Seducing The Enemy
15 Capítulo XV – Feeling Numb
Notas iniciais
Capítulo XV – Feeling Numb
Rachel estava dormente. Ela olhava para o Mr. Schue e não conseguia acompanhar nada do que ele falava. Mas não duvidava de que nenhum estava prestando atenção. Alguns conversavam entre si e outros apenas ignoravam descaradamente. Ninguém se importava com o que o Sr. Schue dizia. E nem ela.
Não. Ela não estava no Glee Clube. E sim em uma aula de espanhol. Não gostava de espanhol. Suas notas não eram ruins, mas nada a impedia de dizer que odiava a língua.
Mesmo assim, não era isso o que ela pensava agora. Rachel respirou fundo e olhou para o caderno que deveria estar anotando tudo o que o Sr. Schue falava, mas no caderno tinha alguns desenhos. Alguns corações básicos, isso não era nada demais, mas o que a fez engolir em seco e ter vontade de chorar, foi o que tinha escrito no canto esquerdo da página.
"Eu acho que amo a Quinn... Não conte para ela!"
Em um acesso de raiva, arrancou a página do caderno e amassou. Ficou feliz quando o sinal bateu. Recolheu suas coisas e saiu da sala.
Já fazia uma semana.
Uma semana que se sentia dormente e irritada. E não tinha sido uma semana nada fácil.
Era incrível. Mesmo ela estando no final da cadeia alimentar, ela ainda era alvo de rumores.
Os rumores de que Rachel Berry estava envolvida em um relacionamento com Quinn Fabray e Quinn Fabray apenas a usava para ganhar a competição de coral, correram mais rápido do que qualquer outro rumor. Todos a olhavam. E isso a deixava tão nervosa que ela queria apenas se trancar dentro do próprio quarto e ignorar o mundo afora.
Era como se eles se preocupassem com ela. Depois que ela começou a namorar com Finn, as pessoas começaram a lhe rondar, alguns com más intenções, e outros apenas para lhe dar um "bom dia".
Não que Finn fizesse alguma coisa no relacionamento deles.
Abriu o armário e praticamente jogou o caderno dentro dele.
– Wow, nunca pensei que Rachel Berry fosse ficar sexy quando está com raiva. — Revirou os olhos e olhou para a dona da voz.
– O que quer Santana?
– Tenho algumas coisas para falar com você. — A latina falou sem rodeios. Rachel a olhou por alguns segundos, antes de desviar para olhar para o armário.
– Sobre o quê?
– Quinn Fabray.
E a porta do armário fechou com força.
Os olhos de Rachel foram tão rápido para Santana que a latina arregalou os próprios.
– Tudo que tenha a ver com Quinn Fabray, não me interessa. — Disse, sua voz pingando ódio.
– Tenho certeza de que vai lhe interessar. — Rachel desviou o olhar e fechou os olhos. Respirando fundo e saindo de perto da latina. — Berry! Não vire as costas para mim!
– Eu já disse Santana!
– Berry!
Mas Rachel já estava fora de vista.
__
Sentou no banco do piano e admirou as partituras na sua frente. Pegou-as e folheou, procurando a música perfeita para cantar em um momento de raiva e dormência. Mesmo que ainda rangesse os dentes com Santana tentando fazer com que ela conversasse sobre... “aquela que não deve ser nomeada” , mas ela queria relaxar, e não tinha nada que a relaxasse mais do que uma boa música.
Continuou folheando até que parou naquela que ela não sabia se deveria cantar. Colocou a partitura no lugar e olhou para as notas. Então começou a tocar.
And another one bites the dust
But why can I not conquer love?
And I might've thought that we were one
Wanted to fight this war without weapons
And I wanted it, I wanted it bad
But there were so many red flags
Now another one bites the dust
And let's be clear, I trust no one
Seus dedos dançavam pelas teclas. Sua voz tão forte quanto poderia em um momento daqueles. Tentou ao máximo ignorar o bolo que crescia em sua garganta. E conseguiu. Ao menos por um curto período. Lembrava bem de quando ensaiaram aquela música pela primeira vez naquele mesmo auditório. E como foi tão perfeito. Fechou os olhos se deixou cair naquela memória. Um dos poucos momentos que se sentiu apaixonada, e amada.
You did not break me
I'm still fighting for peace
Quinn tinha aquele olhar encantador enquanto andavam pelo palco. Em direções contrarias. Quinn ainda não cantava, mas Rachel via como ela reproduzia a música baixinho nos lábios. Cantando uma versão lenta da sua música favorita da Sia. Seus olhos se perdiam facilmente nos da loira.
Well, I've got a thick skin and an elastic heart
But your blade, it might be too sharp
I'm like a rubber band, until you pull too hard
Yeah, I may snap and I move fast
Então elas se aproximavam e Quinn coloca os braços envolta de Rachel. O queixo em seu ombro ela cantava. Então a voz de Quinn se iniciava próxima ao seu ouvido e Rachel a olhava encantada. Os braços da loira ainda circulando sua cintura.
