Segredo Insano.
1 Capítulo único.
Notas iniciais
O apartamento estava completamente impecável. O chão de madeira clara estava refletindo o teto branco e os móveis de tão bem encerado. A garota baixinha não entendia porque tanto capricho, apenas para uma visita.
– Não é uma simples visita, filha. Ele, além de ser um amigo da família, pode mudar a vida do seu pai aqui, para melhor! – O pai, já calvo, se explicara no almoço. A mãe concordara com um sorriso no rosto.
Mesmo sabendo da importância do homem que logo estaria presente na sua casa, ainda estava indignada com tanta hospitalidade. Bufou sentada no sofá. Provavelmente seria mais um velho, chato, barrigudo e cheirando a tabaco, pensou.
Aquele jantar, provavelmente seria uma tortura para Rukia. A morena vestia um vestido simples, era preto e sem muitos detalhes. Um pouco rodado, não a deixando parecida com uma criança. Tinha quase 17 anos e ainda tinha a altura de 13.
A campainha tocou. Rukia respirou fundo, enquanto seu pai a mandava levantar e arrumava a camisa de botões.
– Bem, fiquem aí, vou atender a porta. – O homem, que era um pouco mais alto que a filha disse, caminhando para a porta. Girou a chave na fechadura e logo depois abriu a porta com um sorriso espontâneo nos lábios. – Boa noite, Byakuya. – Lhe estendeu a mão e o convidou para entrar na casa, que estava perfeitamente arrumada para uma única visita.
– Como vai, Seiji?
A pequena garota que estava ao lado da mãe, se surpreendera ao erguer os olhos e fitar o homem que “mudaria” a vida do seu pai. Ao contrário do que pensava, ele não era velho, nem barrigudo. Também não cheirava a tabaco. Invés disso era um homem alto, com um ar superior e os olhos frios. O corpo bem estruturado e longe de ser alguém sedentário. O seu perfume amadeirado invadira a sala fazendo Rukia arfar.
– Muito bem. Sem ter o que reclamar. – Seiji sorrira. Rukia se perguntava mentalmente se ele estava sorrindo assim por nervoso, o que seria bem provável. – E você?
– Tudo dentro do possível. – Byakuya respondeu sem sorrir. Ao lado de Seiji, caminharam até as duas mulheres de pé, ao lado do sofá.
– Essa é minha esposa, Hisana. Deve se lembrar dela. – Seiji falou ainda ao lado do homem.
– Claro. – Byakuya estendera a mão para a mulher que a segurara no mesmo instante.
– E esta – O pai levou seu olhar a pequena ou lado de Hisana, e Byakuya fizera o mesmo. – Minha filha, Rukia.
– Prazer, Rukia. – Ele estendera a mão, igualmente como fizera com sua mãe. Só que Rukia não segurou a mão do homem à sua frente no mesmo instante. Ainda estava vidrada com o modo que ele havia dito seu nome e com os olhos acinzentados a fitando intensamente.
Sentiu o olhar dos pais em cima de si a repreendendo mentalmente. E antes que eles precisassem falar algo, aceitou o aperto de mão de Byakuya.
– Igualmente. – Respondeu rápido e soltou a mão dele, querendo se livrar daquela sensação estranha que percorria em seu corpo.
– Bem – Hisana começou, tentado quebrar o silêncio entre os quatro. – Já vamos jantar? Vamos aproveitar que ainda está quente. – Hisana ofereceu-se, sorrindo gentilmente.
– Certo. – O pai concordou. Caminhando na frente, Seiji guiou o homem até a sala de jantar. As paredes eram neutras, fazendo a mesa virar o centro das atenções no cômodo. Estava posta elegantemente, com direito às taças de cristal que Hisana guardava a sete chaves.
Byakuya e Seiji sentaram-se, e começaram uma conversa sobre negócios. Rukia agradeceu, pois seria uma conversa quase interminável e não iria nem ao menos se interessar em precisar estudar todos os movimentos do homem que estava sentado à sua frente. Hisana servira todos com a comida que preparara.
