Segredos....

16 Capítulo 17 - Victoria


Notas iniciais
Oi leitores! Senti saudade, mais uma vez eu atrasei quase um mês para postar, eu sei, isso é chato. Mas além de um bloqueio criativo surpresa mês passado, semana passada começou a semana de provas na minha escola, então tive que abandonar um pouco a historia. Chega de enrolação, boa leitura! Ah! Obrigada pelo comentário!

Capítulo 17

Corredores, refeitório, cozinha, corredores, saídas de emergência, centro de armas, corredores, salas, central de comando. O Abrigo parecia interminável e sufocante, realmente parecia um formigueiro.

—Como isso pode ser tão grande? Só estamos debaixo de um edifício abandonado!- perguntei para Marco que me mostrava cada canto do lugar

—Não se engane com o exterior, o Abrigo tem um encantamento, ele é aproximadamente do tamanho de dois campos de futebol, só quem está dentro consegue perceber, lógico — Marco respondeu olhando para frente

—Eu sempre tive uma dúvida, pessoas com esses.... Poderes, só existem aqui ou.... — tentei perguntar gesticulando com as mãos

—Não! Existem pessoas assim em todo lugar, França, Inglaterra, Rússia, China... Brasil — ele respondeu sorrindo, tentando explicar da melhor forma — Também existem pelo menos 2 Abrigos em cada país, normalmente na capital e em algum ponto favorável

—Onde você aprendeu isso? Parece até um professor — falei rindo, viramos a esquina de um corredor, nosso passeio já estava acabado, as ordens da comandante eram me levar para conhecer o Abrigo e me levar pra meu dormitório pra descansar

—Nós crescemos aprendendo algumas coisas, informações sobre o que podemos fazer, onde podemos pedir ajuda, treinamento, histórias de onde vem nossos dons....

— Você pode me contar? Me ajudar a me orientar, tudo isso é meio que novo para mim

—Claro, todos nos contam dês crianças a mesma história sobre nossa origem — ele explicou e continuou — há muito tempo, um garoto, Ivo como o chamamos, nasceu com dons, ele não escondia os poderes, ajudava todos do seu vilarejo com eles. O garoto foi crescendo e Ivo se tornou um homem, ajudando a defender sua aldeia. Um rei de uma outra terra, ouviu histórias sobre esse homem que conseguia fazer qualquer coisa com seus poderes, com inveja juntou um exército pra matá-lo, o rei foi junto pra poder matá-lo com suas próprias mãos. Quando chegaram na aldeia onde Ivo morava começou a guerra, dizem que foi um massacre das duas partes, Ivo tentava proteger cada pessoa do vilarejo mas o rei estava mirando nele, e assim começou uma batalha deles dois, Ivo com seus poderes e o rei desviando deles e contra-atacando com sua espada, no final o rei foi morto com sua própria espada no coração, o resto do exército que sobrou recuou. Muitas pessoas ficaram feridas ou morreram, nosso descendente ficou apenas com alguns cortes.

—Uau. É uma história e tanto — falei ainda processando toda a história — E depois o que aconteceu?

—É aí que vem a verdadeira história- Marco continuou — Depois de alguns anos Ivo casou-se com uma mulher chamada Aura e teve 3 filhos. Dário ,o primogênito; Izy, a pacificadora e Eli, o ambicioso, todos nasceram com poderes. Aura morreu um pouco depois do primogênito completar 20 anos, sabendo que logo se juntaria a ela, Ivo decidiu dividir seus poderes entre os três filhos, e confiar a proteção da aldeia a Dário. Mas Eli queria o posto de seu irmão, e queria ser o mais poderoso entre eles, já percebendo que haveria alguma revolta entre os filhos, lançou um encantamento que nenhum irmão poderia pegar o poder do outro se não fosse dado por vontade própria. Algumas semanas depois Ivo morreu e Dário se tornou o líder da aldeia, com isso se iniciou uma guerra entre os irmãos, os dois brigavam abusando de seus poderes e tentando matar um ao outro, mas eles tinham a mesma quantidade de poderes, para matar o outro tinham que ter mais. Izy com medo que acontecesse algo com ela, fugiu para outro lugar, achou outras pessoas a quem se juntar, algumas com poderes mais fracos, outras normais. E assim começou a guerra, Dário do lado do bem e Eli do lado do mal.