You won't see me fall apart
'Cause I've got an elastic heart
I've got an elastic heart
Yeah, I've got an elastic heart
No refrão, eram as duas cantando. E era perfeito. Uma harmonia perfeita. Rachel via como os olhos de Quinn brilhavam quando elas se separaram e ainda de mãos dadas se aproximavam do piano.
And I will stay up through the night
Yeah, let's be clear, won't close my eyes
And I know that I can survive
I'll walk through fire to save my life
And I want it, I want my life so bad
I'm doing everything I can
Then another one bites the dust
It's hard to lose a chosen one
E agora era só Quinn. Rachel soltou sua mão e foi para o outro lado do piano. Suas mãos escorregaram pela madeira preta. Era perfeito como o olhar de Quinn não saia dela. Sempre aquele olhar que fazia com que ela se sentisse única.
You did not break me
I'm still fighting for peace
Well, I've got a thick skin and an elastic heart
But your blade, it might be too sharp
I'm like a rubber band, until you pull too hard
Yeah, I may snap and I move fast
Então Rachel entrou na musica e Quinn quase esqueceu a letra, fazendo a morena rir e se aproximar delas. Suas mãos se tocaram e Quinn foi para atrás dela, circulando seus braços no corpo de Rachel. Mas a morena se virou para ela e seus olhos se encontraram mais uma vez.
You won't see me fall apart
'Cause I've got an elastic heart
I've got an elastic heart
Rachel abriu os olhos quando a música acabou. Olhou para o piano, vendo suas mãos ainda sobre as teclas. A frustração bateu nela como um soco no estômago. Sentiu as lágrimas descendo pelo seu rosto e saiu do banco do piano. Andou até a borda do palco e sentou.
Como ela poderia ser tão idiota? Como poderia se apaixonar por Quinn Fabray tão rápido? Mas ela não era de toda errada. Quinn Fabray era uma garota encantadora, mas... como ela não conseguiu associar que Quinn Fabray era a Quinn Fabray do Vocal Adrenaline?
Trouxe as pernas para o peito e enfiou a cabeça entre os joelhos. Respirou fundo e se deixou chorar. Ela precisava, precisava depois de tudo o que tinha acontecido. Lembrar de um dos momentos que ela se sentiu bem com Quinn, não foi uma ideia muito boa.
– Foi lindo. – Escutou uma voz na sua frente e levantou a cabeça para encontrar uma ruiva olhando para ela. – Você toca piano muito bem. Sinceramente, estou surpresa. Achei que só cantasse bem, não é todo mundo que toca piano como você toca.
A ruiva foi se aproximando. Rachel observou, pela camisa azul, que era da Carmel. Então quando o rosto da ruiva ficou visível, sua respiração engatou e ela levantou do chão.
– O que está fazendo aqui? – Perguntou, se armando toda para qualquer coisa que a ruiva falasse contra ela.
– Vim esclarecer algumas coisas. Acho que precisamos disso, não é? – A ruiva se aproximou do palco e Rachel se aproximou do piano, fazendo o possível para ficar mais longe dela. Taylor respirou fundo e fechou os olhos. Rachel observou como ela balançou a mão e abriu os olhos novamente. – Eu não vim te atacar. Até porque não tenho motivos.
– Não. Você não tem. Sua namorada tem cem por cento da culpa aqui. – Rachel deu as costas e começou a recolher as coisas, guardando as partituras dentro da pasta e se afastando do piano, pronta para ir embora.
– Eu sei que você acha que ela tem culpa. E, bem, ela meio que tem, mas a culpa não é completamente dela. – Taylor falou e Rachel a olhou, se sentindo repentinamente irritada.
– Não vai dizer que a culpa é minha, não é? – Debochou e viu a ruiva suspirar. – Olha, ela é a sua namorada, tudo o que passamos foi uma mentira, então, quero que apenas vá embora. Não jogue na minha cara que tem a pessoa por quem eu me apaixonei. Eu a odeio agora. E nunca vou perdoá-la por isso.
E andou até a porta do auditório, passando por Taylor. Escutou um leve suspirar.
– Sabe. Eu realmente achei que tinha Quinn só para mim. Realmente. Mas no momento em que ela olhou em meus olhos e disse que me amava, eu sabia que não estava sendo completamente sincera, mas me obriguei a acreditar, por que era isso que eu queria. Queria que Quinn me amasse. – Taylor se virou para Rachel e viu como os olhos da morena lhe encaravam atentamente. – Ela disse que me amava várias vezes. Várias. Mas eu via em seus olhos. Sabe? Ela me olhava de um jeito perdido, como se estivesse vendo outra pessoa ao invés da namorada dela. Da verdadeira namorada dela.
