Segredo Virtual
1 Capítulo 1 Amigos Virtuais
Notas iniciais
Todas as pessoas têm pelo menos um amigo, imaginário ou não, e nesses novos tempos, os amigos verdadeiros são os virtuais. Alguns são fakes, já outros são verdadeiros e postam suas próprias fotos! Mas a amizade entre dois amigos virtuais pode virar AMOR, ou até mesmo ÓDIO.
Em um quarto totalmente escuro, sem nenhuma brecha de luz existente, se ouve uma pessoa levantando de sua cama e caminhando. De repente, a tela do computador acende, iluminando levemente o cômodo, dando, agora, para enxergá-lo um pouco. Uma garota com a aparência entre 17 e 20 anos se senta em uma cadeira e logo começa a mexer em seu computador.
Atrás da tela havia duas caixas de som pretas. A moça tinha longos cabelos negros, sua pele era muito branca, seus olhos eram castanhos e havia uma cicatriz em sua mão pálida. A garota entra em sua rede social, possibilitando a leitura de seu nome, em eu perfil: "Sara Hernandez". Então, uma batida forte na porta; Sara se levanta e vai abri-la. Lá está uma mulher com uma camisola branca e cabelo solto, com a aparência de 40 anos.
—O que você quer, mãe? — Diz Sara.
—Seu pai morreu há seis meses, Sara, e há seis meses eu tenho sido paciente com você, mas agora já chega, ou você volta a estudar e arruma ou trabalho ou você vai embora da minha casa!
—Você é minha mã...
—E você é minha filha! — A interrompe, olhando para Sara de um jeito severo. Ela tenta fechar a porta, mas sua mãe não deixa. — Você tem três dias pra decidir o que quer da vida. Não é só porque sou sua mãe que vou sustentar uma mulher maior de idade como você. — O clima tenso bate. Sara, dessa vez, consegue fechar a porta.
Quando enfim pode voltar pra sua rede social, alguém a chama no chat. "Dylan Augustos" é o nome escrito.
CHAT:
Dylan: Acordou cedo hoje!
Você: Sempre acordo 10 da manhã
Dylan: Aham,Sei :v
Você: Novidades sobre Bonitas Mentirosas?
Dylan: Vc sabe que eu odeio essa serie
Você: E sobre aquele filme do Homem-Mosquito?
Dylan: *-* Ai sim.Sabia que ele tem o poder da dengue?
Você:Saquei :v :v
Dylan: :v
Você: :v
Dylan: :v
Você: :v
Dylan: :v
Você: Cansei
Dylan: :v
Você: Essa carinha combina com tudo :v
Dylan: :v
Você: Para :v
Dylan: Parei u.u
Você: Quero te conhecer e.e
Dylan: Entra na tela do computador e vem
Você: É sério :v
Dylan:Se quiser me seqüestrar e botar num potinho...
Você: Cê tem chocolate?
Dylan: Tenho, já pode casar comigo u.u
Você: Minha mãe tá me enchendo o saco
Dylan: O assunto do seu pai de novo?
Você: Acho que vou ter que sair de casa
Dylan: Por que não volta a estudar?
Você: Eu cansei disso, de ter que gastar metade da minha vida aprendendo coisas que nem vou usar
Dylan: Precisamos disso Sara, somos obrigado a isso, ou prefere virar uma mendiga?
Você: Odeio a sociedade
Dylan: Legal,bem loko, EMPOLGANTE
Sara se levanta da cadeira com um sorriso no rosto, saindo do quarto em direção a cozinha. Sua mãe está lá bebendo café, sentada na cadeira em frente a mesa.
—Eu vou embora daqui. — Diz Sara, abrindo a geladeira e pegando uma garrafa d'água.
—Olha, Sara, eu não quis dizer...
—Quis sim! Vou embora daqui, amanhã. — Ela fecha a geladeira e fica com a garrafa ainda fechada na mão.
—E aonde vai ficar?
—Eu dou meu jeito. — Ela volta para o quarto.
—Filha, espera...
Sara volta ao quarto, fecha a porta e volta para seu computador.
Chat:
Você: Dylan,e se eu aparecesse ai do nada,como seria?
