Segredos
5 Á flor da pele

Há algum tempo atrás, nem sonhava em ter alguém com quem conversar, ou alguém que eu pudesse confiar, Christian era essa pessoa: confiava nele cegamente.
Alguns dias depois, ele começou a ficar confuso com toda essa história, perguntando a si mesmo o porquê do presidente ser tão bondoso comigo. Será que ele não me achava merecedora de tal gentileza?
—Para de andar pra lá e pra cá! Está me deixando tonta. —pedi, estávamos no quarto, Christian estava realmente intrigado.
—Não consigo entender... —ele murmurava.
—Ele não pode ter sido apenas gentil?
—Ah, Isabel! Como você é ingênua, pessoas importantes como ele não se importa com os outros.
Me levantei, surpresa pelo que disse.
—Ele é diferente, aceite isso —falei me sentando novamente —, além disso, eu estou feliz aqui.
—Tá, eu também, mas não seria legal saber um pouco mais? A gente poderia descobrir de onde você veio, e daí saberíamos como foi parar num manicômio com seu estado lúcido, e então descobriríamos o motivo de você está aqui —A cada palavra que saía de sua boca o entusiasmava cada vez mais.
—Saber quem são meus pais? —isso seria ótimo —não acho que seja possível. —por mais que não soubesse quem eram eles, eles me largaram, me deixaram para trás.
Era meio-dia e eu pedi que me deixasse em meu quarto, descansando.
Não sei aonde todos foram, mas ainda bem que fizeram isso, todas as vezes que eu me imaginava fora do manicômio, dizia que sempre queria estar rodeada de pessoas, mas as vezes, tudo o que a gente precisa é ficar só.
Eles chegaram.
O presidente entra junto com Christian e um rapaz que não conheço, então ele grita:
—Isabel, venha conhecer meu filho.
Filho?
Saí do quarto meio cansada e segui em direção a sala, onde eles estavam.
—Olá. —disse o tal garoto.
Assenti com a cabeça.
—Ela não é linda, Philip? —indagou o presidente, Christian coçou a garganta logo em seguida.
Linda, eu?
—Sim, pai! Bem mais do que tinha me falado...
Estava sem jeito demais para agradecer, então só sorri.
—Vamos, filho, nós ainda temos muito o que negociar. —falou o presidente, e Philip sorriu, logo os dois saíram.
Philip tinha cabelos pretos, e era alto, mas aparentava ter uns dezoito ou dezessete anos.
—Você está bem? —aproximou-se Christian.
—Estou ótima, obrigada. —agradeci —o que ele veio fazer aqui?
—Ele tem coisas a resolver com o pai, sabe. São ricos, e o presidente Lowtner é... presidente.
Sorri. Era engraçado o jeito sem graça do Christian ao falar comigo.
–
Logo formos dormir, estava exausta e o presidente deixou que eu ficasse no quarto durante o jantar.
—O que te perturba tanto?
—O que você me falou, Chris. Acha que é possível?
—Ah, bom, se quiser desistir você pode.
—Desistir de quê? Nem começamos —falei sorrindo —mas poderíamos tentar, talvez.
—Vai precisar ser corajosa, afinal, estará mexendo com o seu passado —desafiou-me.
—Sei disso, mas isso não é o que me deixa perturbada. Estou mais preocupada mesmo é com o caos que isso pode causar, sabe? Finalmente, posso descobrir quem são meus pais, e isso só depende de mim, mas por outro lado, tenho muito medo de quem eles sejam —pausei —, só que não quero morrer sem tentar, Christian, não suportaria isso, nem imagina tamanha confusão que está na minha cabeça.
Ele baixou a cabeça por uns instantes.
—Minha mãe me disse isso uma vez:
Eu vou tentar, e se eu não conseguir vou tentar novamente, tudo o que preciso é de 20 minutos de coragem insana.
—Ela dizia isso toda vez antes de fazer alguma besteira da qual temia em dar errado. Parece que a sinto dizer nos meus ouvidos. Ela iria gostar de você.
—Ah, Christian! — disse, abraçando-o —eu sinto muito.
—É como ela sempre diz: 20 minutos de coragem insana. —cochichou em meus ouvidos —amanhã começamos?
Sorri.
—Não vejo a hora.
Ele se afastou um pouco, de modo que dava para nós dois nos olharmos nos olhos, aqueles olhos azuis de Christian me deixavam hipnotizada.
—Qual seu sobrenome? —perguntei.
—Soult.
—Sobrenome bonito, mas nunca ouvi falar, queria poder dizer qual era o meu, mas você sabe, não sei qual é o meu sobrenome.
—Deveria se lembrar, não tinha 6 anos quando veio para o manicômio?
—Sim, tinha, mas não me lembro.
—Acho que foi de tantos remédios, as químicas danificaram sua memória.
—Que pena —bufei.
—Relaxa, logo logo, saberemos o seu sobrenome.
Ele me enchia de esperanças, era bom tê-lo por perto.
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