Notas iniciais
Boa leitura ;)

Há algum tempo eu e a Samanta estávamos brigando feito gato e rato, e não estávamos nos entendendo de maneira alguma. Foi nessa Época que a Joana começou a fazer uma presença significativa.

Eu conheço a Joana a uns 3 anos, jogávamos juntas handball na escola, e em alguns campeonatos. Quando mudamos de escola, meio que perdemos o contato. Mas agora nos falamos como loucas.

Nem precisei de muito tempo para colocar meus sentimentos a Prova, eu não estava bem com a Sam, e a Jô estava me fazendo sentir amada.

Eu não queria terminar com a Sam, tinha medo disso, eu me sentia muito bem com ela, como nunca me senti, o que me incomodava era o excesso de brigas que andávamos tendo.

Naquela semana, quase não falei com a Sam, toda vez que nos falávamos algo era motivo para discussão. Não posso negar que boa parte da culpa era minha, eu estava passando por mal momentos, e não contei nada a ela, e agora que meu sentimento estava divido, era mais uma coisa que eu escondia.

Foi na Quarta-Feira que eu marquei de sair com a Joana depois da escola. Nos encontramos no terminal para decidir o melhor lugar para irmos.

-Oi – Ela cumprimentou assim que cheguei.

-Oi. – Disse dando-lhe um beijo na bochecha.

-E então, para onde vamos?

-Acho melhor uma praia, ou algo assim. Tem muitos conhecidos por aqui.

-Por mim tudo bem. Mas tem certeza que quer fazer isso?

-Absoluta, preciso entender o que está acontecendo.

-Não acho que seja a melhor maneira, mas não posso negar que quero resolver as coisas.

-Eu imagino que sim, mas não quero te iludir, você sabe disso.

-Sei muito bem onde estou me metendo. Se você decidir ficar com ela, vou respeitar.

-Certo. Vamos então, que daqui a pouco ela pode aparecer.

Entramos na plataforma dois do terminal, onde pega o ônibus para Itaipu. Esperamos cerca de uns dez preocupantes minutos, porque estávamos exatamente na mesma plataforma que a Sam pega ônibus.

Finalmente o ônibus chegou, entramos e sentamos nos últimos bancos, queríamos um lugar um pouco reservado.

A viagem foi um pouco longa, nos ocupamos conversando sobre outras coisas, como por exemplo nossos pais que não aceitavam de forma alguma nossa “opção sexual”. Vira e meche tocávamos em algum assunto que me lembrava a Sam, o que só me deixava angustiada. Mas eu não ia voltar atrás, não agora. Eu iria saber o que estava acontecendo comigo. Talvez da pior forma, mas foi a mais decisiva que encontrei.

Descemos do ônibus pelo caminho, decidimos ir para a praia de Itacoatiara que era caminho para Itaipu. Andamos um pedaço até lá, conversando um pouco mais.

Eu estava nervosa, sempre fiquei nervosa quando marcava de ficar com alguém. Ainda mais agora que o medo da Sam saber me dominava.

Finalmente chegamos a praia, andamos um pedaço da areia e subimos na pedra que tem lá. Mesma pedra que eu havia ficado conversando com a Sam num dia que eu estava arrasada.

Sentamos de frente para o mar, isso me acalmava. Meu coração bateu forte com toda a situação. Por um lado eu queria estar certa e que aquilo não fosse em vão, por outro lado eu queria estar mais do que errada e ter a minha Sam de volta, da maneira que a conheci.

Em poucos minutos, a Joana decidiu tomar a iniciativa, segurou a minha mão, e passou a outra mão em meu rosto, me fazendo olhar para ela. Seus olhos Brilhavam, a expectativa dela era muita. Já os meus olhos, eu não faço idéia do que demonstravam.

Ela se aproximou de mim, e eu não fiz nada para impedir, meu coração pulava mais de nervosismo do que de expectativa. Seus lábios tocaram os meus, e no mesmo momento meu mundo veio abaixo.

Retribui o beijo, buscando aquilo que eu já estava acostumada a receber. Beijei cada vez com mais intensidade.

As mãos da Joana seguraram a minha cintura, me puxando para perto dela, praticamente colando meu corpo no dela. Me deixei levar pela situação, envolvi meus braços em sua cintura.

Deitamos na pedra de lado, uma de frente para a outra, com os corpos colados e nos beijando.

Em meio ao beijo me soltei dela e sentei novamente, olhando o mar, meus olhos se encheram de lágrimas. Ela se sentou também e ficou me olhando, esperando por uma resposta, tentando saber o que fazer.

-Desculpa. – Eu disse. – Nunca devia ter feito isso.

-Não, eu que não deveria ter concordado.

Sem controle as lágrimas foram descendo pelo meu rosto, eu agora conseguia compreender o tamanho da burrada que eu acabara de fazer. Eu amava a Sam apesar de todos os defeitos dela. Eu amava cada pedaço do seu corpo, cada toque seu, cada beijo, e cada momento que ela me proporcionava. No fundo, eu só queria estar bem com ela.

-Eu me sinto péssima. – Acabei soltando. – Não por você, na verdade foi bom, mas por ela.

-O que quer dizer com isso?

-Que seremos amigas, eu a amo, e ninguém vai mexer comigo como ela mexe.

-Entendo.

-Tudo bem para você?

-Sim, apesar de eu ter tido esperanças da resposta ser outra, eu disse que iria respeitar sua decisão. Afinal a intrometida fui eu.

-Ela não pode saber, eu jamais vou suportar se ela terminar comigo.

-Da minha parte ela nunca saberá.

-Eu me odeio por ter que esconder isso dela.

-Vai ser melhor, se ela souber, vocês nunca mais ficarão bem.

-Eu sei, por isso mesmo que terei que guardar isso pro resto da minha vida.

Entramos no consenso de não contarmos nada para a Sam, mas eu não sabia de onde tiraria forças para enganá-la, eu não podia perder meu amor, não agora que eu tinha certeza do quanto era somente ela que me fazia tão bem.

Saímos da Praia quase sem nos falarmos, eu não conseguia olhar na cara dela direito sem lembrar do que aconteceu, do toque sem gosto dos seus lábios, e do meu esforço para sentir alguma coisa.

Saltamos no terminal e nos despedimos rapidamente, eu não queria falar com ela agora, ela sabia e entendia, ela estava mal por ter aceitado algo que poderia me destruir.

Com a cabeça cheia, eu não conseguiria ir para casa, só pioraria minha situação. Aproveitei que era na mesma plataforma, e peguei o ônibus que leva a casa da Sam.

Rezei para que ela estivesse em casa, enquanto todo o percurso foi uma tortura. Eu precisava de algo para limpar meus pecados, e por mais egoísta que isso fosse, eu sabia onde conseguir.

Depois de muito tempo no busão, finalmente desci no ponto da casa dela, andei um pequeno pedaço e em pouco tempo estava na frente do portão. Apertei a campainha.

Em menos de um minuto ela apareceu na varanda para verificar quem estava chamando. Sorri assim que a vi, esquecendo de tudo que havia acontecido.

-Não esperava sua visita. – Ela disse abrindo o portão.

Sem falar nada, me joguei nos seus braços e a beijei o mais intensamente que consegui. E por mim, ficaria toda a eternidade naqueles braços, e naquele beijo.

Notas finais
E aeh.. Gostaram? espero que sim ^^
abraço a todos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!