Sede de Vingança: O Despertar das Fúrias
1 Lágrimas de Sangue
Acordei com o despertador tocando. Era 5h da manhã. Estava bem frio, uma preguiça intensa e uma má vontade de ir à escola quase me fez dormir novamente. Levantei-me rapidamente, arrumei minha cama e dobrei os dois edredons que havia dormido. Escovei meus dentes e lavei a louça que deixara de lavar noite passada. Quebrei um copo enquanto estava-o ensaboando, derrubei-o na pia e os cacos espalharam pela cozinha. Não tive culpa, ainda estava meio sonolento. Terminei de lavar os talheres, depois com um jornal recolhi os pedaços de vidro do copo com cuidado para não me cortar. Quando acabei, preparei o café. Fui ao mercado da esquina, ainda de pijama, para comprar os pães. Ao chegar em casa, fiz um pão com manteiga e o degustei lentamente junto ao café quente. Minha mãe acordou, e pareceu surpresa quando viu que eu havia preparado o café da manhã e lavado as louças. Com uma voz ainda sonolenta, ela disse bocejando:
–Bom dia filho! É inacreditável você já ter feito tanta coisa em tão pouco tempo. Você é um filho perfeito! Te amo muito...
–Bom dia mãe! Não sou tão perfeito assim, acabei quebrando um dos copos quando lavei a louça- disse com uma voz de decepção.
–Para filho! Esses copos quebram direto. Não precisa se culpar, temos tantos copos. Por isso já vendem 12 copos em uma caixa, por quebrarem tão facilmente, tem-se que ter reservas.
–Tem razão!- falei com uma risadinha.
–Vá se trocar rapidamente! Você irá se atrasar para a escola!
Levantei-me da mesa, fui ao meu quarto, pus o uniforme e parti para a escola, dando um beijo em minha mãe antes de sair.
Quando cheguei à escola o portão estava sendo fechado pela diretora. Estava realmente atrasado. Acelerei o passo, e quando percebi, eu estava correndo. Pedi desculpas à diretora ao entrar, mas ela me ignorou, não devia estar de bom humor, aliás, ela nunca está de bom humor.
Entrei na minha sala, a professora de matemática já estava passando lição na lousa. Sentei-me no meu lugar e retirei meus materiais da bolsa. Cumprimentei minha melhor amiga, Sansa, com um beijo no rosto. Ela se senta à minha frente e é uma das pouquíssimas pessoas que eu converso em sala. Sansa é muito atenciosa, bem humorada, sempre com um sorriso estampado no rosto mesmo que seja às 7h da manhã. É a única pessoa que confio de verdade, ela sabe todos os meus segredos e eu os dela. Ela sempre se preocupa muito comigo, o que me faz a ver não como uma amiga, e sim como uma irmã. Sempre quis ter irmãos, mas não tive tanta sorte, então “adotei” Sansa como minha irmã mais velha (por apenas três meses de diferença). É legal ter uma irmã com olhos castanhos, cabelos cacheados e ruivos, e com um sorriso tão brilhante quanto à lua.
Após terminar de copiar as lições do quadro negro, me levantei e fui até o Henrique para cumprimentá-lo. Henrique é um amigo que qualquer um iria querer por perto, é uma pessoa companheira, que vive fazendo piadas durante as aulas causando risos em todos os alunos, é uma pessoa extremamente irônica que chega a irritar algumas vezes. Sentia-me sortudo por ter um amigo assim, sua extrovertividade era admirável, e completamente oposta a minha.
Ao chegar à mesa dele, um choque desagradável de todo dia: Luan estava sentado atrás de Henrique. Luan era meu melhor amigo até dois meses atrás quando nos afastamos por que... Contei que estava apaixonado por ele. Sou bissexual. Luan foi a primeira pessoa que eu me apaixonei de verdade. Éramos melhores amigos, passávamos muito tempo juntos e tínhamos muitas coisas em comum, o que me fez confundir as coisas e gostar dele de outra maneira. Não aguentava mais guardar para mim que era apaixonado por ele, quando estávamos juntos, tinha o constante sentimento de aperto no coração, um sufoco, por querer dizer a ele o que sentia, porém não podia, para não acabar com nossa amizade. Até que um dia cheguei ao meu limite, e quando percebi, já havia dito toda a verdade a ele, e o meu maior medo ganhou vida, nós nos afastamos. Era a pior sensação do mundo, parecia que alguém próximo a mim tivera morrido, era um sentimento de luto.
