Estava ali rodeado em chamas negras e vozes que me consumiam como as chamas consumiam tudo a que tocavam e diziam:

– Desperte, esse é seu legado, esse é o seu poder.

As vozes falavam insessantemente quase como um mantra, e em determinado momento senti uma pancada forte e depois ouvi Hans recitando um mantra e controlando aquelas chamas, aos poucos não sei se pelo cansaço ou pela pancada na cabeça acabei por perder os sentidos. Quando acordei eram por volta de onze da manhã, estava no quarto de meu pai e ao me levantar estava sentindo-me todo dolorido e não entendia por que meu braço estava latejando. Levantei-me e fui em direção ao espelho e lá ao levantar a manga da camisa pude ver uma marca, ou melhor, uma inscriçãoem meu braço, inicalmente fiquei assustando tentando entender, quando ouvi a voz de meu pai chamando-me, desci as escadas, em seguida, sentei-me na mesa para a refeição e todos ficaram encarando-me desconsertados.

Após terminar meu café levantei-me e sai em direção ao lago que havia lá próximo, depois de determinado tempo meu pai apareceu para conversar comigo. Estávamos sentados na beira do lago, eu tentando entender o que havia acontecido na noite anterior e ele visivelmente tentando encontrar uma forma simples de me dizer o que acontecera. Ficamos alguns minutos, cerca de meia hora, um olhando para o outro quando finalmente ele começou a falar:

– Minha criança creio que deva estar assustado com o que presenciou ontem, mas, acalme-se. Há muita coisa que ainda tem por descobrir, e aquilo que viu é apenas uma breve apresentação disso. Quero que esteja ao fim da tarde na catedral, tenho algo a mostrar para você.

Ao terminar de falar ele levantou-se e foi embora deixando nada mais que um conforto e minha curiosidade desperta. Ao entardecer, no horário previsto dirigi-me para a catedral e ao chegar lá dei-me de cara com meus irmãos mais velhos, estavam todos com exceção de Straus, que estava resolvendo algumas coisas em casa. Estávamos todos sentados nos degraus da catedral quando ele nos chamou para entrar e encaminhou os meninos para seus respectivos tutores. Então ele sinalizou para que eu seguisse-o, caminhamos por algum tempo até chegarmos no que seria um velho porão. Ele olhou para mim e disse:

– Vamos, desça tem algo lá embaixo que quero te mostrar.

Andamos um pedaço até o fim das escadas e lá em baixo para minha surpresa havia uma espécie de salão, repleta de livros, e que aparentemente era maior que a própria catedral. Então ele com um gesto fez com que o ambiente ficasse totalmente escuro e foi novamente dizendo:

– Minha criança nós somos criaturas que estão em meio a uma eterna disputa, e temos que escolher qual lado estar. Eu desde quando o encontrei sabia que você não era como as demais crianças, aliás, você e seus irmãos desde o principio sabia que eram diferentes, que tinham destinos gloriosos e eu pude ver ontem o quanto você é excepcional, um prodígio. Você conseguiu despertar seus poderes sendo muito mais novo que seus irmãos e por isso a partir de amanhã irei iniciá-lo nos caminhos da magia.