Notas iniciais
It's nice to know that you were there
Thanks for acting like you care
And making me feel like i was the only one
It's nice to know we had it all
Thanks for watching as i fall
And letting me know we were done
- Avril Lavigne.

Alexya estalou os dedos para aliviar a tensão.

Enquanto olhava para a tela do seu notebook, as palavras dançavam em frente aos seus olhos.

Forçou os olhos fechados. Sentiu a queimação que era resultado de muito tempo sem desviar os olhos da tela. Abriu os olhos e piscou algumas vezes.

Estava quase acabando. Mais algumas linhas e então poderia fazer a leitura em busca de erros de escrita e furos em seu texto.

Olhou para o relógio digital no canto inferior direito da tela. Eram 23:42.

— Mas que porra...? – Alexya murmurou, em seguida sacudiu a cabeça em descrença.

Já fazia três horas desde que Lucian havia saído do escritório a fim de deixá-la trabalhar em seu conto. Não era tão estranho o fato dela se sentir completamente exausta.

Lucian...

Seu nome girando em sua mente cansada era como beber um copo de água gelada em um dia muito, muito quente.

Alexya podia sentir o corpo se arrepiar enquanto lembrava-se da sensação das mãos dele deslizando pelas suas costas e braços. Seu toque era como seda.

Delicioso.

Ela sentia-se confusa com o ritmo em que as coisas estavam seguindo.

Se você vai ter algo como a eternidade ao redor dele, você pode muito bem fazer dela mais fácil. Sua mente gritou pra ela.

Mas ela sabia que não era assim. Antes de sair do escritório, Lucian havia deixado claro que as coisas entre eles não estavam tão bem quanto estariam se ela não fosse tão malditamente indecisa.

“Eu não sou o tipo que divide, Alexya.” Ele havia dito. “Tampouco me contento com sobras e restos. Não sou segunda opção. Nunca fui e não sei como lidar com isso. Uma hora você terá que decidir o que você realmente quer. Eu só espero que não seja muito tarde.”

E então ele havia saído, deixando todas aquelas coisas girando na cabeça dela. E ela não poderia ignorar a amargura nos seus olhos quando ele lhe disse aquilo. Era o tipo de coisa que você não consegue simplesmente esquecer ou deixar pra lá.

Deus, ela era uma maldita vadia egoísta.

Estava ciente disso agora.

Não queria – e provavelmente não iria – abrir mão de Josh e também não queria deixar Lucian ir. Acabava jogando entre os dois e uma hora acabaria ficando sem nenhum deles.

Alexya soltou um suspiro. Estava cansada de se torturar mentalmente por causa de homens. Ela simplesmente não precisava disso agora.

Voltou seus olhos para a tela em frente ao seu rosto e começou a digitar furiosamente. Já que não podia bater pra fora os pensamentos em sua mente, ao menos descontaria um pouco da frustração no teclado.

Mas ela já estava digitando as ultimas linhas do conto, selando o destino dela e Lucian juntos pela eternidade quando ele oh-tão-amavelmente a transforma em vampira e declara seu amor eterno.

— Certo. – Ela bufa. – Como se isso fosse realmente acontecer.

Era ridículo ela ter que escrever sua historia com um final feliz que nem ela acreditava ser possível. E pior, que ela nem sequer acreditava ser um final feliz, pra começo de conversa.

Sério, quem é que em sã consciência quer se tornar um vampiro?

Deixando de lado todo o romantismo dos livros adolescentes e do conto que ela própria se via obrigada a escrever, o que de bom poderia resultar disso?

Viver pra sempre e ver as pessoas que você ama morrerem ao longo do caminho? Nunca mais poder ver e sentir o sol sobre a pele? Viver a margem da sociedade sem nunca fazer parte de nada? Sofrer uma existência eterna e solitária? Nunca ter uma família e filhos?

Alexya não acreditava em finais felizes, não mais.

Não acreditava em relacionamentos que duravam a vida toda. Não depois de ver seus pais jogarem um casamento de treze anos no lixo. Não depois de ver o que as pessoas fazem umas as outras e as pessoas que estão ao seu redor quando querem fugir pra longe dos seus medos, sem nunca se importar em quem vão atingir ou machucar no percurso.

Ela sabia melhor do que acreditar em felizes para sempre.

Alexya correu seus olhos pelo trabalho de escrita criativa. Corrigiu os poucos erros que apareciam no texto. Colou a biografia no final e fez a capa.

Estava pronto. E, modéstia a parte, estava muito, muito bom.

— Até que enfim. — Alexya resmungou. — Agora é só imprimir.

Alexya correu o mouse pela tela até abrir a pagina da impressão e localizar a impressora do escritório de Lucian que estava em rede. Ajustou as configurações necessárias e mandou imprimir o conto.

E, nesse momento, o notebook resolve travar.

— Filho de uma puta. – Alexya disparou. – Pedaço de lixo. Isso é hora de dar pane?

Ela move os dedos pelas teclas com habilidade, sabendo exatamente como corrigir o erro. Não era a primeira vez que ele resolvia causar problemas.

Tão logo Alexya termina de destravar o computador, a impressora acorda pra vida cuspindo as folhas impressas com a rapidez que só uma impressora matricial seria capaz de atingir.

Alexya levanta da cadeira de Lucian – que era tão confortável quanto ela tinha pensado que era – e vai até a impressora pegar as folhas impressas para guardá-las em uma pasta.