Há um tempo, comecei a perceber que Luan queria minha amizade de volta, ele passou a ficar perto de mim, tentava puxar assunto, ficava mandando indiretas, etc. Entretanto, eu me afastava, matava os assuntos rapidamente, o ignorava a maior parte do tempo. Mesmo fazendo isso, ele continua tentando “consertar” as coisas, mas permaneço firme e frio. Não posso voltar a amizade, tal ato reviveria todo aquele sentimento de paixão que eu sentira (que infelizmente ainda acho que sinto) e toda aquela angústia, aquelas mágoas, aqueles medos, então decidi que não podia voltar atrás de maneira alguma. Sansa diz que eu deveria tentar esquecê-lo com outro alguém, mas discordo plenamente com essa ideia, a última coisa que preciso agora é me apaixonar novamente. Sinceramente, acho que estou com trauma de amar pessoas, preciso passar em um psicólogo algum dia ou morrerei virgem. Decidi ser narcisista e amar somente a mim mesmo, todavia estou pondo limites até a esse amor próprio.
Cumprimentei Henrique evitando olhar para Luan. Quando me virei para voltar ao meu lugar, Henrique questionou:
–Não vai cumprimentar o Luan?
O sangue subiu à minha cabeça, fiquei com raiva de tal pergunta, porém Henrique não soubera da história do afastamento de Luan, então não tinha injúria.
Com um sorriso forçado no rosto, cumprimentei Luan, tirando minha mão da dele velozmente. Meu sangue ferveu em minhas veias no momento que Luan disse a seguinte frase:
–Pensei que não ia cumprimentar seu amigo!
Um “vá se fuder” ficou preso na ponta da minha língua, mas me contive. Acho que o Luan andou tendo aulas de ironia com o Henrique.
Voltei a meu lugar quase soltando fumaça pelo nariz. Sansa percebeu minha cólera.
–Tudo bem Julian?
–Não, nem um pouco, acho que tem gente nessa sala que anda fazendo matérias extracurriculares, como aula de filha da putagem!
Eu devo ter falado muito alto, pois a menina que estava sentada atrás de mim deu uma risada. Cobardemente olhei para Luan com receio de ele ter escutado, mas estava conversando distraidamente com o Henrique, o que me deu um alívio instantâneo.
A professora Daiane de português entrou na sala e anunciou que falaria as médias bimestrais dos alunos. Ela disse minha média. Tirei 10, assim como em quase todas as médias das outras matérias. Risadinhas surgiram do fundo da sala, e como de costume, “a galera do fundão” começou com gozações em cima de mim. Odeio a galera do fundão! Odeio todos eles! Vivem fazendo gozações, piadinhas e atos pravos sobre mim. Ficam me chamando de NERD, CDF, enciclopédia ambulante e por aí vai. Eu nunca revido, prefiro ficar calado. Entretanto, os professores me defendem... O que só piora a situação, pois as piadinhas ganham um up e sobem de nível. Se eu pudesse faria eles pagarem, sofrerem, até que aprendessem a controlar a boca, mas isso é só mais um sonho de minha lista, junto com meu sonho de tornar-me vampiro. Eu sei, é patético.
Henrique gritou do lugar dele pedindo meu caderno de história emprestado. Levantei-me e fui rumo ao lugar dele com o caderno em mãos. Luan estava de pé em frente à mesa de Henrique. Por ter olhado para ele por um instante, me descuidei e derrubei o caderno no chão. Luan se abaixou para pegá-lo no mesmo ritmo que o meu. Nós dois abaixados com as mãos no caderno, um olhando para os olhos do outro. “Credo, que cena mais clichê” pensei comigo mesmo. Hesitei por um momento, e Luan pegou o caderno e entregou-o para mim. Coloquei-o ferozmente na mesa de Henrique e voltei ao meu lugar ignorando Luan, e me contende para não soltar um “obrigado” a ele. Chega a ser difícil ser mal educado para mim.
Contei a Sansa o que tivera acontecido, e ela não aguentou, dando risadas que nem uma foca retardada. Aquilo não era engraçado, pelo menos não pra mim.
