Segredos

2 01 de Fevereiro de 2012


Primeiro dia de aula do último ano na escola mais chata do mundo, o vento parece está mais frio que nos outros dias, as ruas até a escola estão desertas e enevoadas, passo pela casa dos Watson, a casa mais temida desde a morte estranha da Senhora Watson, olho para a piscina onde a água que se esqueceu de tirar estava congelada e as bordas cheias de neve. É esquisita a sensação que sinto ao passar por esta casa. Quando eu era pequena, meu pai me trazia aqui para brincar com o filho mais novo dos Watson, Benjamin, mas deixei de andar por lá, a mãe dele nunca gostou muito de mim, sempre me tratou com arrogância. Afastando-me um pouco da casa já podia ver a escola. “Nossa que empolgante, não posso nem imaginar o tédio que está por vir.” Minhas melhores amigas já estão na praça que fica em frente ao colégio e como sempre Lois e Mads vem em minha direção e me dão um abraço.

– Bom dia sua sumida! – Lois parecia que estava mais feliz que nos outros dias, apesar do fato de ela nunca esta triste com nada que acontece com ela. – Como passou suas férias?

– Bem. Eu acho. – Realmente não tem como mentir para elas, senti um pouco mal por dar um sorriso um tanto falso. – E a de vocês? Divertiram-se bastante?

– Bom se eu não tivesse passado as férias com o idiota do meu primo teria sido melhor. Ai! Eu passei as férias todas assistindo o novo DVD dos meus babys. E a nojenta da Lois ta me matando de curiosidade, já faz uma semana e ela ainda não postou o capítulo da fic. Ah! Eu já te contei? Hoje é o aniversario de Harry.

Mads era igual à Lois, alegre demais, a diferença era que Mads era um pouco mais ignorante, mas ao mesmo tempo ela era muito tranquila, ela e Mads são apaixonadas por uma banda britânica, as Lois até criou uma fanfic, que não vem ao caso agora.

– Nossa que lindo, eu vou chorar. Mas vamos falar do que é importante quem será a sortuda que vai ganhar um abraço desse homem perfeito e lindo aqui. Sei não sou difícil demais, só quem me merece sou eu mesmo. – E lá estava o convencido do Timmy, com seu casaco customizado e com uma faixa na cabeça com o nome RHCP.

– Ai Timmy deixa de ser idiota e dá logo um abraço na gente.

– Desculpa Dona Mads, esqueci que você é louca por mim e não vive sem meus... – Calando-se com uma tapa na sua cabeça. – Ai Mads!

O sino da tortura diária toca, e o sofrimento começa. – Bom é melhor a gente ir entrando, não quero ouvir no primeiro dia de aula sermão da chata da Senhorita Clarkson.

– Ouvi falar que entrou alguns novatos em nossa turma. Vocês estão sabendo disso? Espero que venha muitos garotos bonitos.

– Quem te falou isso Lois?

– A Senhorita Clarkson... – Lois como sempre empolgada para fazer novas amizades, não ia perder agora uma oportunidade.

– Vei... Na boa! Mais gente para a mundiça da nossa sala? Espero que sejam legais.

– Ouvi falar que alem dos alunos novatos, a Senhora Gonger se demitiu, dizem que ela ficou maluca depois que seu filho foi para a universidade. – Lois falava com frieza, raramente ela agia dessa forma.

– Graças a Deus, não suportava mais ver aquela mulher mais nenhum dia.

– Mads, você nunca aguenta ver os professores, nenhum deles.

– Deixa de ser ignorante Timmy. Pelo menos nos livramos de mais um..

Na hora do intervalo, já estavam pedindo silencio a todos nós ia acontecer um pequeno e breve discurso, que, como todo o ano, a diretora da às boas vindas a todos os novatos e veteranos, e apresentar os novos funcionários. Todos se calam e a Senhorita Clarkson começa a falar, como de costume fala um pouco de como o colégio chegou à colocação como uma das melhores instituições. E chega na hora de apresentar os funcionários. Eu não conseguia enxergar caras novas, só via os mesmos professores.

