Seducing The Enemy
16 Capítulo XVI – Feeling Sick
Notas iniciais
Capítulo XVI – Feeling Sick
Quinn se esticou na poltrona do auditório e olhou para o lado, vendo Taylor encostada em seu ombro. Suspirou e voltou seus olhos para frente, encontrando Jesse que falava alguma coisa sobre Alex Clare. Fechou os olhos mais uma vez e encostou a cabeça na da ruiva. Ela não queria saber de nada em relação às Regionais.
Mas as Regionais eram daqui a três dias, e ela já sabia que iria cantar o dueto com a Taylor. Jesse dizia que esse era o premio dela por ter feito o que ela fez. Mas Quinn não se importava, ela só queria voltar atrás.
– Então, Quinn? — Abriu os olhos quando escutou e olhou para Jesse que a encarava com as sobrancelhas erguidas. — Venha, vamos ensaiar o dueto. Taylor, você também.
Quinn levantou e todos levantaram com ela. Ela sabia que o dueto era uma dança complexa, e tinha que se adaptar com a dança e a música. Sendo que ela nunca fez algo do tipo. Subiu no palco e todos ficaram atrás dela. Jesse ficou na sua frente e Taylor ao lado da namorada.
– É isso. — Jesse apontou para banda que começou a tocar e Quinn teve que ir para trás, já que ela tinha que começar atrás para ir andando para frente.
Jesse dizia que esse era o momento que ela iria renascer no Vocal Adrenaline, e Quinn só quis socá-lo.
Ela iria sair do VA. Realmente ia. Depois de tudo o que aconteceu, ficar no VA, era uma traição maior para os ND. Uma traição maior para Rachel. Não que ela tenha perguntado, mas mesmo assim, era algo que ela considerava.
Poderia ter passado uma semana, mas Quinn ainda não conseguia esquecer do olhar que Rachel tinha quando começou a clarear as coisas em sua cabeça. Quinn queria se bater por ter feito tudo aquilo. Ela realmente não acreditava que desceu tão baixo e fez o que Jesse disse.
Nessa semana, Quinn só conseguiu manter contato com Santana e Brittany do McKinley, e elas lhe atualizavam de Rachel. Não que fosse algo que ela pediu para fazerem, e não era mesmo, Santana apenas lhe dizia o que tinha acontecido com Rachel nos dias anteriores e como ela parecia mais irritada cada vez que ela falava na loira.
Quinn nunca quis tanto voltar no tempo.
O ensaio acabou e Quinn pegou a mão de Taylor e elas saíram para o estacionamento. Entraram no carro de Taylor e a ruiva começou a dirigir para a casa de Quinn.
– Foi bem produtivo hoje, não acha? — Taylor perguntou, depois de um tempo em silêncio. — Apesar de que Jesse parecia empolgado demais com tudo.
– Uhum. — Quinn murmura e joga a cabeça para trás sentindo-a começar a doer.
– Como está se sentindo? — Taylor pergunta logo em seguida. Quinn suspirou, tentando fazer a dor passar.
– Cansada. — Respondeu e sentiu a mão da ruiva sobre a sua que estava em sua perna.
– Eu sei que Jesse anda pegando pesado com a gente, principalmente com você, mas nós vamos passar por isso e ...
– Não vai ficar tudo bem, Taylor. — Quinn fala antes que ruiva falasse alguma coisa. E quando Taylor abre a boca para falar mais uma vez, Quinn a interrompe. — Não tem nada que mude o que eu fiz, Taylor. Nada. A merda já tá feita. Agora só vai piorar.
– Você sabe que em algum momento, tudo isso vai se arrumar.
– Não, eu sei que não. – Quinn respirou fundo e Taylor a olhou de canto. – Tudo isso serviu apenas para me jogar na cara as decisões que eu faço. E que geralmente elas são erradas.
– Você não tomou decisão errada, Quinn. Apenas achou que estava fazendo a coisa certa para a nossa equipe.
– Eu não achei que estava fazendo a coisa certa! – Sua voz se alterou e Quinn se arrependeu quando viu Taylor se encolher um pouco. – Me desculpe. – Murmurou e apertou a mão da ruiva que estava em sua perna. – Eu nunca achei que estava fazendo a coisa certa, estava sobre pressão. Jesse dizia que tudo dependia de mim, o futuro de todos, inclusive o dele.
– Jesse é extremista, você sabe disso, Quinn.
– Sim eu sei, Taylor, mas isso não muda o efeito em mim sobre as coisas que ele dizia. – Fechou os olhos por alguns segundos, sua dor de cabeça aumentando. – Queria que nada disso tivesse acontecido. Seria melhor que eu não tivesse conhecido eles... não tivesse conhecido Rachel...
Taylor ficou em silêncio e Quinn se arrependeu de ter dito o que disse. Mas não tentou tomar de volta. Ela apenas voltou a se recostar no carro e se perdeu no silêncio.
Aos poucos, sentiu o carro parar. Abriu os olhos e olhou pela janela, vendo que já estava em casa. Tinha mais um carro na frente do de Taylor, mas ela não sabia de quem era. Virou os olhos para Taylor, vendo-a tamborilar o volante do carro levemente.
