Segredo Virtual
14 Capítulo 14 Ela Age como uma criança
Notas iniciais
Já era de manhã, após todos os acontecimentos na noite passada.
Em sua casa, Ruby está na sala, junto com seu filho, Oscar. Marina não tinha chegado em casa e Ruby parecia bastante angustiada.
—Fica calma, ela deve estar com alguma amiga ou namorando. -Dizia ele, tentando acalmar a mãe que estava telefonando para todos os seus contatos.
—Como eu vou ficar calma se sua irmã passou a noite fora?! — Ela sai do telefone e em seguida ele toca. Ela o atende imediatamente: era uma chamada do hospital, haviam encontrado-a na beira de um rio e ainda estava viva. Ela desliga o telefone e sai de casa correndo, seu filho a segue.
—Quem era? -Pergunta ele entrando no carro após a mãe.
—Marina está no hospital.
Em seu quarto, Bianca lera um livro com o título "Ties of Blood". Lídia bateu na porta antes de entrar ao quarto, e Bianca abriu um sorriso ao vê-la. Lídia a abraça fortemente, também abrindo um grande sorriso entre seus lábios.
—Faz tempo que eu não te vejo. — Dizia Bianca, acariciando a bochecha rosada de sua prima.
—Também estava com saudades.
—Quando você voltou a cidade? — Pergunta Bianca, guardando seu livro na gaveta. Lídia desmancha seu sorriso e senta-se na cama de Bianca.
—Há dois meses... Sua mãe não sabe que estou aqui, já que o nosso trato foi eu ir embora... — Lídia se lembra da conversa que teve com Sofia na cadeia há um ano.
Flashback On:
Lídia estava presa naquela época, fazia apenas 10 dias após a suposta morta de Sara. Sofia entrara em sua cela. Lídia estava sentada, encostada na parede, com uma roupa cinza de presidiária. Ela se aproxima de Lídia, que a olha com desprezo.
—Eu sei que você não matou Dylan, eu posso te ajudar...
—Não. — Lídia a interrompe e se levanta, se aproximando dela. — Não quero sua ajuda, é como aceitar fazer um pacto com o Diabo.
—Eu tenho chifres e um rabo, por acaso? — Sofia brinca com a situação e dá um sorriso provocante e sarcástico, garanto que ela não gostaria de saber o que se passava pela mente de Lídia agora. — Prefere realmente ficar aqui, em vez de poder ser livre e sem correr perigo, agora que a Sara está morta? Sua filha não gostaria de saber que a mãe é uma assassina, e mesmo ela não sabendo sobre você, isso pega mal. — Lídia desvia o olhar e suspira. — Eu tenho uma proposta, é escolha sua aceitá-la ou não.
—Fala logo.
—Eu te faço sair daqui se for embora da cidade.
Flashback Off:
Em um restaurante chique e bastante moderno que há alguns meses era uma cafeteria, estava Oliver sentado em uma cadeira em frente á uma mesa, esperando o jornalista chegar. Ele olhava para todas as pessoas que entravam, á espera de ser a "misteriosa pessoa" que fez uma matéria criticando negativamente o prefeito. Mas se esse fosse o único problema, ele nem se incomodaria, porque o jornalista sabe que Naomi não está morta e sim em um manicômio que existira naquela cidade há muitas décadas.
O prefeito queria se livrar da esposa sem que sua filha descobrisse, o que seria melhor que uma suposta morte por medicação errada e ao mesmo tempo preservar uma pessoa que ficou com você há mais de 20 anos? Seria um bom plano, se não descobrissem. O jornalista, que na verdade era o sósia de Sergio, entrara no local e se dirigiu até Oliver.
—Olá. — Diz o jornalista, ao se sentar.
—Vamos cortar esse papo, me diz logo, quanto quer? — Oliver fala, todo apressado. O jornalista sorri de um jeito perverso, que o faz parecer cada vez mais irritante.
—Pra quê pressa? Podemos conversar um pouco. — Assim que ele termina de falar, o celular de Oliver toca. Era o prefeito querendo saber como as coisas estão. — Não atenda. — Oliver o obedece e desliga o celular.
—Como assim Sara não está morta? Nós vimos o corpo! -Questionava Bianca para Lídia, que tentava explicar a situação. — Eu fui ao enterro dela!
