Segredos

3 O incrível novo mundo.


Ficar sentada na cadeira de metal de meu quarto parecia ser minha única opção, por mais que já estivesse cansada daquela visão — uma grade —, me sentia completamente enjaulada, mas preferia qualquer coisa do que voltar naquele jardim.

Christian pôs seu rosto entre a grade do meu quarto, e suspirou, estava suado, e aparentemente cansado, por um instante tive pena dele.

—Preciso que me responda... o que eu disse para você sair correndo daquele jeito? —perguntou ele, mantinha seus olhos azuis em mim, seus cabelos pretos curtos balançando ao vento, mas eu nem reparei nisso, o que me chamava atenção mesmo, era de como sua respiração estava forte, aquela pele lisa e branquinha dele estava totalmente pertubada.

—Você não fez nada. — falei, calmamente.

—Então por que você saiu? Uma vez na vida você sai desse lugar terrível, e com dois minutos quer ir embora?

Permaneci calada.

—Me fala! Eu imploro! —ele continuava do lado de fora.

—Você não sabe nada sobre mim, Christian! Nada! Entendeu?! Não sabe quem eu sou, ou de onde vim, então por favor, não me julgue! —lágrimas rolaram, em minhas bochechas pálidas.

—E QUEM VOCÊ É? — indagou ele.

Quem sou eu? Eu juro que não sei.

—Vá embora! Agora! —gritei, então um segurança percebeu minha agitação e tirou Christian a força dali, estava claro que ele não queria ir embora, implorava por respostas.

Não podia culpa-lo, mas como dar respostas de algo que passei dezesseis anos para descobrir? E que mesmo assim, ainda não sei.

Me levantei rapidamente da cadeira, e comecei a jogar minha cabeça contra a parede, várias e várias vezes, eu estava imune a dor praticamente, mas queria senti-la, queria pagar por fazer tantas pessoas sofrerem. Comecei a bater mais rápido, e mais rápido, até cair no chão, e acordar na casa do Presidente Lowtner.

Nem sabia se o presidente morava aqui neste país, mas por algum milagre, aqui estava eu;

—O que estou fazendo aqui? —perguntei a uma criada que me olhava com curiosidade, parecia que nem ela sabia.

Quando ela ia responder-me algo, o presidente entrou, e disse:

—Muito bem, você acordou! Graças a Deus, querida, Isabel!

Cocei a garganta, por acaso, isto seria uma miragem?

—Como vai?

—Vou bem, obrigada, mas estou um pouco confusa. O que eu faço aqui? —estava deitada em uma cama de casal enorme, desejava lembrar-me de algo.

—Você sabia que este piso é de mármore? —continuou ele.

—Bom, eu...

—Acho que não, né? Mas tudo bem! -interrompeu-me novamente.

—Dá pra dizer logo o que estou fazendo aqui? —implorei.

—Ah, claro! Por que não disse antes? —deu uma risadinha após dizer isso — você desmaiou, lembras? Eu estava dando uma passada por lá, para verificar a segurança, como faço todos os anos, e então alguém me avisou que tinha desmaiado, fiz questão de te trazer aqui.

Estava realmente surpresa, e lisonjeada ao mesmo tempo.

—Obrigada, eu acho —falei assustada —, mas pode me levar de volta.

— Foi então que fiz sua transferência, aquele lugar não merece você.

—O que?! —ele não podia ter feito isso.

E as enfermeiras? Onde eu ficaria? O que fizeram com o Christian?

—espera ai, você me transferiu pra onde?

—Pra cá, ora! —falou ele, cinicamente.

De uma hora para outra, já era oito horas da noite, e trouxeram-me jantar na cama, eu não sabia bem o que dizer.

—Deseja algo mais? -perguntou aquela mesma criada que tivera comigo pela manhã.

—Qual seu nome?

—Chloe. -falou, tímida.

Chloe tinha seus cabelos ruivos, e usava aqueles trajes que a gente vê em filmes, era divertido ver que ela se concentrava tanto em seu trabalho.

—Chloe, por que estou aqui? —perguntei.

—O Presidente já lhe disse, você desmaiou...

—Não, não... isso eu já sei, mas por que ele não simplesmente me jogou na enfermaria e foi embora? Por que ele insiste em me manter aqui?

—Não faço a mínima ideia, senhora.

Assenti com a cabeça. Deixei-a escapar. Ela realmente não sabia de nada.

O Presidente Lowtner entrou em "meu quarto" e exclamou:

— Oi!

Sorri.

— Gostou do jantar?

"O qual não comi? Ah, sim, estava ótimo"

— Posso te pedir uma coisa, se não for muito? —fui direto ao assunto, não queria parecer interesseira nem nada, mas precisava pedi-lo.

— Até duas, querida. — disse — diga-me, o que você quer?

— O Christian.

Notas finais
Essa ideia me veio após ler o livro "Estilhaça-me" eu amei todos os detalhes da personagem, e como "ser louca" pode ser uma aventura. Quis ter experiencia própria de como seria por dentro de uma "pertubada psicologicamente" ou algo assim. Isabel na minha opinião é uma garota de vários pensamentos que precisa de atenção conforme seus atos.