– Não vai entrar? – Quinn perguntou depois de alguns minutos. Taylor pigarreou e a olhou rapidamente antes de negar com a cabeça. – Porque? Foi porque eu disse aquilo? Tay, você sabe que...
– Não. Não tem nada a ver com o que você disse... bem um pouco. Mas eu tenho que passar em um lugar. E depois tenho um jantar na casa do meu irmão. Você sabe, para conhecer a noiva nova dele.
– É a quinta?
– Terceira.
Elas riram juntas e Quinn soltou o cinto, se inclinando para a ruiva, que se inclinou e elas se encontraram em um beijo curto e simples.
– Te vejo amanhã? – Quinn perguntou e Taylor assentiu com um sorriso.
Ela saiu do carro e caminhou até sua casa.
__
Quando entrou em casa, Quinn sentiu o cheiro de torta de banana que sua mãe provavelmente estava fazendo. Se arrastou até a cozinha e sorriu ao ver Judy cortando as fatias da torta com um sorriso calmo. Quinn se aproximou.
– Taylor não ficou? — Judy perguntou e Quinn suspirou pesadamente, ela ainda se sentia mal por ter tratado Taylor daquele jeito, mesmo depois de ter se desculpado e dito que a amava.
– Ela precisou ir em algum lugar. — Disse e se inclinou para pegar um pedaço da massa da torta, mas sua mãe bateu na sua mão, expelindo-a.
– Isso é para depois do jantar. — Quinn a olhou confusa e Judy riu. — Teremos convidados especiais!
– Que seria?
– A gente. — Olhou para trás e enxergou a dona da voz.
– Santana? — A latina estava vestindo seu uniforme das Cheerios e ao seu lado estava Brittany que segurava o carneirinho de Quinn.
– É, Q. Não sabia que ainda curtia ursinhos de pelúcia. — Santana zombou e Quinn revirou os olhos, mas não conseguiu evitar corar.
– Oh. O Larry! Onde achou? Faz semanas que estava procurando ele. — Judy exclamou e Quinn sentiu o corpo gelar.
– Larry?! – Santana zombou alto e Quinn corou mais ainda.
– Eu já disse que o Larry não vai par ao lixo! — Quase gritou e escutou a gargalhada de Santana.
– Quinnie! Não seja rude.
– Quinnie?!
– Mãe!
– Eu posso ficar com ele?
– Não!
Brittany fez um beicinho e abraçou Larry, fazendo Quinn bufar e se afastar. Santana deu um curto beijo na bochecha de Brittany e sentou no banco em frente ao balcão. Judy tinha guardado a torta e dado um prato com uma fatia para Santana, que sorriu. Quinn revirou os olhos e viu Brittany se aproximar da bancada, sua mãe fazendo a mesma coisa com a loira.
– Porque eu não ganho torta? – Reclamou se sentindo realmente enciumada.
– Porque eu disse que você não ganha. – Judy disse e foi até o forno. Quinn bufou e subiu no banco ao lado de Santana, que praticamente fazia relações sexuais com a sua torta.
Judy retirou uma lasanha do forno e Quinn sentiu seu estômago roncar.
– Eu posso comer a lasanha? – Perguntou fazendo beicinho. Judy a olhou e riu se aproximando dela e beijando sua bochecha.
– Claro, Quinnie.
– Quinnie... – Santana murmurou de boca cheia, como se estivesse zombando. Quinn revirou os olhos e bateu na nuca da latina, fazendo-a guinchar.
__
Depois do jantar, Quinn sentou na sala e Santana e Brittany sentaram com ela. Quinn sabia que elas estavam ali para lhe falar sobre Rachel, mesmo que a loira não tivesse perguntado coisa alguma, ou dito para lhe manter informada. Mas mesmo assim, Quinn estava feliz que elas faziam isso por ela.
– Então, tentei falar com ela hoje depois da ultima aula. – Santana murmurou enquanto mastigava sua torta. Quinn já tinha terminado a sua e Brittany estava brincando com Larry ao seu lado. – Quando eu disse seu nome, ela quase pulou em mim.
Quinn sentiu seu peito ser espremido e fechou os olhos, se recostando no sofá.
– Mas quando saímos do colégio, ela estava no auditório tocando piano. – Brittany murmura enquanto brincava com as patinhas de Larry.
– Ela cantava? – Quinn perguntou, sentindo uma leve esperança enquanto se inclinava para frente.
– Não. – Brittany respondeu dando de ombros.
Quinn se jogou para trás.
– Isso vai ser terrível, ela nunca vai querer ver a minha cara na vida.
– Hmmmm... – Santana murmurou silenciosamente, Quinn a olhou e viu que a latina parecia estar pensando.
– O que tem em mente?
– Ela poderia lhe perdoar, você sabe né?
– Como?
Quinn se inclinou para frente e Santana terminou de mastigar a torta e a colocou em cima da mesa de centro. Quinn observou seus movimentos, e viu a latina se virar para ela com uma expressão pensativa.
– Termine com a ruiva.