—Eu sei, mas não era ela. -Lídia explica. Sofia passava ao lado de fora do quarto, e ao ouvir a voz de Lídia, ela coloca a mão na maçaneta. — Sara está viva, eu vou trazê-la aqui, eu juro. — Sofia fica boquiaberta e retira a mão da maçaneta. Frenética, ela sai do corredor e desce as escadas.
—Se não era a Sara, quem era?
—Sei lá, mas agora a Sara é do Cold Blood. — Bianca se assusta após essa revelação.
—Ela não pode fazer parte do Cold Blood, a Sara nunca se rebaixaria a esse nível, eles matam pessoas!
—A Sara que você conheceu não faria isso, mas ela, agora...Sim. — Lídia se levanta da cama de Bianca e caminha até a porta.
— O que fizeram com ela? — Lídia abre a porta, mas se vira para Bianca.
—A destruíram por dentro. — Ela vai embora e desce as escadas, e no mesmo instante, Bianca se lembra do sósia de Sergio que esqueceu de dizer a Lídia.
—O que você tá fazendo aqui?. — Pergunta Sofia, com grosseria. Lídia havia esbarrado com ela na sala. — E quem te deixou entrar?
—Vim falar com a minha prima. — Lídia estava prestes a se retirar. Sofia parecia estar mansa naquele momento, algo que não se via sempre. — A propósito, a porta dos fundos precisa de vigilância. — Ela dá um sorriso irônico e vai embora. Foi um milagre Sofia não arrumar briga... A cabeça dela estava focada em outras coisas... Sara.
No hospital estava, Marina em um dos quartos, deitada em uma cama e desacordada. Sua mãe e seu irmão estavam lá, a olhando dormir. Ruby continuava aflita, tinha que esperar sua filha acordar para saber o que havia acontecido, já Oscar estava com medo de que toda a verdade fosse revelada. Após alguns minutos, um médico chegou para Ruby. Ele já havia falando com ela assim que chegou ao hospital, mas agora era outra coisa.
—Senhora. — Se dirigiu o médico a Ruby. — Sabia que sua filha estava grávida? — Oscar se espantou. Tudo iria ser revelado assim que sua irmã acordasse. Após esse pensamento, os olhos de Marina se abriram e ela se sentou na cama. Assim que acordou, sua mãe rapidamente foi abraçá-la.
—Filha! — Ruby a abraçava apertado; Marina parecia não entender.
—Quem é você? — Perguntou Marina á sua mãe, que começara a estranhar aquela pergunta.
—O que disse?
—Quem é... Na verdade, quem são vocês?
Oliver estava feliz por dentro, mas não podia demonstrá-lo. Ruby perguntou ao médico o motivo de sua filha não os reconhecer e a explicou que aquilo poderia ser uma amnésia temporária, algo que demoraria alguns meses,aproximadamente seis. Ruby não sabia como as coisas com a filha seriam daqui pra frente, mas ela tinha certeza que seria bastante difícil. Oliver queria comemorar. Não sabem o quanto ele ficou feliz com aquilo, quem dera pudesse expressar tamanha "benção".
Após todos esses incidentes, já estava anoitecendo. Esse foi um dia bastante estranho e chocante para todos os envolvidos. Um táxi se dirigia a um lugar vazio, sem casas ou construções, cada vez que avançava mais, mais escuro ficava. Após seguir bastante, ele viu uma moça acenando. Era Sara. O motorista se tranquilizou ao ver a moça acenando para ele, nunca havia ido para aquele lugar, ainda mais á noite. Ele estaciona e Sara entra no carro.
—Tenho que admitir, moça. — Dizia o motorista depois dela entrar. — Esse lugar me assusta.
—Também me assustava, mas me acostumei com lugares escuros. — Guy Blood surge na janela do motorista com uma arma. Sara também retira uma de seu casaco e aponta para o motorista. — Desce! — O motorista a obedece e sai do carro. Guy o pega por trás, colocando uma arma próxima a sua cabeça e o levando para o meio de um lugar lamacento.
—Tem dinheiro no carro, podem me soltar, eu não vou falar nada! — Ele estava apavorado, também, quem não estaria? Ele tentou negociar, mas aquilo falhou. Eles não queriam dinheiro, apenas se divertir.
