– Eu, eu sou filha de Ades, e da Lua também. Descobri a pouco tempo sobre os atos do meu pai, e eu quero ajudar vocês a acabar com essa guerra.

Ele continuou me analisando.

– Porque deveria acreditar em você? Como posso saber que isto não e um truque contra nós? – Ele perguntou.

Eu não sabia o que responder, então simplesmente agarrei minha mochila, — que tinha pegado antes de seguir Sonne até aqui. – Abri e comecei a procurar. Vi de canto de olho que uma mão de Sonne estava do lado direito de sua cintura, provavelmente segurando a arma caso eu fizesse alguma gracinha.

Apenas tirei uma pilha de papeis de dentro dela.

– O que e isso? – Perguntou.

– São táticas, planos e formação de ataques do meu pai. Eu peguei do escritório dele antes de vir pra cá. Isto é o suficiente? – Rebati. Não queria ser grossa, mais me senti uma formiga perto desse homem, tinha que mostrar alguma – por mais pouca que fosse – dignidade.

Posso dar uma olhada nisso? – Pediu e esticou a mão.

Prensei o papel contra mim.

– Pode, mais com uma condição.

Ele se recompôs.

– E qual seria esta condição?

– Se a morte for necessária, quero que seja apenas valida para meu pai.

– Porque eu faria isso?

– Porque ninguém do meu Reino tem culpa, muito menos minha Mãe, ela pretendia resolver isto em paz com você, mais não teve como.

– Porque não?

– Porque o meu pai roubou o amuleto dela. E você deve saber que isso a deixa sem poder nenhum, já que tem um também. – Disse e apontei para o amuleto que ele usava no pescoço.

– E agora ele usa um escudo protetor contra ela a impedindo de pegar de volta não é?

– Exato.

Ele soltou um suspiro frustrado e balançou cabeça.

– Agora entendo porque está contra ele.

Então me olhou novamente.

– Ok, se você esta disposta se unir a gente, e nós ajudar a acabar com isso, eu aceito sua proposta, e ofereço uma Estadia no Castelo pelo tempo que precisar.

Sorri.

– Obrigada.

Ele apenas assentiu.

Então me aproximei e estiquei as mãos com os papeis pra ele.

Ele pegou.

– Obrigado, tenha certeza que isto vai ser de grande ajuda.

Assenti.

– Sonne, leve-a até um quarto de hospedes, e a ajude com qualquer coisa que precisar. E a acompanhe ela a todos os lugares, acho que ela vai se sentir deslocada andando por ai sozinha.

– Vou virar babá? – Perguntou horrorizado.

– Sonne, os modos.

– Perdão.

– Tudo bem. Leve-a.

Ele abriu espaço a acenou pra eu passar, Fiz o que falou e então saímos da sala.

Ele começou a me guiar pelos corredores do Palácio.

Agora que prestava mais atenção via que as pessoas ali não paravam, soldados, cozinheiras, faxineiros, todos andando para lá e para cá pelo castelo, e tinha outros poucos que usavam roupas mais formais, que imaginei serem os moradores do Castelo. Todos ainda me analisavam uma hora ou outra mais preferi não ligar.

– Não sou tão nova assim. – Me defendi. Bem depois.

– Como? – Perguntou.

– Você perguntou se iria virar Babá. Não preciso de Babá, só preciso me acostumar aqui. Não sou tão nova, deve ter quase a mesma idade que eu. – Respondi.

Ele sorriu.

– Quantos anos têm?

– Dezessete.

– Hum... Dezenove.

– O que?

– Eu tenho dezenove.

– Viu, não e tanta diferença assim. – Apontei.

– É, tem razão, bom, aqui e seu quarto. – Ele disse parando em frente a uma porta dourada. Abriu e fez um gesto pra eu passar. Em seguida entrou atrás de mim.

O quarto era adorável.

Como o castelo ele era um bronze claro com detalhes brancos.

Só que esse era mais escuro e com mais detalhes.

– Gostou?

– É adorável. – Respondi.

– Bom, o almoço vai ser daqui à uma hora, passo aqui pra te buscar ok?

– Ok, mais, almoço?

– É. Por quê?

– Nada, e que quando eu sai do meu Reino era hora de dormir.

– Ata, bom, deve ser por causa dessa coisa de Lua e Sol, os horários devem ser invertidos ou algo do tipo.

– Tem razão. – Sorri um pouco.

Tinha que me acostumar a viver assim.

Por que agora eu estava vivendo como uma do povo Sol.