– Isso não está acontecendo. – Respondeu antes que pudesse pensar em outra resposta.
Mas terminar com a Taylor era algo que ela não iria fazer. Ela amava a ruiva, disso tinha certeza.
– Mas você sabe que esse é um dos motivos que ela poderia lhe perdoar né? Afinal, você estava se pegando com ela enquanto tinha uma namorada.
– Terminar com a Taylor está fora de cogitação.
– Ela te ama, sabia?
Quinn se calou com isso. Santana a olhava com raiva.
– Como você...?
– Na aula de espanhol, ela viajava completamente. Olhei por cima do ombro dela e vi uma coisa que ela estava lendo. Tinha escrito no canto da página, com um caralho de um coração. “Eu amo Quinn Fabray”. E outra frase que eu não consegui ver.
Quinn sentiu o corpo ficar tenso e desviou os olhos da latina.
– Parece que o plano funcionou, afinal, né? – Brittany murmurou no canto do sofá e Quinn a olhou, a loira estava abraçando Larry como se fosse um bebê.
– O quê?
– Não era esse o plano? Fazer ela se apaixonar por você e então fazer a Rae sofrer pra que o Oral Adrenaline ganhe as Regionais e as Nacionais?
– Vocal, baby. – Santana corrigiu.
– Sim, isso também. – Brittany assentiu e voltou a brincar com Larry.
Quinn a olhou seriamente e então fechou os olhos.
Brittany estava certa. Ela tinha cumprido o plano com perfeição, agora estava lidando com a culpa.
__
Ela não deveria estar aqui, mas estava. Suspirou aliviada por estar vazio e subiu no palco. Olhou ao redor, apenas para ter certeza. Estava no McKinley, no auditório, mas era sábado. Tinha conseguido a chave com Santana, que por ser capitã das Cheerios, tinha uma chave reserva de algumas portas do colégio.
O piano continuava ali. Sentou e tocou as teclas com as pontas dos dedos. Rachel tinha estado aqui antes, Quinn quase conseguia sentir seu cheiro, mas era algo que tinha ficado preso em sua cabeça. Talvez para sempre.
As Regionais eram a noite naquele dia. E ela não estava pronta para enfrentar Rachel, e ver aquela mágoa em seus olhos. Tocou as teclas levemente.
Ali era o único lugar que ela conseguia se sentir bem. Único lugar que ela conseguia cantar tranquilamente, e tudo isso por causa de Rachel.
Pensou em uma música, uma que estivesse em sua cabeça. Suspirou levemente quando conseguiu pensar em uma.
We do what we have to when we fall in love
We say what we need to get out when it's not enough
Whether it's to yourself, or lookin' at someone else
Ela não cantava Jason Walker tinha algum tempo. Geralmente cantava quando alguma coisa significante aconteceu, como quando seu pai saiu de casa e ela cantou Echo para todos da Carmel. Mesmo não sendo o verdadeiro significado, ela apenas se sentia bem e confortável cantando as músicas do Walker. A música que cantava agora era Everybody Lies.
Everybody lies, lies, lies
It's the only choose sometimes
Doesn't matter if it's out there somewhere waiting for the world to find
Buried deep inside
Everybody lies
E que era verdade. Todos mentiam. E ela era a maior mentirosa da história. Talvez a única verdade, era que todos mentiam.
Just being honest, we're playing for both sides
It's easy to decieve but it's hard when the trust that's broken is mine
For better or for worse
For the happy, for the hurt
Acelerou a musica no piano e fechou os olhos enquanto se perdia na música. Sorriu levemente quando sentiu uma presença no auditório. Balançou a cabeça e seu cabelo era jogado de um lado para o outro, ficando em seus olhos.
Everybody lies, lies, lies
It's the only choose sometimes
Doesn't matter if it's out there somewhere waiting for the world to find
Or buried deep inside
Yeah, everybody lies
Oh, evrerybody lies
Desacelerou a musica e respirou fundo.
Everybody lives, and everybody dies
Yeah
Então voltou a acelerar a música. Sentiu uma lágrima escorrer pelo rosto e sorriu achando a situação ridícula. Ela não poderia sentir essa dor só porque sabia que tinha alguém lhe assistindo, e que ela sabia quem era essa pessoa. Ela não poderia demonstrar fraqueza.
Oh, it doesn't matter if it's out there somewhere
Waiting for the world to find
Or buried deep inside
Or buried deep inside
Everybody lies
Terminou e abriu os olhos. Seus olhos encontraram os castanhos. E não. Não era os de Rachel. Passou os dedos pelas teclas, ainda apreciando a música que ecoava na sua cabeça. Levou uma mão até os cabelos e os arrumou.
– “Todo mundo mente”? – A pessoa murmurou e Quinn respirou fundo. – Achei que só você mentia. Ao menos foi o que me pareceu.
– O que quer, Finn? — Quinn perguntou e voltou os olhos até o rapaz.
– Acho que precisamos conversar. – Finn falou e colocou as mãos nos bolsos da calça jeans.
Quinn suspirou e dedilhou levemente o piano. Ela não estava pronta, mas iria conversar com Finn.
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