Notas iniciais
Essa historia foi criada por mim no começo do ano, e resolvi coloca-la online para ver a reaçao das pessoas diante minha escrita!
entao se curtiu, da uma comentadinha pra eu saber a sua opiniao!
\o
grata

Três Marias não é o que se pode classificar como uma cidade grande. Todo mundo conhecia aquela família. Gente ‘granfina’, muito rica, mas que tinham em volta de sua historia, muitos mistérios e casos mal resolvidos que intrigavam a todos da cidade.

São normalmente 4 mulheres em cada geração, 3 ou 4 , sendo uma delas a matriarca, e tem sido essa variável á mais de 5 décadas. Uma característica notória dessa família, é que todo homem que se casava com uma das Siqueira, tinha um fim trágico.

Poucas vezes se viu algum rapaz da pacata cidade de Três Marias cortejando uma delas. Claro que sempre tem aqueles que não resistem aos encantos dessas mulheres, com a beleza de uma sereia que o levaria para o fundo do mar no fim da historia. Mas os pretendentes logo eram levados a desistir, se não pela própria família, seria pela poderosa família Siqueira.

Por isso elas sempre se casavam com alguém de fora, normalmente estrangeiro. Pobres homens conhecem uma deusa brasileira, se apaixonam e vão em direção ao seu destino cruelmente decretado pela maldição da família.

A forma com que esses pobres estrangeiros desavisados morrem, não tem uma constante. Cada morte foi de forma diferente, uma mais estranha que a outra. Não saberia, é claro, dizer sobre todos, somente dos mais comentados pelos cantos da cidade.

Um deles, há cerca de 20 anos, morreu de câncer 4 anos após o casamento, eles já tinham tido uma filha e ela estava grávida de outro bebê. Em outro casofoi um misterioso acidente de carro, em que o mesmo explodiu com o homem dentro, a policia não tinha suspeitos e o caso foi fichado como morte acidental. O homem que sobreviveu mais tempo no seio daquela família, e também a história mais triste, foi a do pobre Alberto, que contraiu uma doença misteriosa que o foi consumindo com o tempo. No fim de 40 anos de casamento, já moribundo, cego e mudo, ele falece na cama do quarto principal do enorme casarão, que ocupa todo um quarteirão na avenida principal da cidade.

Outra característica é a que nunca nasce um filho homem no seio da família tipicamente feminina. Ocorreram muitas vezes, bebês “nascido morto” ou eventuais abortos “naturais”. Dizem as más línguas, que as Siqueiras matam todos os bebes que nascem do sexo masculino, mas isso, é claro, é mera especulação do povo. Pelo menos é o que a família diz.

As pessoas dizem que Alberto era pai-avô da menina Alice, que hoje tem 20 anos. Histórias sobre incesto, assassinatos de bebês e maldições rondam a família desde a época em que se mudou para Três Marias, lá pelos anos 60. As “lendas” envolvendo a família são sempre envoltas em ares místicos, o adjetivo bruxas, é muito usado para descrevÊ–la.

Por existir tanta curiosidade sobre elas, as são sempre muito reservadas. Suas filhas estudam na escola de freiras da cidade, o colégio mais caro e rígido, onde são mantidas longe dos olhos da maioria da população curiosa.

Enquanto esse lado misterioso de sua historia as afasta da sociedade, as dão também trunfos na área dos negócios. Além do fato de serem eximias negociadoras, ninguém tem coragem de passar para trás a nenhuma das mulheres daquela casa. As consequências de coisas como essas foram vistas vez ou outra, seguido de acidentes trágicos com os caloteiros, ladrões ou fofoqueiros mais atrevidos.

Nessa nova geração, temos a matriarca Annete com 68 anos, e suas 3 netas, Valentina de 29, estela de 24 e Alice de 20. Uma neta de cada filha que teve. Hoje, duas das filhas de Annete estam mortas e uma internada numa instituição psiquiátrica, sendo essa a mãe de Alice. A lenda diz que ela ficou louca logo que ficou gravida de seu próprio pai. Alguns acham que foi estupro, mas como poderia um homem doente como ele já era na época, ter forças para fazer isso com uma menina? A forma com que foi concebida Alice é o maior dos mistérios, já que Beatrice, sua mãe, nunca apareceu com nenhum homem.

