"Três anos atrás: tomei coragem: era a coisa mais louca que eu iria fazer na minha vida! Me confessar para aquela que amo, mesmo recebendo dois “nãos” anteriormente, eu tinha que insistir, mesmo que recebesse outro “não”. Peguei um dinheiro com minha mãe que eu dissera que era pra comprar um livro da escola, fui à floricultura, comprei um buque de margaridas (custou o olho da cara), em seguida fui à escola, na época estudava de tarde. Deixei o buquê de flores na mochila, quando o último sinal tocou, tirei as margaridas da bolsa, fui na frente de todo mundo, fiquei de joelhos e declarei meu amor por Violeta. Todos acharam fofo, torciam pelo “sim” de Violeta depois que eu fiz a pergunta “quer namorar comigo?”, mas como antes, o mais chocante “não” da minha vida apareceu. Muitas meninas desconhecidas me consolaram depois da vergonha que passei, porém muitos outros riram da minha cara, e fui motivo de chacota durante meses. Como se ainda não fosse o suficiente para minha depressão, no outro dia vejo Violeta namorando com Dennis, um dos poucos AMIGOS que tinha na sala. Ele sabia que eu gostava de Violeta, ele me traiu de uma forma que nunca poderei esquecer.”

Passei a noite pensando no que João me dissera, ou melhor, que ele NÃO dissera. Primeiro me disse que tinha que me falar o que aconteceu de “estranho” com ele, depois falou que não poderia dizer por enquanto, e simplesmente mudou de assunto. Mil hipóteses surgiram à minha mente, entretanto não poderia perder tempo pensando nisso, tinha que planejar minha próxima vingança. Mesmo satisfeito com a vingança concluída contra Tati, ainda tenho muitas outras pessoas em minha lista.

Fiquei horas, junto com Fúria, pensando em quem seria o meu segundo alvo, até que conclui que seria Violeta, a menina que se recusou a me namorar em público, me fez passar a maior vergonha da minha vida e ainda namorou com meu amigo Dennis (que demonstrou não ser um bom amigo, e sim um fura-olho filho da puta).

O Sol nasceu e não tivera dormido quase nada. Parecendo um morto-vivo fui à escola, minha mãe ficara irritada comigo por não ter dormido à noite.

Sentei-me atrás de Sansa como normalmente. Luan e Henrique faltaram na escola. João sentou-se atrás de mim. Violeta, meu novo alvo, sentou-se na frente de Sansa, as duas eram melhores amigas.

Se um dia Sansa descobrir que eu me vingara de Violeta, iria ficar super nervosa comigo, mas teria que me perdoar, pois estou apenas “dando o troco” nessa vadiazinha que brincou com meu coração.

Eu nunca mais tivera falado com Violeta desde o fato dos três anos atrás. Sansa era a melhor amiga dela, então seria o meio que eu teria para aproximação.

As duas estavam conversando e rindo, Sansa parecia uma hiena com aquela risada desleixada dela. Levantei-me e sentei ao lado de Sansa, compartilhando a cadeira. Sansa estranhou e me questionou:

–Ué, por que tá sentando aqui comigo? Você nunca fez isso antes.

–Eu apenas quero te falar um negócio, e... Sentar perto de você é melhor pra mim te falar- falei meio sem graça.

–O que você tem que falar comigo? Fala aí que estou curiosa!

Eu não tinha nada a falar, entrei em desespero mentalmente porque não tinha ideias de qual assunto puxar, estava apenas ali pra tentar conversar com Violeta, para que Fúria pudesse ler a mente dela.

–E-E-Euu... Queria sua opinião de... Qual fantasia eu deveria vestir no Halloween- eu disse gaguejando.

Que ridículo! Fantasia de Halloween? Eu fiquei estressado comigo mesmo por ter sido tão idiota e não ter pensado nada melhor, PORÉM funcionou...

Antes mesmo de Sansa, com aquela cara de que não estava entendendo pra que eu queria sua opinião responder, Violeta entrou no assunto e deu a opinião dela.

–Acho que você deveria ir de Vampiro! Eu conheço uma loja de fantasias muito boa para se alugar e comprar essas coisas.

–Me fale mais sobre essa loja de fantasias- ótimo, esse era o fio da miada que eu precisava para Fúria conseguir ler a mente de Violeta.

O papo totalmente forçado se estendeu até o professor de física, Max, entrar na sala e me pedir pra voltar ao meu lugar.

Fúria conseguiu infiltrar no cérebro de Violeta e me disse sobre uma foto íntima que ela tivera tirado e mandado para Dennis.

O plano então era o seguinte: aproximar-me de Dennis, pegar o celular dele, imprimir essa tal foto e expô-la na escola.

Dennis era muito quieto, mal se escutava sua voz na sala. Ele se juntava de vez em quando com a galera do fundão, mas não fazia parte dela. Ficava a maior parte do tempo no celular com o fone de ouvido nas orelhas, sua timidez era parecida com a minha, por isso anos atrás éramos amigos.