– Minha especialidade. – Disse terminando de servir Byakuya, e logo depois se sentar. – O pot au feu. – Disse em francês.
A pequena que revirava a comida no prato girou os olhos. A tentativa da mãe de tentar parecer da alta sociedade, não dera certo. O tal de “O por au feu”, não passava de um cozido.
Tentava não prestar atenção na conversa entre os pais e o homem frio a sua frente. O assunto era basicamente lucro, a empresa e novamente lucros. Um mundo de negócios, onde a palavra pudor reinava. Ergueu os olhos e voltou a fitar os pais e Byakuya.
Era deprimente vê-los com tanta esperança. Estavam cegos, já que provavelmente seu pai não seria promovido e nem teria um aumento no salário. Ele poderia ter todas as qualidades físicas de um homem, era digno da palavra perfeito. Mas seus defeitos se sobressaiam, e o tornavam apenas um objeto que a deixava com repulsa.
– Rukia – Hisana a chamou, a tirando dos seus pensamentos. – Vai até a cozinha e pega mais gelo, por favor.
A mãe sorriu simpática para a filha. A baixinha agradeceu mentalmente, estava totalmente desconfortável naquele ambiente. Sem responder e levantou da cadeira, sentindo um olhar em cima de si.
– Filha, aproveita e mostra o banheiro ao Byakuya? – Seiji disse em voz alta, para que ela ouvisse. O rapaz agradeceu com a cabeça e levantou-se. Caminhou até Rukia, ainda a fitando intensamente.
– Claro. – Respondeu, forçando um sorriso ao pai e ao homem que estava apenas um passo atrás de si.
Rukia deu alguns passos para dentro da casa, com o Kuchiki em seu encalço. Seguiram em um corredor pequeno, com apenas duas portas. O corredor era mal iluminado, a luz era fraca e as paredes eram de um azul escuro. Deixando o lugar com um clima sóbrio.
– Bem, é a porta da direita. – Falou sem vontade. A sensação de estar sozinha com ele era agonizante. Por mais que fosse um homem detestável, tinha a sensação de que ele poderia facilmente mexer com o seu inconsciente e por segundos, esquecer de como se controlar.
– Só me responda uma coisa antes – Ele começou a fazendo desistir de ir até a cozinha e voltando a fitá-lo. – Por que está se esforçando tanto?
– Me esforçando? – Cruzou os braços e ergueu uma das sobrancelhas.
– Sim. Tentando mostrar para seus pais que se importa com esse jantar, e depois vai mentir, dizendo que me achou super simpático.
– O que não é verdade. – Rukia complementou a última frase. – Estou me esforçando, porque são meus pais, só isso. – Respondeu dando de ombros, realmente não entendia a finalidade daquela conversa.
– Eu posso ser muito simpático, quando eu quero. – Deu um passo em sua direção, sem sorrir em momento algum.
Rukia continuou com os braços cruzados e sorriu irônica.
– Eu vou buscar o gelo. – Disse dando meia volta e caminhando até a cozinha. Sentiu uma mão segurar-lhe o antebraço e riu. – Que coisa mais clichê, não acha?
– Talvez. – A puxou para que voltasse a ficar perto de si, e para que o olhasse nos olhos. – O que eu te fiz?
– Além de você fazer meus pais agirem como dois idiotas e estar fazendo esse papel ridículo na minha frente, nada.
Pela primeira vez, a morena viu o sorriso do Kuchiki. Agora descobrira porque ele guardava isso com tanto gosto.
– Não estou falando disso. – Ele a puxou novamente pelo antebraço, a deixando bem mais perto de si. – Você me olha estranho, provavelmente me julgando mentalmente. E isso não deveria me incomodar.
A baixinha o fitava com os olhos semi cerrados. Querendo fuzilá-lo. Não conseguiria escapar das mãos dele, então seria inevitável e imprudente tentar “fugir”.