O sinal da escola tocou, indicando que era a hora do intervalo. Peguei meu sanduíche de pão com mortadela e meu leite com chocolate em caixinha, e junto com Sansa fui para o pátio da escola e sentei-me em uma das mesas do refeitório.
Sansa se levantou e foi até a cantina para comprar um salgado e um refrigerante. Quando estava sozinho na mesa, Sidney apareceu junto com Pablo, Richard, Lucas e Guilherme. Eles eram a galera do fundão, que sempre causam comigo. Pablo é sempre o que dá o ponto de partida das chacotas em sala de aula. Richard é apenas um sinalizador de gargalhadas, nunca zoa, apenas ri. Lucas é o que coloca lenha na fogueira. Sidney é um otário que fica fazendo brincadeiras de mãos, é briguento e mal humorado. Guilherme... Bem, ele era meu melhor amigo, até se enturmar com eles, e pior, fazer parte deles e me abandonar, assim como Richard, ele apenas ri das brincadeiras e piadas de mau gosto.
–O que vocês querem?- perguntei tentando fazer um tom ameaçador com a voz.
–Queremos um pedaço do seu lanche!- diz Sidney num tom muito mais ameaçador que o meu, e ele nem havia se esforçado pra fazer um, fez naturalmente.
Não tentando arrumar confusão, até mesmo porque eu não podia brigar contra cinco de uma vez, parti meu lanche no meio, “oferecendo” a eles.
–Não dá o lanche pra eles!- diz Sansa em uma voz de fúria (com uma empadinha e uma Dolly em mãos).
–Por quê? Você vai fazer alguma coisa com a gente?- falou Pablo com uma voz sarcástica.
–Vou sim, se vocês se atreverem a mexer com o Julian!- a raiva na voz de Sansa estava mais forte.
–Não pensa que só porque você ser uma mulher, eu não desceria o braço em você se quisesse- disse Sidney enquanto estralava os dedos das mãos.
João apareceu do nada e deu um soco na cara de Sidney.
–Não se fala assim com uma dama!
Os outros quatro partiram pra cima dele, mas incrivelmente, João conseguiu arrebatar todos.
A diretora surgiu no pátio e com um grito fez o alvoroço cessar.
Ela mandou que os seis fossem a sua sala. Antes de eles irem, agradeci João por ter defendido Sansa, e fiquei surpreso quando ele disse:
–Não estava só protegendo Sansa, estava protegendo você também!
Um friozinho na barriga surgiu repentinamente. Agradeci João novamente. Sansa foi até ele e deu um beijo na bochecha em forma de gratidão.
O sinal tocou novamente, voltei à sala. Demorou 30 minutos até que João e a galera do fundão voltassem da diretoria. Queria perguntar a João se algo acontecera a ele, mas nunca havia conversado nada com ele, então guardei minha vontade e continuei a copiar a lição.
A professora de química fez uma pergunta oralmente valendo um ponto na média, e eu respondi corretamente, o que foi motivo de piadas no fundo da sala, mesmo tendo acabado de voltar da direção há poucos minutos, eles ainda estavam tirando onda com a minha cara. Que ódio!
Olhei em direção ao lugar de Henrique, e fiquei abismado quando vi que Luan não estava lá, comecei a caça-lo com a vista ao redor da sala. Lá estava ele, conversando com Tatiana. Ele é apaixonado por ela, havia me dito isso quando éramos amigos. Não sei o porquê, mas estava pasmado ao ver os dois conversando, acho que estava com ciúmes...
Eu tentava me focar na lição e não olhar para os dois, todavia a cada dez segundos me pegava olhando para eles.
O tempo passava e os dois estavam lá, juntos, com sorrisos e olhares alegres, o que me deixou aflito. Sansa percebeu meu nervosismo (ela sempre percebe), após ela ver Tatiana e Luan conversando já conseguiu captar a fonte da minha angústia. Não disse nada pra mim, apenas olhou em meus olhos e deu um tapinha do meu braço, o que me fez errar na escrita do texto, mas naquele momento estava pouco me importando com isso.
O último sinal da escola soou o que foi um imenso alívio. Guardei os materiais rapidamente, mas não tanto quanto Sansa, que guardou os materiais na velocidade da luz para correr para não perder o ônibus.