Lembro-me muito bem de quando eu ficava levantando de meu lugar e indo para o lixo a fim de chamar a atenção dele, que se sentava na primeira cadeira da fileira do meio. Houve um trabalho de artes que tínhamos que fazer uma peça teatral, e coincidentemente eu e Dennis fazíamos uma cena juntos. Foi o motim para ficarmos amigos. Até ele me trair de uma forma cruel.

Assim como eu nunca mais havia falado com Violeta, também não tivera mais falado com Dennis, na época do ocorrido, ele tentou se desculpar, todavia eu não quis escutar e aceitar as desculpas dele.

Faz um ano que Dennis e Violeta terminaram, ficaram juntos durante um ano e meio.

Mesmo assim, eu tinha que de alguma forma voltar a ser amigo de Dennis para conseguir seu celular. Pensei comigo mesmo que Dennis era uma das últimas pessoas que eu queria falar no mundo, depois de Guilherme, e ironicamente, vi Guilherme e Dennis conversando e dando gargalhadas juntos como amigos.

Uma linha de raciocínio surgiu na minha mente, uma ideia totalmente grotesca apareceu e ficou clara nos meus pensamentos. Fúria concordou com a ideia, e sem alternativas, tive que seguir com o planejado.

Cheguei a Guilherme e falei:

–Cara, preciso te pedir desculpas, fui muito grosseiro com você aquele dia, não sou Deus nem nada para te julgar, e ao contrário, eu devo é lhe desculpar, pois somos todos humanos e todos erram.

Eu falei isso mesmo? Tinha que fazer isso mesmo? Agora já foi! Seguir em frente com esse plano maluco.

–Mano, fico muito feliz que você me perdoou, e queria muito a voltar a ser seu amigo, de verdade.

–Tudo bem. Somos amigos novamente agora- e dei um sorrisinho forçado.

Fui ao meu lugar, e peguei meus materiais.

–Aonde você pensa que vai?- perguntou Sansa.

–Vou me sentar lá atrás, perto do Guilherme.

–Guilherme? Como assim?

–É uma longa história, depois te conto.

–Puta que pariu Julian, para de ser idiota, voltou a ser amigo daquele trouxa?

–Sim e não. Como disse depois eu te explico.

–Vai me deixar aqui sozinha mesmo né?

–Para de fazer drama! Você não está sozinha, Violeta está aí pra conversar com você hoje.

–Foda-se, você é meu melhor amigo, e não estou fazendo drama!

–Ah você tá sim, não posso respirar sozinho que você diz que já estou te abandonando!

–Como é? Olha aqui, eu quero a sua presença porque gosto de você e te considero muito, agora pelo jeito você não me considera do mesmo jeito né?

–Me desculpa...

–Não quero suas desculpas! Não ia se sentar lá atrás? Então tchau!

–Viu só como você é dramática? Quer saber, tchau digo eu! Tenho muitas coisas a resolver, e o que eu não preciso agora é de um grude em mim.

–Grude? Filho da puta! Sou sua melhor amiga e não um grude, ou melhor, ERA sua melhor amiga. Se você me vê como um grude, esse grude se desgrudou de você, pode respirar sozinho agora!

Eu nunca tinha brigado com Sansa antes, era a nossa primeira discussão. Peguei meus materiais e sentei-me atrás de Guilherme. Fiquei muito mal por ter brigado com minha melhor amiga, mas uma coisa estava certa, eu tinha muitas coisas a resolver e não queria envolver Sansa nisso.

João mudou de lugar, sentou-se atrás de Sansa e conversou com ela.

Queria saber o que falavam, seria sobre mim?

Puxei papo com Guilherme, e logo, estava falando com Dennis como já havia previsto. Dennis pediu desculpas pelo que aconteceu três anos atrás, mas eu fingi que já havia esquecido e que não me importava mais.

Pedi o celular de Dennis para “ver as músicas” que havia nele. O celular de Dennis, como qualquer celular, tinha uma senha. Ele pegou o celular em mãos e digitou a senha enquanto a gente estava conversando sobre qual a cantora mais gostosa do mundo, de acordo com os planos, Fúria conseguiu ler a mente dele e descobrir o código.

O resto do dia ficou eu, Guilherme e Dennis conversando como bons amigos. Era estranho porque eu estava gostando de ser amigo deles, mesmo não sendo de verdade. Ter dois amigos que riam e faziam piadinhas comigo, era tão legal. Por um instante hesitei e pensei em desistir da vingança, porém Fúria me lembrou do meu objetivo e o porquê eu estava fazendo aquilo. A hora da escola acabou.

Segui Dennis até a casa dele, sem que ele percebesse, como já tinha feito com Tatiana. Fiquei fora da casa dele, até que Fúria saiu de minha mente e transformou-se em serpente, invadindo a casa de Dennis.