Por mais que negasse, e por mais que odiasse o modo que ele a olhava e a sua personalidade, estava ansiosa. Sua mente estava confusa, e só tinha reparado o quão estavam perto um do outro, quando o cheiro forte do perfume do moreno se impregnou no seu olfato.
– Mas me incomoda, e muito.
– Sinto muito. – Rukia respondeu irônica engolindo a própria saliva. Byakuya sorriu novamente e soltou seu braço aos poucos. Ergueu as mãos até o rosto fino que estava voltado ao teu.
A morena sentiu seu estômago congelar, e seus olhos vidrarem. O toque a fez arrepiar. Sentiu raiva de si mesma por não querer sair dali.
– Se realmente sentisse, não estaria deixando eu te tocar assim... – Falou ainda olhando os olhos púrpuras enquanto desceu a mão até sua cintura, acariciando o tecido do vestido. No mesmo toque, subiu a mão até suas costas, a fazendo se chocar com o mesmo.
– Insolente. – Rukia disse entre dentes. Tentou se afastar o empurrando, um ato em vão. Ele a enlaçou mais forte contra si. Um braço a apertava na cintura, e a outra mão segurava o queixo da garota.
– Não sou insolente. – Contradisse, aproximando-se de seu rosto.
A morena estava ansiando seus lábios, por mais que seu orgulho gritasse e sua mente tentando fazer seu corpo ter repulsa, simplesmente não conseguia. Seu inconsciente o desejava de uma forma anormal.
– Olha – Ele começou, sussurrando. Seus lábios estavam perigosamente perto. – isso, é o nosso segredo. – A beijou, apenas um roçar de lábios.
Rukia fechou os olhos lentamente, já não adiantava mais tentar ignorá-lo. Levou as mãos até o seu pescoço e ficou na ponta dos pés. Entreabriram os lábios e aprofundaram o beijo.
Perderam a noção do tempo, ele ia calmamente, aumentando o ritmo aos poucos. Sentia-se que estava fora daquele corredor azul escuro e mal iluminado.
Voltou aos poucos à realidade, cessando o beijo aos poucos. A morena continuou enlaçada ao seu pescoço e ele abraçado em sua cintura. Byakuya se curvara para beijar seus lábios novamente.
– Cadê a Rukia? – Ouviu Hisana perguntar da sala de jantar, e a cadeira sendo afastada da mesa.
– Ótimo! – Rukia se soltou de Byakuya no mesmo instante. Não sabia se a mãe estava indo atrás dela. Tentava não pensar no pior.
O deixou sozinho no corredor e foi até a cozinha pegar o gelo. Sua mente estava totalmente perturbada. O que fora aquilo? Tinha chegado à conclusão de que ele era um insensível, calculista e alguém desprezível.
– Nosso segredo... – Murmurou para si mesma. O que mais lhe irritava era que não estava arrependida. E sabia que ansiava por mais.
– Rukia! – Hisana chegou na cozinha com o balde de gelo vazio nas mãos. – Por que está aí parada? Seu pai e Byakuya estão esperando o gelo!
– Eu, não estou me sentindo muito bem. – Mentiu. – Peça desculpas à eles por mim.
– Tudo bem. – A mãe a olhou estranho e pegou o gelo das mãos da garota. – Você não gostou dele, não é?
– Quem? – A morena perguntou, fingindo não entender a pergunta. Seu coração estava na boca, mentir não era uma de suas melhores qualidades.
– Do Byakuya...
– Indiferente. – Mentiu novamente.
Hisana sorriu e voltou para a sala de jantar, deixando Rukia sozinha novamente na cozinha. A baixinha suspirou de alívio e se apoiou na bancada da cozinha.
Levou os dedos aos lábios, lembrando do beijo. Por poucos minutos, todas as suas conclusões precipitadas se esvaíram. E chegou a conclusão de que, aquele segredo não iria ser somente isso.
Notas finais
Reviews muito bem vindos, e críticas construtivas também.
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