Dylan: Bem loko :v
Você: Me passa seu endereço :v
Dylan: :v ok então
Assim que lê o endereço, ela se levanta e abre seu armário bagunçado, pega um livro que está entre a montanha de roupas e o abre. Dentro do livro há um envelope, o qual Sara abre, encarando as notas de dinheiro e voltando para o computador.
Chat:
Você: Já pode garantir seu presente de aniversário
Dylan: Eu dei meu endereço pra isso :v
Você: :v Caso chegue um bolo todo amassado aí, não fui eu, tá?
Dylan: Ok então :v
A jovem pega a garrafa d'água e a abre, bebendo-a até a metade. Ela a deixa em cima da mesa do computador, se levanta e pega uma mala debaixo de sua cama. Seu celular toca e ela atende:
—Alô?
—Oi, Sara!
—Carla?
—Magina, sou a caipora. Mas, e aí, tá tudo bem?
—Eu vou sair de casa.
—Como assim? A Tia Célia te mandou embora?
—Eu que decidi sair.
—E você vai ficar aonde?
—Sabe o Dylan?
—Você por acaso ficou louca? Ir morar com um amigo virtual que nem conhece.
—É uma boa chance para conhecer!
—Ele concordou com isso?
—Ele nem sabe, é surpresa.
—Você é louca, tá pior que eu.
—Tenho que desligar, tchau.
—Sara, você tá falando ser...
E a ligação é encerrada antes que Carla pudesse terminar. Sara arruma suas roupas e bota dentro da mala, que deixa sobre a cama. Em seguida, pega uma roupa e vai até o banheiro. Meia hora depois, ela volta arrumada. Sua mãe entra no quarto.
—Sara, você não precisa...
—Não posso mais ser um peso morto pra você.
—Eu não quero te perder, filha. — Ela abraça Sara. — Não vai, Sara.
—Eu não posso continuar sendo apenas um peso pra você carregar.
—Você não é, se você voltasse à faculdade, talvez...
—Mãe, eu sempre vou ser grata por você ter cuidado de mim a minha vida inteira e por sempre me apoiar, sempre me defender, você sempre vai estar no meu coração e na minha vida, mas após a morte do meu pai... Eu fiquei destruída! Eu só queria a minha família de volta! — As lágrimas escorrem pelo seu rosto.
—Você ainda tem a mim! Não vai Sara, por favor. — Ela a abraça mais forte, chorando.
—Me desculpa por tudo, mãe, mas eu tenho que seguir a minha vida. — E pega a mala que está em cima da cama.
—Sara...
—Tchau, mamãe. — Sara sai do seu quarto e vai até a porta, virando-se, então, para ver a casa mais uma vez. Ela limpa as lágrimas e sai da casa com a mala.
Uma hora depois, em um avião, Sara olha pela a janela do avião e observa as nuvens. Uma mulher sentada ao seu lado tenta puxar assunto.
—Oi. -Diz a mulher.
—Oi.
—Meu nome é Lídia, e o seu?
—Acho que não te interessa. -Responde Sara. A mulher fica calada olhando para baixo. — Foi mal, tá... Hoje não é meu dia.
—Entendo...
—Vai fazer o que em São Paulo?
—Rever alguns parentes, e você?
—Conhecer um amigo.
Algumas horas depois, no aeroporto, todos descem do Avião, Sara pega sua mala e continua andando ao lado de Lídia.
—Tenho que ir, Lídia, foi bom te conhecer. — Diz Sara, entrando em um táxi.
—Tchau, Sara!
Sara mostra o endereço anotado para o motorista, que a leva até o lugar. O carro para em frente a uma casa de dois andares. Ela paga o taxista e toca a campainha ao lado da porta, que é aberta por um homem, poucos segundos depois.
—Oi, pode me dizer se Dylan Augustos mora aqui?
—Dylan morreu há alguns meses. — Diz o homem, estranhando a pergunta.
Um carro preto estaciona enfrente a casa e Lídia desce do banco do carona. Sara se vira e se surpreende em ver Lídia.
—Sara?
Sabe quando a vida te surpreende de algum modo? Como rever uma pessoa que achava que nunca mais ia ver na sua vida? A história de Sara vai abrir muitas portas, mas algumas serão arrombadas, então prepare-se.
Continua...
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