Segredo de família
13 Awake
P.O.V. Elijah.
Jean finalmente acordou. Acordou meio confusa e sonolenta, olhava para todos os lados ao mesmo tempo.
Ela tinha a aparência de uma criança de seis anos.
—Oi docinho. Como se sente?
—Maior. E tudo é mais barulhento e diferente.
—Diferente?
—Eu consigo ver através das coisas, mas não como visão de raio-x diferente.
—Você consegue acessar o DNA de todas as outras coisas.
—Como?
—Você atingiu o cem por cento.
—Mamãe, eu sinto tudo. O sangue nas minhas veias, as vibrações, eu me lembro do gosto do sangue na minha boca quando mamei pela primeira vez, do móbilie de estrelas, do líquido meio viscoso. Eu sinto o ar, a gravidade... eu sinto meu cérebro. As partes mais profundas da minha memória. Eu me lembro do barulho dos meus ossos crescendo, um leve ranger de baixo da pele. Eu lembro do gosto do seu líquido amniótico.
—E era bom?
—Comparado com sangue... não.
Renesmee deu risada.
—Sei exatamente o que quer dizer. Vem, você tem que comer.
Ela deu um copo de plástico na mão de Jean.
—Não. Eu quero de vidro.
—Tudo bem.
Renesmee tinha colocado um vestido rosa em Jean, mas esta tinha se recusado a colocar sapatos.
—Pronto?
—Mais.
Ela consumiu todas as bolsas de sangue da geladeira.
—O vovô vai ter que comprar mais sangue.
—Eu to em fase de crescimento!
—Eu sei. Não to reclamando, é só uma observação.
—Mãe?
—O que?
—Eu posso ir brincar no jardim?
—Claro.
—Eu posso ir também pai?
Perguntou Hope para Niklaus.
—Pode.
—Podemos ir também mamãe?
—Podem.
Todas as quatro crianças da nossa família foram correndo para o jardim.
P.O.V. Jean.
Minhas primas e eu estávamos decidindo do que iríamos brincar.
—Pega-pega.
—Pega-pega não dá. Precisa de mais gente.
—Tem razão.
—Elefantinho colorido.
—Tá. Mas, nada de velocidade de vampiro.
—Porque não?
—Porque a Hope não tem.
—Tem razão.
Nós ficamos brincando durante um tempo até eu gritar:
—Parem! Parem agora!
—Porque?
—Tem gente vindo e não são amigáveis. Vão chamar os nossos pais.
—E você?
—Vão agora.
Eu controlei elas. Sem precisar olhar nos olhos. Eu estou começando a controlar o corpo dos outros.
Então eles chegaram, mas não conseguiram atravessar a barreira.
—O que é isso?
—É magia seu idiota.
Eu fui até eles. Eles eram vampiros com certeza.
—E quem é você querida?
—Primeiro, não me chame de querida e segundo eu sou Jean Cullen Mikaelson.
Vi os olhos escarlates do homem brilharem de cobiça.
—Muito prazer eu sou...
—Aro Volturi. Não precisa se apresentar sei quem você é e sei quem são todos eles.
—Jean!
A minha mãe e o meu pai vieram correndo.
—Tá tudo bem mãe. Enquanto eu tiver desse lado eles não podem me pegar.
—Pensei que fosse menor.
—Eu era. Se tivesse chegado ontem eu ainda seria bebê.
—Amor, porque você não vai lá pra dentro com as suas primas?
—Tá brincando?! Eu é que não vou deixar a diversão só pra vocês.
—Diversão?
—Vocês vão levar porrada imbecis!
—Jean!
—Mas, é verdade. E Jane?
—O que?
—Acho melhor enxugar seu nariz.
—O que?
O nariz da vampira começou a sangrar e então, os olhos começaram a sangrar e dai os ouvidos.
—O que está acontecendo?
—Consigo controlar meu metabolismo e estou começando a controlar o corpo dos outros.
Então eu consegui me conectar com ela, consegui entrar na frequência das ondas cerebrais dela. Comecei a mandar comandos do meu cérebro para o dela, acessei suas memórias e comecei a controlar o corpo dela de dentro.