Vi João guardando o estojo lentamente, tomei coragem e fui falar com ele. Perguntei se algo aconteceu na diretoria, e ele disse que apenas levou uma advertência. Percebi que João estava nervoso e não me contive em perguntar:
–Você está nervoso? Você parece tenso!
Ele me olhou nos olhos e respondeu:
–Estou um pouco...
–Por quê?
–Eu sou afim da Tatiana e estou triste por ela estar namorando.
Meu coração disparou, e quase gaguejando questionei:
–Ela está namorando? Com quem?
–Com o Luan.
Naquele momento senti algo que nunca havia sentido antes, queria sumir, desaparecer, não queria acreditar no que João estava dizendo, mas era incontestável por causa da seriedade na voz dele e na decepção estampada no rosto dele que devia ser igual a minha.
João e eu saímos da sala juntos. Quase não conseguia andar, estava tremendo, minhas pernas estavam bambas. Acho que João percebeu minha situação logo que colocou a mão em meu ombro.
Havia pensado que as coisas não podiam piorar, até que, vi Luan e Tatiana se beijando em frente ao portão da saída.
Lágrimas surgiram em meus olhos, embaçando as vistas, saí correndo feito um louco, sem direção. Não vi nada, não vi como João tivera reagido, não vi se o Luan ou a Tatiana me viram correndo chorando indo embora.
Parei na esquina da rua da escola e tentei controlar meu pranto. Consegui parar de chorar até chegar em casa. Não havia ninguém em casa, minha mãe foi trabalhar. Nunca foi tão difícil colocar a chave na fechadura da porta, minha mão tremia dificultando minha ação. Quando finalmente consegui abrir a porta, entrei correndo, puxei a cadeira da mesa de jantar, sentei nela, encostei o corpo na mesa e desabei em lágrimas. Parecia um bebê que acabara de sair da barriga da mãe, nunca meu rosto tivera tantas lágrimas, não conseguia segurar os soluços e gastei mais da metade de um rolo de papel higiênico secando o rosto e o nariz.
Quando as lágrimas pararam se escorrer, comecei a refletir sobre a minha vida. Era uma droga. Eu sou um lixo. “Filho perfeito?”, “aluno perfeito”, olha só pra mim. Eu era apenas um desperdício do universo. Minha existência não tinha significado. O que eu sou? Simplesmente um nada. Um vazio imenso surgiu dentro de mim.
Para que continuar vivendo? Alguém sentiria minha falta? Alguém se importaria se eu morresse? Eu significo alguma coisa nessa porcaria de mundo? Vivo sofrendo bullying na escola por ser NERD, sou bissexual e se alguém souber disso iria caçoar de mim eternamente. Nunca namorei ninguém e sabe se lá se um dia eu irei namorar. A pessoa que eu me apaixonei era meu melhor amigo, ele não me quis, se afastou de mim, e o pior de tudo: ele está namorando agora.
Essas dúvidas ficaram martelando em minha mente, quando percebi estava com uma faca na mão. Nunca fui muito religioso e sempre me questionei sobre a existência de um ser divino, diz à igreja que quem tira a própria vida irá para o inferno, mas quem me garante que o inferno não é melhor que aqui?
Chega! Cansei dessa vida! Eu tenho que morrer! Peguei a faca e cortei meu pulso. Sangue escorria pela minha mão, uma poça era formada no chão da cozinha. Minha vista foi escurecendo. Eu tinha certeza: eu estava morrendo. Tudo ficou escuro e a última coisa que senti foi meu corpo caindo no chão.
Quando abri os olhos, estava em uma floresta com árvores densas. Aqui é o céu? Olhei para cima e o céu esta coberto de nuvens negras, que o deixou com uma cor acinzentada. Vi um caminho de pedras entre as árvores e decidi segui-lo para ver aonde levava. A trilha que era longa foi se estreitando, até que só uma pessoa conseguiria passar entre as árvores de troncos grossos.
Quando a trilha acabou, vi um castelo imenso, de cor preta. Ou estava no inferno e aquele era o cafofo do diabo ou estava em um conto de fadas, tipo Cinderela. Aproximei-me da gigantesca porta de madeira, vi duas estátuas, uma de cada lado da porta. Eram mulheres nuas, com asas de morcegos e cabelos de serpentes. Após ver as estátuas, mudei meu conceito: isso estava mais pra filme de terror do que conto de fadas, ou quem sabe era a primeira opção, pensar nisso me fez arrepiar inteiro. Olhei para minha mão, ela ainda estava sangrando, mas bem menos que antes, o que me fez perceber que o que estava acontecendo era real. Ao olhar para as pequenas gotas de sangue caindo no chão, todos os pensamentos angustiantes voltaram à minha cabeça.