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Inverno , São Paulo.

Marcus era um jornalista investigativo recém-formado. Procurava trabalho a mais de 1 ano, desde sua formatura, mas não havia tido sorte. Até que um dia, recebeu a ligação de um editor lhe propondo um emprego com uma condição de que ele deveria encontrar uma boa historia no prazo limite de três meses. Já fazia um mês desde a ligação do editor, e ele ainda não tinha achado nada que agradasse ao chefe.

Até que numa noite, já desiludido, bebia num bar no centro de São Paulo. Foi quando ouviu a conversa de dois homens sentados logo atrás dele.

– Mas ele vai casar com ela? – pergunta um dos homens com sotaque caipira.

– Cê ta doido é? Se ele casar ele morre! – responde o outro.

– Você tem certeza? Eu não acredito nesse negocio de maldição!

– Isso é porque você não conhece aquela família! Nenhum homem dura mais de 5 anos! Assim que ela engravidar ele já esta em risco de vida! E cego de amor por ela, não vai querer ir embora! São que nem aquelas aranhas noiva negra!

– Noiva negra? Você quis dizer viúva negra?

– Isso, isso!

–Aquela história caia como uma luva, uma historia que com certeza venderia muito. Ele certo teria o emprego que desejava. Num impulso, virou-se para trás e se intrometeu na conversa.

– Ah..com licença...você disse maldição?

– Ah não liga não moço! É ladainha de povo do interior!- se desculpa um deles.

– Não é não! É verdade!- retruca o homem que contava a história.

– Interior? De onde você é?- questiona o jornalista.

– Três Marias, senhor! Pertinho da divisa com Goiás! E é verdade sim! Só ir ate lá pra comprovar!

Marcus se sentou à mesa dos homens e pediu para ouvir a história enquanto anotava em seu caderninho em total estado de êxtase. Cada detalhe o deixava ainda mais empolgado. Depois de ter pegado todas as informações que conseguiria tirar do pobre homem, que parecia relutante em dizer tudo o que sabia, agradece e se levanta. Mas antes que pudesse se afastar, o homem o pega pelo braço e lhe adverte:

– Moço, não sei se seria uma boa ideia o senhor mexer com elas não...se elas descobrem e não gostam...não quero nem ver o que poderia te acontecer! Não quero morte de ninguém pesando nos meus ombros!

– Morte? – pergunta Marcus perplexo.

– Sim! Elas são perigosas! Vai saber o que o senhor vai querer falar, né?...eu não quero ter nada a ver com isso!

– Pode ficar tranquilo! Não sei nem seu nome! Além disso, os informantes são sempre mantidos em segredo!

– Depois não diz que não avisei!- responde o homem soltando o braço do repórter que sai do bar com uma sensação estranha no estomago.

Enquanto se afastava do bar sujo, Marcus ainda estava intrigado com a seriedade com a qual seu informante o advertiu sobre os perigos em se meter com aquela influente família. Descendo a Rua Augusta em direção ao centrão da capital em plena madrugada, o jornalista passava entre punks e prostitutas que pareciam o encarar, aumentando seu desconforto. Uma intuição repentina o mandava seguir as instruções de seu informante e esquecer aquela história. Era um tipo de frio na barriga, um arrepio lhe subia pela nuca. Um travesti bêbado passa por ele, cambaleante gritando:

– Tempo é dinheiro, e dinheiro eu tenho queridinho!- gritava o travesti para um ser invisível com quem brigava- Então não me segura! Não me segura que eu tenho todo tempo do mundo meu bem! Porque eu sempre consigo o que eu quero! Porque eu tenho coragem! Eu tenho coragem!

Que ironia, Marcus pensou. Sua ambição gritou alto em seu peito, muito mais alto do que seu bom senso, e no dia seguinte já embarcava num ônibus para Três Marias.