—O que aconteceu depois? — perguntei querendo saber mais sobre o assunto

—Cada um dos irmãos formou um povoado, o bem, o povoado de Dário que impedia qualquer chance do irmão de conseguir mais poderes. O mal, de Eli que passava em cima de tudo e de todos para conseguir o que queria e os humanos. Dizem que Izy rejeitou seus poderes para poder acabar com a guerra, virando uma humana normal, sem poderes nenhum.

—Por que um dos irmãos não pegaram os poderes de outra pessoa?

—Ivo era a pessoa mais forte entre as pessoas com poderes, ele dês do começo não os escondia o que os deixavam mais fortes e foi a mesma coisa com os filhos, então tecnicamente essa família era a mais forte

—Ainda é possível fazer essa transferência de poderes?

—Não. As pessoas daquela época conseguiam porque já nasciam com os poderes sem precisar de descendentes, nós dessa geração somos descendentes deles, temos 1/3 dos poderes que eles tinham- Marco explicou — bom chegamos ao seu dormitório

Nem tinha reparado mas tínhamos andado muito. O corredor da ala dos dormitórios era mais largo, o piso era igual aos outros corredores, também era bem iluminado e as paredes eram brancas, a única diferença era que tinham várias portas intercaladas dos dois lados das paredes, parecia um corredor de hotel

—Se você tiver alguma dúvida pode me procurar, estarei na sala de treinamento ajudando meu pai com os novos recrutas — Marco disse me dando a chave que abria a porta

—Muito obrigada, mesmo. Ah, podemos treinar amanhã? Quero me distrair um pouco — perguntei já abrindo a porta

—Claro, as 9 horas pode ser? — ele me respondeu

—Pode ser, vou só passar na enfermaria para ver minha irmã, espero que ela esteja melhor — abri a porta completamente e um vento um pouco frio me atingiu no rosto — então até amanhã

—Até — ele respondeu e caminhou para fora no corredor entrei no quarto e tranquei a porta, tateei a parede em busca do interruptor, o achei e liguei.

O quarto não era grande, uma cama de solteiro forrada com um lençol branco, um guarda-roupa marrom, uma porta que provavelmente era o banheiro e uma janela?! Como aquilo era possível, estávamos no subsolo?! E ainda estava claro. Deixei isso de lado, nada mais me surpreenderia. Caminhei até o armário e o abri, tinha algumas toalhas de banho, um lençol novo, sabonetes, shampoo e condicionador, também tinha algumas roupas: uma calça legue, uma jeans, uma blusa branca sem mangas e uma bege com, algumas peças íntimas e pendurado no cabide tinha uma blusa de frio azul-marinho. Peguei um par de roupas e fui tomar banho, estava ainda com um pouco de sangue seco nas mãos.

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As roupas serviram perfeitamente, o quarto estava quente, então amarrei a blusa de frio na cintura. Quando sai do banheiro olhei para a janela em minha frente, estava começando a escurecer, a vista era a frente do prédio como se eu estivesse em um segundo andar e não no subsolo. Coloquei as chaves do quarto na mesinha ao lado da cama, abri a janela e senti o ar fresco e gelado, não tinha percebido mas estava morta de cansaço, tirei os tênis e deitei na cama. Só um cochilo e iria ver Melany.

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Estava em um jardim, só paredes de folhagem ao meu redor, comecei a caminha para frente, tive que parar. Outro corredor passava na diagonal, mas eu sabia qual era o caminho certo. Direita, esquerda, esquerda, direita, seguir em frente, no final desse labirinto de paredes gigantes de folhagem, consegui ver a minha frente uma casa, na verdade uma mansão, toda branca, apenas com alguns detalhes pretos, a arquitetura parecia da Grécia antiga. O chão a partir dali era asfalto, caminhei até a mansão observando tudo à minha volta, mas parecia que não tinha ninguém, subi alguns degraus que davam para a porta dupla de madeira da casa. Nem perdi o tempo de bater na porta, a empurrei e entrei. Por dentro parecia ainda mais surpreendente do que por fora, o piso ela todo preto e ilustrado, dava para ver o reflexo; todo o ambiente era branco e no canto da sala tinha uma escada também branca, olhei um pouco mais para cima e pude ver alguém descendo as escadas.

—É falta de educação entrar na propriedade alheia sem bater — era uma voz feminina, com um quê de mistério — Sorte sua que não me importo muito com essas coisas. Esperei por você muito tempo sabia?