Houve um estrondo. Assustei-me, e quando olhei novamente para as estátuas macabras fiquei realmente assustado: elas estavam chorando sangue, o que tornou tudo mais sinistro. Um segundo estrondo surgiu, e a gigantesca porta de madeira foi aberta.
Pensei em conter minha curiosidade, porém ela era maior do que eu, lentamente caminhei adentrando o castelo. Estava muito escuro, apenas algumas tochas acesas penduradas nos pilares do castelo estavam iluminando o local. O castelo era imenso, e ondas de ar frio percorriam meu corpo inteiro.
Fui me aproximando cada vez mais para o fundo do castelo, quando vi várias serpentes no chão. Eu tenho pavor de serpentes, mas preferi não gritar, marcar presença naquele lugar para ser devorado não seria uma boa opção. Elas se contorciam lentamente e faziam barulhos baixos com a língua. Continuei seguindo em frente, sempre me desviando delas para não me atacarem. Elas pareciam estar dormindo ou algo assim, pois mal se moviam.
Direcionei meu olhar para o teto, e se eu achava que serpentes eram o bastante, vi uns 20 morcegos repousando no teto. Nesse momento eu entrei em pânico, se eu espirrasse sabe se lá o que aconteceria. Bem que dizem que a curiosidade matou o gato. Onde eu fui me meter?!
A falar em espirrar, minha suposição estava certa, um ar gelado bateu em meu corpo e involuntariamente soltei um espirro. Os morcegos abriram asas e voaram em todas as direções. Ótimo. Tinha como piorar? Sim, tinha. Pisei em uma serpente, e ao entrar em pânico pensando que ele poderia me atacar, sai correndo e esmagando várias serpentes com o sapato, enquanto os sons de suas línguas aumentaram o volume e me defendia dos morcegos que vieram em minha direção. Fiquei horrorizado com a situação!
–Parem!- ecoou uma voz do fundo do castelo.
Todos os morcegos voltaram para o teto, e as serpentes abriram caminho para minha passagem.
–Aproxime-se!
Andei lentamente, até ver uma mulher muito bonita de rosto e de corpo, mas me assustei quando percebi que seu cabelo era feito de serpentes e que ela tinha asas de morcego. “Quem é ela? O cover da medusa misturado com o Drácula?”
–Q-q-que-quem é você?- eu disse gaguejando.
–Fui eu quem te trouxe aqui!
–Isso não é um sonho?
–Não. Isso é muito real.
Olhei para os olhos dela, era encantador ao mesmo tempo em que era arrepiante. Ela só vestia um vestido branco de um tecido leve, que dava para ver seus seios enormes.
–Eu sou uma Fúria, uma Deusa da Vingança! Eu lhe trouxe aqui para lhe fazer uma proposta.
–Que proposta?
–Liberte-me e irei te ajudar a se vingar de todos aqueles que quiser.
Seus braços estavam acorrentados, um detalhe que havia passado despercebido por mim. As correntes estavam presas a uma estátua de um pastor com uma ovelha aos pés dele.
–Olha, até queria te ajudar e talz, mas minha mãe me ensinou a não confiar em estranhos.
–Eu sei tudo sobre você, Julian! Sei que guarda rancor de muita gente em seu coração, e que se pudesse se vingaria de todos que o fazem sofrer!
Hesitei pensativo por um momento. Ela estava certa. Eu tentei me matar por causa desse ódio. Se ela, seja quem for ou o que for, estava me dando essa oportunidade, por que recusaria?
–O que devo fazer para libertá-la?
–Derrame gotas de sangue no cordeiro da estátua.
Assim fiz, minha mão ainda estava sangrando, fui a estatua e derramei sangue em cima da ovelha. As correntes dela sumiram repentinamente.
Ela andou em minha direção, pôs a mão em meu rosto e perguntou:
–Quem é a primeira pessoa que você quer se vingar?
Pensei por um instante, isso é melhor do que me tornar um vampiro. Então, logo falei:
–Tatiana!
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