– Onde está ela? Vê Lois? Eu não estou vendo ninguém novo. Cadê a nova professora? – Timmy estava ansioso. – Ela deve ser bonita...

– Pensa Timmy. Pode ser um professor, ou uma velha bem feia.

– Sem graça. Lois vá conversar com suas amiguinhas pra lá.

Teck! Uma porta no refeitório começa a se abrir. Teck! Teck! Teck! Um homem muito baixo aparece na porta. – Desculpe-me, cheguei um pouco atrasado.

– É ele? Que droga! Eu esperava alguma mulher bonita.

– Espera a Senhorita Clarkson vai o apresentar.

O homem baixinho e estranho chega pero da diretora. – Esse, para quem não o conhece é o Senhor Phillips, e, ele será responsável pela limpeza de todas as salas. Então não sujem muito elas para facilitar o trabalho dele. Obrigada! E boa aula!

– Nossa, o baixinho não é o substituto. Ainda bem, não gostei dele. Vamos ter que esperar para conhecê-la.

– Pode ser um homem ou uma mulher bem velhinha. Pelo visto vamos ter aula vaga! – Bom meus amigos não eram aqueles que gostavam muito de assistir as aulas.

Saindo mais cedo fiquei me lembrando de como foram as minhas férias. Fiquei me lembrando dos momentos bons, ou melhor, tentando lembrar. Não estou com vontade de ficar sozinha em casa. Decidi dormir na casa de Mads. Passei em casa, tomei um banho, arrumei minhas coisas e liguei para Mads. Caiu na secretaria. – Mads sou eu Sophie. Vou dormir ai hoje a noite. Quando chegar de seja lá onde você esteja me liga tá?

– Oi amiga eu to aqui. Sorry. Minha mãe saiu e eu estava tomando banho. E também eu achava que era... Que era o Josh. Mas é muito difícil ele ligar.

– Eu sei... Josh esta um pouco afastado não é. Estou indo dormir ai certo? Ai a gente conversa melhor. – Sorri para mim mesma e desliguei o telefone. Desci as escadas lentamente como se houvesse mais alguém na casa que eu não quisesse acordar, e sai fechando a porta sem a deixar ranger. Peguei a moto de Nick e fui até a casa de Mads.

Por ser quase do outro lado da cidade, cheguei lá à noite, ela já estava me esperando com sorvete, filmes e pipoca.

– Vamos aproveitar que não tem ninguém para dizer que estamos muito gordas para comer tudo isso. E mais, daqui a pouco vou fazer brigadeiro. O que você quer fazer primeiro? Comer, assistir filme, conversar, ou fazer tudo junto?

– Fazer tudo junto.

– Perfeito. – Mads estava animada demais. Dando para perceber que ela estava, como sempre, disfarçando.

– Amiga. Como é que você está? Isso tudo é para distrair não é? – Mads abaixa a cabeça. – Isso não é para se envergonhar. Ia acontecer isso de qualquer forma, ele é um idiota mesmo. – Paro de falar quando eu escuto um barulho fora da casa, perto da janela. – O que? O que foi isso?

– Não sei! Eu estou com medo.

– O que é isso? Você com medo? Essa não é a Madeline que eu conheço. Deve ter sido só o vento. – Não estava conseguindo entender Mads. Ela estava demonstrando vários sentimentos. Raiva, medo, tristeza, e sempre junto a cada um deles a felicidade. Como se ela estivesse tentando esconder alguma coisa de mim.

Quando fomos dormir, fiquei pensando no som que eu ouvi, e na sombra que eu acho que vi. Mas mesmo assim, fui dormir tranquila. Eu não estava em casa e estava com minha amiga. O que poderia dar errado?