Uma estonteante vista do mar Grego ao entardecer. A água do mar refletindo em pequenas áreas seu azul céu, aonde os feixes da luz do sol ainda passavam, aonde as nuvens não a cobriam. O som das aves desejando ao mundo uma boa noite em Pátras, a terceira maior cidade Grega, com clima agradável, por volta dos 23 graus no verão.

Bem, este era um dia como outros em minha vida, não imaginava que tudo poderia mudar tão rápido, que tudo poderia ser diferente do que eu já tinha aprendido com a minha vivência. Eu costumava trabalhar com um médico, mas era mais no ramo burocrático desta profissão de saúde. Organizava os papéis dele, seus horários com a família, o tempo para poder almoçar entre outras tarefas de um secretário, acho que este é o nome que vocês dão a quem faz isso normalmente. Eu conseguia as vezes sair mais cedo de meu trabalho, após terminar minhas tarefas, o médico para quem eu trabalhava nunca se importou muito com meus horários, mas claro, ele sendo um cirurgião em uma cidade grande o deixava muito ocupado com as coisas dele, bastava apenas para ele, eu deixar o seu cronograma preparado. Quando estes dias em que eu saia mais cedo ocorriam, eu aproveitava para dar uma passeada na passarela e observar o mar, gostava muito de ir andado até minha casa, ficava a 3 quilômetros do trabalho, mas eu nem percebia o tempo passar, e no escritório havia uma garagem também, o que me deixava mais tranquilo para fazer estas caminhadas ao lado das belas águas do mar grego.

Tudo esta muito lindo até agora, mas vocês ainda não sabem a data em que isto ocorreu, em quais choques o mundo se encontrava, então vou direto ao ponto, que é aonde quero que prestem mais atenção. Nenhuma paisagem mais tinha importância para mim a partir do dia 28 de outubro de 1940, porquê foi o dia em que a guerra Greco-Italiana tinha oficialmente um início.

Claramente como já devem imaginar, eu, um simples homem que trabalhava em um escritório médico, com 1,80 m, pesando 90 Kg de 23 anos, não estava devidamente preparado para fazer parte de uma guerra, não queria, não merecia. Afinal, quem merece fazer parte de brigas sanguinárias que só defendem orgulho e ganância de poucos, mas sacrifica muitos, não somente em vidas, mas também em crescimento dos menores que dependem de pessoas que vão a guerra. Eu felizmente (sim, felizmente) não tinha ninguém dependendo de mim, não era casado ou tinha namorada, não precisei ficar imaginando como seria a vida destas pessoas preocupadas, sem saber se um dia voltaria vivo ou morto. Mas o que eu poderia fazer?! Já estava ali, pegando o ônibus que o exército grego escolhera para buscar "homens de honra" e defender seu país contra os Italianos. Haviam pessoas naquele ônibus que realmente estavam preparadas para um combate deste tipo, sabe?! Aqueles homens com 1,90 ou 2 metros de altura, com os músculos pesando metade do que peso, com um olhar de querer sangue a qualquer preço, na raiva de ter algo seu tentando ser tomado.

A nossa viagem demorou por volta de 4 horas e meia até Atenas com todas as paradas no caminho para pegar mais soldados. Eu observava durante o caminho e me pegava imaginando o que todas aquelas paisagens belas do meu país se tornariam com a guerra. Era fácil imaginar pilhas de corpos na areia das praias que costumavam ser pacíficas, o sangue dando uma coloração avermelhada ao mar. Mas fazia isto só para ver se o tempo e a ansiedade passavam mais rápido dentro daquele ônibus. Quando chegamos ao nosso QG (Quartel General) fomos orientados a formar uma linha e o sargento Tomás nos explicou algumas regras:

— Senhores, vocês chegaram a pouco tempo em meu comando, vocês acham que estão aptos ao o que está sendo proposto a vocês aqui?
— Desculpe senhor, mas não acho que fomos propostos a nada, não tivemos escolha. Disse um homem magro, por volta dos 30, com cabelos ondulados pretos.
— Oh cabo, como é seu nome mesmo?! Acho que é Pietro pelo o que seu crachá diz. Você quer bancar o esperto em meu batalhão?! Você não acredita que deveria defender o seu país?! Pague 50 flexões por me interromper, agora!

Ainda me lembro da cor que Pietro ficará, ele tinha comido moussaka aquele dia (mais ou menos uma lasanha sem massa com berinjela, carne de cordeiro e mais alguns temperos), sei disso pois o cheiro do vômito dele ficou ali no chão, no calor, enquanto o sargento ainda nos explicava coisas:

— Vocês ficaram nos dormitórios da ala C do QG, é nele em que os cabos ficam. Também serão supervisionados para não tentarem ser engraçadinhos e fugirem de um dever para com seu país. O banheiro fica a noroeste do dormitório, lá vocês perceberão que os chuveiros tem suas áreas abertas, não existem paredes entre eles. O restaurante do QG fica a sul do dormitório de vocês.... E assim ele foi continuando com as instruções que já imaginam, apresentando o lugar e essas coisas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.