Alexya pega o maço de folhas e volta para a mesa de Lucian, as organiza conforme a numeração das paginas na parte inferior e sacode a cabeça em descrença ao notar que acabou imprimindo duas vezes a mesma coisa por causa do maldito computador.

Ela se resigna a organizar as duas vias de forma igual, e guarda apenas uma para poder entregar a sua professora na manhã seguinte. A segunda cópia ela apenas larga no lixo, tendo em vista que era desnecessário mantê-la para si. Apenas mais papel pra ocupar espaço em sua mochila. Inútil.

Alexya fecha seu notebook e o guarda junto com o conto na mochila. Seu celular vibra no bolso da calça.

Era uma mensagem de Melanie.

Vadia, onde você ta?

Alexya sorri para o celular antes de responder.

To por aí. Por quê?

A resposta de Melanie não demora muito.

To aqui na frente da sua casa com um pote de sorvete que ta derretendo. Vem logo pra cá.

Alexya faz uma careta.

Não posso.

O inferno que você não pode. Vem logo.

Alexya suspira.

Tá, to indo.

Melanie manda de volta:

Por que ainda não ta aqui?

Alexya balança a cabeça, ainda sorrindo. Coloca o celular no bolso, agarra a alça da mochila e vai até a sala, avisar a Lucian que ela tem que ir.

Choque extremo a congela no lugar assim que ela vê algo que esperava não ter que presenciar nunca em sua vida toda.

Lucian está sentado no sofá, a cabeça tombada para trás. Em seu rosto, um sorriso de prazer. Ele tem sua calça aberta somente o suficiente para que seu pênis ereto escape para fora, enquanto a boca de Camilla cobre toda a extensão em movimentos contínuos.

Se Lucian sabe que ela está parada ali, ele não demonstra de forma alguma. Seus lábios se separam e um gemido baixo foge dele enquanto Camilla passa a ponta da língua pela cabeça do pau de Lucian. Enquanto ela chupa e lambe a cabeça, seus dedos compridos e finos acariciam toda a extensão para cima e para baixo em movimentos rápidos e fortes.

Lucian solta um palavrão enquanto sua mão se enreda nos cabelos de Camilla. Seu corpo convulsiona, seu pau pulsa e então ele relaxa visivelmente enquanto chega ao seu clímax, finalmente gozando. Camila engole os jorros quentes com avidez e em seguida olha fundo nos olhos de Lucian e passa a língua pelos lábios, como se tivesse acabado de provar ambrosia.

Alexya se sente doente. Seu estomago se encolheu no tamanho de uma bola de gude e ela prova as lágrimas que escorrem pelo seu rosto sem que ela percebesse. Ela dá um passo atrás.

Lucian escuta a movimentação e seus olhos se movem até onde Alexya está parada encarando a cena que a atormentaria em seus pesadelos.

Camilla vira seu rosto para ver o que Lucian está olhando e sua boca se contrai em desgosto. Mas em seus olhos, ah, seus olhos. Há ali um tipo de sentimento que Alexya não esperava ver. Eles brilham com contentamento.

Eu venci. Eles parecem dizer a Alexya.

Lucian é meu. Eles parecem gritar.

E você é apenas uma criança idiota. Apenas um brinquedo que ele se cansou. Eles parecem zombar.

Alexya sente seu maxilar duro, travado. As veias do seu pescoço pulsam como se quisessem estourar como um balão de aniversário que encheu de mais.

Lucian a encara, olho no olho, e ele não parece sentir vergonha de ter sido pego com Camilla.

Ele levanta uma sobrancelha.

— Eu não sabia que você era uma vouyer, Alexya. – Ele soa levemente divertido.

Alexya sente seus punhos cerrados, e os move dentro dos bolsos do casaco, em uma tola tentativa de parecer casual. Desinteressada.

— Não sou. Apenas tenho um senso de timing ferrado. — Ela dá de ombros.

Filho de uma puta! Alexya está pensando em direção a Lucian. Me enche o saco por causa do Josh, mas na hora de foder a boca da vadia aí você não pensa duas vezes, não é?

Lucian apenas levanta uma sobrancelha para as acusações dela.

Eu devia saber melhor. Você é um moleque de trezentos anos incorrigível, galinha e mimado! E é ainda mais hipócrita do que me acusa ser.

O rosto de Lucian se fecha em uma carranca.

Eu não te devo nada. Não explicações, certamente nem fidelidade. E espero que você mantenha isso em mente antes de me jogar suas acusações infantis. A voz de Lucian ecoa na mente de Alexya.

Ela apenas sacode a cabeça.

— Espero que vocês dois tenham bons momentos juntos. Vocês se merecem – Ela diz em voz alta e sai porta a fora.

Mas ela não consegue ir pra longe rápido o suficiente. Não antes de ouvir a voz de Lucian na sua mente novamente.

Por que da próxima vez não se junta a nós?

Ela bufa, irritada. Nem nos seus melhores sonhos, idiota!

Ela entra no carro, dá partida e acelera pra longe enquanto ela ouve as ultimas palavras de Lucian, antes de estar muito longe do seu alcance.

Ah, mas meus sonhos são reservados apenas para nós dois. Assim como são os seus.

E naquele momento, Alexya decide tirar Lucian da cabeça.

— Ele não vale o problema. – Ela declara em voz alta.

Mas sua consciência olha séria para ela e pergunta: Você tem certeza?

E essa é a pior parte.

Ela não faz idéia.

Notas finais
Mas que Lucian mais maldoso, que Camilla mais gulosa e a tadinha da Alexya...
Tão longe do seu Happy Ending!