marcos não respondeu, estava contrariado, mas pelo menos a tinha visto de perto, e ela era mais bonita do que se lembrava. Ela já sabia que ele era jornalista e ele tinha quase certeza que ela havia lido sua mente. As poucas palavras da moça o deixou ainda mais instigado, e ela levou o livro, ela lembraria dele, o que era ótimo, porque na sua mente só teria espeço para os grandes olhos verdes de Alice.

Enquanto Mari falava, percebeu o quanto estava cansado e provavlemnete teria de jogar sua atual cueca fora. Mari continuava sua bronca indignada , e o sol se punha por detrás do monte.

Mari...- diz ele de repente a fazendo se calar.- eu preciso ir pro hotel! Preciso dormir! O dia de hoje valeu por uma semana inteira!

Você já tem hotel? Achei que ficaria comigo em casa! Não precisa pagar estadia.

Só a ideia de entrar naquela casa novamente o arrepiava, ainda mais a idéia de dormir lá.

ah, não, já estou registrado e paguei a estadia dos próximos 4 dias, não queria arriscar, onde dormir pelo menos eu terei.- se desculpa Marcos.

ah...justo...- diz a moça visivelmente frustrada.

Você pode ficar lá comigo se quiser! O sofá é realmente confortável! Podemos alternar! Mas hoje me desculpe querida, a cama é minha!

Não, não seria bem visto, é uma cidade conservadora.

Mas quem saberia?- perguntou Marcos, e na mesma hora olha em volta, e várias cabeças se voltaram rapidamente para baixo. Realmente ali, as pessoas gostavam de saber da vida das outras.

De qualquer forma a casa precisa ser limpa...- continua Mari.

Não gosto da idéia de você ficar naquela casa sozinha.

Eu cresci naquela casa Marcos, ela já não me assombra!

Não é com a casa que eu me preocupo...

não fui eu que cutuquei a onça com vara curta! Por hoje estou a salvo eu acho...

você nem parece preocupada com isso!

Acho que estou anestesiada...não consigo sentir nada no momento, estou exausta tambem...

vou chamar um taxi!

A cidade era pequena, mas em poucos minutos conseguiram um taxi. Ele indicou o endereço da moça e depois o do hotel. Os dois foram em silêncio por todo o caminho, as forças de ambos já havia se esgotado. Marcos rabisca o endereço e o número do seu quarto num papel e o da para Mari.

Amanhâ , assim que acordar, me liga! Aliás, se qualquer coisa acontecer, me liga!

E você vai fazer o que? Vir voando e destruir o inimigo com olhos de raio laser? Hahaha você é engraçado! Boa noite Marcos.- diz Mari apenas acenando antes de sair do carro.

Essas mulheres hoje em dia, não precisam de homem pra se proteger, essa coisa de auto suficiencia subiu na cabeça delas. No meu tempo, elas não matavam uma aranha sem nós!- disse o taxista assim que o carro começou a andar. Marcos deu um sorrizinho forçado mas não respondeu. O que não empediu o homem a divagar sobre as mulherers de antigamente até a chegada no hotel.

Marcos nem se deu ao trabalho de responder, e nem precisava. O motorista logo era como um radio ligado, ele já não esperava resposta, só queria falar, falar e falar.

Ao chegar no hotel, Marcos foi logo dando o dinheiro exato do taximetro, e com um boa noite apressado, saiu do taxi, sentindo alivio pelo fim do monólogo. Era um alívio só de sentir o cheiro velho de pinho que exalava do saguão do hotel.

boa noite sr Borges, tenho recados para você!

Um recado? Mas...já?- pergunta Marcos pensando em Mari.

O careca uniformizado do outro lado do balcão, destacou umas notas de um bloquinho de folha branca, com o brasão do hotel no canto inferior direito. Alí indicava duas ligações de São Paulo. Junto com os papéis, o recepcionista coloca a chave do quarto.

Marcos sorri, murmura um boa noite e se encaminha para o elevador. Era daqueles elevadores antigos com duas portas retráteis manuais de ferro. Ele passou os olhos pelo primeiro recado, era do editor, devia estar apenas fazendo a prova de que estava lá pela materia. O elevador pula ao chegar no andar, fazendo seu estômago gelar. Nossa, como ele odiava elevadores, ainda mais os antigos.

Entrou no quarto quase topando em sua mala, mas imediatamente jogou os recados na mesa, correu para o banheiro, se despiu e entrou no chuveiro quente.

Era tudo o que queria, a água quente relaxava seus musculos ainda tensos devido a tudo o que se passou, e por uns minutos, conseguiu deixar para trás todo o suor, poeira e ansiedade que aquele dia evocava.

Enquanto isso, do outro lado da cidade...

Alice levava nas mãos os livros comprados na livraria enquanto andava com pressa atrás de sua assistente Clarice.

vamos menina, mexa essas pernas mais rápido, a dona Annete não está de bom humor hoje.

E tem dia que ela está? Ainda não vi esse milagre...^- murmura Alice.