—Jane o que está fazendo?
—Eu não creio que seja a Jane. Jean, pare.
P.O.V. Jane.
Eu sinto ela, sinto ela dentro de mim, me controlando. Ela é muito forte, não consigo resistir.
—Jean! Jean pare!
Ela me fez torturar o Mestre Caius, depois, o Mestre Marcus e por fim o Mestre Aro.
O pai da menina tentou se aproximar, mas a mãe o advertiu:
—Não Elijah! Se quebrar a conexão bruscamente pode matar as duas.
Ouvi minha voz sobreposta á dela:
—Isso é pra vocês aprenderem a serem legais com as pessoas.
Então, eu estava no controle novamente.
—Eu sinto muito Mestres. Eu não podia controlar, não conseguia resistir ela era muito forte.
—O que?
—A Jean estava controlando o corpo da Jane. Como um fantoche, só que sem as cordinhas. Ela se conectou á frequência cerebral da Jane e a forçou a fazer o que ela queria que a Jane fizesse.
—Como?
—Eu uso cem por cento da minha capacidade cerebral que nem a minha mãe. A gente devia fazer uma viagem, conhecer lugares novos, fazer compras. Eu adoro fazer compras e preciso fazer compras. As minhas roupas não cabem mais em mim.
—Boa ideia.
—Eu quero ir para Paris, naquela rua famosa. Mas antes, vamos pra Beverly Hills!
—Todos os seus alunos são...
—Podres de ricos sim. A mesada deles é maior do que o salário de muita gente.
—Vamos mesmo viajar pra fazer compras?
—Vamos. Eu preciso passear um pouco e depois de tudo o que aconteceu nesses últimos meses todos merecemos um mimo.
—Oba! A tia Ali vai pirar!
Vi a menininha sumir. Ela era veloz.
P.O.V. Aro.
Uma criança que tem capacidade de controlar outros vampiros? Que tem velocidade de vampiro?
—E toca piano, violino e arpa francesa. Ela é auto-ditada. Ela acordou a menos de vinte e quatro horas e já sabe falar dezesseis línguas fluentemente e está aumentando. O conhecimento e o poder também.
A mãe entrou atrás dela e o pai atrás da mãe.
P.O.V. Cléo.
Ai que empolgante! Vamos viajar e vamos viajar para fora do país. Uma viajem turística e de compras!
A diretora começou a fazer os preparativos para a viajem. Com tantos alunos vai levar um tempo, mas do jeito que o cérebro dela funciona vai levar bem menos tempo do que imaginamos.
Eu vejo que a Jessica e o Kol estão se aproximando, assim como o Klaus e a Caroline.
E o senhor Elijah está se aproximando cada vez mais da filha. Isso é bom.
P.O.V. Elijah.
Viajar em uma excursão. Eu nunca viajei de excursão. Verdade seja dita eu nunca fiz muita coisa, passei grande parte da minha existência fugindo do meu pai ou dentro do caixão.
—Jean? Onde vai?
—Vou dormir com a mamãe. Eu não caibo mais no berço.
—E o que vai ser feito do berço?
—A mamãe vai colocar na ala do berçário eu acho. Ou doar pra alguém.
—Porque?
—Porque eu não uso mais e tem muita criança por ai que precisa. Dá pra perceber que você não tá muito familiarizado com esse conceito. Chama caridade.
Ela falou irônica.
—Sou seu pai. Não se fala assim com o pai. Se respeita o pai.
—Jura? Você já perdeu a conta de quantas vezes matou seus pais e vem querer implicar comigo por falar a verdade pra você? É muito sem noção.
—Sem noção?
—Você ainda não percebeu que não tem nenhuma moral pra dar lição de moral? Ninguém acredita em você. Nem a tia Rebekah acredita em você e dentre todas as pessoas no mundo você quer tentar enganar alguém que consegue ler a sua mente? Não muito inteligente. Eu não engulo essa de homem nobre. Não vou acreditar no seu falso amor que só que me iludir, me enganar isso é cao.
