See The Unseen
3 Sombra do Vento
Notas iniciais
Gente, vocês não tem idéia do trabalho que tive pra postar esse capítulo. A internet cai SEMPRE que eu clico pra postar. Se não fosse por isso, já era pro capítulo ter entrado domingo à noite.
Vou deixar a falação nas notas finais. Divirtam-se ;D
"Let me tell you how it'd be
You won't get with this you see
Cuz you can't handle me"
Handle Me — Robyn
Ele era realmente atraente.
Alto, cabelos pretos desarrumados, olhos azuis claros, quase esverdeados, a combinação definitivamente me agradava. Além disso, o modo irritado como fitava Cassie o deixava ainda mais perfeito aos meus olhos.
Era uma pena ter que matá-lo.
– Sinto muito, Sr. Hell. – Cassie desculpou-se, baixando a cabeça e parecendo sem graça. – Eu me distraí conversando com Arya. Ela é nova na cidade e pensei que...
– Não interessa o que você pensa. – Ele a interrompeu, rude. Arqueei uma sobrancelha. Normalmente os homens que a Central me mandava perseguir eram assassinos foragidos ou antigos membros da própria Central. Em nenhum dos casos, eles eram tão... alheios. Eu podia contar nos dedos o número de vezes em que realmente surpreendi algum alvo. Todos já esperavam por mim (claro, não sabiam meu nome, mas eu tinha uma reputação.) e a maioria deles demonstrava um pouco de insegurança e medo. Afinal, assassinos, à exceção dos psicopatas e dos que trabalhavam por dinheiro, matavam para sentir-se no poder, e portanto, em outros momentos da vida, viam-se sem tal poder. Já os foragidos da Central... Bom, eles eram foragidos. Covardes que não agüentaram o que aquele serviço exigia.
Resumindo: Aquele homem não me parecia um assassino, e eu sabia que não era um membro antigo. Qual seria o motivo para ter que eliminá-lo?
E por que ele era considerado tão perigoso a ponto de me selecionarem para o caso? Ele estava bem ali, na minha frente. Não seria difícil atraí-lo para um beco qualquer e matá-lo.
Mas uma parte da missão era conhecê-lo, saber tudo sobre ele, o que significava que ele ainda não estava em perigo. Sorte a dele.
– Olá. – Cumprimentei-o timidamente, tentando parecer o mais insegura possível. Atuar também era algo em que eu me saía bem. – Sou Arya Black...
– Não me importo. – Ele foi ríspido, mas, por um breve momento, me olhou dos pés a cabeça, como se me analisasse. – Cassie, vamos.
Cassie sussurrou um pedido de desculpas e o seguiu. Fiquei parada ali, observando-os partir e pensando em como me aproximar de um homem que nem ao menos se deu ao trabalho de se apresentar.
Claro, isso só tornava tudo muito mais interessante.
Terminei de pegar o que eu precisava no supermercado e paguei pelas compras. Pedi que entregassem na minha casa – eu não podia andar com tantas sacolas, e queria passar no bar para ver se conhecia mais alguém. Além disso, de repente meu interesse naquele anel tinha crescido significativamente.
Caminhei até o bar, que era uma lanchonete durante o dia, e entrei no estabelecimento. Era amplo, um pouco escuro, e estava bem cheio. Lembrei-me que era horário de almoço, e que, por ser o principal ponto de encontro da cidade, devia ser comum ficar cheio àquela hora. Fui até uma mesa vazia perto de uma janela e me sentei. A janela era ampla e de vidro, permitindo-me ver a rua e as pessoas passando. Eu sabia que, do outro lado, só o que as pessoas viam era o próprio reflexo.
– Senhorita? – Olhei para o garçom. Era um jovem, cabelos castanhos perfeitamente bem penteados, olhos da mesma cor. De alguma forma, o rosto dele me pareceu bem familiar. – Aqui está seu cardápio. Gostaria de pedir alguma bebida?
Olhei meu relógio: Havia dez minutos que eu deixei o supermercado, e a entrega chegaria em meia hora (isso porque haviam outras entregas na fila). Dei de ombros e pedi um refrigerante. Não queria parecer o tipo de garota que só bebe água para não engordar, e eu não gostava de beber álcool durante o dia.
– Sabe, acho que não estou com fome. – Comentei. – Só quero a bebida, obrigada.
Ele assentiu e se afastou, retornando em questão de segundos com uma garrafa de vidro de coca e um copo. Serviu a bebida e começou a se afastar.
– Você é parente de Cassie Pierce? – Perguntei, antes que ele fosse longe. Ele parou e voltou para perto da mesa, dessa vez sorrindo.
– Sou o irmão mais novo dela. Cassie tem 21, eu tenho 18. Você é amiga dela? Nunca te vi...
– Sou nova na cidade. Arya Black. – Eu o interrompi. Ele era idêntico à irmã. – Você não disse seu nome, garoto Pierce.
– Mark. O sobrenome você já sabe. – O sorriso dele aumentou. Pelo jeito, ele achou que eu estava interessada nele.
Sinto muito, Mark. Odeio garotos sorridentes demais.
Paguei-lhe o refrigerante, deixando gorjeta, e saí do lugar. Fui para a loja onde Cassie trabalhava, Lilac’s.
Ela estava atrás do balcão, aparentemente entediada. A loja não tinha ninguém além dela e do alvo, cujo primeiro nome eu ainda não sabia.
Ele estava encostado em um canto, atrás do balcão, lendo um pequeno livro, cuja capa eu não conseguia ver. Cassie olhou para a porta ao ouvir o som de sinos anunciar que havia um cliente. Ela sorriu ao ver que era eu.
– Eu disse que gostei do anel. – Falei, sorrindo. Ela assentiu e pegou o anel na vitrine. Entregou-me.
– Só temos esse, então torça para ser do tamanho do seu dedo. – Falou.
– Cassie, tenha educação. – O alvo fez-se ouvir, tão irritado quanto antes. Ele havia fechado o livro, e tive tempo de finalmente ler a capa: “A Sombra do Vento”. – Peça desculpas quando não tiver mais de uma opção.
– Não é necessário. – Decidi adotar outra personalidade para lidar com ele: a minha. Com um pouco menos de frieza, muito menos sarcasmo e crueldade, mas ainda era eu mesma. Não tão educada, nada tímida e definitivamente nada insegura. – Eu entendi perfeitamente o que ela quis dizer, e não achei falta de educação.
– Quem pediu sua opinião? – Ele voltou-se contra mim. Ergui uma sobrancelha, sorrindo.
– E agora, quem precisa aprender a ter educação com o cliente? – Zombei. – Ela ou você?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos
– Venda logo o anel. – Ele ordenou, olhando para Cassie, visivelmente incomodado.
Cassie embrulhou o anel, me falou o preço e recolheu o dinheiro. Ela me acompanhou até a porta.
– Ninguém nunca o desafia. – Ela sussurrou. – Nathaniel Hell é um dos homens mais ricos da cidade. Patrocina praticamente todos os eventos e festas. Ninguém que quer ter uma vida e um emprego...
– Relaxe. – Sorri para ela. – Saber que sou a primeira a desafiá-lo só deixa tudo mais divertido. Até mais.
Notas finais
Quero agradecer às reviews, vcs não tem idéia do quanto cada review significa pra mim. Cada uma já me dá muito estímulo pra continuar escrevendo.
Enfim, se o computador colaborar, o próximo capítulo chega amanhã
xx
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