...sua irmã sumiu de novo , já faz três dias!...-continua a empregada não ouvindo o que a menina dizia, cortando transeuntes como uma michoca abrindo caminho na terra.

Ela vai voltar, ela sempre volta! Não sei proque desse escarcel todo toda vez que ela resolve viajar! Acontece mais vezes do que os mau humores da vovó...

você sabe muito bem o que pode acontecer caso ela fique se aventurando por ai!

Tem vezes que eu invejo ela...queria ser tão aventureira e corajosa quanto Estela...

não diga uma coisa dessas Alice! Não diga uma coisa dessas!

Melhor do que ficar trancada na estufa brincando de cientista como a Valentina!

A Valentina é a única de vocês com o mínimo de juízo! Ela sim esta empenhada nos objetivos da família!

Ela vai é acabar louca que nem minha mãe!

Não fale uma coisa dessas!- diz Clarice parando e se benzendo.

Você se benzeu? Serio? Achei que já tinha descoberto que deus não existe?- cutuca Alice.

Como pode dizer uma coisa dessas menina? Somos catolicas!

Ah somos? Você já leu a biblia ou algum livro de história? Nos somos perseguidas pela igreja desde o começo dela...até mesmo antes disso...não somos católicas, somos pagãs pecadoras , adoradoras do diabo, que aliás ,vive entre nós em pessoa, nunca tive provas da existencia de deus, agora ,do diabo, eu o vejo de perto todos os dias quando acordo.

Você está lendo livros de terror demais... esses homens sim são pecadores, e morreram na sargeta envoltos ao proprio vomito, é assim que você quer acabar? É assim?- responde Clarice ficando vermelha. Alice emudeceu, não iria adiantar, era uma conversa inútil como todas as que tinha com Clarice.

Clarice estava na família desde que Alice havia nascido. Ela seguia cegamente dona Annete como se ela mesmo fosse o próprio deus que ela tanto dizia adorar, como uma católica fervorosa das mais fajutas, assim como Annete. Ela, melhor que todos na própria família, sabia de todas as coisas que a avó de Alice era capaz de fazer e do que já tinha feito.

Alice ás vezes ficava tentando captar qualquer imagens da mente de sua assistente pessoal, como fazia com todas as outras pessoas que chamasse sua atenção quando conseguia sair de sua casa. Mas era inutil, não tinha nada ali, era como se ela as escondesse muito fundo no seu cerebro, as únicas coisas que conseguia ver eram imagens dela mesma crescendo, e de sua avó, claro, como uma deusa a ser venerada e obedecida cegamente.

Usou esse dom para pesquisar aquele assustado jornalista da livraria. Ele olhava para ela como Clarice olhava para sua avó, e isso a agradou, se sentiu poderosa como ela por alguns minutos. Ele era diferente dos outros, que evitava seus olhos, mas gritavam histórias sobre como sua mãe havia sido engravidada por seu pai/avô invalido, e que essa havia ficado louca por isso.

Mal sabem esses pobres tolos, cegos pela ignorância e pela falta de imaginação. Afinal, como poderia o avô pobre coitado, inválido, ter seduzido ou até mesmo forçado sua mãe a fazer tal coisa?.

A resposta era bem mais simples , ele não poderia. Nem mesmo Alice sabe exatamente o que havia acontecido, mas tinha suas próprias teorias, as quais nunca havia falado em voz alta com medo de que fosse verdade. Ouviu sua avó comentar que seu avô era seu pai geneticamente, e que ela seria um grande acontecimento histórico. Agora, o que isso sgnificava, ninguem saberia dizer, a não ser Annete e Clarice.

Mas a mente do jornalista só dizia uma coisa, seu nome, sussurrado varias vezes em seu inconsciente, o glorificando, o adorando e foi isso o que a fez o notar. Algo sobre uma matéria jornalistica gritava querendo ser ouvida em sua mente atordoada pela visao que era Alice. Viu flashes de seu demônio brincando com ele, e bem o viu perto dele e de uma moça enquanto o carro se afastava da livraria. No rosto do seu amado demônio se transparecia um sorriso divertido. Menos mal, significa que eles não estao em perigo evidente, ainda.

Segurava o livro que ele havia indicado com mais cuidado , o passando para tras do outro pois sabia que sua avó notaria. E claro, foi a primeira coisa que sua avó viu assim que se aproximaram dela.

me desculpe sra Annete, Alice queria comprar um livro.

Allan poe, uma alma atormentada.- diz Annete dando um muxoxo de desaprovaçao Mais um da escória romântica americana... escrevia tão mal que viveu e morreu pobre! Não sei porque glorificam os mortos, ganham fama por um trato que não foram capazes de cumprir e morreram por isso, isso o faz ainda mais patético...

como assim um trato que não pode cumprir- pergunta Alice confusa.

você sabe como ele morreu?- pergunta sua avó desafiadora, se curvando ligeiramente sobre a neta poucos sentimetros mais baixa que ela.