A mulher desceu os todos os degraus parou em frente a escada com os braços para trás. Ela era morena, tinha os cabelos castanhos volumosos e um olhar ameaçador. Estava vestindo um vestido longo preto com uma abertura na perna que ia do tornozelo até a coxa.

—Quem é você?- perguntei saindo da porta e caminhando para perto dela devagar

—Sua mãe nunca falou de mim? Que grosseria, tão educada do jeito que ela é ...- ela respondeu com sarcasmo — Alguns me chamam de Darkness, mas pode me chamar de Victoria, Anne

—Já estou cansada de fazer essa pergunta, como você sabe quem eu sou? — perguntei cruzando os braços

—Melhor pularmos para a próxima pergunta, não? Por que você está aqui? Essa pergunta é BEM fácil, eu quero uma coisa que você pode fazer — Victoria começou a falar e parou de repente e estralou os dedos — Que mal educada, você quer alguma coisa para beber?

Um homem de meia idade saiu de uma porta a nossa esquerda carregando uma bandeja com dois copos de água, caminhou até nós e parou ao nosso lado. Victoria pegou um copo e eu peguei o outro, olhei para a água e a cheirei para ver se não tinha nada anormal

—Relaxa Anne, isso é só um sonho, talvez um pouco mais que um sonho, mas não vai acontecer nada com você

—O que você quer de mim? — perguntei depois de tomar um gole de água, coloquei o copo de volta na bandeja, Victoria fez o mesmo e o homem saiu

—Quero apenas que você ache A chave, e que traga para mim, depois te deixo em paz e sua vida volta a ser normal — ela respondeu com um sorriso no rosto

—Não acredito em você. E que tal chave é essa?

—E se eu te disser que sua irmã pode recuperar os poderes? — ela falou colocando a mão direita no meu ombro, sua mão era quente mas quando encostou em mim senti um arrepio na espinha — Você sairia ganhando não é? Você e sua irmã felizes, com uma vida normal e talvez até um namoradinho não é mesmo? E então você aceita?

A vida normal não seria verdade, nossa vida nunca seria normal, mas Mel poderia ter seus poderes de volta. Respirei fundo e balancei a cabeça em concordância mas logo comecei a falar

—Como eu vou saber que chave é essa? E para que é essa chave? — perguntei depois parei e pensei um pouco — O que o seu lado ganharia com isso?

—Calma criança, cada coisa em seu tempo. Você vai saber que chave é essa, está no seu sangue. E acho que sua querida e adorável mãe pode te contar melhor essa história

—Como eu vou lhe entregar a chave? Ou vai me dizer que tem como pelo sonho?

—Bem, já está tudo planejado, depois que você conseguir a chave, vou entrar em contato com você de novo. Meu lado, como você chamou, vai invadir o local e te "sequestrar", não se preocupe não vamos ferir ninguém que você se importe, depois do falso sequestro você me entrega a chave e "escapa"

—E como minha irmã recupera os poderes?

—Na hora certa você saberá como, pode confiar em mim, você está acabando com essa guerra mais cedo do que planejávamos- Victoria respondeu e logo continuou — agora descanse, quanto mais rápido achar, menos tempo terá que mentir para sua irmã, até logo Anne

Tudo ficou branco, acordei do sonho pulando da cama. Coloquei minha cabeça para fora da janela, estava com falta de ar, respirei fundo e fechei os olhos. Fui interrompida por batidas na porta, levantei da cama, que era bem embaixo da janela, e fui atender à porta, mas antes peguei a chave da mesa de cabeceira para destrancá–la. O guarda da cicatriz, o mesmo que interrompeu a minha conversa com Samanta, estava de frente a porta em uma postura rígida, ele era alto me fazendo senti uma anã perto dele.

—A comandante solicita sua presença para o jantar em seus aposentos — o guarda falou

—Isso é obrigatório? — perguntei sarcástica

—Pelo olhar dela enquanto falava para chamá-la, parece que sim, é obrigatório- ele respondeu com um leve sorriso no canto da boca

—Então melhor não me atrasar- o soldado deu alguns passos para trás para que eu pôde-se sair, tranquei a porta e segui ele pelos corredores.

Notas finais
Gente eu achei ela legal para ser a Anne, o que vocês acham? : http://www.polyvore.com/alexa_losey_alexalosey_big_announcement/thing?context_id=14623792&context_type=user_fav&id=135568241