Fúria conseguiu entrar pela porta que estava entreaberta. Dennis estava tomando banho. Ele havia deixado a porta aberta, então Fúria conseguiu entrar, transformar-se em morcego, pegar o celular de Dennis que estava no lavatório e sair pela janela do quarto, levando o aparelho até minhas mãos.

Fúria me disse a senha do celular que ela havia conseguido graças sua habilidade de ler mentes. Entrei na galeria de fotos até chegar a tal foto de Violeta: a foto em que ela estava totalmente nua.

Excitei-me com a foto, ver Violeta nua era o que eu mais queria há três anos quando meus hormônios começaram a surgir, me masturbei inúmeras vezes pensando nela.

Deixei minha vontade de bater uma de lado, fui até em casa, passei a foto do celular para o computador através de um cabo USB, e imprimi mais de dez cópias da foto (minha mãe iria me matar se soubesse que estou gastando tinta “à toa”).

Era mais de 19h da noite quando disse a minha mãe que precisava sair, ir na casa de um amigo para pegar um livro emprestado para a escola (quase sempre repetindo a mesma mentira).

Fui até a escola que estava fechada à uma hora dessas. Fúria se transformou em morcego, pegou as fotos que eu tivera imprimido, e entrou na escola por uma das janelas das salas de aula que sempre ficara aberta.

Lá, ela espalhou as fotos pelos corredores e pelas salas de aula.

No dia seguinte meu plano se concluiu, todos tiveram visto a foto de Violeta e estavam comentando sobre isso. Um alvoroço imenso surgiu nos corredores e nas salas de aula.

Quando entrei na minha, vi Violeta chorando e Sansa a consolando. Dennis estava nervoso, e disse que o celular havia sido roubado dentro de sua própria casa.

Meu plano de vingança foi completado, estava orgulhoso de mim mesmo novamente, fiz Violeta passar vergonha da maneira que ela fez comigo anos atrás. Agora ela sabe a humilhação que passei e o que senti por ter sido motivo de risadas de todo mundo.

A mãe de Violeta apareceu na sala ao lado da diretora, abraçou a filha.

Violeta em lágrimas falou:

–Mãe, quero me mudar de escola, não posso mais continuar aqui!

–Tudo bem filha, acharemos uma escola nova pra você.

A diretora em seguida gritou:

–Vou descobrir quem fez isso, e quando isso acontecer, a pessoa será expulsa da escola!

Violeta, a mãe dela e a diretora saíram da sala.

Sansa estava chocada com o que aconteceu, quase chorando.

Tive uma vontade de imensa de sentar-me atrás dela, mas me contive, e sentei-me atrás de Guilherme novamente, até porque, ele e Dennis eram meus próximos alvos.

O dia voou, Violeta era o assunto do momento, assim como Tatiana já fora.

Na hora da saída, João correu até mim e disse que precisava falar comigo, mas que não podia ser ali.

Como estávamos sem pressa, nós dois fomos a um parque que ficara bem próximo da escola.

–O que quer falar comigo João? Estou curioso desde que você puxou esse assunto!

–Eu sei Julian... Sei o que está acontecendo na escola... O que aconteceu com Tati e com a Violeta!

–Sabe?- fiz de desentendido- O que está acontecendo?

–Eu sei que é você!

–Que sou eu o que?- fiquei nervoso, como ele podia deduzir isso?

–Que é você quem fez isso com elas, sei que está se vingando de pessoas.

Como assim? Como ele sabia disso? Eu nunca tivera falado nada pra ele!

–Está enganado... Eu não fiz nada!

–Pode negar, eu sei a verdade!

–Que verdade João? Para de delirar!

–Enfim, não quero estragar seus planos nem nada, ao invés disso, quero que conte comigo para o que precisar.

Parei de falar por um instante, e com uma fala confirmei todas as suspeitas ou as afirmativas de João.

–Não preciso da ajuda de ninguém, eu faço isso sozinho!

–Não precisa fazer isso sozinho, pode ter alguém te ajudando, um braço direito!

–Não João, não quero envolver ninguém nisso...

–Não é você que quer, sou eu quem quer te ajudar.

Olhei nos olhos dele, estavam brilhando.

–Mas por que quer me ajudar?

–Simples...

Ele virou os olhos para o lado.

–Por que eu te amo- completou a frase.

Meu coração disparou, palpitou muito mais forte, e a intensidade ia aumentando a cada passo que João dava em minha direção, até ele colocar os lábios dele nos meus.

Quando vi, estávamos nos beijando.

Depois do beijo, eu ainda estava meio balanceado com a situação, juntei forças para fazer uma pergunta a João.

–Ok. Você pode até me ajudar, mas preciso saber: como você sabe que eu estou me vingando das pessoas?

–Porque você não é o único que tem uma Fúria.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.