Ela saiu andando em direção ao quarto da mãe, vestindo um pijama com desenho de borboletas rosa que consistia num short e blusa regata. E carregava seu travesseiro com fronha rosa.
Jean bateu á porta e Renesmee abriu.
—Pijama legal.
—Obrigado. O seu também é lindo.
—Quando é que a gente vai viajar?
—Mês que vem.
Eu precisava de conselhos, então fui atrás do único pai que eu conheço.
—Olá Elijah.
—Niklaus. Preciso de ajuda.
—Você? Você pedindo a minha ajuda?
—É. Como consegue? Como faz ela confiar em você?
—Ela quem?
—Hope.
—Eu cuidei dela desde que era bebê, mas eu me lembro de quando nos conhecemos pela primeira vez. Ela ficou assustada. Mas, cada criança é uma criança. A Hope é a Hope e a Jean é a Jean.
—E o que eu devo fazer?
—Sobre?
—Ela disse que não acredita que eu a amo. O que devo fazer?
—Faça a acreditar. Faça ela ver que se importa, um ato vale mais do que um zilhão de palavras.
Então eu comprei uma boneca pra ela e ela ficou empolgada quando viu o pacote, mas quando abriu o sorriso e a empolgação morreram.
—O que?
—Homens. Eu não gosto dessas bonecas. Eu gosto de bonecas de colecionador, edições limitadas. Eu coleciono bonecas. Mas, acho que vale a tentativa.
Ela me abraçou e disse:
—Obrigado por tentar.
Então ela deu um beijo na minha bochecha.
—Que tipo de boneca você coleciona?
—Barbie, bonecas Reborn e bonecas de porcelana. Você quer ver a minha coleção?
—Quero.
Ela me puxou pela mão e nós entramos no quarto. Haviam várias bonecas cuidadosamente organizadas e expostas como numa vitrine.
Cada uma tinha uma roupinha diferente. A maioria das Barbies usava vestidos. E cada uma tinha um nome.
—Essa é a minha favorita. A Rapunzel. Sabia que Rapunzel é alface?
—Sabia.
—Eu tenho todas as histórias de contos de fadas, em todas as versões, mas as versões originais são as minhas preferidas apesar de que, eu ainda não sei o que algumas palavras significam. Elas são muito velhas, não são usadas mais, eu procurei no Google e algumas eu achei, outras não.
—Talvez eu possa te ajudar com isso.
—Sério?!
—Sério.
—Ta bem.
Ela começou a procurar os livros. E quando achou fez uma careta.
—Porque a careta?
—Como era minha mãe que lia pra mim, ela que guarda e ela guardou no alto. Lá.
Ela apontou para um armário antigo de duas portas, o armário era realmente alto. Ela abriu as portas, mas não conseguiu alcançar os livros.
Jean tomou fôlego.
—O que vai fazer?
—Chamar a mamãe.
—Pra que?
—Pra ela pegar o livro! Eu não alcanço!
—Posso pegar pra você. Qual deles você quer?
—Aquele. A capa é cor de rosa e as letras parecem de carta antiga.
—Esse?
—É.
—E qual história você quer ler?
—Eu marquei as palavras que eu não sabia e eu só quero saber o que quer dizer.
Comecei a folear o livro e vi as palavras sublinhadas com lápis. Eu fui dizendo os significados das palavras e ela ia anotando algo numa folha de caderno.
—O que está fazendo?
—Um glossário.
—Eu vou devolver a boneca e te comprar uma das que você gosta.
—Eu tenho uma lista de todas as bonecas que eu já tenho.
—Você fez a lista?
—Não. Minha mãe fez e encadernou.
Jean abriu uma gaveta de sua penteadeira e tirou de lá um calhamaço de folhas sulfite encadernado.
—Eu pintei a capa como eu queria. E desenhei nas folhas.
O encadernado estava todo cheio de glitter, adesivos e lantejoulas.
Comecei a folear e a maioria dos nomes de bonecas estava marcado com grifa texto rosa.
—O que os nomes marcados significam?
—As que estão pintadas de rosa são as que eu já tenho. E as que não estão pintadas são as que eu não tenho.
Fale com o autor