Não...ninguem sabe!- responde Alice aborrecida e incomodada pela forma com que sua avó a olhava..

ah...eu sei! — sorri Annete misteriosa, se virando e andando na frnete, como um cão alfa guiando o bando.

Entraram na igreja e se sentaram no primeiro banco, reservado para elas por conta generosas doações mensais à paroquia, uma exigência de Annete. Ela dizia que quanto menos cabeças você via em sua frente, mais prestigio você tem, e isso era seguido á risca. No outro banco de frente, do lado direito, ficava o prefeito e figurões da cidade, que se sentavam de acordo com sua importância nos bancos detrás.

Era como se fosse um sacrilégio os olhares de soslaio durante a missa, então o resto do povo, ficava bem para trás, enchendo a igreja em pé sem se atreveram a passar da metade “vip” da igreja.

A missa se arrastou por 2 horas como o esperado, Alice tamborilava os dedos na capa do livro, ansiando por lê-lo.

Ler era seu hobbie, ocupava sua mente e tempo, prefirindo os contos sombrios e macabros, romances policiais sangrentos de preferência com personagens psicopatas. Fosse como fosse, as histórias que lia não chegavam nem perto em termos de terror do que as histórias que o povo dizia sobre sua família, principalmente as que sabia que eram verdade.

Não existiu ou existirá psicopata maior que sua avó, pois não poderia haver no mundo alguém com esse perfil aliado ao próprio demônio, ou poderia? Alice arrepiava só de pensar. Sua lei era, não fique no camino de sua avó e você ficará bem. Por isso , emergir em historias macabras era menos pior do que lidar com sua própria historia de terror.

Ao chegarem em casa da missa, encontraram Estela tomando chá com seus biscoitos de champagne preferidos.

Olá família! Chegando da missa?- diz ela sorrindo e colocando os pés sobre a mesinha de mármore e pernas de ouro em sua frente.

Tire os pés da mesa! Pelo menos finja ter modos! Onde esteve?- começa Annete irritada.

Fui comprar biscoitos de champagne!- diz Estela sorrindo mostrando um biscoito antes de dar-lhe uma mordida.

E você mesma que os fez? Esta sumida à três dias! Não vou mais tolerar isso Estela, nessa casa existem regras e só deus sabe quantas delas você já quebrou!

Sacrilégio!- grita Estela pela primeira vez mudando o tom zombeteiro- SacrilÉgio o nome de deus numa boca como a sua querida vovó! Afinal, todas nós dessa casa ,e de toda cidade ,sabemos que se tem alguém que merece o inferno é você! E mande seu demônio ficar longe de mim! Estou perdendo clientes!

Como ousa falar assim comigo?! Os seus clientes deveriam estar acostumado aos demônios dos antros que você se enfia, se portanto como uma vagabunda de terceira, como se não tivesse respeito por si mesma! Como se não tivesse família! Você me da vergonha!

Estela se aproxima da avó, Alice conhecia aquela expressão, tinha medo quando seus olhos brilhavam irados daquela forma. A moça cospe na cara da avó, e essa desfere um tapa na cara da neta.

O que esta acontecendo aqui? Da para ouvir os gritos do solário, então imaginei que Estela teria voltado- diz Valentina entrando na sala. Tinha os longos cabelos loiros preso num coque desfeito. Os grandes olhos azuis caia sobre Estela, e refletia preocupaçao.

Eu não agento essa casa! Não aguento! Eu vou sumir! Já teria feito isso se seu demônio não afastasse todos meus clientes! Tenho vendido muitos quadros! E logo terei o suficiente para ir embora pra sempre!

Ir embora pra sempre? Hahahaha- ironiza Annete – se eu quisesse que você fosse embroa para sempre, você não só iria, como sumiria da face da terra! Você sai quando eu digo que sairá, entendeu? Me enfrente de novo dessa forma, e seu namoradinho quem sofrerá as consequências!- nesse momento Estela empalideceu- eu tenho olhos em todo canto, eu vejo tudo e ouço tudo quando você vai entender isso? Quanto tempo achou que conseguiria esconder isso de mim?- disse a velha jogando um colar com um medalhao de são jorge em cima da mesinha.

Estela pegou o colar em panico.

o que você fez com ele?

Nada, ainda! Tenho um trabalho para você, para todas vocês, a próxima lua cheia esta ai, temos trabalho a fazer! E é bom você não me subestimar de novo garotinha! Ele não é meu primeiro e esta longe de ser o ultimo, entendeu?

Onde ele esta sua maldita!?- grita Estela em prantos.

Em segurança...onde eu posso vê-lo e ouvi-lo sem interferências...-diz ela dando um olhar de desdém para o colar- você é uma bruxinha idiota, já enfrentei piores que você, e sempre venci! Não me provoque!- diz Annete saindo da sala e deixando Estela em prantos no sofá, sendo confortada por alice.

Eu vou mata-la, você vai ver, eu ainda vou mata-la!- murmurava Estela no colo da irmâ.