– O que...?
– Quero que saiba disso. Quero que saiba que desde o começo de todo esse plano estúpido, ela estava contra. Ela odiou a ideia de Jesse fazer com que ela fosse a pessoa. Ela odiou Jesse. Quinn não é do tipo de pessoa que gosta de magoar outras. Ela tentou desistir várias vezes, mas todas as vezes Jesse a fazia parar.
– Porque está me dizendo isso? – Rachel pergunta, depois de um tempo.
Ela vê como os olhos de Taylor ficam tristes, mas mesmo assim, a ruiva sorri. E Rachel sabia que era um sorriso verdadeiro.
– Se eu for perder a Quinn para alguém, quero que seja você. – Taylor fala e Rachel franzi as sobrancelhas. Ela abre a boca para falar, mas Taylor a interrompe. – Porque eu sei que ela te ama, e não quero que ela fique comigo porque acha que não pode ficar com quem ela realmente ama.
– E porque você acha que eu vou perdoá-la? – Sua pergunta sai incerta. Rachel sabia que depois do que Taylor falou, talvez, nem tudo o que elas passaram tenha sido uma mentira.
– Porque você é igual a mim. – Taylor responde simplesmente. – Nesse caso, pelo menos.
– Como...?
– Nós nos apaixonamos pela mesma pessoa. Quinn não é uma má pessoa, ela só não teve uma escolha.
– Sim, ela teve! – Rachel fala e passa uma mão pelo rosto. – Ela poderia simplesmente me falar sobre o plano, ou poderia ter desistido, ou não aceitado!
– Não. Ela não teve escolha. Você conhece Jesse St. James? – Rachel assente com a cabeça e Taylor imita o seu movimento. – Jesse consegue ser bem persuasivo quando quer. Quinn não tinha outra escolha, ele colocou tudo nas costas dela, disse que se ela não fizesse isso, ele ia perder tudo o que tinha, e também a esperança de ter um futuro garantido. Que é exatamente o que Jesse St. James quer.
– Porque ele mesmo não veio me “seduzir” – Rachel não fez as aspas, mas elas estavam bem explicitas do jeito que ela falou.
– Porque Jesse St. James não faz nada que ele tenha que trabalhar para isso. E ele sabia que não iria ter tanto sucesso assim. Quinn tem esse poder de sedução que realmente funciona. – Quando Taylor terminou de falar, Rachel soltou uma risada.
– Sim... – Murmurou e Taylor sorriu tristemente.
– Não vai ser tão ruim perder ela para você? – Comenta e Rachel a olha.
– Porque está tão disposta a deixar Quinn para mim? – Rachel pergunta e Taylor suspira pesadamente. Ela anda até uma poltrona e se apoia. Passa as mãos na calça jeans branca que usava e observava enquanto seus dedos passavam pelo tecido.
– Porque eu também sou a melhor amiga dela.
E Rachel entendeu o que ela quis dizer.
__
Rachel foi para casa, falou com seus pais. Pensou em comer alguma coisa, mas não sentia fome. Estava pensando demais. Não conseguia parar de pensar nas coisas que Taylor lhe disse. Em como ela parecia arrasada, mas mesmo assim, continuava falando sobre como não conseguia disfarçar seus sentimentos por ela.
Mesmo assim, mesmo depois de tudo o que Taylor lhe disse. Rachel ainda não conseguia acreditar. Não conseguia perdoar Quinn, não conseguia pensar em nada bom que poderia sair das coisas que Taylor lhe disse. Quinn poderia estar, facilmente, mentindo sobre tudo, apenas para fazê-la acreditar que ela está realmente apaixonada por ela.
E talvez Taylor esteja mentindo.
Afinal, a garota era do Vocal Adrenaline e era namorada de Quinn Fabray.
Com esse pensamento, Rachel não conseguiu evitar e abraçou um travesseiro, escondendo o rosto e prendendo a vontade imensa de chorar.
Como Taylor ainda se sentia bem, mesmo sabendo que Quinn estava em um plano para destruir Rachel? Como Taylor conseguia se sentir bem com Quinn beijando Rachel, abraçando Rachel, sendo amorosa com Rachel. Como qualquer pessoa conseguia se sentir bem com isso.
“ Porque eu também sou a melhor amiga dela.”
Mesmo assim! Rachel nunca iria conseguir se sentir bem se sua namorada, ou namorado, estivesse em um plano para destruir a equipe inimiga, e esse plano envolvesse fazer a pessoa se apaixonar por ela.
Rachel nunca iria se sentir feliz se soubesse que outra pessoa estava apaixonada pela pessoa que ela amasse.
E era isso o que estava acontecendo.
Ela não estava feliz.
Porque ela, infelizmente, ainda amava Quinn Fabray.
Droga.
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