Guy o parou em frente a um alçapão que estava coberto pela lama, abrindo-o e jogando o homem lá dentro. Ele rola as escadas, que caem aos pés de Girl Blood, enquanto outro Guy Blood surge lá embaixo, arrastando o homem até uma maca hospitalar e algemando seus pés e suas mãos nela. Uma Girl Blood com a máscara de Guy caminha até o homem algemado: ela carregava uma faca. O homem gritava por socorro e isso era bastante prazeroso para eles.
A Girl Guy tirou sua máscara e o beijou. Rebeca estava com uma expressão bastante satisfatória em sua face, enquanto puxava a língua do homem e cortava. Os gritos de dor aumentaram,assim como o sangue fluindo de sua boca. Sara se aproximara, encostando seu dedo indicador no sangue e o levando a boca. Guy tirara sua máscara também. Ele, Jason, pegou uma gilete em cima de uma mesinha encostada na parede, na qual estavam outros utensílios de tortura, e começou a arranhar as pernas do homem, que gemia de tanta dor.
Uma hora depois, Jason foi até o penhasco, o seu lugar de "pensar na vida". Dali dava para ver a praia e as ondas do mar indo e vindo. Ele nunca entrara naquelas águas. Tinha um trauma de infância por ter se afogado uma vez. Sara chegava por trás dele e ele se virou para vê-la, dando um sorriso. Ela revirou os olhos e ele entendeu a mensagem.
—Continua vindo aqui? — Sara achava que aquilo de "lugar de pensar" era um truque para conquistá-la, uma boa tática para conquistar garotas, te faz parecer mais sentimental. — Pensava que era só um jeito de me paquerar.
—Se você pensa assim. — Jason volta a olhar a praia. — Sabe, Sara... Me desculpa por tudo aquilo, você sofreu por minha culpa, sua mãe morreu e você...
—Owwnn, que fofo, o cachorrinho vem pedir perdão... — Sara começa a rir, debochando de suas desculpas. Ela ameaça empurrá-lo e ele se assusta. — Babaca.
Ela se vira para ir embora, mas é segurada pelo braço, por ele. Jason dá um beijo forçado nela, que parecia gostar, mas só parecia. Ela segurou em seus ombros e o empurrou do penhasco, fazendo-o cair no mar. Ellen estava na praia naquele momento e viu Jason sendo arremessado.
—Ela age como uma criança. — Diz Ellen para Thiago, que corre para salvar Jason. Sara olha para Ellen e as duas se encaram.- Você parece uma criança. — Ela grita. Sara apenas sorri.
—Crianças não matam pessoas! -Grita Sara, saindo da ponta do penhasco. Seu celular toca. Era um número desconhecido, ela decide atender. — Alô?
—Preciso falar com você. — Era a voz de uma mulher.
—Aline?
No manicômio, o sósia de Sergio se dirigia a um quarto. Ele entrara lá, onde estava Naomi, descabelada e em posição fetal, em um canto escuro do cômodo. Ela se aproximara e esticara sua mão ao sósia para ajuda-la a levantar, dando para ver uma cicatriz em seu pulso.
—Eu vou te tirar daqui. — Ele a ajuda a levantar. — Isso é uma promessa.
O prefeito e Oliver entravam no quarto com dois enfermeiros.
—O que você tá fazendo aqui? — Pergunta Oliver.
—Vim ver minha prima. — Ele dá um sorriso e abraça Naomi.
Lídia estava em seu trabalho no restaurante, indo atender a mesa aonde estava Daniel.
—O que você vai querer? — Pergunta ela, com um sorriso no rosto. Daniel também sorri ao vê-la.
—Você. — Ele recebe um selinho de Lídia.
—Bobo, meu turno acaba daqui a quinze minutos. Vou trazer algo pra você. — Lídia vai atender outra mesa e o celular de Daniel começa a vibrar em seu bolso. Era uma ligação de Oscar.
—Já descobriram? — Sem enrolação, ele pergunta
—Ela tá viva e perdeu a memória. — Daniel não sabia se ficava feliz ou triste, mas ele sabia que muita confusão ia rolar. — E descobriram que ela está grávida.
—Merda .- Daniel começa a ficar mais aflito.
—Alguma hora ela vai recuperar a memória, o que a gente vai fazer?
Daniel procura uma solução, mas pensa na pior ideia possível.
—Eu vou assumir essa criança.
Continua...
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